Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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Pensata sobre o futuro dos jornalistas

Por Carlos Castilho em 27/05/2005 | comentários


O namoro, cada vez mais caliente, entre a grande imprensa e os weblogs colocou na agenda jornalística a questão do futuro da profissão. Os blogs, além de estarem se transformando num fenômeno de massa, criaram um novo personagem: o jornalista cidadão, ou seja, o indivíduo comum, sem formação jornalística, que publica um blog, tornando-se um produtor e distribuidor de informação.


Este novo personagem inevitavelmente mudará a percepção que os consumidores de informação têm do jornalismo. A medida que os blogs ficarem mais populares e ubíquos, deve mudar o cardápio informativo das pessoas comuns. Elas devem passar a procurar as notícias de seu quarteirão, do seu bairro e de sua cidade (principalmente as pequenas) nos blogs produzidos por vizinhos e conterrâneos. O mesmo processo deve ocorrer na área das informações setorizadas.


O jornalista cidadão na verdade é um produto da democratização da informação gerada pela Web e pela inovação tecnológica. No momento em que um indivíduo comum passa a poder produzir e disseminar notícias, ele assume um conjunto de responsabilidades decorrentes da propria natureza da informação. Mesmo o analfabeto sabe que para uma pessoa lidar com informações é necessário ser confiável, preciso e procurar o maior grau possivel de isenção.


Se as pessoas comuns ainda não tomaram consciência do seu novo papel coma agentes informativos, os jornalistas também não assumiram a tarefa de definir seu papel futuro na arena da informação. Tudo indica que o noticiário local e setorial será dominado pelas pessoas comuns atuando como jornalistas cidadãos em iniciativas chamadas de jornalismo cidadão colaborativo, caracterizado pela produção coletiva de informações, segundo exemplos que se multiplicam pelo mundo, como o caso da experiência do NorthWestern Voice , um site de dos moradores da região noroeste da cidade norte-americana de Bakersfield.


Entre os jornalistas profissionais, tudo ainda está muito nebuloso porque há pouca gente pensando no assunto. Mas algumas coisas, por exemplo, já podem ser vislumbradas: os jornalistas profissionais serão os tutores das pessoas comuns no manejo da informação e terão sob sua responsabilidade a produção de reportagens investigativas, cuja demanda será muito maior do que hoje, porque a exigência de contextualização das informações será muito maior.


Paro por aqui, porque este tema ainda vai dar muito pano para manga.

Todos os comentários

  1. Comentou em 30/05/2005 Fernando Henrique Baldissera

    Creio que os blogs não desempenhem no futuro somente uma função ‘investigativa’, mas também reportagens de cunho literário, científico e específicos. Isso já acontece hoje, embora quando se fale em ‘jornalismo’, sempre se associa à imagem de algo impresso. Está aí outro panorama a se pensar: blogs impressos. Obviamente que estes não seriam diários, mas citando por exemplo o caso dos Wunderblogs.com e da escritora Clarah Averbuck que já publicaram coletânes de seus blogs.

  2. Comentou em 30/05/2005 Henrique Lisboa Carneiro

    Se é sabido que para ser jornalista precisa ser ‘confiável, preciso e procurar maior grau possível de insenção’ não entendo qual é a ameaça que os jornalistas cidadãos colaborativos representam pros jornalistas comuns que estudadam e possuem ferramentas para ser ‘confiável, preciso e procurar maior grau possível de insenção’. Não há o que temer e mais, que bom se todos no mundo fossem jornalista, haveriam mais sites como o Observatorio, como o blog do Ricardo Noblat, o site do Joelmir Beting. Pros que sabem trabalhar e fazem com vontade sem uma lógica mercantilista, ainda que precisemos ganhar dinheiro (um mínimo)sempre haverá espaço.

  3. Comentou em 30/05/2005 Flavio Prada

    Acho mesmo que a questão é ainda aberta e vastissima. Os Blogs podem ser encarados sob o ponto de vista jornalistico seja como meio de veiculação de noticias de modo muito veloz, praticamente on-line, mas tambem oferece espaço para a reflexão e opinião, estas sim, coisas que talvez na imprensa em geral se encontrem de certo modo homogeneizados e que na rede assumem uma dimensão inédita e importante. Com Blogs se pode fazer tambem literatura, poesia, entre outras categorias do pensamento que fogem ao rotulo ‘jornalismo’. Penso que o blog se constituirá em um meio com uma linguagem muito especifica, mas com possibilidades de abrangencia nunca vistas. Nenhuma midia nova substituiu a precedente, so somou. Não creio que será desta vez que a historia irá inverter seus rumos.

  4. Comentou em 28/05/2005 Rogério Christofoletti

    Não tenho tanta certeza das mudanças que são sinalizadas aqui. Mas penso que se tem razão de uma coisa: os blogs e o aumento de seu ‘consumo’ e disseminação vão, sim, mudar a percepção das pessoas com relação ao que chamamos hoje de informação. Não sei se o jornalista como o conhecemos atualmente corre o risco de extinção. Mas o cidadão passivo, que se atinha apenas a engolir a informação sem mover um músculo, esse sim, pode estar caminhando para um fim. Ainda bem.
    Parabéns, Castilho, pelo ótimo blog.

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