Terça-feira, 22 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº987
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CÓDIGO ABERTO > Desativado

Por essa eles não esperavam

Por Luiz Weis em 01/07/2006 | comentários

Os números batem na mídia sem dó nem piedade.

Nas últimas semanas, os habituais comentaristas catastrofistas previam, com a certeza dos iluminados, a deterioração do ajuste fiscal, por efeito do aumento do salário mínimo e do que identificavam como surto de gastança do governo em ano eleitoral.

O colunista Luís Nassif inventou a expressão “cabeça de planilha” para criticar os economistas que não enxergam um palmo adiante do contabilismo com que defendem uma política econômica mais na defensiva do que o time argentino depois de fazer 1 a 0 na Alemanha.

Mas o pior é que nem mesmo montam planilhas que se sustentem, concorde-se ou não com as suas premissas.

Uma evidência disso está nos jornais de hoje, que trazem os mais recentes resultados do desempenho do setor público.

Começa assim a matéria do Estado:

”Apesar do aumento dos gastos às vésperas das eleições…”

Começa assim a matéria da Folha:

”Mesmo com os maiores gastos do governo a poucos meses da eleição…”

”Apesar do” ou “mesmo com”, aconteceu o quê?

Aconteceu, como diz o Estado, um superávit primário em maio de R$ 6,3 bilhões que, embora um 1/3 do obtido em abril, é igual ao do mesmo mês do ano passado. “Superou as expectativas de analistas econômicos”, registra o jornal.

Ou, como informa com mais precisão a Folha, o ajuste fiscal está em 4,51% do PIB, acima da meta de 4,25% para o final do ano.

Isso foi possível porque a receita aumentou mais do que a despesa.

Talvez para não dar o braço a torcer, o Estado ressalva que a economia de R$ 6,3 bi “não afastou as dúvidas com a trajetória de gastos do governo a médio e longo prazos”.

Tirando o fato de que a longo prazo estaremos todos mortos, como dizia John Maynard Keynes, talvez o maior economista do século 20, para ridicularizar os cabeças de planilha do seu tempo que sofriam de incontinência só de ouvir falar em investimento público e endividamento, a “trajetória de gastos do governo” não parece tirar o sono de um Malan.

Trata-se do chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Luiz Malan [não sei se é parente do outro, cujos maiores discípulos são os condutores da política econômica do governo Lula].

Malan II na Folha: “Não há nenhum problema em relação ao cumprimento da meta” [os tais 4,25%].

Ah, sim. Também há boas notícias em relação ao dado que as agências internacionais de avaliação de risco julgam ser o mais importante indicador da saúde financeira de um país – a relação entre a dívida pública e o PIB.

Em maio, ela ficou em 50,7%, a menor desde abril de 2001.

Em suma, não há hipótese de escassear dinheiro para repassar à banca. A propósito, foram R$ 156,4 bi de juros pagos de junho de 2005 a maio passado.

***

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Todos os comentários

  1. Comentou em 02/07/2006 Florindo RJ

    E falam q o barba é bebum, imagina se não fosse !

  2. Comentou em 02/07/2006 ubirajara sousa

    Talvez o título da matéria não esteja muito adequado. Eu teria sugerido: ‘A Mídia Antipetista apanha dos números, sem dó nem piedade’
    Valeu!

  3. Comentou em 01/07/2006 josé Nogueira

    Eu não considero incompetência os comentários absurdos dos economistas, comentaristas econômicos e de editorialistas. Considero má fé. Atualmente, todos os jornais procuram esconder que há alguns anos defendiam teses esdrúxulas como as do estado mínimo e da privatização pela privatização, entre outras baboseiras, que ajudaram a eleger políticos perniciosos como Fernando Collor e Fernando Henrique. Na época em que o proselitismo do Consenso de Washinghton entava em moda na nossa imprensa, quem ousava a discordar de seus ditames era acusado de estar na ‘contramão da história’, expressão autoritária que revela uma tentativa de enquadrar todos em um pensamento único.

  4. Comentou em 01/07/2006 Marco Antônio Leite Costa

    O Brasil não é Estado, muito menos NAÇÃO. Infelizmente, o Brasil é um grande quintal das multinacionais, FMI e dos desalmados empresários BRASILEIROS. Dinheiro pagar pagar uma dívida impagavel tem de sobre. No entanto, para criar empregos, realizar uma reforma agrária honesta, bem como proporcionar bom sistema de saúde pública, educação de qualidade gratuíto para todos e um programa de segurança Pública que contemple seus funcionários bem treinados e com salário dignos, quem sabe, com isso, venha a reduzir a corrupção no sistema, falta dinheiro e vergonha na cara.

  5. Comentou em 01/07/2006 Wilson Oda

    Ser ministro da fazenda deve ser a mesma coisa que técnico de futebol da seleção. Quem ainda não é, parece que entende de tudo, mas quando assume o cargo faz igual aos antecessores. A mídia
    detesta o atual governo, mas a política econômica do presidente Lula não difere muito do seu antecessor. Para mim, tudo isso é só preconceito, puro desdém, ao ver um líder metalúrgico do ABC fazer a lição de casa melhor que o intelectual das Perdizes.

  6. Comentou em 01/07/2006 Fabio de Oliveira Ribeiro

    O Nasif tem apenas parte da razão. O problema na verdade é a MIOPIA PARTIDÁRIA. Os economistas psedebistas e anti-petistas procuram catastrofes para jogar seus leitores no colo de Alckmim. Os economistas petistas comemoram até as catastrofes como se estas fossem grandes realização governamentais. Uma da vantagens do Brasil ser um Estado sem nação é justamente o fato de que a nação carrega o peso do Estado nas costas e não dá a menor importância para as cagadas dos administradores públicos.

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