Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Pesquisa mostra divisão da opinião pública mundial sobre a liberdade de imprensa e a informação

Por Carlos Castilho em 10/12/2007 | comentários

Ao contrário do que muitos esperavam, não há uma unanimidade mundial sobre a importância da liberdade de imprensa, como indica uma consulta feita pela rede pública de televisão da Inglaterra, a BBC, a 11.344 pessoas em 14 países.


 


Os resultados da consulta mostram uma aguda divisão de opiniões entre quem mora em países ricos e os habitantes das chamadas nações em desenvolvimento. O que mais chama a atenção é o fato da maioria dos latino-americanos, africanos e os residentes em países pobres da Ásia acharem que a justiça social e a paz podem justificar limitações na liberdade de imprensa.


 


São duas perspectivas diferentes e que resultam de duas realidades igualmente distintas. Enquanto os entrevistados nos Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha, bem como na África do Sul, Venezuela e Quênia, 60% dos entrevistados priorizaram a questão da imprensa livre, a pesquisa na Rússia, Singapura e Índia, destacou a preocupação dos consultados com a ordem e o controle estatal.


 


Pesquisa BBC
(Tradução do quadro publicado no site da BBC World Service – título IMPORTÂNCIA DA LIBERDADE DE IMPRENSA/Codificação: Vermelho – a liberdade de imprensa é muito importante para garantir uma sociedade justa. Azul – A estabilidade social e a paz são mais importantes, assim, algumas vezes, os controles podem ser  necessários. Laranja – Não sei) 


 


A diversidade regional e cultural dos países envolvidos na pesquisa não esclarece a dúvida entre liberdade de imprensa e liberdade de informação, já que as duas não são sinônimos. Uma está ligada a uma atividade comercial enquanto a outra vincula-se a um direito humano.


 


Mas isto não impede que se veja os resultados por uma outra ótica, não menos relevante. A pesquisa dá a entender que 40% dos entrevistados ainda não estariam considerando a informação como um elemento essencial em suas vidas.


 


Esta possibilidade é extremamente grave porque na era da informação, quem tem mais, cresce mais rápido, o que pode levar a um modelo de desigualdade ainda pior do que o existente atualmente.


 


A informação é uma matéria prima curiosa. Quanto ela mais circular entre pessoas e for recombinada com mais intensidade, maior será a sua valorização, ao contrário de todas as demais matérias primas, que tendem a se esgotar.


 


Os países pobres tem uma inesgotável e incomensurável reserva de informações não processadas e que são essenciais para o mundo rico. Tudo hoje embute algum conteúdo informativo, até mesmo as plantas da Amazônia, que estão sendo levadas para fora do país para que cientistas retirem delas os códigos genéticos indispensáveis à síntese de novos medicamentos. 


 


Mas como os habitantes do terceiro mundo ainda não tomaram consciência da importância da informação, ela está sendo dada em troca de espelhinhos, como na chegada dos portugueses ao Brasil, há 500 anos.


 


A pesquisa da BBC indica que a liberdade de imprensa é mais valorizada por norte-americanos, ingleses e alemães que são também os que criticam com mais intensidade da mídia em seus respectivos países. Os alemães são os leitores mais exigentes, pois apenas 18% deles consideraram confiáveis as informações publicadas pela imprensa local.


 


Os brasileiros entrevistados pelas empresas GlobeScan e Synovate, contratadas pela BBC, encontram-se na companhia de norte-americanos e ingleses na crítica à influência que os donos de empresas jornalísticas exercem sobre as informações publicadas na imprensa de seus respectivos países.


 


Metade do público brasileiro está mais preocupado com a liberdade de imprensa enquanto a outra metade admite que o Estado pode interferir nas empresas jornalísticas para garantir a paz e a estabilidade social.


 


A pesquisa da BBC tem enormes limitações, mas pode ser vista como a ponta de um iceberg, pois os dados, mesmo parciais, indicam que o público parece não estar assumindo o mesmo discurso das empresas jornalísticas em matéria de liberdade da imprensa.



 


Conversa com o leitor


Estive fora do ar durante quase toda a semana passada graças a uma coincidência fatal de tarefas de fim de ano letivo e o ataque de um hacker. Numa mesma semana, juntaram-se o fim de semestre letivo e o workshop de encerramento do curso de mestrado. Como se isto não bastasse, meu computador foi invadido e o disco duro foi para o espaço. Endereços totalmente perdidos e arquivos pulverizados pelo HD. Tudo isto com dois firewall e dois anti-virus instalados. Já restaurei parte dos arquivos, mas as listas de endereços e de favoritos ainda não foram recuperadas. Apesar disto, agora já dá para voltar a trabalhar. 


 


Correção do texto


Mudei a redação do décimo parágrafo do texto, atendendo à observações de um leitor. A versão antiga era a seguinte:  ‘A pesquisa da BBC mostra também outros paradoxos sobre a liberdade de imprensa. Os norte-americanos, ingleses e alemães são os que mais valorizam a liberdade de informação, mas por outro lado são os que mais criticam a imprensa de seus respectivos países’ .


 

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