Quinta-feira, 19 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

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Pesquisa mostra futuro sombrio também para a TV aberta

Por Carlos Castilho em 03/11/2010 | comentários


Não é mais novidade o fato de que os jornais impressos convencionais perdem cada vez mais leitores. O que poucos sabiam é que também a televisão aberta enfrenta um futuro sombrio diante do êxodo, cada vez mais intenso, dos espectadores com menos de 35 anos para a internet.


Este fenômeno ficou plasmado em números por meio de uma pesquisa feita nos Estados Unidos pelo instituto Harris e pela empresa WalltSt24/7, na qual os resultados apontam uma diferenciação crescente entre os hábitos informativos das gerações mais velhas e dos mais jovens. Segundo os especialistas, é aí que mora o perigo.


A pesquisa foi feita nos Estados Unidos e, portanto, seus resultados não podem ser transferidos automaticamente para a realidade brasileira. São grandes as diferenças culturais e econômicas, mas há uma tendência em comum, porque os modelos de negócios são idênticos. Assim, no caso brasileiro, os dados da pesquisa devem ser vistos como aproximações.


Nos Estados Unidos, o êxodo do público jovem das televisões abertas é mais intenso do que no Brasil, porque aqui a TV ainda é uma fonte majoritária de informações e entretenimento. Lá, 18% dos entrevistados adultos admitiram que assistem telejornais pela web, índice que sobe para 24% entre os mais jovens, com menos de 35 anos.


Dos 2.095 entrevistados acima de 18 anos, 3% dos mais maduros vêem televisão apenas no seu computador, enquanto este percentual sobe para 7% entre os mais jovens. A pesquisa apontou também uma tendência que deve provocar dores de cabeça entre os programadores e donos de emissoras de TV paga.


Há uma forte tendência dos espectadores de canais por cabo a acessar os sites noticiosos destes canais, na web. O problema é que no cabo o acesso é pago enquanto na web ele é gratuito, pelo menos até agora.


Tudo isto mostra que a TV aberta perde continuamente audiência, que migra para o cabo, que por sua vez perde público para a internet. No começo dos anos 1990, nada menos que 68% dos norte-americanos se informavam pelos telejornais. Hoje, esta proporção despencou para 56%, conforme uma pesquisa do Pew Research Center, citada pelo Observatório Europeu de Jornalismo.


Este mesmo processo de migração de público está na origem da crise nos jornais. Entre os entrevistados pela pesquisa do Harris, 81% das opiniões expressam a crença de que o declínio da imprensa convencional vai continuar e 55% estão convencidos de que os jornais desaparecerão até 2020.


Aqui no Brasil, a sobrevida da imprensa pode ser maior devido a fatores políticos, como auxílio governamental e outras formas de socorro financeiro. Também há o fator limitante do custo do acesso à internet, que ainda é muito maior do que nos Estados Unidos. A diferença está caindo, mas ainda é grande.


Tudo isto confirma mais uma vez o que as pesquisas e as estatísticas mostram de forma cada vez mais clara. O modelo da imprensa está mudando. Estamos num momento de transição, o que abre a perspectiva para uma maior participação do público. Uma participação mais prática e efetiva, por meio do uso das novas tecnologias, do que retórica, por meio de cobranças e questionamentos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 05/11/2010 Jaime Collier Coeli

    Só para encerrar minha participaçao, que considera perfeitamene ‘natural’ a perda de atualidade de procedimentos de divulgação de informação e cultural (no sentido implicito da palava e não no sentido antropologico). Conheço um ‘guia da consciência aravez dos romances’, edição de 1915, da editora ‘Vozes de Petropolis’, de autoria de Fr Pedro Sinzig OFM, responsavel pela maior parte de leituras a que me dediquei. É seguro, do meu ponto de vista, desde que os conselhos sejam seguidos trocados. Tudo que é proibido deve ser lido.

  2. Comentou em 05/11/2010 Ibsen Marques

    Com o aquecimento global os jornais perderam sua última utilidade: forrar os sapatos em tempos de inverno rigoroso como os que vivi durante meu curso técnico na ETFSP em finais dos 70 em SP. Já a TV é muito usada em casa pelo meu filho, mas só para os games do playstation. Há um ou outro programa legal, a TV Escola e a Brasil têm bons programas, algumas mini-séries bem construída, mas ficar esperando pelo término da lavagem cerebral da propaganda não dá. O CONAR que me perdoe, mas ele é inútil.

  3. Comentou em 05/11/2010 Adir Tavares

    Se depender do povo aqui de casa, os jornalões não servem nem para
    forrar gaiola, pois não temos. Aqui em casa, só vemos internet.

  4. Comentou em 05/11/2010 Jaime Collier Coeli

    Não são apenas ‘jornais e evistas’. Não obstante minha observação se restrinja à baixada santista, constato também, por intermedio de fornecedores de livros pela internet, que os sebos têm exibido uma liquidação de acervos de bibliotecas em vários povoados. Suponho que bibliotecas são reformadas e parcela do acervo é oferecida aos livreiros. Por exemplo, comprei uma edição do Cobra Norato do Raul Bop, do tempo da livraria S. José, com o carimbo da biblioteca de um povoado das redondeza. Acabei de ler a noticia de propsta de censura do ‘Pedrinho’, do Moneiro Lobato. Nem os acervos inertes das bibliotecas escapam da sanha dos novos Torquemadas? Na furia de se transformarem em ‘populares’ jornais e revistas perderam o interesse. Descnfio que chegou a vez das biblioecas.

  5. Comentou em 05/11/2010 bira sousa

    O ser humano tem a necessidade de interagir. Os jornais e revistas não sao facilitadores disso. Aposto no fim da mídia escrita, tanto lá, quanto cá. A internet veio para ficar. A movimentação é a mesma: uma questão apenas de tecnologia, a mesma movimentação desde os primórdios da escrita: em pedras, papiros, papel e agora na telinha do PC.

  6. Comentou em 05/11/2010 Geferson Henrique Pedro

    Essa questão do fim da mídia impressa no Mundo é uma realidade. No Brasil também. No entanto, como foi apontado no texto a respeito da pesquisa realidade, a cultura dos povos são diferentes. Os nortes americanos como os europeus são frios. Já os brasileiros são mais quentes. Acho que nós gostamos da informação palpável. Gostamos de tocar e levar a noticia para dentro de nossas residências. E, penso também que o jornal impresso no Brasil não está fadado a acabar porque é um negócio rentável e lucrativo. Além de haver muito interesse político, o que sem duvida alguma ajuda a financiar o mesmo.
    Dines será mesmo que a informação 2.0 daqui cinco, dez ou vinte anos vai estar 100% no Brasil?
    Eu particularmente não acredito.O Brasileiro vai demorar muito para se adequar a internet. E tenho outra convicção, não será ao contrario essa adequação.
    Temos que analisar uma série de fatores, como por exemplo, nossa cultura e educação.

  7. Comentou em 04/11/2010 Cristiana Castro

    É, acho que para a TV, a coisa vai ficar ruim mesmo. Vejo pelas crianças, se a televisão ficar ruim, ninguém tá nem aí, pode ficar meses com defeito. Agora, se ficarem sem conexão 10 min, a casa cai. De minha parte, vejo muito pouco e não tenho o menor saco para os comerciais. Sempre acabo desistindo de ver o que estou vendo pq como demora muito para voltar, eu vou pra rede e aí…. Os pouquíssimos programas que eu assisto inteiros são todos da TV aberta. Os jornais, o Canal Livre, o Roda-Viva, OI , 3 a1 e Brasilianas. Para mim, seria perfeito, se fossem todos no mesmo dia, em horários diferentes.

  8. Comentou em 04/11/2010 Jaime Collier Coeli

    Desde que me aposentei e vim morar num mangue, na baixada santista, aprendi com os caiçaras que jornal não é necessário. A banca mais proxima dista quilometros do meu mocó. Noticiario, aqui é o boca a boca, referente a assuntos relatados in Orlando, de Virginia Wolf. Depois de saber como uma dama perdeu a virtude e como um espertalhão se apoderou da propria, não há novidade alguma, exceto discutir futebol e as novelas da TV. A internet é rala, mas no centro do povoado mais proximo, distante oito km, proliferam as lan houses, centro de reunião de crianças e adolescentes. A impressão é que a juventude vai toda para a internet, que com certeza já desbancou o unico cinema da povoação. Aprendi que o jornal só atrapalha e sinto-me melhor informado por livros e pela internet.Perdi o contato social, também sem sentido. A julgar por essa amostragem, o jornal impresso já não existe, a TV é para futebol e novelas. De fato, não fazem falta.

  9. Comentou em 04/11/2010 rogerio cardozo

    Radio,tv internet é apenas uma evlução natura das comuicações,pergunto hoje alguem tem tempo para ler um jornal de 40 ou mais folhas,só quem não tem o que fazer!O jornal NYTIMES entrega em casa por 3,10 dolares jornais por uma semana.3,10 X 1,75=8 reais.Acho ainda que a propaganda é saida para o jornalismo online e aos jornais imprensos fica o desafi de concoquistar novs leitores por exeplo distribuindo seus jornais e revistas em escolas.Isso pode incentivar a leitura e novos leitores.Quanto a tv a aberta já não sabem o que inventar é uma falta de criatividade e pior na serie as Cariocas os escritores da Globo estão descaradamente copiando Nelson Rodrigues,com tantos escritores o Brasil e Mundo a copia e lim~ção dão o carater da coisa.O gente ruim.Pra mim o que ainda salva a tv aberta é o futebol,o resto é factoide e falta de criatividade.

  10. Comentou em 04/11/2010 glenice boelter

    Confirmando (precariamente) a afirmação, minha televisão chega a ficar dusa semanas seguidas desligada. Procuro as informações aqui na internet. E prefiro ler aqui, onde tenho acesso maior, do que na televisão. Mesmo que não seja (???) assim, na tv parece que sou totalmente pautada pelo editor. Aqui, eu escolho.
    Jornal ainda leio, gosto do velho estilo.
    Mas a televisão, mesmo a cabo, que na realidade é uma enganação total, pelo numero de propaganda que tem, não me faz mais falta.

  11. Comentou em 04/11/2010 Wendel Anastacio

    Castilho, volto para lhe parabenizar pela forma em que publica nossos comentários. Sem moderador e tão logo o enviamos, imediatamente é publicado!
    O correto é isto, pois várias vezes já fui ‘moderado’, censurado em meus comentários em outros artigos, neste mesmo OI, mesmo obedecendo o que determina a educação e bom senso!
    Muitas vezes o que vemos é uma grande hipocrisia, pois vários articulistas pedem liberdade de expressão, imprensa, pensamento e outras cositas mas, mas ficam ‘moderando’ o que escrevemos qdo não encaixa com seus (deles) argumentos!
    Um abraço e, continue fazendo sempre a diferença, pois nós e a história agradecemos!

  12. Comentou em 04/11/2010 Wendel Anastacio

    Já vai tarde e para muitos não fará a menor diferença!
    Toda esta aversão explico: ao longo de toda a minha vida, o que ví foi só lixo, deturpação, mentiras e manipulações!
    Não me esqueço de uma reportagem que lí, há muitos anos atrás, sobre um figurão da Formula 1, que agora me foge o nome, em que ele dizia claro e bom som: ‘ Lá em casa, não assitimos televisão!’
    Isto à época me surpreendeu, pois aquí o assunto não era outro senão o sucesso do Big Brother! Vejam que ironia e comicidade!

  13. Comentou em 04/11/2010 John Noarms

    Concordo com Castilho. O uso da Internet para informação no Brasil ainda é incipiente devido ao preço e qualidade da banda larga, dentre os maiores e piores do mundo, respectivamente, aliado ao preço dos computadores.
    Com a diminuição dos preços e melhora na qualidade, podem ter certeza que aposentamos não só os telejornais mentirosos do Brasil, como também as telenovelas e todo lixo que nos chega 24/7.
    A nova geração não terá tempo e paciência e nem será refém dessa coisa ultrapassada que se chama televisão.

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