Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1018
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Para bons números, boas perguntas

Por Luiz Weis em 31/01/2006 | comentários

O presidente Lula reaparece nos jornais de hoje congratulando-se com os números positivos sobre o crescimento do emprego com carteira assinada, da renda e do poder de compra da população, com inflação contida.


“Os dados do IBGE, que começam a sair aqui e ali, vão acabar de vez com a urucubaca que colocaram neste governo”, festejou ele numa inauguração-comício no município capixaba de Viana, segundo o Estado.


A imprensa bem que poderia fazer ao leitor o serviço de mergulhar na análise da numeralha que devolveu o alto astral ao presidente para tentar saber a que se devem esses dados auspiciosos – cuja veracidade é indiscutível.


Quais deles, se é que algum, independem das decisões que o governo tomou ou deixou de tomar? Quais deles, se é que algum, descendem em linha direta das políticas da gestão Lula, a começar da polêmica política econômica? Quais deles, se é que algum, vieram na contramão das ações do governo?


Em suma: por causa de, apesar de – ou nenhuma das anteriores? E por quê?


Outras perguntas podem ser feitas, e aquelas, matizadas, mas já daria para o gasto.


A idéia dessa pauta não é negar ao presidente a paternidade dos êxitos que ele invoca – é jogar alguma luz sobre um debate que só vai ficar mais forte à medida que a campanha eleitoral avançar:


Afinal, o governo é incompetente, como não se cansa de dizer a oposição, ou se mostrou à altura do desafio brasileiro? Afinal, a política econômica do ministro Palocci, tão combatida no PT, presta ou não presta? Se presta, como fica a acusação de que ela não passa de um malanismo com outro nome, a serviço do capital financeiro? [Aliás, é bom lembrar que Malan, ao deixar a Fazenda, dizia que o Brasil estava pronto para voltar a crescer.] E, afinal, se não presta, o balanço econômico dos três anos de Lula não seria ainda melhor se ela tivesse sido mudada?


Se a mídia encarasse essas questões com objetividade, equilíbrio e com o mínimo possível de economês, ajudaria o eleitor que vota antes com a cabeça do que com o fígado a perceber qual dos presidenciáveis é capaz de responder convincentemente ao que deveria ser a grande pergunta dessa eleição: e a partir de 2007, para onde devemos ir?


***

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