Quinta-feira, 23 de Março de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº937

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Para entender o giro de Bush

Por Luiz Weis em 09/03/2007 | comentários

Se você tivesse que ler um único texto do que já foi publicado sobre a viagem de Bush à América Latina, o editorial de hoje do Guardian de Londres, intitulado “Bush rumo ao seu quintal”, poderia ser uma boa pedida. Lá vai:

“George Bush voou ontem para o Brasil, o primeiro trecho de um giro pela América Latina, com uma mensagem simples: os Estados Unidos se preocupam. A viagem de uma seman foi construída para contrabalançar a percepção de que Washington negligenciou o seu quintal desde 11 de setembro de 2001, embora muitos possam estar gratos pelo longo período de negligência. Nesse meio tempo, o equilíbrio de forças na região se deslocou. A mistura de socialismo, populismo, óbolos do petróleo e um fluxo de invectivas anti-Bush, de Hugo Chávez, tem um apelo forte e compreensível além das fronteiras da Venezuela. Houve disparos que por pouco não erraram o alvo na Nicarágua e no Equador, mas Chávez pode contar hoje com o sólido apoio de Evo Morales, na Bolívia, a camaradagem de Néstor Kirchner, na Argentina, e a simpatia da Nicarágua. Se existe uma agenda na visita de Bush, é a da contenção de Chávez.

Enterrado nas areias do Oriente Médio, o presidente americano chegou à tardia conclusão de que também na América Latina a atual política dos Estados Unidos, armada em torno de acordos de livre-comércio e da guerra ao tráfico, não funcionou. Só na Argentina, Chávez usou o seu dinheiro do petróleo para comprar US$ 1,5 bilhão em títulos, socorrer um produtor de laticínios e transportar favelados em aviões para tratamento médico no exterior. A ajuda anual dos EUA à região tem sido de apenas US$ 1,6 bilhão, a maior parte gasta com as forças armadas colombianas.

Em agosto passado, Washington foi acusada de despejar milhões num “programa pró-democracia”, financiando a oposição anti-Chávez. Os clandestinos programas americanos de mudança de regime são maná do céu para Chávez, que já sobreviveu a uma tentativa de golpe em 2002 e foi reeleito no fim do ano passado. Agora, Bush está mudando de tática. Ele descobriu estar preocupado com os milhões [de latino-americanos] que vivem com menos de US$ 2 por dia. Deve ser, em ampla medida, retórica: o que impede os produtores brasileiros de etanol de exportar mais biocombustível para o mercado norte-americano não é falta de demanda, mas as barreiras tarifárias dos EUA.

Ainda assim, o novo pragmatismo de Washington – até onde vá – é bem-vindo. Trabalhando em favor dos EUA é uma disseminada desconfiança de Chávez entre líderes de todas as tonalidades políticas. O presidente brasileiro Lula tem um relação tensionada com o líder venezuelano, e propriedades brasileiras no setor energético foram nacionalizadas na Bolívia. O esquerdista presidente uruguaio Tabaré Vázquez, que lidera uma coalizão que inclui antigos guerrilheiros tupamaros, também está em guarda. Mas os que eles e Felipe Calderón, do México (que deseja um acordo melhor sobre direitos de imigração) necessitam é de uma política americana que consigam apoiar. Qualquer líder latino-americano sabe que Bush tem menos de dois anos pela frente no cargo. Para conquistar as suas simpatias, precisa mostrar que a política americana vai além de sua batalha pessoal com Chávez.”

Pela tradução, L.W.

***

Os comentários serão selecionados para publicação. Serão desconsideradas as mensagens ofensivas, anônimas, que contenham termos de baixo calão, incitem à violência e aquelas cujos autores não possam ser contatados por terem fornecido e-mails falsos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 11/03/2007 Wilon Sobral

    ‘Pernambuco é anti-Bush’

  2. Comentou em 10/03/2007 Marco Costa Costa

    Caro Fotenele, leia o artigo do jornalista Dines, a palavra ETANOL é oriunda do inglês, aqui na terrinha sempre foi conhecido como álcool. Como moramos num país onde o analfabetismo é zero, pergunte às pessoas o que significa a palavra ETANOL. Quanto ao Dr. Chat, nem todo cidadão raivoso é esquerdista, bem como nem todo cidadão bonzinho é direitista. Isto é uma questão semântica e filosófica. Se vc gosta do Bush, muita gente odeia o grande demo. Portanto, trata-se de livre expressão de consciência democrática. O resto é conversa para criança para de chorar!

  3. Comentou em 10/03/2007 rafael Chat

    O Rikene está certo
    etanol é um álcool, assim como outros
    Aliás, Rikene não é o nome comercial de algum polímero?
    Prolene, Lycra, Rikene, Teflon… Brincadeirinha
    Esperava mais ódio dos nossos esquerdistas ao falar de Bush. Onde está o rancor, o recalque? Ninguém vai pedir a cabeça do Bush? Vcs estão muito light! Isto está um tédio!

  4. Comentou em 10/03/2007 Marco Costa Costa

    Caro Fontenele, tens que dizer estes impropérios para o professor jornalista Dines. O senhor é de uma cultura imensa, esta perdendo tempo, vá a luta, seja um assessor do demo. Um busto em sua homenagem é pouco pela sua sabedoria.

  5. Comentou em 10/03/2007 Marcelo del Questor

    Mesmo com toda essa balela publicada pelo Guardian, baseada ou num total desconhecimento do que acontece hoje no cenário político da América Latina, ou numa tentativa de desacreditar esse cenário, a realidade como vemos, para o desespero de muitos alinhados ao senhor do caos norte-americano, é bem outro. Mas a imprensa, lá como cá, é useira e vezeira da arte de distorcer a verdade. Certo também que a intentada do semeador de guerras et caterva parece estar perdendo força. Esta nova tendência surgida na América Latina tem assustado os eua. Paises latinos americanos parecem estar vendo com mais clareza as constantes tentativas de desestabilização promovidas a dolar, contra estes países. Brasil incluso. Pois é de conhecimento público que os eua fomentam apenas a compra de armas e o incentivo à violência no dito ‘quintal’. O próprio termo ‘quintal’, desmerece essas nações soberanas. Típica qualificação perjorativa e arrogante que é destina a nós sul-americanos, que é recebida de forma subserviente pelos orgãos que se alinham a tais paises. Parceiros do eua, tais como a inglaterra, desmerecem e visam apenas sobrepujar nações como Brasil, Venezuela, Chile, Colombia etc…Mas tal se justifica. Após a total destruição de mais de 90% do continente africano, chegou a hora de eua, inglaterra e cia limitada se voltarem para o ‘quintal’ do tio sam.

  6. Comentou em 10/03/2007 Rikene Fontenele

    ‘Etanol deriva do inglês, álcool do português’. Essa confusão só existe pra quem não estudou química (estudar não é o forte da maioria dos brasileiros). Etanol não deriva do inglês e nem álcool do português. O texto do The Guardian aponta o único motivo importante da visita de Mr. Bush: conter o protoditador Hugo Chávez. PS.: O cara sai do seu país para viver em outro país, consegue trabalho, ganha seu dinheiro e fala mal do presidente do país que o recebe e tem coragem de falar em hipocrisia. Faça me um favor…

  7. Comentou em 10/03/2007 Marco Costa Costa

    CORREÇÃO: TODO – FICAR.

  8. Comentou em 09/03/2007 Marco Costa Costa

    Sr. Luiz Weis, parece que o senhor não leu o comentário do seu colega Dines, o qual diz que a imprensa entrou no modismo de escrever etanol e não álcool. Etanol deriva do Inglês, álcool da língua portuguesa. Quanto ao que o demo veio fazer no Brasil, tudo mundo sabe(ou quase todo mundo), veio pedir para o seu subordinado fique de mau com o grande comandante Hugo Chávez, digníssimo presidente da Venezuela, e de sobra enganar o Lulla, a fim de levar vantagem nas tratativas entre os dois países.

  9. Comentou em 09/03/2007 Hugo Werle

    Texto muito interessante. Observe-se que ao longo do mesmo, o destaque é dado ao Chavez, não a Lula ou Kirchner, presidentes das duas maiores nações da América do Sul. Ficou claro que a viagem de Bush foi um roteiro mais político do que de negócios propriamente dito.
    Outro fato que aparece nas entrelinhas é de que Lula e sua política externa são considerados aliados americanos, ou seja não tem uma política anti-americana. Essa constatação do Guardian contrasta com as manifestações do ex embaixador brasileiro nos EUA, segundo o qual o Brasil teria uma política de confronto com os EUA. Aliás, a repercussão dada as manifestações do ex, pela mídia vassala dos interesses americanos (globo, folha, estadão veja, etc) já denunciava que a coisa não era bem assim.
    Finalmente, acredito que está sendo um passeio caro para os contribuíntes americanos, visto que não trará nenhum resultado positivo pelo que se percebe das manifestações e reações geradas por onde o homem passa..
    Att.

  10. Comentou em 09/03/2007 Ivan Moraes

    O queeh que esse dono mundial da hipocrisia quer no Brasil alem de destruicao?

  11. Comentou em 09/03/2007 Marco Costa Costa

    Jornalista Luiz Weis, o Dines escreveu (COWBOY) que a imprensa nacional adotou o modismo da palavra etanol, oriundo do Inglês? Caro Jornalista, vc não leu o referido texto do seu chefe. Pôr isso, sugiro trocar a palavra etanol pela Álcool. Quanto ao quintal, o patrão veio ver como anda a fazenda de criação de asnos. Em suma, o Brasil trocou o nome antigo pelo atual, ou seja, Bushlandia Americanopolis.

Código Aberto

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem