Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

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Politização da notícia no apagão hospitalar

Por Carlos Castilho em 04/09/2007 | comentários

No auge do bate-boca sobre a existência ou não dos fatídicos dois bilhões de reais para atenuar a crise nos hospitais, o governo disparou críticas aos estados e municípios, enquanto a entidade que reúne os secretários de saúde mostrou dados que apontam na direção oposta.


 


Entre as estatísticas do governo e os números dos secretários de saúde, o leitor ficou perdido porque a imprensa simplesmente colocou as informações uma do lado da outra, sem investigá-las e contextualizá-la.


 


São situações como esta que põem em evidência o papel dos jornalistas como facilitadores da tomada de decisões pelos leitores, porque as partes interessadas, obviamente, vão tentar mostrar o problema pelo ângulo que mais favorece os seus objetivos.


 


Quando a imprensa não assume este papel de facilitadora, por incapacidade ou por interesses próprios, fica escancarada a porta para a politização da notícia, pois o leitor só tem a opção de eleger uma parte interessada e transforma-la numa bandeira pessoal. A complexidade da política acaba transformada em paixão e sectarismo.


 


Alberto Dines, no seu texto A Política da Notícia , levantou a lebre dos perigos da politização e partidarização da informação jornalística. “Quando a notícia é politizada nada é relevante, tudo pode ser minimizado, secundarizado, relativizado e empurrado para debaixo do tapete”, diz Dines. E completa: ‘A política da notícia distancia, arruína a comunicação, sobretudo desumaniza. Pode dar certo por algum tempo, mas não se sustenta. Uma sociedade, onde se instala o descrédito, a desconfiança e a suspeição, vive desnorteada”.


 


Esta tendência tende a se intensificar à medida em que entramos no período eleitoral, onde o risco de desorientação por parte da opinião pública cresce exponencialmente.


 


O apagão hospitalar e seus desdobramentos precisam ser analisados em profundidade pela imprensa porque se ela for noticia-lo ao sabor das agendas de governo e oposição, o descrédito do público tende a crescer em relação ao que é publicado na midia.


 


A omissão da imprensa pode acabar levando-a a ser vista como cúmplice ora do governo, ora da oposição, e cada vez menos como um serviço de interesse do público leitor.


 


O caso da crise na saúde é exemplar porque as responsabilidades estão embaralhadas entre organismos federais, estaduais e municipais. Esta questão seria burocrática se já não estivesse contaminada pelo vírus da partidarização da notícia.


 


Todo brasileiro sabe que o atendimento médico é uma tragédia nacional que se arrasta há anos. O pior é que ela se deteriora, ainda mais, cada vez que o tema e politizado na imprensa. As redações sabem disto há muito tempo.


 

Estamos chegando a um ponto-limite, onde jornalistas e empresas jornalísticas terão que fazer uma opção entre o interesse público e o interesse dos políticos. Não é uma opção simples e nem fácil, mas ela tem que ser feita porque está em jogo o que ainda resta de credibilidade da imprensa, uma instituição que, apesar dos seus problema atuais, ainda é um serviço público indispensável.

Todos os comentários

  1. Comentou em 11/09/2007 Paulo Bandarra

    O presidente Lula disse na mídia que o nosso sistema de saúde era de primeiro mundo! Para ver que o mesmo não sabe nada! E o seu Ministro da Saúde tem como prioridade patrocinar o aborto na rede pública como maior problema de saúde da mulher no país! Infelizmente o governo foi pautado pela crise aérea, quando a crise nas estradas, na educação, na saúde e na segurança ficaram camufladas! Fazendo grooving em Congonhas pareceque tudo ficará resolvido! Infelizmente, os cortes feitos nas esferas citadas foram transformadas em bem sucedida barganha eleitoral das bolsas famílias! Verba que agora falta em todos os setores!

  2. Comentou em 09/09/2007 Ivan Moraes

    Sergio, eu nao tenho conhecimento pra analizar, mas se voce notar bem de perto com um microscipio eletronico da pra notar que a palavra ‘maraja’ entrou na lingua com seu significado atual (pois ‘marajas’ de verdade quase nao existem e muito menos no Brasil) no reinado galactico de Collor; ja ‘apagao’ entrou na historia linguistica devido aa Maria Antonieta do Serrado; portanto, Lula deve necessariamente colocar uma palavra no dicionario com um novo significado. ‘Mensalao’ nao eh ela, pois nao define Lula pessoalmente (e como no caso do apagao ‘aereo’ eh impossivel saber o que eh histeria mediatica e o que nao eh). Qual eh ou serah essa palavra contribuida por Lula ao cenario linguistico brasileiro? Alguem sabe? Sugiro ‘laranja’. ‘araponga’ e ‘arapongagem’ sao anteriores e ja estao tomados… mas por quem? FHC tambem?

  3. Comentou em 09/09/2007 sérgio ricart freitas

    minha observação é sobre um aspecto lateral à discussão: o uso do termo ‘apagão’. no contexto jornalístico e político, a palavra entrou em voga ainda no governo fhc e apontava para a crise energética e o inesquecível racionamento de energia decorrente. de lá pra cá, o termo é associado a qualquer tipo de colapso sofrido por algum órgão ou serviço prestado à sociedade brasileira.
    a insistência com que a palavra surge, sempre vinculada à alguma distorção, serve apenas para ressaltar ainda mais um aspecto pouco louvável da mentalidade brasileira, a saber, o discutível hábito de fazer piada de tudo. o tom irônico dado aos problemas brasileiros servem apenas para sedimentar a idéia segundo a qual esses mesmos problemas são traços permanentes e inquestionáveis da nossa sociedade e que em última instância não adianta lutar ou se indignar contra eles.
    seria interessante que a imprensa – neste ponto também incluo o observatório da imprensa – e a opinião pública adotasse uma postura mais crítica e – por que não? – indignada sobre as irregularidades, distorções e consequentes escândalos que surgem a cada dia no brasil. é necessário dar o devido peso a cada um desses episódios e estou convicto: os nossos problemas não são motivo de piada, mas de preocupação, indignação e mobilização de nossa sociedade na tentativa de um país mais coerente e justo.

  4. Comentou em 08/09/2007 Jorge Cortás Sader Filho

    O erro de observar o problema da saúde como um problema político é perigoso. O ministro Temporão faz lembrar José Serra, um batalhador incansável em prol da saúde do povo. Mas o governo não colabora, deixa uma verba para o Ministério da Saúde que parece piada. Não é por falta de motivos que muitos e muitos brasileiros sofrem e mesmo morrem, aguardando atendimento nos hospitais públicos. Quando o ex-ministro Adib Jatene pediu verbas para a saúde, e surgiu o apoio total do CPMF, a intenção era boa, mas como diz o povo, “de boas intenções o inferno está cheio.”
    O programa do bolsa-família é um engodo, quer apenas conquistar votos, mas mitiga o estado miserável de muitos. Paternalista aos extremos, dá o peixe e não ensina a pescar, fato que Lula é mestre. Precisa dos votos… Já passou a hora de pensar este problema com mais seriedade, mais responsabilidade, e menos política.

  5. Comentou em 07/09/2007 Ivan Moraes

    Sao 11 horas da noite do dia 7 de setembro de 2007. Alguem viu dois bilhoes em algum lugar hoje? Ficticio esta bom… alguem viu? E o meio trilhao do PAC, alguem viu em algum lugar? O futuro proximo vai ser assim: ‘Temos a infeliz e triste obrigacao de informar aos telespectadores que devido ao tremendo, totalemente imprevisivel crash da bolsa de valores o Brasil nao tem dinheiro mais. Sentimos muito a sua dor. Passar bem e passar fome. Obrigado. Assinado, Sao Paulo.’

  6. Comentou em 07/09/2007 Ivan Moraes

    ‘Em outras palavras, querem corrigir de um dia para outro uma situação injusta e realmente vexatória, acumulada há vários anos, ainda que isto custe algumas vidas…’: quanto eh que o governo de Sao Paulo ‘gasta’ com ‘gasolina’ todo mez mesmo? Ja esqueci…

  7. Comentou em 07/09/2007 Ivan Moraes

    ‘Por que precisamos chegar em um ponto em que R$2 bilhões precisam ser liberados de forma emergencial, para salvar vidas, em um país que pagou R$93 bilhões no primeiro semestre de 2007 em juros para os rentistas?’: o Brasil eh preprogramado pra falhar a todos os niveis sociais porque eh colonia, e colonia eh so pra exportacao de bens. O CPMF, como qualquer outro imposto, eh escravizacao forcada PELOS BANCOS. Pode se modificar tudo menos a falta de acesso dos brasileiros aos bens de consumo porque isso implicaria que brasileiro eh tao gente como europeu e americano: nao eh. Nao so nao eh como o sistema bancario mundial perpetua a situacao. Intencionalmente. O sistema governamental brasileiro sabe disso, eh feito pra isso, esta cheio de gente exclusivamente colocada la pra isso, esta programado pra isso… nada mais. Exportacao de bens e de dinheiro eh tudo.

  8. Comentou em 07/09/2007 CELIO LEVYMAN

    previstos,com atendimento pelo resgate,até transplantes.E embora seja óbvio que bancos ganham de forma pornográfica por aqui e o governo também tenha prioridades outras que a saúde (?),a grana é finita – isso ocorre na Europa e Canadá,por exemplo,com bons sistemas de saúde pública,mas que o avanço tecno-farmacológico vai encarecendo.Repensar uma série de coisas,inclusive o sacrossanto e intocável SUS da Constituição,politizar ao mínimo a questão,e se vai cehgar a algumas conclusões óbivas,como as colocadas por Jatene e outros nomes de escol.Que os jornalistas facilitadores cumpram seu lado de fomentar a cidadania via informação.

  9. Comentou em 07/09/2007 CELIO LEVYMAN

    Pois bem,lendo comentários depois do meu,vejo que de modo geral se pensa da mesma maneira.A posição da imprensa foi bem mostrada e saudada pelos leitores,e me incluo entre os mesmos,pot você Castilho.Muito me animou o leitor que lembrou da entrevista de Adib Jatene à Cultura:posso afirmar,caso permitam,que tive vários encontros pessoais com o mesmo,especialmente quando fui conselheiro do CRM-SP durante sua cruzada pró-CPMF,daí eu ‘implorar’ que que jornalistas sérios busquem a fundo essa história,tão explicativa do muito que acontece no momento.Não tenho aqui o espaço necessário para maiores comentários,mas é justamente por faltar uma definição do que queremos como modêlo de saúde que as coisas estão nesse ponto (desde os IAPETCs…).Os modelos de saúde cubano e,quiçá venezuelano,não se enquadram bem por aqui:não é ideológica a questão,mas de formação profissional.Talvez com ajustes as coisas possam ser melhor utilizadas.Mas a questão QUALIDADE DE FORMAÇÃO de médicos e demais profissionais de saúde,aliada à FINANCIAMENTO E GESTÃO com contrôle muito preciso por parte da sociedade e órgãos competentes,como MPF,PF,etc.,é fundamental.E tudo permeado com ética e vigilância.A imprensa tem papel fundamental em tudo isso,e embora tenha seus interesses próprios,creio ser possível esperar alguma coisa dela ainda.E a classe média e mesmo acima acaba usando o SUS,sim:desde acidentes não

  10. Comentou em 07/09/2007 Pedro Ayres Pontes

    Puxa vida! Cacá faz tanto tempo que às vezes penso não ser verdade. A última vez que falei contigo foi em Belém, no dia 31 de março pela manhã. Cacá dá uma olhada nas ações que as ‘misiones cubano-venezolanas’desenvolvem na Venezuela. Bolívia, Equador e Nicaragua e verás como essa questão pode ser resolvida a favor do povo. Acompanho o que se passa em Caracas e adjacências pela Internet, acessando as televisões Telesur, VTV, VIVE e ANTV. É o que tem me assegurado bom humor e esperança em nosso futuro. E caso queiras saber o que ando pensando, sugiro que olhe o meu blog:
    http://pedroayres.blogspot.com

  11. Comentou em 07/09/2007 Henry Fulfaro

    Sem querer contraditar quem quer que seja, mas para que não fiquem consignados alguns equívocos, é bom lembrar que a taxa de juros fixada nesta quarta-feira, em 11,25% ao ano, corresponde A MENOR TAXA DE JUROS DESDE A CRIAÇÃO DO REAL, o que por si só absolveria o governo Lula de qualquer responsabilidade pelos altos lucros dos bancos, não sendo demais lembrar que boa parte desses ganhos decorrem das abusivas taxas de serviço que cobram e a um discreto, mas nada desprezível, crescimento da economia. De resto, os 2 milhões não se devem a falha de orçamento, mas a uma rebeldia dos médicos, especialmente os do nordeste, inconformados com os valores da tabela do SUS, que realmente são baixos e até indignos, mas que há tempos são reajustados de acordo com os índices inflacionários. Em outras palavras, querem corrigir de um dia para outro uma situação injusta e realmente vexatória, acumulada há vários anos, ainda que isto custe algumas vidas… Guardadas as devidas proporções, e antes que a demissão desses médicos se configure uma espécie de greve dos controladores aéreos, é que o governo resolveu liberar algum. Mas não se perca de vista que, ao contrário da crise dos controlares, o problema da saúde não se deve apenas às ações do governo federal, mas também às iniciativas dos estados e munícipios.

  12. Comentou em 07/09/2007 galeno pupo

    Castilho,

    Excelente comentário, seria bom que, mesmo citado, o Dines o lesse, antes que tenhamos que sugerir a mudança do nome desse sitio, Laudatório , no lugar de Observatório.
    galeno pupo

  13. Comentou em 07/09/2007 Fabio Passos

    Funcionou como pressão para liberar os R$2 bilhões sim. Reconheço um crédito. Mas a questão chave sequer foi tratada pela mídia… Por que precisamos chegar em um ponto em que R$2 bilhões precisam ser liberados de forma emergencial, para salvar vidas, em um país que pagou R$93 bilhões no primeiro semestre de 2007 em juros para os rentistas? Globo, Veja, FSP e Estadão acreditam que 4bilhões de reais de LUCRO do Itaú e Bradesco em seis meses é obra do acaso? É obra da ‘mão invisível’? Ou seria o caso de um repórter colocar um microfone para os senhores Márcio Cypriano e Roberto Setúbal responderem: ‘O senhor não tem nada a ver com isso?’. Só lembrando: O Copom (que define a taxa de juros) é composto de ex e futuros funcionários de Setúbal e Cypriano. E Marinho, Civita, Frias e Mesquita apóiam esta política de juros siderais há mais de 12 anos…

  14. Comentou em 07/09/2007 Ricardo Alves de Araújo

    Não culpo a Instituição Imprensa, a qual é crucial para um regime democrata, mas, infelizmente, o que se vê no Brasil é uma imprensa comprometida, digo, profissionais que não têm a menor noção do que é ser Jornalista. Infelizmente, repito, no Brasil, creio, o Jornalista escreve o que o dono da empresa quer e não como o fato ocorreu.O que é uma pena. Pergunto: Que democracia é essa?!!

  15. Comentou em 06/09/2007 Rogério Ferraz Alencar

    A mídia não trata com seriedade dos problemas na saúde pública porque os grupos de comunicação têm culpa no cartório. Quando Ricardo Berzoíni, no já distante ano de 2003, divulgou a lista de devedores da Previdência, estava lá: a mídia devia mais de 10 bilhões (DEZ BILHÕES!) de reais.

  16. Comentou em 06/09/2007 Jose Paulo Badaro

    De pleno acordo, Castilho! Pena que a grande mídia não pensa assim ou, se pensa, não se disponha a tratar do assunto com grandeza e responsabilidade.

    No mais, se eu fosse do governo simplificaria enormemente as coisas, entregando a cada congressista uma cópia da magnífica entrevista dada pelo ex-ministro Adib Jatene ao Roda Viva da TVCSP (reprise nesta madrugada de segunda), onde ele abordou o problema da saúde desde a criação da CPMF, passando pela palavra não cumprida, dada a ele pelo Sr. FHC, no sentido de que os recursos da CPMF jamais teriam outra destinação que não a área da saúde (mentira que que o levou a pedir demissão, decorrido apenas 1 ano e meio da posse), até uma resposta direta e taxativa dada ao Presidente da Fiesp, Paulo Scaf, dizendo-se inteiramente a favor da manutenção da CPMF, afirmando, ademais, que a extinção dela, neste momento, seria um ato irresponsável, até porque a saúde exigiria recursos muito acima do que essa contribuição pode acrescentar, culminando por declarar algo de fazer inveja a qualquer socialista de plantão, ao prelecionar que as elites deveriam exigir menos do governo e colaborar muito mais, única forma de se implantar uma autêntica redistribuição de riqueza neste país!

    De longe, de longe, a entrevista mais sensata, equilibrada e verdadeiramente digna de aplauso que vi nos últimos tempos.

  17. Comentou em 06/09/2007 Rogério Abreu

    Castilho, concordo integralmente com sua análise. A imprensa, majoritariamente e em todos os seus meios, ao fazer coberturas de fatos políticos e de economia, tem colocado o interesse político BEM acima do interesse público. E o caso em que você elabora seu artigo é emblemático. O já denominado ‘apagao’da saúde tem no cerne das coberturas o objetivo de descobrir o culpado. De cara desqualificam o SUS (desconhecendo méritos do sistema que sao reconhecidos mundo afora), nao analisam em profundidade os seus problemas e enaltecem discussoes sobre a legalidade de greves de médicos ou o responsável maior pelo ‘apagao’: Uniao, Estados ou Municípios. E neste particular o culpado maior será definido de acordo com a ‘linha’ editorial do veículo. E como as ‘linhas ‘ editoriais estao sobejamente identificadas, as greves que iniciaram num Estado falido – Alagoas – passaram pelo Ceará, Paraíba, Pernambuco, dentre outros, acabaram por pipocar no grande culpado por tudo, inclusive por tragédias aéreas: o danado do Gov. Federal.

  18. Comentou em 06/09/2007 Marco Antônio Leite

    Correção: INSS

  19. Comentou em 06/09/2007 Marco Antônio Leite

    Num passado não muito distante, o serviço de saúde era conhecido como SANDU, depois passou para INAMPS. Entra governo, sai governo muda o bolo, pois o recheio é o mesmo. Para justificar para o povão que eles estão fazendo algo para melhorar o sistema de saúde, veio outro nome INPS, em seguida ISSS, para desembocar no famigerado SAMU. Que maravilha, quantas mudanças, o povo não pode reclamar, isto em função das grande mudanças que os nomes do sistema sofreu. Viva os picaretas que comandam esta quase nação?

  20. Comentou em 06/09/2007 Fábio de Oliveira Ribeiro

    Você começou bem, mas patinou. Com ou sem os 2 bilhões a merda continuará a mesma. O problema, Castilho, é simples: as classes média e alta não usam os serviços públicos de educação e saúde. Não usam e raramente prestam serviços nos mesmos. Os brasileiros ricos e remediados se isolam em seus condomínios, assistem TVs a cabo e muitas vezes se comunicam preferencialmente em inglês. Você nunca verá um Deputado na fila do SUS num hospital credenciado na periferia de São Paulo ou pegando o filho numa escola na Cidade Satélite. Esta é a verdadeira razão da degradação do serviço público prestado à maioria da população. Os neo-hilotas se acostumaram de tal forma na servidão (e são mantidas nela à custa da violência policial) que não reclamam diretamente da qualidade dos serviços, ou suas reclamações não alcançam expressão pública na mídia ou eles dependem demais de intermediários (políticos, pastores, etc que cuidam mais de seus próprios interesses do que dos interesses das comunidades).

  21. Comentou em 06/09/2007 CELIO LEVYMAN

    Muito bem colocadas as coisas em seu texto,Carlos.Sou médico,e há mais de 26 anos de alguma forma tento passar as informações da área de saúde para quem efetivamente pode divulga-las:superficialidade e politização são mais do que óbvias.A questão não é só financiamento,mas gerenciamento-isso a Folha mostrou em editorial recente,com razão.Mas saúdo a lembrança dos antigos Institutos por categoria,depois reunidos no INPS,que separou a assistência médica em INAMPS e,pós-Constituição de 1988,passou o sistema a ser universal,o SUS.Beleza de proejto no papel:na prática,todos sabem como estão as coisas.As informações sôbre esse assunto não estão em arquivos secretos;ao contrário,à disposição de todos,de quem tiver um pouco de paciência e alinhavar as coisas – não vai ficar difícil entender como podemos ter o pior do sistema de saúde à moda norte-americana com o igualmente pior do modelo público de Bem-Estar Social da Europa Ocidental.E a imprensa,com algum trabalho (não muito !),pode perfeitamente esclarecer o cidadão,ser,como muiito bem colocado,a facilitadora para o leitor-eleitor:terá sim que fazer opções.Estamos enredados em uma complexa rede dos três níveis de governo,além da saúde suplementar,que bem explicados podem mostrar a responsabilidade de cada um na história.E é claro:resgatar a história da CPMF provisória e exclusiva para a Saúde,cruzada de Adib Jatene.

  22. Comentou em 06/09/2007 alfredo sternheim

    O maior equívoco nesse caminho de politização da notícia, de indignação seletiva, foi abandonar os fatos locais, suas cidades e estados. Exemplos: Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. Os dois jornais têm São Paulo no título, mas dão pouco, pouquissimo espaço para a cidade e para o estado. Enquanto dão oito páginas para o escândalo do mensalão, a tragédia do avião da TAM (fatos que envolvem o governo federal), nada se encontra sobre a câmara dos vereadores de SP (seu inchaço), a assemblélia legislativa, as 20 chacinas que, em 2007, mataram mais de 80 pessoas na cidade de SP. Nesse sentido, a TV se comporta melhor, inclusive na questão da saúde pública que é gerenciada pelos três governos: federal, estadual e municipal. Apontar falhas nesse embaralhamento fica difícil, mas não é impossível. A credibilidade da imprensa é indispensável, mas está bem arranhada por essa politização anti-Lula, visível também em certos textos publicados aqui no Observatório. Embora abordando a questão hospitalar, o alerta de Carlos Castilho tem ressonância mais ampla e deve ser considerado por todos os que estão atuando na imprensa.

  23. Comentou em 06/09/2007 Clovis Geyer

    A imprensa tem pecado faz muito tempo em relação com a saúde e com a previdência fazendo matérias superficiais e sem entrar no mérito da questão. Se fossem instituições tão falidas assim, porque a iniciativa privada investe tanto e quer a sua fatia? Antes eram os antigos IAPAS (Institutos de aposentadorias e pensões dos Bancários, Comerciários, Industriários e etc…). Cada categoria tinha o seu e a qualidade dos serviços era proporcional ao seu poder de arrecadação, o IAPI (quem não conhece as vilas do IAPI pelo Brasil afora) era o mais forte. Os militares vieram e juntaram tudo, depois anexaram os trabalhadores rurais que nunca contribuíram… Posso enumerar inúmeras previdências privadas que quebraram: SBOFA, MFM, GBOEX… entre tantas… Elas vêem, as pessoas pagam durante anos e quebram quando têm que começar a pagar, a VARIG tinha um serviço de previdência privada, quebrou.
    O sistema de saúde brasileiro teria recursos com pouco investimento se não fosse desviado tanto dinheiro desta “mãe generosa” que é. Lembra a fortuna do CPMF e porquê ele nasceu? Para salvar a saúde, recursos que nunca foram para o real objetivo. Imagina os milhões de brasileiros que pagam mensalmente suas contribuições sem ter como sonegar?
    Se a imprensa parasse para fazer matérias realmente completas para onde vai este dinheiro já seria um grande serviço para o Brasil.

  24. Comentou em 04/09/2007 Ivan Moraes

    Os dois bilioes sao mais ficticios que a imensa riquesa paulista, Carlos. Nao ha noticia suficiente pra reportagem porque dinheiro de verdade compra coisas, e a saude esta abandonada ha decadas. Esse ‘dinheiro’ eh ficcao destinada a romancear o interesse do governo e endividar o Brasil com bancos internacionais nao-ficcao. As unicas pessoas que veem a cor do dinheiro brasileiro sao os que podem exportar lo: empresarios e politicos.

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