Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CÓDIGO ABERTO > Código Aberto

Parece incrível, mas há uma lógica na inclusão digital

Por Carlos Castilho em 01/11/2007 | comentários

Pessoal, o título não está errado, não. A maioria de vocês já ouviu falar na lógica da exclusão, ou seja, dos sistemas ou processos que impedem e retardam o acesso de bilhões de seres humanos à cultura digital.


 


Mas existe uma outra lógica, bem menos conhecida, e que mostra como o desenvolvimento econômico e social da humanidade depende diretamente da inclusão digital, ou seja, da incorporação crescente e acelerada de novos cidadãos digitais.


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A divergência vem do fato de que tanto a exclusão como a inclusão digital tem suas lógicas próprias. A primeira responde a um sistema em crise e a outra a um modelo econômico em processo de expansão e amadurecimento.


 


A lógica da inclusão tem sua base na informação, a matéria prima mais valorizada da era digital e que possui características radicalmente diferentes das commodities dominantes em ciclos econômicos anteriores, como grãos, minerais e petróleo.


 


Enquanto estas se esgotam porque são consumidas, transformadas ou queimadas, a informação é renovável e se multiplica. Se eu tenho uma maçã e troco por uma laranja, eu não tenho mais a maçã. Mas se eu trocar uma informação por outra, eu fico com duas, ou seja, além de não perder a minha, eu ainda fico com a que era de meu parceiro, que também sai ganhando na troca.


 


Este mecanismo está na base dos processos colaborativos de produção de conteúdos informativos, como a Wikipédia, ou explica o sucesso de projetos de código aberto, como o sistema operacional Linux, que está substituindo gradualmente o Windows, nos computadores do mundo inteiro.


 


A lógica da inclusão parte do princípio de que quanto maior for o número de pessoas participando do processo de troca de informações, maior será a produção de conhecimentos e, portanto, maior o desenvolvimento econômico e social da humanidade.


 


O caso de muitos sites da chamada Web 2.0 ,ou Web social, mostra como os sistemas abertos à participação de internautas geram um aumento de capital intelectual não só da empresa como do usuário.


 


Como quase todas as empresas e instituições do mundo tem hoje algum tipo de dependência de informações produzidas através da internet, elas tendem a ganhar caso aumente o uso e acesso cada vez maior de usuários à rede de computadores.


 


Este tendência bate de frente com posições empresarialmente conservadoras de muitas corporações, especialmente as de telecomunicações, as principais responsáveis pelo alto custo de sistemas como a banda larga e o bloqueio sistemático de soluções mais baratas como o WiMax e WiFi.


 


Resquícios da cultura empresarial conservadora ainda sobrevivem dentro de empresas de alta tecnologia que poderiam ser mais agressivas na política de inclusão digital porque trata-se de um processo onde todos ganham, por incrível que pareça.


 


A questão é que os ganhos não são iguais para todos. Uma empresa como a Google, que recolhe a cada segundo dados de milhões de usuários, obviamente tem maior capacidade de gerar informações e conhecimentos do que empresas menores e usuários comuns.


Mas este é um problema que discutiremos mais adiante, porque senão este post se transforma num livro.


Conversa com os leitores
Talvez vocês tenham ficado surpresos com o título e o estilo conversa adotados neste post. É que alguns leitores criticaram a linguagem demasiado séria que venho usando desde o início do Código, alegando que ela não é adequada para os blogs, onde o estilo é mais coloquial, o que está certo.  Por isso resolvi mudar gradualmente em direção a um estilo mais próximo da conversa do que da aula ou palestra. Vou manter, no entanto, a mesma linha de temas e abordagens.

Todos os comentários

  1. Comentou em 27/11/2007 manifesto 21 mobile webtv

    A popularização da telefonia móvel, e as crescentes proposições e discussões no Brasil acerca de “tv digital” e “tv pública”, faz com que necessitemos nos posicionar ativamente neste atual contexto de dominação e libertação em que vivemos da chamada sociedade líquido-moderna e em rede.

    A tecnologia móvel – uma infra-estrutura cada vez mais onipresente em nosso cotidiano – pode ser vista, a partir de uma visão não-apologética, como uma acessibilidade (democratização) para todos junto a esta nova concepção de sociedade a qual pertencemos, propiciando uma possível (e/ou almejada) liberdade global no que diz respeito à comunicação audiovisual (textos, imagens e sons conectados on demand e em tempo real): a questão de uma produção midiática em rede se faz necessária não somente em um âmbito cultural-criativo, mas – e principalmente – junto a uma visão sócio-econômica e educativa, onde o usuário venha a tomar as rédeas da mensagem a partir do meio, proporcionando-lhes o “poder de transmissão de conteúdo e conhecimento”, compreendendo nossa época como a “Era Tecnoconceitual”, indo de encontro portanto à questão do que denominamos como mobile online live-broadcast e às mudanças paradigmáticas referentes aos media de comunicação… [continua]

  2. Comentou em 06/11/2007 Ricardo Camargo

    Com certeza, o conceito de escassez como pressuposto de todos os livros de economia teria de ser, não digo revisto, mas repensado, dado que ainda existe muito a se fazer em função desta idéia – que o digam quantos se vêm debruçando sobre o problema ambiental -. mas parece, no mundo digital, que a escassez vem a ser, em realidade, a ser a de espaço de atuação, no sentido de que aquele que tem a maior capacidade de atingir a um número maior de usuários, com maior freqüência, vem a expulsar outros pretendentes. Não é, pois, a escassez do bem que está agora em jogo, mas a do espaço de atuação. Ótimo artigo.

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