Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Os verdes não estão com nada (2)

Por Luiz Weis em 03/02/2008 | comentários

E um dos que lhes tiram o chão sob os pés, escreve hoje na Folha o professor, diplomata e ex-ministro Rubens Ricupero, é quem gosta de se definir como metamorfose ambulante, o presidente Lula. A análise de Ricupero é irrespondível. Antes não fosse.


O artigo, intitulado, Metamorfose giratória:


‘Além de ambulante, é giratória a metamorfose que nos governa. Não será desrespeitoso evocar imagem com a qual o próprio presidente se definiu. Ao criar a expressão, Raul Seixas quis dizer que mudava de posição de vez em quando, de forma sucessiva. Ambulante não serve, contudo, para descrever aquele que tem várias posições conflitantes ao mesmo tempo. Quem atira para todos os lados só pode ser giratório. Ou giróvago, como se dizia outrora.


Haverá exagero em afirmar isso de alguém que convoca reunião ministerial de urgência e anuncia medidas de estardalhaço contra o desmatamento apenas para declarar, dias depois, que tudo não passava de alarde, talvez até de sinistra conspiração estrangeira?!
Como nenhum fato novo ocorreu nesses contados dias, de duas, uma: ou o presidente estava errado então ou erra de modo crasso agora. Com delicioso senso de oportunidade, escolheu para proferir essas espantosas declarações o momento exato em que a ministra do Meio Ambiente se encontrava na região calcinada.


Na mesma hora em que ela advertia os celerados de que a sociedade brasileira não tolera mais a destruição da Amazônia, seu chefe resolvia comprar briga com as ONGs internacionais. É maneira manhosa de insinuar que se opor à devastação é coisa de estrangeiro.


Por falar nisso, alguém deveria informar ao presidente que são as florestas boreais e temperadas as que compensam, até certo ponto, o dano causado pelas emissões de carbono oriundas das queimadas tropicais. O país que mais expande as florestas é hoje os EUA. Portanto, da próxima vez, ele deve mandar as ONGs plantar batatas ou bananas, pois árvores elas já estão plantando.


O trágico nessa tragicomédia é que se tira assim o tapete debaixo dos pés da ministra. Quem levará a sério as ameaças de cortar o crédito, pôr na lista negra os municípios criminosos, enviar o Exército ou a Polícia Federal quando o próprio chefe de Estado faz pouco do problema?
Esse é o nó da questão. Ao girar como cata-vento ao sabor das emoções ou da influência do último interlocutor, o presidente desautoriza e enfraquece a sua ministra. Como só ele pode definir orientação unificada entre posições contrastantes, ao agir de modo contraditório indica que a preocupação com a Amazônia ou o ambiente não é política nacional de governo, apenas de uma pasta ou de ativistas pitorescos.


Embora pareça dura, a interpretação do giroscópio é ainda a mais generosa das duas possíveis. A outra, que suspeito verdadeira, é que ele não mudou de opinião coisa nenhuma. Seu coração nunca esteve com a ministra. Bate em uníssono com o do devastador-mor, o governador de Mato Grosso. Não está longe dos trogloditas fardados ou não que declaravam: ‘É a pata do boi que vai conquistar a Amazônia’. Só não o proclama com a mesma contundência porque o fundo demagógico lhe aconselha a não alienar por completo o respeito dos que reverenciam a vida e a natureza.


O mau exemplo vem de cima. Por isso é que nos encontramos neste lastimoso estado. No próximo dia 6, se o Carnaval deixar, comemora-se o quarto centenário do nascimento do padre Antonio Vieira. Como para tudo o mais, cabe aqui também uma citação do jesuíta: ‘Dizem que os que governam são espelho da República: não é assim, senão ao contrário. A República é o espelho dos que a governam’.

Todos os comentários

  1. Comentou em 04/02/2008 Ivan Moraes

    ”Dizem que os que governam são espelho da República: não é assim, senão ao contrário. A República é o espelho dos que a governam’.’: portanto o Carnaval. Dessa vez eu vou EXIGIR dos jornais que contem a verdade a respeito dos clicks em materias de carnaval, porque sao contaveis, e portanto, todo mundo vai saber quantos brasileiros **realmente** estao interessados em Carnaval, quantos querem ver as fotos, quantos querem ir pular Carnaval, e outras coisas mais que o ‘espelho dos que os governam’ empurram goela abaixo da populacao. EU QUERO SABER OS NUMEROS DOS CLICKS! POR FAVOR EXIJAM SABER OS NUMEROS DOS CLICKS! Ja sei que foi mais bomba, bem mais bomba de publico do que o Pan, MAS EU QUERO SABER OS NUMEROS DOS CLICKS NAS REPORTAGENS DE CARNAVAL! QUERO SIM! Tambem quero saber quantos brasileiros acreditam que os **outros** brasileiros estao tao interessados em Carnaval quanto a media lhes diz, porque eu nao acredito, nunca acreditei, e nao vou acreditar tao cedo.

  2. Comentou em 04/02/2008 Ivan Moraes

    Os verdes de fato nao estao com nada, mas ninguem mais esta: madeira no Brasil custa mais do que nos EUA, e eh muito mais mal-cortada e mal-acabada. Em 94 comprei umas madeiras pra fazer alguma coisa na casa da minha mae e paguei 80 dolares, que era mais caro do que eu paguei aqui pra fazer a mesma estante. Se madeira eh tao cara… aonde esta indo o dinheiro da madeira brasileira? Nos estados produtores? Aonde se viu dinheiro de, digamos, madeira do Para nos ultimos anos?

  3. Comentou em 03/02/2008 Carlos N Mendes

    Realmente o presidente precisa tomar um puxão de orelhas por esses episódios lamentáveis, mas eu queria saber se continua valendo para o citado comentarista o dito ‘Eu não tenho escrúpulos, o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde’ ?

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