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Terça-feira, 21 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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Passos arriscados

Por Mauro Malin em 29/11/2005 | comentários

As autoridades brasileiras e a mídia se omitem diante da crescente imigração clandestina para os Estados Unidos, mas deviam alertar os interessados para o iminente reforço da militarização da fronteira com o México, ao invés de tratar como assunto pitoresco a fabricação de um tênis com lanterna, bússola e mapa para os que tentam a muitas vezes fatal travessia.


O colunista Andres Openheimer, do jornal Miami Herald, alertou ontem (28/11) para a tendência ao isolacionismo dos americanos detectada em pesquisa recente do Pew Research Center. Alguns dados, em tradução livre:


– Em 2002, 30% dos entrevistados diziam que os Estados Unidos, em política internacional, deveriam “se preocupar com seus próprios assuntos”. Agora, representam 42% dos americanos.


– O pleno apoio à ONU era defendido por 67% e agora o é por 54%.


– Quando perguntados sobre quais deveriam ser os principais aliados ou mais importantes parceiros dos EUA no futuro, os entrevistados citaram China, Índia, Japão e Reino Unido. Nenhum país latino-americano apareceu no quadro.


“Felizmente, nem todas as tendências da opinião pública apontam para uma ´Fortaleza América´”, escreveu Openheimer. “Em matéria de livre comércio, a pesquisa constatou que os americanos com menos de 50 anos têm uma opinião melhor dos que os mais velhos sobre os acordos comerciais com o México: 51% disseram que isso era bom, enquanto entre os mais velhos a porcentagem foi de 34%”.


Openheimer diz que o século XXI deve ser marcado por três grandes blocos de comércio – o asiático, o europeu e o das Américas –, e que cedo ou tarde a maioria dos países terá de ganhar acesso preferencial a um deles para aumentar suas exportações, crescer e reduzir seus níveis de pobreza.


“Mas existe um perigo real de que o isolacionismo ganhe terreno nos Estado Unidos”, alertou o colunista do Miami Herald. “Isso seria uma tragédia, porque não há meio de os EUA serem capazes de reduzir a imigração ilegal, conter o tráfico de drogas e aumentar suas exportações sem que a enorme distância que separa as Américas seja reduzida”.


E isso requer mais integração, não isolamento, afirmou.

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