Domingo, 20 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Professor reprova teoria do complô

Por Luiz Weis em 28/11/2006 | comentários

O presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, fez declarações sobre o governo e a mídia que devem soar como música aos ouvidos de todos quantos acreditam que já passou da conta o azedume entre as partes e, mais ainda, o rancor com que simpatizantes petistas e os seus antípodas têm se manifestado sobre o assunto.

O professor Garcia como que reprovou a teoria conspiratória do complô da mídia. Segundo a Folha de hoje, reduziu a questão, do seu lado, a um mero ‘desconforto’, de resto ‘individual e eventual’ – e bem menor, nas suas palavras, do que o de certos jornalistas com o governo.

Então, no mínimo estamos empatados‘, calculou, para concluir: ‘Eu acho que não há nenhum problema‘.

Bola para a frente, então. Com o direito (e o dever) da crítica livre e recíproca, mas sem desqualificar, muito menos demonizar o(s) criticados(s).

O governo é legítimo e a imprensa tem fé pública. Não malbaratem uma coisa e outra, nem se façam menores por causa de ‘problemas menores’, como disse Garcia.

Se as suas palavras forem objeto de algum comentário ou editorial na imprensa, roga-se desde já aos eventuais autores que não se refiram a elas como recuo ou retratação. Melhor dizer que representam uma política bem-vinda porque vai ao encontro do interesse público.

Não basta a palavra do repórter (II)

Assim como afirmou, sem demonstrar, que a Polícia Federal e o Ministério Público ‘firmaram a convicção’ de que o então chefe da campanha da reeleição e presidente do PT, Ricardo Berzoini, mandou comprar o dossiê Vedoin, o repórter Kennedy Alencar, citando ‘conversas reservadas’ de Lula, afirma que ele ‘avaliou’ que Berzoni ‘teve envolvimento’ com a compra do dossiê.

Volto a dizer: pode ser tudo verdade, mas não se pode culpar o leitor que achar que é tudo mentira – não do repórter, mas de seus informantes.

Com todos os seus erros que vieram à tona nos últimos anos, o New York Times – ainda a grande referência do jornalismo mundial – exigiria do repórter mais corroboração antes de publicar matérias semelhantes.

Para deixar claro: nem a competência, muito menos a honestidade profissional do jornalista Kennedy Alencar estão em questão. Mas está para nascer o jornalista competente e honesto que, ainda assim, não tenha entrado alguma vez numa fria e induzido o público a erro, com reportagens sem pai nem mãe.

Quanto mais delicada a matéria, mais a ela se aplica uma versão do proverbial mandamento a que deve obedecer a mulher de César: não basta que a reportagem seja verdadeira – ela precisa parecer verdadeira.

***

Os comentários serão selecionados para publicação. Serão desconsideradas as mensagens ofensivas, anônimas, que contenham termos de baixo calão, incitem à violência e aquelas cujos autores não possam ser contatados por terem fornecido e-mails falsos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 30/11/2006 Fernando Tibúrcio Peña

    Excelente o artigo intitulado ‘Professor reprova teoria do complô’, divulgado no blog Verbo Solto do Observatório da Imprensa. Como advogado de Ricardo Berzoini e, principalmente, como leitor da Folha, estou de acordo com a sua opinião de que faltou cuidado ao jornal quando publicou, na edição do último domingo e com direito a manchete de primeira página, a matéria ‘Para PF Berzoini mandou comprar dossiê’. Mas talvez tenha faltado um pouco mais do que isso. Na verdade, muitas das diretrizes estabelecidadas pela própria Folha para a produção jornalística foram deixadas de lado. É o que se pode ver na carta que enviei ao ombudsman Marcelo Beraba.
    Cordialmente, Fernando Tibúrcio Peña

  2. Comentou em 30/11/2006 Osvaldo Alencar

    Acompanho diariamente a Folha e o séquito de colunistas que ali vicejam. Foi muito comum, durante todos esses últimos anos, em um dia só, cinco ou até seis colunistas derramarem seus ódios, à la Bornhausen, sobre o partido do presidente. Anormal? Não. Eles estão ali para isso mesmo: sensacionalismo e prática nazista de convencimento. O que mais me intrigou nisso tudo é que assisti erros absolutamente iguais ou até maiores no Governo FHC e a Folha publicar o assunto como se fosse um anúncio popular. Evidentemente, esses problemas foram todos jogados para o subsolo do tapete do FHC. Instigado sobre isso, sobre a regularidade vulgar dos ataques contra o PT e o ‘descaso’ durante o governo FHC, para fatos até bem piores, disse isso (por e-mail) ao jornalista Clóvis Rossi […] e ele me saiu com essa pérola:

    ‘Você queria que eu disesse: rouba-se no governo Lula mas também roubou-se no governo FHC. Ora, que ridículo!’

    Retruquei que não achava necessário isso tudo, até porque quem é bem informado sabe disso. Sobre a imprensa ‘honesta’ de que fala o colunista Luia Weis, destaco pequeno trecho da Folha de 29/11/2006
    ‘Setor bancário deu maior doação à campanha de Lula
    … Setor bancário deu maior doação à campanha de Lula Após lucro recorde, bancos doam R$ 10,5 mi a petista, mesmo valor que para Alckmin…
    Notem a desonestidade do título para o texto

  3. Comentou em 30/11/2006 Giovani de Morais

    ‘A bem da verdade, não está demonstrado que o repórter errou. O problema é que ele não demonstrou que está certo.’ Como diz o José Simão: ‘Tucanaram o Observatório’. Exemplo simples e claro de sofisma. Saudades do Bussunda: ‘FALA SÉRIO, WEIS!’

  4. Comentou em 30/11/2006 fernando brasileiro

    oras.oras.oras…acham que somos o que???? ate quando acham que vao tapar o sol com a peneira??? somos ignorantes sim… de estar lendo um artigo como este, num site que achava (isso mesmo, achava) confiavel….
    aindam enganam muita gente…mas isso esta mudando…viva a internet….

  5. Comentou em 29/11/2006 Paulo Cesar da Rosa Romão Romão

    O comentário do Sr. Douglas Puodzius foi muito pertinente. O Sr. Garcia não tem mandato, não foi eleito pra nada, me parece ainda receber do governo para ser Assessor de Assuntos Internacionais e é Presidente Interino do PT. Mas anda falando mais que o ‘homem da cobra’ como se diz aqui na minha terra. Mais parece um Primeiro Ministro. Interessante observar a dificuldade que este Sr. tem de conviver com o contraditório. É visível o ‘desconforto’ do Sr. Garcia nas lides, digamos, democráticas. Para as pessoas razoavelmente informadas e que o conhecem de ‘antigos carnavais’, não há nenhuma novidade nisso. Seria interessante o Sr Weis, em nome de sua imparcialidade, publicar o perfil político ideológico do trotkista Sr. Garcia, para que os leitores desse blog, que ainda não o conhecem, pudessem avaliar se dá para acreditar nas falácias deste Sr.. E, lógico, este perfil teria que incluir as atividades, digamos, ‘extra-curriculares’ do Sr. Garcia, para que os leitores entendessem exatamente para quem e para o quê trabalha o eminente Professor. Sugiro começar pelo seu destacado papel na entidade FORO de SÃO PAULO.

  6. Comentou em 29/11/2006 Sírio Possenti

    Caro Weis:

    No caso da reportagem, acho bom inverter a ordem dos fatoes: não basta perecer verdadeira, tem que ser. Muitas mal parecem e quase nunca são.

  7. Comentou em 29/11/2006 Joedson Antunes

    a piada é tosca, eu sei, mas quem ‘complô’ que agora pague o preço…

  8. Comentou em 29/11/2006 Alexandre Moreira

    Duas pérolas do articulista: ‘a imprensa tem fé pública’ e ‘não está demonstrado que o repórter errou. O problema é que ele não demonstrou que está certo’. Lamentável.

  9. Comentou em 29/11/2006 Clovis Segundo

    ‘A bem da verdade, não está demonstrado que o repórter errou. O problema é que ele não demonstrou que está certo.’

    Pergunto: um jornalista pode publicar algo sobre a integridade de alguém (acusação) sem antes provar que é verdade? E pior: Dizendo que é verdade. Não se trata de um jogo de lógica, trata-se de uma materia leviana, um jornalista leviano.

  10. Comentou em 29/11/2006 Paulo Mora

    ‘O problema é que ele não demonstrou que está certo’.
    Diga-me que é apenas uma piada (tipo humor inglês)…

  11. Comentou em 29/11/2006 Eduardo Guimaraes

    E continuam os erros soh contra o PT, Luiz. Mas nao ha complo nenhum da midia. Eh que errar contra o PT eh mais facil, soh isso, certo? PS: o dever – e a intencao – de Marco Aurelio Garcia e ateh do proprio Lula eh a de tentar aplacar a imprensa. Assim, surpresa seria se dissessem o que ateh as rotativas da imprensa sabem, que ha um grande complo da imprensa e da oposicao para derrubarem Lula, ja que derrota-lo eleitoralmente nao foi possivel.

  12. Comentou em 29/11/2006 Silvio Terato

    Falta senso de responsabilidade. O repórter não checa a informação e a publica assim mesmo, deixando-a para o arbítrio do leitor de avalia-la se é verdadeira ou falsa. Depois, isenta-se de qualquer responsabilidade, jogando a culpa no informante, de quem não podemos saber a identidade. Isso não pode ser o correto.

  13. Comentou em 29/11/2006 Fábio José Mello

    Prezado carlos alberto, contador (salvador/BA): umas fé demais, outras fé de menos.

  14. Comentou em 29/11/2006 marcio gama

    Sobre os 60% dos brasileiros, são 60% dos votos válidos, 58 milhões de votos, 4 milhões menos que a metade dos 125 milhões de votantes. Estes votaram em Lula. Ao que parece não é só a tal ‘imprensa golpista’ do PT que manipula informações.

  15. Comentou em 28/11/2006 Maria do Carmo

    Mais uma manipulação para tentar consertar a outra. E nada de pedir desculpas. Basta começar a mentir que aquilo vira uma bola de neve. O que a folha fez do seu Manual da Redação???

  16. Comentou em 28/11/2006 carlos alberto

    Será que entendí bem, ‘imprensa tem fé pública’ ??????? quem outorgou????????

  17. Comentou em 28/11/2006 Marco Tognollo

    Caramba Weis, o que é isso???No comentário abaixo o Sr. disse que o Kannedy Alencar ‘não errou, mas apenas não demonstrou estar correto’. HA HA HA. Boa desculpa. Mas quando qualquer político ou cidadão, ou ainda, qualquer ‘demo’ para a imprensa for contestado e dizer que ‘Não errei; apenas nao demonstrei estar correto’, como agirá a ‘tão sagrada’ imprensa???

    Muito boa a sua saída. A partir de hoje me tornei uma pessoa infalível, pois, na pior das hipóteses apenas não consegui demonstrar estar correto’.

  18. Comentou em 28/11/2006 Manoel Pinto

    Concordo com Fábio José Mello, jornalista. ‘A mão que afaga, é a mesma que apedreja e o beijo, amigo, é a véspera do escarro! Portanto, se alguém causa inda pena à tua chaga, apedreje esta mão vil que te afaga…. Escarre nesta boca que te beija….(já dizia o poeta). Não conheço o jornalista Kennedy Alencar, fica difícil analisar sua capacidade e competência diante a realidade dos fatos. Todavia, se competência e capacidade estão assim tão vuneráveis a uma realidade lamentável e de tamanha profundididade -principalmente se considerarmos o quesito ‘má intenção’, ou ainda, intenção desairada- onde vamos parar com a querela em questão?!

  19. Comentou em 28/11/2006 Fábio José Mello

    ‘6. Finalmente, como já foi dito, o tema da comunicação está na pauta do PT há muito tempo. Mas isso não quer dizer que ele vá ser abordado na resolução desta reunião do Diretório Nacional do PT.’

    Afinal, o comportamento da imprensa foi (ou é) escandaloso? Temos que rediscutir o papel dos veículos de comunicação, ou não? Esse comportamento dúbio me incomoda. Espero que o governo Lula não caia novamente no conto dos (tu)barões da mídia. Que desconfie das mãos estendidas, porque traiçoeiras. Abre o olho, presidente. Enquanto é tempo.

  20. Comentou em 28/11/2006 Fábio José Mello

    Em carta à Folha de S. Paulo, Valter Pomar, da Executiva do PT, esclarece:

    ‘1. O tema da democratização da comunicação social faz parte da agenda política do país, não apenas da agenda política do PT.

    2. O tema da democratização da comunicação social está na agenda do PT há muito tempo. A novidade é que o comportamento de parte da mídia, em 2006, foi tão escandaloso que parcela expressiva da sociedade percebeu que é preciso discutir urgentemente o assunto.

    3. O tema da democratização da comunicação social é muito mais amplo do que uma discussão sobre o destino das verbas publicitárias. Infelizmente, a matéria da Folha passa a impressão contrária.

    4. Todas as decisões de governo são, por definição, decisões políticas. Isso é particularmente válido quando estamos tratando de publicidade de instituições públicas. Atribuir ao PT a intenção de adotar ‘critérios políticos’, como se os demais partidos adotassem critérios exclusivamente técnicos, é algo sem sentido.

    5. As decisões sobre publicidade devem levar em conta critérios técnicos. Mas não se deve confundir ‘critérios técnicos’ com ‘critérios de mercado’. E, no caso, a técnica deve estar subordinada à política, no sentido nobre desta palavra. A pergunta política de fundo é a seguinte: queremos uma comunicação democrática ou monopolista?’

    continua…

  21. Comentou em 28/11/2006 Flavio Natacci

    E por que o repórter não pede desculpas pela informação errada? Deve haver muita gente que está acreditando no que ele escreveu. Errar é humano, então, corrija-se o erro.

  22. Comentou em 28/11/2006 luiz seixas

    a mesma Folha (online) de hoje publica a seguinte cmanchete:
    28/11/2006 – 08h36
    Verbas de estatais ajudam a bancar TV de filho de Lula
    FREDERICO VASCONCELOS
    da Folha de S.Paulo

    Vamos e convenhamos, assim não dá.

  23. Comentou em 28/11/2006 Marco Costa Costa

    Lamentavelmente a impensa sistematicamente tem levantado a bola de membros do PT e que fazem parte da camorra que comanda os destinos de nossa gente, incluindo a imprensa. Será que os meios de comunicação de massa não teriam outros assuntos de importância relevantes para ajudar o nosso povo, pelo menos, a minorar a nefasta situação de miséria em que se encontra. Ou falar mal do governo trás um bom faturamento, tanto do ponto de vista econômico, como de IBOPE.

  24. Comentou em 28/11/2006 Marnei Fernando

    O governo sim é legítimo… 61% dois brasileiros o referendaram… A imprensa NÃO tem mais a mesma fé pública de outrora… vão ter que mudar toda estrutura editorial e renovar seus quadros atuais para voltar a ter a tal fé do público de volta… Por mim e para muitos… esse entre aspas DESCONFORTO entre público e mídia brasileira está apenas começando.

  25. Comentou em 28/11/2006 Marco Costa Costa

    O que esse senhor Marco Aurélio Garcia fez de útil para o povo brasileiro. O estamos sabemos é que ele não passa de um proxeneta do governo do PT. Nesta história, a mídia tem muita culpa, pois tem dado ampla cobertura daquilo que esse sujeito não faz, além daquilo citado acima. Este site tem bons jornalista, no entanto, o discurso desses profissionais não muda, ou seja, vira e mexe estão fazendo criticas de um grupo de pessoas que ainda não disseram o que estão realizando de melhorias no comando do país.

  26. Comentou em 28/11/2006 douglas puodzius

    Professor reprova teoria do complô(28/11/2006)
    Assessor de Lula ameaça e xinga(25/11/2006)
    É muito interessante analisar as manchetes. Elas mostram por onde se quer conduzir o leitor. Primorosas estas duas construidas com esmero peculiar pelo Sr. weis. Nota-se logo que a intenção é empurrar goela abaixo dos desavisados as suas versões. Em principio, avisamos que, nestes exemplos, fala-se da mesma pessoa, o Sr. Marco Aurélio Garcia. Estranhamente o articulista indica a sua Ex condição de assessor quando o comentario é de entrevista que o mesmo concedeu na qualidade de Presidente do PT. Da mesma forma, o mesmo marco aurelio, fala como presidente e Weis aduz à sua condição de Professor. Essa distorção serve para reforçar a defesa das teses que o Sr. Weis vive martelando sobre a imparcialidade da midia. Nos dois casos, os textos de origem insistem que as opiniões são do presidente do PT. Em 25/11, a intenção da manchete Weisiana é dar à opinião de garcia tom de linha de governo. Na segunda de 28/11, busca dar amplitude e profundidade, através do titulo, a uma opinião que garcia emitiu sobre um caso isolado. Como fosse um mestre em defesa de uma tese geral, porém a própria materia ressalta: ‘o presidente interino do PT criticou reportagem de domingo da Folha’. (.. às vezes há matérias muito boas, mas que são editadas com uma manchete um pouco picante – M. Garcia – Pres. PT 28/11)

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