Política, noticiário político, crítica política e crítica de mídia: inseparáveis | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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Política, noticiário político, crítica política e crítica de mídia: inseparáveis

Por Luiz Weis em 11/11/2005 | comentários

Hoje é um daqueles dias em que o difícil para um comentarista da mídia e da política não é achar assunto – é escolher os assuntos que dão mais leite e escolher por onde começar. Antes assim.

1. A ingerência do presidente na CPI [para dar sequência à nota de ontem “O que ele diz e o que ele faz”]

Pareceu certo, como costuma dar, quando se destampa a caneta que assina a liberação de verbas parlamentares, nomeações para cargos de confiança e o que mais servir para sensibilizar a consciência cívica dos políticos.

Por una cabeza, como diz o tango, o governo imaginou que tinha conseguido impedir a prorrogação da CPI dos Correios até 11 de abril do ano reeleitoral de 2006. Sessenta e quatro signatários do requerimento tiraram o time. Aliás, pode-se apostar sem susto que muitos deles só haviam assinado o pedido para depois desassinar. Isso se chama, como todo mundo sabe, criar dificuldades para vender facilidades. A oposição arrumou novas firmas. Ficou faltando uma. Na recontagem, no fim da manhã de hoje, verificou-se não ficou faltando nada.

Antes dessa reviravolta, a operação-apaga tinha feito uma vítima na mídia: o (bom) jornal Valor Econômico – que fecha mais cedo do que a concorrência. Por isso, sem condições operacionais de esperar para ver se a carruagem iria ou não virar abóbora na meia-noite fatal, cometeu a temeridade de abrir a seção política com a manchetona “CPI deve ser prorrogada até abril de 2006”, abaixo do antetítulo “Apesar de manobra para ganhar tempo, governo fracassa na tentativa de retirar assinaturas de requerimento”. Atirou no que viu, acertou no que não viu.

Saudade do tempo em que os editores eram mais prudentes e começavam textos sobre assuntos que ainda iriam rolar depois que as impressoras começassem a rodar com a seguinte advertência: “No momento em que encerrávamos os trabalhos da presente edição…”.

Transparência: na versão original, de hoje cedo, este texto registrava a vitória do governo. A versão que você está lendo é do meio-dia e meia. Os governistas estão recontando o que já foi recontado. Mas o essencial já não muda: o que chamei ontem de descaramento do presidente.

2. ‘Monitorando mais o Lula…’

Antes de mudar de assunto, quero responder ao leitor Jorge Oliveira. “Parece que este observatório está fugindo um pouco de suas origens”, escreveu ele. “Você ultimamente vem monitorando mais o Lula, esquecendo um pouco dos desmandos da imprensa…”

A questão legítima embutida na sua observação é a seguinte: como fazer crítica de jornalismo político – que não é a única praia deste blog, mas a mais frequentada pelo blogueiro – sem fazer ao mesmo tempo crítica política e dos políticos?

Concretamente: o principal evento de mídia da semana foi a entrevista do presidente Lula ao Roda Viva [ver comentário abaixo]. Nessa entrevista, ele disse que não existe “nenhuma ingerência do governo para criar qualquer problema para a CPI”.

Um dos entrevistadores, Augusto Nunes, replicou com o exemplo das tentativas do governo de impedir a instalação da CPI dos Correios.

Citou até o famoso episódio da ida dos então ministros José Dirceu e Aldo Rebelo ao apartamento do ainda deputado Roberto Jefferson. “Eles só faltaram se ajoelhar para que eu retirasse minha assinatura do requerimento [para a criação da CPI]”, contaria depois o denunciador do mensalão.

Lula retrucou que não mandou fazer nada daquilo e, de mais a mais, estava fora do país [na Coréia do Sul] – e o Roda Viva continuou a girar.

Ora, como não ligar o nome à p’ssoa, como se diz na terrinha, ao registrar que, apenas dois dias depois, o mesmo Lula chamava a palácio o presidente do Senado para ajudá-lo a abortar o pedido de prosseguimento da CPI por mais cinco meses?

Outro exemplo da quase impossibilidade de separar política, jornalismo político e análise de uma coisa e outra está na Folha de hoje.

Do repórter Kennedy Alencar sobre a reunião de Lula com os ministros Antonio Palocci e Dilma Roussef, provocada pela entrevista dela ao Estadão em que chamou de “rudimentar” a idéia do time de Palocci de um ajuste fiscal de longo prazo:

“Segundo um membro da cúpula do governo, o presidente acha que Palocci é mais hábil do que Dilma e faz chegar à imprensa versões desfavoráveis à ministra da Casa Civil. Lula queria deixar claro para ela que não aprovava os seus ataques a Palocci, mas também sabia que o ministro da Fazenda se defendia dos adversários no governo pela imprensa.”

3. “A crise dentro da crise”[título perfeito do editorial de hoje da Folha]

Da leitura dos jornais do dia não emerge um quadro coerente das motivações dos personagens centrais do espetáculo em cartaz em Brasília.

Aparentemente – e ponha-se aparentemente nisso – Dilma, a sucessora de Dirceu na Casa Civil, resolveu aproveitar as denúncias que mordem os calcanhares de Palocci para soltar os cachorros em cima da política econômica, porque ela, por definição e convicção, é a ministra da gastança.

Aparentemente, Lula ficou pê da vida com esse novo surto de fogo amigo contra o ministro cuja política ele não se cansa de dizer que vai manter e que fez espalhar que, se fosse convocado a depor na CPI, pegaria o boné.

Aparentemente, Dilma se desculpou, dizendo que se expressara mal na entrevista-bomba ao Estadão. Quando ela falou em “rudimentar” a idéia do ajuste de longo prazo, teria querido dizer “inicipiente”.

Mas…

a) as críticas de Dilma – que ela repetiu anteontem à noite num jantar com pemedebistas, embora depois tentasse desmentir o que eles vazaram – não seriam de todo inconvenientes ao presidente Lula, que já começou a gastar por conta da reeleição, embora se fazendo passar por mão-de-vaca, e que tem no grosso da tropa do PT e no PMDB de quem quer o vice para a chapa de 2006 alguns dos mais ferrenhos adversários do malanismo de Palocci;

b) as motivações do ministro podem não ser o que parecem: ao se dar conta que se fecha o cerco contra ele nas CPIs e na mídia, se não pelos supostos dólares de Cuba, pelo que teria rolado na prefeitura de Ribeirão Preto sob a sua gestão e pelo milhão que a batota (bingo, bicho e tudo mais) tinha dado ao caixa 2 de Lula em 2002, passando por ele, Palocci teria nas críticas de Dilma um belo pretexto para se demitir por um motivo grandioso – divergências sobre diretrizes econômicas do goveerno – e não porque estaria com o rabo preso onde não deveria;

c) quando a economia começa a dar uma esfriada e o fogo inimigo começa pela primeira vez a acertar o ministro da Fazenda, pode ser que Lula também comece a se perguntar se a presença de Palocci no governo é, com perdão do latinório, um plus ou um minus, seja para a integridade do seu mandato, seja para suas chances de obter um segundo;

d) a eleição de 2006 decerto também está nos cálculos de conveniência de Dilma: com Dirceu cassado e Palocci rifado, presumivelmente, ela poderá ser o que cada um deles queria para si em 2010 (supondo a reeleição de Lula) – o lugar dele no Planalto.

e) e eis que José Dirceu, logo quem, sai em vigorosa defesa de Palocci no Valor de hoje, com excelentes argumentos que não diminuem a perplexidade diante do fato de ser ele a enunciá-los:

“O Lula não abre mão do Palocci. Ele vai botar para quebrar se mexerem com o Palocci. É a única hipótese de o Lula radicalizar. Não vejo nenhuma hipótese de o Palocci sair do governo. Acho que isso não está em discussão. Nem pela cabeça do ministro passa uma coisa dessas porque ele sabe a importância que tem para o governo e o país. Uma coisa são as divergências que nós temos, outra é a qualidade da gestão do Palocci como ministro da Fazenda. Talvez, o Brasil tenha tido poucos ministros da Fazenda com a qualidade do Palocci. Porque o ministro da Fazenda também é serenidade, capacidade de articulação, credibilidade, visibilidade, é ter trânsito internacional e principalmente ter a confiança do presidente da República e da economia. O ministro Palocci tem. Acho que seria um desastre para o Brasil, primeiro, depois para o governo, se o ministro Palocci saísse. Não vejo alguém que possa pensar nisso.”

4. Os dólares de Cuba

O desastroso [para ele, Palocci e o presidente] depoimento de Vladimir Poleto à CPI dos Bingos dá gás à suspeita de que, entre a hipótese da denúncia da Veja ser inteiramente verdadeira e a de que seja inteiramente falsa, pode haver uma terceira via.

Algo, muito provavelmente envolvendo dinheiro, deve explicar aquele estranho vôo do Sêneca que saiu de Brasília com destino a Congonhas, fez escala em Viracopos e terminou, ali pertinho, no campo de pouso de Amarais, em 31 de julho de 2002, transportando, além de Poleto, três caixas que conteriam scotch e rum.

Tenho testemunhas de que, assim que pareceu assentar a poeira da matéria da Veja, me ocorreu a teoria do nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Não a coloquei em letra de forma por não saber, como continuo não sabendo, o que poderia estar entre uma coisa e outra.

Mas, como informa hoje o Estadão, o senador e antigo tira Romeu Tuma disse ter ouvido falar que as caixas tinham dólares, sim, embora não fossem doados por Fidel. Seriam dólares que o PT já possuía, deu um jeito de depositar em Cuba, e estava trazendo de volta – internando-os, como se diz no mercado financeiro.

Segundo Tuma, uma emissora de TV e um político estão atrás da história, tentando checar os vôos, presumivelmente não os de carreira, que teriam decolado do Brasil para Havana antes da campanha de 2002.

Mais uma vez é o caso de dizer: a ver lo que pasa.

***

Serão desconsideradas as mensagens ofensivas, anônimas e aquelas cujos autores não possam ser contatados por terem fornecido e-mails falsos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 19/11/2005 David Alves da Silva Silva

    É lamentável!!!!!

    Código de Processo Penal brasileiro está sendo rasgado pelas rixas políticas dos nossos representantes e com aval de algumas instituições do nosso pais.

    Ao assistir as oitivas das CPIS, a gente fica perplexo com as mesquinharias de alguns parlamentares que se põem acima as suas vaidades pessoais transformando as coisas sérias em deboches, com piadas de mau gosto e pré-julgamentos autoritários com a falta de respeito confundindo o povo sobre o juízo de valores morais e éticos.

    Pelo o que estou vendo é uma barbaridade, parlamentares que agridem cidadãos com um rompante de que ele é mais importante do que os outros por ter as suas prerrogativas de imunidade parlamentares de falar e abusar com qualquer que seja o indiciado. Esse filme já vi 30 anos atrás na minha região, onde um promotor usava esses mesmos métodos e cujo o seu destino foi sentar-se ao lado direito do Rei e dos Príncipes das trevas.
    Do jeito que está a
    tendência é piorar, vai chegar um ponto que solução vai ser direcionada em acertos de contas pessoais com o embutimento de rixas ideológicas, em fim muitas gentes com certeza irão comer capim pela raiz. A mídia com certeza levará esse peso sobre as costas.

  2. Comentou em 18/11/2005 Eric Devenport

    Amigos brasileiros.Fico sem entedenter, como podem fazer criticas aos jornalistas, pensando que eles sao os culpaveis dos acontecementos politicos. Sabemos que isto acontece no mundo inteiro e neste pais subdesenvolvido (do tercer o quarto mundo ) nao poderia ser diferente. Mas o que me chama minha atencao, e que as pessoas que que enviam e mails, suspostamente, sao pessoas com certa cultura, mais acreditar em nossos governantes ( principalmente no LULA e suse colaboradores ) aasim nao da. Tos os politicos sao iguais , Por favor temos que sair do subdesenvolvimento pelo menos politico. Nao fazam criticas aos jornalistas, eles nao tem nada a ver com a corrupcao, eles so fazem seu trabalho.

  3. Comentou em 14/11/2005 alfredo sternheim

    Os comentaristas políticos e a imprensa escrita como um todo estão exclusivamente empenhados em monitorar Lula. Tudo bem, é um direito e queremos informações sobre a crise ou as crises de Brasília. Mas e o resto? Há semanas que não vejo nos grandes jornais de São Paulo qualquer notícia, comentário político ou análise do que sucede na Assembléia Legislativa e/ou na Câmara dos Vereadores. Essa ausência de notícias é grave, gravissima. Depois, vem comentarista dizendo que muitos leitores não sabem votar. Mas como votar bem se a imprensa em geral não se manifesta sobre deputados estaduais? Mesmo na minha área, de artes em geral, não vejo análise mais profunda sobre os váriose graves problemas da TV Cultura; afinal, ela é sustentada pelo meu, nosso dinheiro. A imprensa precisa monitorar menos o Lula e mais ou igualmente o resto.

  4. Comentou em 13/11/2005 Helena de Almeida Prado Bastos

    Bastou um comentário interessante, de Sérgio, para surgirem tantos outros desinteressantes.
    Quanto ao blog, concordo com tudo que apresenta. Mais, coincidentemente fazendo um trabalho sobre o papel da imprensa e enfocando a Veja na reportagem dos ‘Dólares de Cuba’, acabo de escrever mais ou menos coisa semelhante e que transcrevo para cá: ‘Verdade é que houve uma operação “esquisita” envolvendo os personagens citados pela revista “Veja”, esmiuçada tanto pela mídia que a condenou, como pelas CPIs instaladas para apurar a corrupção do governo petista. “Veja” , mal ou bem, conseguiu seu intento. A CPI, para o azar do governo, de Palocci e, principalmente, dos brasileiros, reconvocou Buratti e Poleto, para novas agüições, que, por sua vez, lançaram o ministro de volta à mídia e com novas e surpreendentes denúncias. Se é que é possível aos brasileiros ficarem ainda mais surpresos diante de escândalos do governo de Lula…’

  5. Comentou em 13/11/2005 mcrg mcrg

    Por 1 código de ética e conduta da mídia – JÁ! Abaixo a ditadura da informacão de lado único!

  6. Comentou em 12/11/2005 sergio vladimiro guimarães

    Quero dar parabéns ao ‘Verbo Solto’ pelo bom nível das intervenções de seus frequentadores. Ao contrário de outros blogs, mais badalados, como os de Fernando Rodrigues, Ricardo Noblat, Josias de Souza, entre outros, onde os frequentadores padecem de imaturidade e impolidez, os ‘blogueiros’ de ‘Verbo Solto’ se comportam com compostura e respeito às opiniôes alheias e alinhavam suas idéias sem apelar para acusações iradas e o baixo calão. A gente sabe que a colheita é conseqüência direta da plantação, ou seja, as pessoas colhem o que plantam. Daí os parabéns e o aplauso ao ‘tom’ do blog. Que continue assim!

  7. Comentou em 12/11/2005 Iolando Fagundes

    Já vi esta cena! A mídia de novo questiona o empenho do governo em impedir a prorrogação da CPI dos correios. Dizem que o presidente usa de todos os meios, como liberação de emendas, recursos para obras, promessas de cargos, etc…A mesma mídia, junto com deputados de oposição questionaram a mesma coisa com relação a eleição do Presidente da Câmara, Aldo Rebelo. Parece que parte da mídia e oposição são totalmente ‘virgens’ em várias práticas, discutidas na crise atual. Tudo parece ter sido inventado no presente. Um misto de hipocrisia, má fé e perda de memória são comuns a ambos. Derrepente um passado idêntico deixou de existir, instituindo-se o marco 0 da corrupção a partir do ano de 2002. Parece que os admiradores do Sociólogo mais eminente do país, resolveram assumir a posição do mestre e esquecer tudo que escreveram, viram e ouviram. Embora eu escreva muito mal, tenho um censo crítico muito aguçado, e sempre me esforço para ver sempre os dois lados envolvidos no embroglio. Creio que este tipo de atitude deveria sempre ser seguido por todos, sejam jornalistas, biólogos, advogados, juízes, etc.. No entanto, mesmo sem ser um expert em teoria da probabilidade, percebe-se que parte da mídia, usa moedas viciadas. Pois, ao se fazer o lançamento, na grande maioria das vezes, apenas um dos lados da moeda é verificado. Se quisermos realmente passar o Brasil a limpo, como muitos alardeiam por ai, não passemos uma borracha em nossa memória,façamos uso de julgamentos justos, Lançemos moedas com cara e coroa e , como resultado, teremos um país digno do povo que temos.

  8. Comentou em 11/11/2005 Pedro Tardelli

    Suposições, suposições, suposições… até quando vamos ficar vivendo disso! Dólares cubanos… a conversa está mudando de tom. Abaixo a ditadura da imprensa!

  9. Comentou em 11/11/2005 Rinaldo Valênça

    É impressionante a que ponto chegou a oposição neste país.
    Afinal de contas, 3 anos sem o poder é insuportável.
    A Imprensa é o grande júri e os políticos a polícia e o judiciário, tudo ao mesmo tempo.
    E a CPI o grande espetáculo, puro entretenimento, pelo menos quando ela acabar, assistiremos um novo show das
    ‘eleições’.

  10. Comentou em 11/11/2005 Vera Cândido

    O que me parece mais difícil de acreditar em toda essa história é que, de Cuba ou do PT, todo mundo sabe que a operação era perigosíssima, arriscava a existência do próprio partido, e como é que iam incumbir uma missão desse porte a dois assessorezinhos (que dizem não ter experiência alguma em internação de dólares. Veja-se o depoimento do Buratti) de um prefeito do interior de São Paulo (ainda que fosse ser o coordenador da campanha presidencial), um aviador atrapalhado e um aviãzinho de terceira categoria, arriscado de se espatifar por conta de um urubu na asa? Isso teria de ser um processo sigiloso, sério, cercado de pessoas extremamente competentes e experientes em delitos do gênero. Não dá para acreditar em tanta burrice!

  11. Comentou em 11/11/2005 Iolando Fagundes

    Solicito ao Caro Jornalista e visitantes deste Blog responder as seguintes perguntas:

    Qual o verdadeiro sentido da prorrogação da CPI dos correios, além de manter os holofotes da mídia sobre alguns políticos?

    De posse de toda a papelada, orgãos como a PF, Ministério Público e Receita Federal
    não seriam mais eficientes e objetivos?

    As CPIs e parte da mídia parecem estar sempre sendo retroalimentadas através de factóides. Qual o interesse de ambos com a perpetuação da crise no país? Parte da mídia e setores da oposição tentam esclarecer a verdade ou estão perseguindo o mesmo objetivo, neutralizar o Lula?

    Embora sejam um mal necessário, qual o custo de funcionamento das CPIs
    para o bolso do contribuinte?

    Se todos os questionamentos forem corretos, quem mais perde com a prorrogação das CPIs, o país ou o presidente?

  12. Comentou em 11/11/2005 Iorgeon Haenkel

    O que ache mais hilário na CPI dos correios foi o Romeu Tuma Chamar o Buratti de Deputado. Será ato falho do Tuma? Embora esta história do dinheiro de Cuba não mereça muito crédito, bem como, os vivos Buratti e Poleto que reverberam as vozes de Mortos, transporte de dinheiro por políticos no Brasil não é nenhuma novidade. Olha o que encontrei aqui mesmo no Canal do Leitor:

    Transportei muito político
    Carlos Cassaro, Curitiba-PR – aeronauta aposentado
    10/11/2005 1:09:30 AM

    É impressionante o cinismo dos deputados e senadores que aparecem na TV ‘escandalizados’ com os que declaram ter feito uso de verba não declarada em suas campanhas. Fui piloto de táxi-aéreo e de governos estaduais, transportei muito político, vi e ouvi muito. Transportei malas de dinheiro para trocar por votos. E isso entre 1977 e 1986. Não é coisa nova, não. Sempre existiu…

  13. Comentou em 11/11/2005 Vladimir Nunes de Oliveira

    Meus amigos, está acontecendo algo na cobertura das CPIs que me deixa preocupado: será que minha capacidade intelectual é, de fato, tão escassa, a ponto de não compreender os fatos? Vou exemplificar, e gostaria que uma luz fosse jogada sobre o trevoso terreno de minha estupidez: ontem, os meios de comunicação me fizeram acreditar que o Sr. Poletto (é assim que se escreve?) estava ameaçado de prisão por ter mentido à CPI no episódio envolvendo os supostos dólares de Cuba. Isso foi amplamente divulgado, constituiu-se em chamada dos noticiários da noite. Agora me respondam: qual a prova de que Poletto mentiu? Seria aquela gravação feita pelo repórter da Veja? Mas Poletto afirma que fez as declarações em estado de embriaguez e, portanto, se houve mentira, esta se deu na referida entrevista. Por acaso é crime mentir para a Veja? O que me deixa mais estupefato é que se apresentou o trecho da gravação como prova da mentira. Mas foi o contrário! Pelo amor de Deus! Será que enlouquecemos? Vejam bem. Poletto até pode ter mentido à CPI. Acho até bem provável que isso teha ocorrido, mas a gravação apresentada não pode ser a prova da mentira. Se os senhores congressistas desejam demonstrar as inverdades do ex-assessor de Palocci, que procurem outras evidências. E os senhores da mídia, por favor, não menosprezem tanto assim nossa inteligência.

  14. Comentou em 11/11/2005 Carlos Costa Costa

    Leia esse artigo abaixo fique indignado e pressione o seu politico a tomar uma atitude a favor do povo brasileiro.
    Assinatura basica $ 42,00 ,DDD cobrado de cidades vizinhas e por aí vaí.Leia esse artigo com atenção,sei que esse não é o lugar para esse artigo agora,mas acabei de ler esa violencia que estão pretendendo fazer com o povo.

    Operadoras resistem a mudanças em contratos
    Sexta-feira, 11 novembro de 2005 – 09:09
    IDG Now!
    Em audiência pública realizada nesta quinta-feira (10/11) pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Iinformática, as empresas concessionárias de telefonia fixa demonstraram que vão resistir a qualquer mudança contratual que beneficie financeiramente os consumidores. Os contratos atuais, assinados pouco antes da privatização, no fim dos anos 90, vencem no mês que vem.

    Segundo o presidente interino da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Plínio Aguiar Júnior, os novos contratos devem ser assinados até 10 de dezembro. Ele prometeu concluir os regulamentos essenciais até o dia 5. Os acordos poderão ser prorrogados por mais 20 anos, desde que as operadoras aceitem as alterações propostas pela Anatel para as regras da prestação dos serviços e as obrigações das empresas.

    Equilíbrio econômico

    O presidente da Telefônica, Fernando Xavier Ferreira, destacou que o equilíbrio econômico dos contratos é uma ‘cláusula pétrea’ (que não pode ser mudada). ‘Deverão ser indicadas as fontes de custeio dos benefícios que forem criados nos aditivos aos contratos, concordou o vice-presidente da Telemar, João de Deus Pinheiro de Macedo.

    Entre as mudanças que serão inseridas pela Anatel nos aditivos estão a medição por minuto e não mais por pulso; o detalhamento das contas telefônicas, como já ocorre com as de celular; o uso de índice específico do setor de telefonia para reajuste de tarifas em substituição ao IGP-DI; e a implantação dos telefones sociais, conhecidos como Acesso Individual de Classe Especial.

    O telefone social é um serviço pelo qual o usuário poderá falar mais e pagar menos. O preço da assinatura básica na linha, hoje em torno de R$ 40, cairia para cerca de R$ 13. O preço do minuto também deve baixar. O presidente interino da Anatel descartou a possibilidade de os novos contratos serem assinados sem a resolução desse ponto. ‘Este não é um regulamento menor, mas um compromisso maior’, definiu.

    Maior concorrência

    O presidente da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (TelComp), Luis Cuza, apontou a falta de concorrência como um das principais razões dos preços altos nos serviços de telefonia fixa no Brasil. Para exemplificar, ele comparou o preço e a qualidade do serviço de banda larga (acesso à Internet em alta velocidade). Enquanto no Japão é possível contratar a conexão à Internet a 50 mbps (megabits por segundo) por 50 dólares (cerca de R$ 110,00), a Telefônica cobra 90 dólares (cerca de R$ 198) pelo serviço, com velocidade de apenas 1 mbps.

    Para o presidente da TelComp, o estabelecimento de novas regras para a prorrogação dos contratos representa uma oportunidade para garantir condições que aumentem a concorrência na área de telefonia fixa e melhorem os serviços.

    Universalização da rede

    O pronunciamento de Cuza irritou o vice-presidente da Telemar. Macedo acusou a TelComp de defender interesses do mercado corporativo, que só fica com o ‘filé’, como o serviço de Internet por banda larga, e ignora o ‘osso’, referindo-se à obrigatoriedade das concessionárias de telefonia fixa de levar o serviço para pequenas localidades.

    O presidente da Brasil Telecom, Ricardo Knoepfelmacher, destacou que sua empresa já levou telefones públicos para regiões ermas, algumas das quais habitadas por tribos indígenas que sequer falam o Português. Knoepfelmacher disse que, agora que as empresas cumpriram suas obrigações, não devem ser impostos obstáculos para a prorrogação dos contratos. ‘Não há nenhum fator impeditivo’, disse.

    O empresário teme que a demora para a conclusão e assinatura dos aditivos possa criar um vácuo jurídico. Se a prorrogação não sair até a data prevista (31 de dezembro), eventuais interessados na concessão poderão ajuizar ações para anular os aditivos assinados depois do prazo.

    O presidente da Telefônica demonstrou a mesma preocupação, mas foi taxativo. ‘Os contratos já estão tecnicamente prorrogados’, disse. Ferrera argumentou que, se as empresas cumpriram todas as obrigações, não haveria outra opção à Anatel senão admitir a prorrogação dos contratos.
    Agência Câmara

  15. Comentou em 11/11/2005 Hélisson Fraga Fraga

    Lendo á Matéria em questão, digo; gostaria
    de me abster comemtários, pois todos seriam
    pessoais e emotivos, só gostaria de postar,
    02 pontos.

    qdo um grupo de coiotes consegue espantar o
    leão, e lhe tomar a tão cobiçada comida,vèm
    sempre outro grupo também de Coiotes, para
    tomar à comida dos mesmos COIOTES,e se algum deles bobear, também será comido Vorazmente.

    existe na boca do povão, mas não chega aos
    ouvidos da Imprensa, um famoso refrão que
    diz:

    Toda a vêz que sai um LADRÃO de bolso
    cheio, tem sempre uma fila enorme de
    LADRÕES de bolso vazio, para lhe ocupar
    o lugar.

    Isto posto, esses que ai estão, não
    merecem, sequer, COMENTÁRIO

  16. Comentou em 11/11/2005 wanderley aprile

    Agora já da pra perceber como acabará a crise política criada pela oposição para desgastar a imagem do presidente Lula para a reeleição de 2006. Eles ( PSDB e PFL ) foram longe demais e criaram condições para o jurista Miguel Reale Jr entrar com pedido de impeachment contra o presidente. Assim que isso ocorrer, haverá com certeza uma grande concentração popular e se Deus ajudar não haverá derramamento de sangue e nem riscos á democracia. Mas tirar o presidente Lula por causa de um caixa 2 que todos os partidos possuem, ah isso não vai acontecer mesmo.

  17. Comentou em 11/11/2005 taciana oliveira oliveira

    Diferenças.
    Cada dia ficam mais evidentes as diferenças entre os depoimentos nas CPIs e a sua edi-ção que é feita pela imprensa. Senão veja-
    mos:
    – Costumo assistir aos depoimentos pelo canal 60(Band News), que a cada minuto vai correndo aquelas tirinhas com as notícias.
    – Para dar um exemplo, ontem,- o Sr.Bura-tti – repetidamente chamado pela oposição de ‘deputado’, num evidente ato falho, não sei se porque já assinou a ficha de filia-
    ção de algum partido dos que compõem a ‘coa-lisão’ ou porque está a serviço dos seus in-teresses – estava depondo e não afirmou em momento algum que Pallocci havia participado
    da operação cuba.Mas, as benditas tirinhas, antes do fim do depoimento já afirmavam que o Ministro sabia. Aliás, já vi o sr.Buratti mais incendiário. Cautela? Esgotou?
    E vai por aí. É só um exemplo ilustrativo do assunto a que me refiro.
    Estou na casa dos 50, portanto sofri na pele a desinformação propiciada pela ditadura, a censura brutal e a repressão política e agora que posso, pelo menos desejo ter um mínimo de liberdade de pensar e de alimentar meu pensamento com informa-ções que tenham, pelo menos ,um leve fumo de verdade. Assim fica difícil! Não assino mais jornal e nem revista.
    Quanto à operação cuba , que parece estó-ria da ditadura ou da imaginação fértil do finado Carlos Lacerda, concordo com o arti-culista que nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Tudo isso esbarra em duas questões centrais:
    1a).’ A quem interessa(ou) o crime?’ E aí vamos entender como crimes o relato e o fa-
    to ? O fato foi como foi narrado? E a fina-lidade do ato narrado no fato, era realmen-te o que se julga ser?
    Isso nos remete à 2a.) questão: Quem pediu para fazer o ato? Quem propiciou os meios para tanto? E quem, afinal, de acordo com a gravação da Veja, falou ao sr Polleto que uma das caixas continha dinheiro e per-guntou a Buratti como repatriar dólares? E aí é que chegamos à questão principal: QUEM ERA NA REALIDADE O MORTO? ERA UM SANTO OU UM HOMEM COMUM, COM DESLIZES COMO SÓI ACONTECER COM QUALQUER UM DE NÓS MORTAIS? INCLUSIVE COM A CAPACIDADE DE MORRER E SE PRESTAR CONVENIENTEMENTE, COITADO, A REFERENDAR AS MENTIRAS E MEIAS-VERDADES QUE ,QUALQUER UM QUE SE DIZ SEU AMIGO, POSSA INVENTAR, SUJANDO A SUA MEMÓRIA E IMPOSSIBILITANDO-O DE SE DEFENDER.
    É muito conveniente que o seu testemunho seja invocado ‘com saudade’, pois já passou e não pode desmentir nada.
    Estou vendo a hora que algum destacado mem-bro da ‘coalisão’ resolva, igual àquele cen-sor que queria que Sófocles fosse depor,que o falecido seja chamado às falas para dar o seu depoimento e ser desrespeitado por des-tacados membros do nosso congresso, inclusi-ve com expressões chulas como ‘manguaça’.
    É EVIDENTE que o Sr.Polleto está sendo chantageado por assuntos pessoais, que têm implicações familiares. Quem assistiu o de-poimento viu o verdadeiro terror que se es-tampou em seu rosto quando lhe perguntaram o nome da sua esposa e o seu despiste so-bre ‘festinhas’ na tal casa de Brasília. Ele nâo demonstrou tanto medo na hora de ouvir a fita, cuja única e frontal dife-rença do seu depoimento foi dizer que o fa-lecido lhe teria dito que havia dinheiro em uma das caixas.
    No mais, concordo que é difícil não falar em política e como Ponte Preta foi citado ontem, por quem provavelmente como bom burguês jamais leu nada dele e devia lhe torcer o nariz, para completar o Samba, ago-ra os dólares foram para Cuba antes para serem guardados por Fidel. Essa é ainda mais difícil de digerir!

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