Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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PCC na TV: o que não se deve esquecer

Por Luiz Weis em 17/05/2006 | comentários

No começo da noite de ontem, numa livraria paulistana, o jornalista Paulo Henrique Amorim, apresentador do Domingo Espetacular da TV Record, foi cobrado e cumprimentado.

De uma pessoa ele ouviu que o modo como o seu programa tratou a guerra deflagrada pelo PCC deu o tom para a atitude da emissora no dia seguinte.

Segundo a interlocutora de Paulo Henrique, se uma TV inglesa tivesse feito o que fez a Record, teria sido tirada do ar.

De outra pessoa, ele ouviu que o modo como o seu programa tratou a guerra deflagrada pelo PCC colocou no devido lugar a questão dos direitos humanos no combate à criminalidade.

Segundo o interlocutor de Paulo Henrique, direitos humanos são os das vítimas da bandidagem e das pessoas ordeiras em geral.

Para registro: quaisquer que tenham sido as qualidades ou defeitos daquele Domingo Espetacular, o seu apresentador não interfere no resto da programação da Record, nem lhe foi dito isso. Agora, que pode ter dado o exemplo, mesmo sem querer, lá isso pode.

De todo modo, a questão essencial que não deve ser esquecida é esta:

A cobertura da crise de segurança na emissora, segunda-feira, só pode ser considerada jornalística se se der ao termo um novo e degradante significado.

O que ali se fez, objetivamente, foi pior do que sensacionalismo. Foi aterrorizar uma população inteira.

[Veja a nota “Síndrome de pânico em SP”.]

Como lembra oportunamente a coluna Painel, na Folha de hoje:

“No vale-tudo da segunda-feira, houve emissora de televisão exibindo às 15h, por minutos a fio, as imagens de um ônibus incendiado no início da manhã. Com a inscrição “ao vivo”.

Enquanto isso, o governador Claudio Lembo, em vez de requisitar as rádios e televisões paulistas, o que a lei lhe faculta, como apontou ontem, também na Folha, o articulista Demétrio Magnoli, produzia uma pérola atrás da outra:

O controle é total.”

Não somos desvairados. Tínhamos informações.”

Não temos a menor preocupação com o futuro.”

Nada deu errado.”

***

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Todos os comentários

  1. Comentou em 20/05/2006 Marco Antônio Leite Leite

    Sabemos que as emissoras de televisão abusaram do sensacionalismo para angariar alguns pontinhos no famigerado IBOPE. Quanto aos Direitos Humanos uma parcela considerável da população acreditam que esse organismo defende interesses de bandidos. O que ocorre na realidade, os Direitos Humanos se preocupam com os abusos cometidos pelos órgãos de Segurança Pública e Judiciário. fiscalizando o cumprimentos correto das leis. Vale dizer, não faço apologia do crime, porém pergunto aqueles que gostam de sangue de pobre, qual a diferença do Marcola e o Zé-do PT, ou então, do Mala do PP. Marco

  2. Comentou em 17/05/2006 Iorgeon Haenkel

    São 138 mortos. Mais mortes do que o ocorrido no Carandiru!!! Embora na maioria dos casos a Polícia tenha agido no cumprimento do seu dever, muitos foram mortos apenas por se suspeitarem. Hoje vi um depoimento de um pai que teve seu filho morto. Um trabalhador, com a ficha totalmente limpa. E nessas horas de pânico, que percebemos o quanto é necessário termos policiais bem treinados e preparados para lidar com situações extremas.

  3. Comentou em 17/05/2006 Luiz Pimentel Pimentel

    Coincidências (?) a parte, é bom lembrarmos que estoura uma crise dessas na segurança paulistana, exatamente quando outra não menos grave pipoca na Câmara Federal: os SANGUESSUGAS do dinheiro público. 170 deputados com média de 10 ambulâncias cada, vezes R$ 100 mil. Façam as contas, não é pouco dinheiro. O mais grave porém, é a falência da instituição. Começou com MENSALÃO não apurado, EMENDAS ORÇAMENTÁRIAS. Vamos ‘cortar na própria carne’ deles, propondo emenda popular a NÃO REELEIÇÃO ao legislativo. Os bandidos do PCC devem estar se achando ‘peixes pequenos’ com toda essa bandalheira.

  4. Comentou em 17/05/2006 armando dias

    Como já era previsto começou ontem a noite,16/05/2006, a revanche da Policia Paulista. Em apenas 12 horas fuzilou ou metralhou 32 pessoas inocentes. Pode ter certeza de que mais mortes virão. Tudo isto para encobrir o fracasso de uma politica de segurança que em 12 anos não conseguiu resolver este problema em São Paulo. Quantos mais morrerão, policiais e civis, artistas e bandidos, para que os paulistas tenham uma verdadeira gestão de segurança pública. Quem não tem competencia deveria pedir o boné e entregar o comando para que outros possam resolvê-lo.

  5. Comentou em 17/05/2006 Rogério Barreto Brasiliense

    Como fui forçado a ir para casa mais cedo na segunda-feira, assisti a parte da programação da Record, além da BAND e REDETV, todas usaram e abusaram do sensacionalismo barato ao longo da tarde, sem contar que reapareceram os aproveitadores de sempre que pregam mais democratura e prende e arrebenta, Conte Lopes, Celso Russomano e afins.

  6. Comentou em 17/05/2006 Kleber Silva

    Segundo Paulo Henrique Amorim no Conversa Afiada , o governo de São Paulo , fez um acordo com o PCC para acabar com a rebelião da organização criminosa no estado . Além do acordo foram entregues 60 televisores em vários presídios do estado . Se for verdade , isso revela a falência do poder estadual , porque a tendência é o PCC se fortalecer cada vez e retornar sempre mais violento ! Onde já se viu o governo paulista negociar de igual para igual com uma organização criminosa ? É o absurdo dos absurdos ! Com o crime não se negocia , combate-se ! Dessa forma estão institucionalizando o PCC como um poder paralelo ao próprio governo estadual .

  7. Comentou em 17/05/2006 Célio Mendes

    O sensacionalismo na mídia é pratica recorrente, critica-lo agora no momento de uma crise na segurança publica de SP é valido mas me parece hipócrita, quantas crises de menor expressão mas igualmente explosivas ocorreram no vizinho RJ e não vi os mesmos pruridos e escrúpulos com o tom em que se deu a cobertura, mesmo na crise política que ora se desenrola a pratica é consagrada e não é questionada, ou se cobra responsabilidade da mídia em todas as ocasiões ou então temos que nos conformar quando praticas sensacionalistas levarem pânico a população.

  8. Comentou em 17/05/2006 MCostaSantos Santos

    Não assisti e não posso dar minha opinião, mas aproveitando a oportunidade, como cidadão comum, me sinto desprotegido pelos poderes constituidos deste país que são irresponsáveis há décadas e chegando ao cúmulo da humilhação de negociar com uma suposta organização PCC. A situação é muito séria e o povo só conta com a OAB, ABI, CREA, CRM, CRA, CRO, CRC etc para moralizarmos os poderes constituidos deste país. Dinheiro não falta, o que falta é CIDADANIA E PATRIOTISMO dos nossos parlamantares.
    O povo clama por seus direitos civis.

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