Quarta-feira, 21 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1014
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Presa a uma só fonte, mídia fica em sinuca

Por Luiz Weis em 25/07/2006 | comentários

O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini, aparece no noticiário de hoje acusando a imprensa de “poupar” o ex-ministro da Saúde José Serra, candidato tucano ao governo paulista, no escândalo dos sanguessugas, enquanto estaria dando tratamento “extremamente duro” ao também ex-ministro da Saúde Humberto Costa, candidato petista ao governo de Pernambuco.

O problema é que praticamente tudo que sai sobre a chamada máfia das ambulâncias tem uma única fonte – os caudalosos depoimentos do empresário Luiz Vedoin, o chefe do esquema, vazados ou pela polícia, ou pela Justiça Federal, ou, sobretudo, pelos membros da CPI dos Sanguessugas que a eles tiveram acesso.

Vedoin, como se sabe, fechou negócio com as autoridades: conta tudo o que diz conhecer em troca de uma pena mais branda depois. É o pacto da delação premiada.

Ao que se divulgou, o empresário entregou Humberto Costa e o seu chefe de gabinete, mas não fez uma única acusação a Serra ou a assessores dele.

A menos que se considere que “aí tem” quando ele diz que o governo Fernando Henrique não atrasava a liberação de dinheiro para a compra de ambulâncias, resultante de emendas parlamentares ao Orçamento da União. E que torcia para que Serra se elegesse, porque nesse caso a sua empresa, a Planam, receberia os R$ 8 milhões que o governo lhe devia.

De qualquer forma, a dependência das palavras de Vedoin deixa a imprensa em sinuca.

Porque se é verdade que o capo mafioso quase sempre mata a cobra e mostra o pau – exibindo provas de pagamento de propinas a uma centena de parlamentares e ex-parlamentares – o que permite crer em princípio nas suas denúncias, isso não quer dizer necessariamente que ele esteja dedurando todos os congressistas, prefeitos, funcionários e ministros que possam tê-lo ajudado a garfar pelo menos R$ 110 milhões do meu, do seu e do nosso.

Ele pode ter lá os seus motivos para omitir certos nomes e dar um jeito de sumir com o que possa incriminá-los. E se eles não aparecem nos grampos da Polícia Federal, com autorização judicial, que arrombaram a megafraude, tanto mais difícil será identificá-los.

O resumo da ópera é que o grosso das revelações que aparecem sobre os sanguessugas não resultam de apuração própria da mídia – e é justo cobrá-la por isso.

O que não parece justo – salvo prova em contrário – é acusar a imprensa de dar “tratamento diferenciado” a Serra.

A menos que Berzoini tenha elementos objetivos para sustentar que a mídia está escondendo sanguessuguismos na gestão do tucano na Saúde, ou na de seu sucessor Barjas Negri. Mas, nesse caso, como o jornalista Ricardo Noblat foi o primeiro a apontar, no seu blog, a obrigação do presidente do PT seria contar o que sabe ou suspeita.

***

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