Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Para ouvinte, Silvio Pereira inocenta Lula, o governo e o PT

Por Mauro Malin em 09/05/2006 | comentários

O ouvinte Bernardo Jurema, de Brasília, envia o seguinte comentário:

Estou impressionado com a maneira como a grande imprensa está repercutindo a entrevista do ex-secretário-geral do PT, Sílvio Pereira. Fica parecendo que as pessoas não leram a entrevista. Deram destaque ao fato de que Marcos Valério tinha como objetivo arrecadar R$ 1 bi e que o presidente Lula fazia parte da cúpula do PT. O primeiro ponto diz respeito a algo que teoricamente iria ser feito, mas não foi. O segundo, é a constatação do óbvio. É o império da não-notícia.

A manchete não corresponde ao conteúdo da entrevista. Vejamos: ‘plano era faturar R$ 1 bi’. O plano era do Marcos Valério, um corrupto tradicional do sistema e não do PT, como fica claro nas declaracões do entrevistao. ‘Quem mandava era Lula, Genoino, Mercadante e Dirceu’. Quem mandava no partido, pois são dirigentes, e não na corrupção. Faz-se ilação descarada, de má-fé. Silvio, ao contrário do que faz parecer o destaque d´O Globo e a repercussão dos outros meios, defendeu todos os petistas. Não acusou ninguém. Afirmou, ainda, que se fossem ampliadas as investigacões, as denúncias atingiriam todos os partidos – e por isso mesmo que as investigacões não seguiram adiante – e cairia a República. O que houve de grave foi a perda de controle sobre Marcos Valério. Um corrupto experiente e inteligente. Tratou-se, de fato, de um eloqüente testemunho de que Lula é inocente em relação ao Valerioduto.

Outros pontos muito mais substanciais da entrevista simplesmente têm passado batido. Acho natural que a oposição tente propagar uma versão que lhe seja favorável – está apenas cumprindo seu papel. Mas à imprensa caberia destrinchar a entrevista e identificar o que é mais significativo, e não jogar o jogo da oposição, que, com água na boca, já volta a falar em ‘
impeachment‘, único meio de que dispõem para tomar a Presidência do PT. A sanha da oposição e a parcialidade da imprensa ficam claras na maneira sensacionalista e desinformativa como essa entrevista tem sido repercutida, e explicam o fato de que, um ano após a ‘a maior crise política do país’ (como querem nos fazer crer), não se tenha aprovado no Congresso Nacional uma reforma político-eleitoral que sane as falhas sistêmicas que tornaram possível os problemas de que tomamos conhecimento.

Ao repercutir a entrevista de forma truncada e tendenciosa, a Imprensa ajuda a oposição na sua tentativa de forjar uma crise artificial, porque fundada em dados falsos ou deturpados, para que atinjam seus objetivos eleitorais ou golpistas. Este, sim, é o verdadeiro escândalo.

Por que a Imprensa não dá ênfase a outras questões mais relevantes levantadas na entrevista? Permanece a dúvida. Como o presidente da Controladoria Geral da União, Jorge Rachid [Hage; Rachid é o secretário da Receita Federal], disse em entrevista à imprensa, a corrupcão não é a novidade. Sempre se fez esse tipo de coisa por meio de licitações viciadas. A verdadeira notícia, por trás da pseudo-notícia, é que agora essas coisas estão vindo à tona, sendo apuradas, investigadas, divulgadas. As instituições estão funcionando, e a CGU, o Ministério Público e a Polícia Federal estão investigando e a imprensa, divulgando
.”

Comentário ao comentário:


O ouvinte me parece muito influenciado pela imprensa. Além de generalizar, exagera um pouco. Como se as declarações de Silvio Pereira não tivessem substância ou sua substância fosse uma ode à retidão do presidente Lula na vida partidária e pública, o que não são. Para começar, Marcos Valério não agiu no vácuo.

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