Domingo, 26 de Janeiro de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1071
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Pesquisa mostra baixa credibilidade dos jornalistas nos três poderes da democracia

Por Carlos Castilho em 08/12/2009 | comentários

A democracia vai mal no mundo inteiro, se depender da confiança dos jornalistas. Os partidos, políticos, parlamentos nacionais, bem como os poderes executivo e judiciário ocupam os piores lugares num ranking de credibilidade da imprensa, segundo revelou uma pesquisa com 1.800 jornalistas em 350 redações, distribuídas por 18 países.


 


Os partidos políticos são a instituição menos confiável entre as 12 estudadas, obtendo um índice médio de 2,19 numa escala onde 1 é o descrédito total e 5, a confiança absoluta. Os partidos brasileiros (índice de 1,96) só foram superados pelos da Indonésia, México, Romênia e Turquia.


 


Os nossos políticos também saíram muito mal na fotografia da credibilidade por parte da imprensa. A turma de Brasília obteve um magro índice de 1,98,  superados apenas pelos seus colegas de Uganda, Turquia, Indonésia, México e Romênia.


 


O mesmo aconteceu com os parlamentos: o nosso ficou entre os quatro piores no quesito confiabilidade pela imprensa, com um índice de 2,2 numa média mundial de 2,83.


 


Quase chegamos perto da média mundial (índice de 2,8) na avaliação da credibilidade jornalística dos chefes de governo. A administração Lula obteve 2,74 , e pode se vangloriar de ter ficado acima avaliação da Casa Branca [1] . Em compensação ficou longe da confiança de repórteres e editores nos governos da China, Alemanha, Espanha e Suíça.


 


A essas alturas, você já deve estar se perguntando: quem são, então, as instituições mais confiáveis para os jornalistas dos países incluídos na amostra da pesquisa? A resposta surpreende. São as organizações não-governamentais, as ONGs e instituições filantrópicas, com um índice médio de 3,28, seguidas da própria imprensa (3,23) e pelas Nações Unidas (3,20).


 



Os jornalistas brasileiros preferem confiar mais na ONU (3,55) e em si próprios (3,31) do que nas ONGs nacionais (3,17). Só os jornalistas de Uganda e da China confiam mais do que nossos profissionais nas informações fornecidas pelas Nações Unidas à imprensa.


 


A atual conferência de Copenhagen, sobre meio ambiente mundial, está mostrando de forma brutalmente clara a defasagem de confiança jornalística em fontes governamentais e não-governamentais. Os materiais distribuídos por organizações como a Greenpeace e Save the Earth conseguem facilmente mais audiência entre os jornalistas do que as declarações de presidentes e primeiros-ministros.


 


A baixa credibilidade dos representantes das instituições que simbolizam o regime democrático torna-se ainda mais impactante quando levamos em conta o fato de que os jornalistas têm acesso privilegiado às fontes de poder, ao contrário do resto da população, que é obrigada a basear-se nos relatos da imprensa.


 


Se os interlocutores diretos do poder não confiam nele, o que dirá o público que recebe informações que já passaram pelo menos por dois filtros, o da fonte e o do repórter. O resultado, que pode ser constatado em todo o mundo, é o de um ambiente informativo caracterizado por dúvidas e desconfiança cada vez maiores.


 


Aqui está, talvez, a principal explicação para o alto índice de influência exercida por organizações como o Observatório da Imprensa na produção de repórteres e editores brasileiros. A pesquisa mostrou que os jornalistas brasileiros atribuíram um índice de 2,07 na escala de 1 a 5 na avaliação das instituições cujo posicionamento tem mais peso na hora de preparar uma notícia. A média mundial foi de 2,09.


 

Este mesmo ambiente informativo está fazendo com que o público também assuma funções de vigilância da mídia como uma medida de auto-proteção. Se não dá mais para confiar nos representantes das instituições, pelo menos é necessário restabelecer o crédito da mídia, porque do contrário corremos o risco de roçarmos o caos informativo, o que é perigosíssimo em matéria de convivência democrática.




[1] A pesquisa foi feita nos últimos meses do governo Bush.

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