Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Pentágono bloqueia YouTube e outros nove sites participativos

Por Carlos Castilho em 17/05/2007 | comentários


A partir desta semana, os militares norte-americanos no exterior, especialmente os destacados para o Afeganistão e Iraque, não terão mais acesso à uma lista de 10 sites cujo conteúdo é basicamente criado por usuários.


O Pentágono explicou que a medida visa economizar largura de banda, mas o jargão técnico não esconde a clara intenção de evitar que soldados vejam, através do YouTube, cenas filmadas por amadores mostrando o drama das populações civis afetadas pela ocupação norte-americana no Iraque e no Afeganistão.


A censura disfarçada nivela o Pentágono a vários outros países do mundo onde as autoridades tentam controlar o acesso à internet temendo as conseqüências políticas da diversidade de opiniões e posicionamentos publicados na rede. Os Estados Unidos sempre criticaram a China pela censura à internet e agora usam o mesmo expediente.


Há pouco mais de um mês, o comando militar norte-americano limitou severamente a possibilidade de soldados nos fronts de guerra publicarem blogs e participarem de debates ou fóruns pela internet. Até mesmo o correio eletrônico dos soldados e oficiais passou a ser controlado pelo Pentágono.


Curiosamente, a media do Pentágono coincide com a enorme popularidade alcançada na Web pelo site HomeTown Bagdad , produzido por três jovens da classe media iraquiana que mostram através de vídeos, publicados quase que diariamente, como é a vida no seu país ocupado.


Os vídeos são produzidos pela empresa Chat The Planet , de Nova Iorque, e foram oferecidos, sem sucesso, às redes de televisão da Europa e dos Estados Unidos, durante quase seis meses.


No YouTube, os episódios da série Hometown Bagdad já foram vistos por mais de três milhões de pessoas no mundo inteiro e geraram quase 50 fóruns de discussão, comunidades Orkut e páginas no MySpace, onde internautas, em sua maioria jovens, discutem sobre o Iraque.


Paradoxalmente, o Pentágono está publicando, desde o início deste ano, no mesmo YouTube, vídeos mostrando ações militares contra insurgentes iraquianos, como parte de um esforço de propaganda.

Todos os comentários

  1. Comentou em 26/05/2007 carlos cotrim

    AUTO CENSURA.
    DA NOSSA PRENSA,SE NAO LESSE AQUI NAO SABIA.
    MEDO DO TIO SAM ? OR PUXA SACOS ?

  2. Comentou em 21/05/2007 Ivan Moraes

    Bockear o youtube aos militares na ativa ou nao eh muito esquizito! Ninguem esta feliz com isso. O problema permanece: com tecnologia todo o conhecimento eh celular. Uma palavra mal pensada e temos um ‘escandalo’ mediatico internacional, como foram, com toda razao, aquele dos soldados jogando pedra no cachorro de duas patas, ou dos soldados abanando a garrafa de agua enquanto o menino corre atraz do carro por uns 3 minutos. Quase ninguem conhece as consequencias de um ser celular -celularmente, somos todos adolescentes. O Brasil nao se tornou um dos campeoes mundiais de pornografia internauta, ou de pirataria aa toa (e fotos de cadaveres postadas no youtube se declarando como fotos dos Mamonas ja deixam claro que Br eh sociedade essencialmente atrazada). Nao eh moralismo, certamente nao me interessam pornografia e tampouco pirataria. Mas essa celularidade ainda vai voltar a assombrar os brasileiros. Eh isso que os militares querem evitar, que o mundo veja o que nao os mostra aa melhor luz. Sou contra. Se o efeito por um lado eh de panela de pressao que cozinha sanidade militar, por outro nao ha maneira de saber quanta sociopatia brasileira aqueles cadaveres estao alimentando. Outro dilema ainda: em duvidas, denuncie ao youtube, video removido, mas quem vai condenar carreiras militares com denuncia de video? Nem nos EUA nem no Br.

  3. Comentou em 18/05/2007 Fábio de Oliveira Ribeiro

    Desde os tempos em que Cesar escreveu seu ‘Bellun Galica’, são dois os fundamentos dos exércitos: disciplina e hierarquia. O fluxo de informações e comando nos exércitos é rígida. As informações sobem, as ordens descem. Note-se que a publicidade é tão danosa aos exércitos quanto essencial á imprensa. Quando as informações circulam livremente ou as ordem são ignoradas, a capacidade operacional e militar de um exército desmorona. Não me estranha que tenha ocorrido o que você relatou. O que me estranha é a imprensa ainda não ter percebido que este fenômeno é um claro indicativo de que os EUA não tem controle de suas tropas. A restrição de acesso aos websites é uma prova de que seu uso estava afetando a disciplina e hierarquia. Não estranharei nada se os soldados passarem a contornar a restrição de alguma maneira. Afinal, quando um ato se torna costume reiterado a restrição serve apenas como reforço para sua prática. Maquiavel que o diga.

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