Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Para quem atira antes e pergunta depois

Por Luiz Weis em 04/07/2006 | comentários

A Folha traz hoje um texto e uma foto que dão o que pensar.

O primeiro é um furo. A repórter Andréa Michael antecipa que “a Polícia Federal dirá nesta semana à Justiça que concluiu que a origem dos cerca de R$ 25 mil depositados na conta bancária do caseiro Francenildo dos Santos Costa entre janeiro e março deste ano é legal’.

Ou seja, como se lê no sub-título da matéria, “Nada de irregular foi encontrado nos depósitos a Francenildo, que afirmou que Palocci ia à `casa do lobby’”.

Todos quantos afirmaram e reafirmaram que Francenildo tinha sido subornado pela oposição para difamar o então ministro da Fazenda têm agora a oportunidade de pensar sobre a indignidade que é acusar e caluniar alguém sem provas.

E não se diga que a Polícia Federal é suspeita. Ela responde ao ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos que decerto teria algo a ganhar se ficasse demonstrada a desonestidade do caseiro. Afinal, para os que ainda se lembram do escândalo da violação do seu sigilo bancário, o papel do ministro no episódio não foi propriamente cristalino.

A foto que também dá o que pensar saiu igualmente na Folha. De autoria de Raimundo Pacco, ocupa um espaço proporcional (14×19,5 cm) ao que mostra: três secretários do governo paulista em pleno trabalho – numa reunião na Associação Comercial de São Paulo, convocada para debater o programa de governo do candidato tucano Geraldo Alckmin.

A reunião, informa o jornal – o único a revelar a impropriedade – “começou às 15h e acabou pouco antes das 18h”, em pleno horário de expediente, portanto.

Para arrematar, a matéria informa que os nomes dos secretários – José Goldemberg (Meio Ambiente), Jurandir Fernandes (Transportes Metropolitanos) e Maria Helena Guimarães (Ciência e Tecnologia) – “não constavam da lista entregue à imprensa com as pessoas convidadas para a reunião”.

Pensem nisso os que dizem que a mídia está fechada com a candidatura Alckmin, por causa do seu “complô” contra o presidente Lula.

P.S. Da série “Como manda o figurino”:

O Estado foi o único dos três grandes jornais que publicou na íntegra o manifesto que defende a aprovação dos projetos da Lei de Cotas e do Estatuto da Igualdade Racial, junto com o que prega a sua derrubada no Congresso.

A propósito, esta é também a posição do jornal, expressa em diversos editoriais.

Na semana passada, o manifesto contrário aos projetos saiu como artigo na página de opinião da Folha. Compreende-se que o jornal não tenha podido fazer o mesmo com o novo, feito para rebater o outro, por ser quase 3,5 vezes mais extenso.

Mas tinha a obrigação de dá-lo na página em que o noticiou, como manda o figurino e como os jornalões faziam antes do surgimento da internet, em vez de apenas remeter o leitor para o link www.folha.com.br/061845

Até porque textos imensos, como o abaixo-assinado a favor do Estatuto, se lêem mais facilmente no papel do que na tela, e o interneteiro acabaria tendo de imprimi-lo.

***

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