Sábado, 07 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1066
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Profissionais aderem ao “jornalismo em pílulas”, estilo Twitter

Por Carlos Castilho em 09/07/2009 | comentários

O respeitado jornal norte-americano The Christian Science Monitor publicou esta semana um artigo em sua página de opinião sugerindo que o prêmio Nobel da Paz de 2009 seja concedido ao Twitter, um programa de micromensagens com até 140 caracteres que está revolucionando a política mundial.


 


O programa lançado em 2006, para circular mensagens tanto pela Web como pelos celulares, bateu todos os recordes de popularidade na Web, tornando-se o terceiro site mais visitado da rede, com cerca de 55 milhões de acesso mensais e um índice de crescimento estimado em 1.382%, em fevereiro de 2009. 


 


Depois de tornar-se um modismo entre os jovens no mundo inteiro, o Twitter, também conhecido como “jornalismo em pílulas” passou a ser a ferramenta onipresente em todos os grandes eventos noticiosos desde o ano passado e em especial desde o inicio de 2009, como a queda do Airbus no rio Hudson, em Nova York, e os protestos antigovernamentais em Teerã.


 


Agora o microblog ganha espaço na área jornalística com a multiplicação das experiências de profissionais e com o surgimento de iniciativas destinadas a auxiliar os interessados no uso da ferramenta para captação e divulgação de noticias.


 


O Twitter segue a mesma trilha dos portais noticiosos de 2002 a 2004 e dos blogs jornalísticos, de 2006 em diante. Inicialmente foram vistos com desconfiança pelos jornalistas que depois os incorporaram à suas rotinas de trabalho.


 


Todas essas ferramentas têm em comum a capacidade de multiplicar a captação e divulgação de dados, fatos e notícias, tornando cada vez mais real a teoria da “nuvem informativa”. Esta nuvem seria formada pelos conteúdos informativos que circulam em dispositivos móveis de comunicação.


 


No Brasil, o Twitter já entrou no clima pré-eleitoral graças à ação de um número cada vez maior de jornalistas profissionais, dirigentes partidários, candidatos potenciais e ativistas políticos que usam a ferramenta para incidir sobre a agenda pública de debates.


 


O site Politweets publica os endereços de políticos brasileiros  que estão usando o Twitter para relacionamento com eleitores. Nele pode-se ver que o paulista José Serra é o único governador com um Twitter que obviamente está todo voltado para a campanha eleitoral presidencial de 2010.


 


Há 16 senadores twitando[1], entre eles cinco do PSDB, quatro do PT  e três do DEM. Na Câmara de Deputados, 36 parlamentares admitiram estar usando a ferramenta, com predominância dos demistas e tucanos.


 


Mas o grande fenômeno comunicacional do momento no Brasil é o movimento “Fora Sarney, que em cinco dias conseguiu reunir quase 15 mil mensagens de internautas que exigem o afastamento do presidente do Senado, acusado de corrupção e nepotismo.


 


Os twiteiros contrários a Sarney já organizaram manifestações em frente ao Congresso, em Brasília, e na Avenida Paulista, em São Paulo. As duas não reuniram muita gente e foram classificadas como ensaio geral. Quem quiser ter uma idéia do que está sendo discutido no movimento, basta inserir a hashtag[2]  #forasarney  no espaço para buscas na página pessoal dentro do Twitter. Ali estão listados todos os twits recentes postados por internautas.


 


O aumento da circulação de informação na twitosfera[3] está atraindo jornalistas que passaram a usar a plataforma tecnológica como ferramenta para procurar e divulgar notícias. O repórter norte-americano Ken Ward tornou-se famoso por ser um dos primeiros e usar o Twitter para produzir reportagens investigativas sobre a indústria do carvão nos Estados Unidos. Ward monitora os twits de executivos e consultores no segmento.


 


Hoje já há dezenas de outros profissionais usando o mesmo recurso, tanto de forma autônoma como em empresas. O projeto ReporTwitters oferece uma plataforma de troca de experiências e informações entre jornalistas que atuam na twitosfera. Outra ferramenta muito usada é o JournoTwit, que organiza o material dos profissionais cadastrados no site, separando seguidos e seguidores, bem como os retwits (RTs)[4]  feitos com o mesmo texto.


 


No Brasil, o jornalista Marcelo Tas é considerado o twiteiro número 1, mas o uso da ferramenta é mais intenso, embora menos visível, entre jornalistas iniciantes — como é o caso do estudante e repórter Glauber Macário. São eles que estão criando a grande massa de repórteres online que começam a gerar conteúdos que depois serão processados pelos sites de jornais e de formadores de opinião.


 

É o que acontece como Jay Rosen e Dave Winer, dois gurus do jornalismo na Web mundial, que criaram o twit Rebooting The News, no qual eles discutem notícias produzidas por twiteiros famosos e anônimos, tanto no universo acadêmico como no jornalístico.




[1] Twitando – neologismo criado a partir de outro neologismo, twit, que é o nome dado a  uma mensagem postada na plataforma Twitter.



[2] Hashtag – expressão inglesa para indicar uma área de interesses de usuarios do Twitter. Ela permite evitar resultados não desejados numa busca entre twits.



[3] Twitosfera – neologismo criado para definir o conjunto das pessoas que usam o Twitter. É uma analogia com a blogosfera, dos blogs.



[4] Retwits – nome dado a um twit que é reenviado para terceiros.

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