Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

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Projeto canadense tenta ressuscitar agências de notícias

Por Carlos Castilho em 02/08/2007 | comentários

Siglas famosas como UPI, ANSA, DPA e TASS sumiram da imprensa mundial enquanto outras não menos conhecidas como AP, AFP e Reuters lutam pela sobrevivência num ambiente informativo cada vez mais inóspito para agências de notícias baseadas num modelo centralizado de distribuição de informações.


 


As agências convencionais foram atropeladas pela avalancha de novas tecnologias de informação e comunicação, depois de quase um século de hegemonia no jornalismo mundial. Elas são hoje apenas uma sombra do passado, e é neste contexto que um projeto canadense tenta reocupar o espaço das agências convencionais usando a Web em vez do teletipo, telex e telégrafo para distribuir notícias internacionais.


 


O NowPublic, lançado em 2005, pretende reviver as glórias passadas das agências internacionais de notícias substituindo os correspondentes estrangeiros por colaboradores autônomos.


 


O site surgiu inicialmente com a proposta de reproduzir a experiência do jornal sul-coreano OhmyNews, a mais bem sucedida tentativa de publicar notícias produzidas por leitores comuns, sem experiência jornalística.


 


Mas depois de um ano de vida, o NowPublic teve que mudar de estratégia para conseguir um financiamento de 1,4 milhão de dólares em junho de 2006. O novo objetivo passou a ser a distribuição material produzido por free lancers para jornais impressos, revistas, emissoras de radio e de televisão bem como portais de notícias na Web.


 


Em julho de 2007, o NowPublic anunciou mais um aporte de recursos da ordem de 10,6 milhões de dólares para reforçar a sua rede de 120 mil colaboradores em 140 países, segundo declarações do co-fundador do projeto, Leonard Brody.


 


Apesar do apoio financeiro recebido, as dúvidas sobre o futuro do NowPublic ainda são grandes porque ele tenta reviver um modelo de distribuição de notícias que a maioria dos estudiosos da imprensa considera ultrapassado.


 


A World Wide Web criou um fluxo descentralizado de informações em escala planetária que acabou com o monopólio das agências convencionais na distribuição de notícias entre países e continentes.


 


As norte-americanas Associated Press e United Press International, a inglesa Reuters e a francesa AFP era indispensáveis para a imprensa mundial informar sobre guerras como a da Coréia e do Vietnã, bem como em todos os grandes eventos como a corrida espacial dos anos 60 e 70.


 


O papel de intermediação das agências acabou sendo minimizado na medida em que hoje é possível acessar diretamente as fontes de informação através da internet. Até mesmo as agências alternativas como a cooperativa de jornalistas InterPress Service acabaram perdendo mercado na reviravolta provocada pela internet.


 


O surgimento dos sistemas automáticos de coleta e distribuição de notícias como o Google News, Topix e Newsbot , do MSNBC criou uma concorrência desleal porque os robots eletrônicos conseguem monitorar até três mil publicações, muito além da capacidade de toda a equipe de uma agência de notícias convencional.


 


Elas acusaram o golpe. A AFP até hoje briga na justiça francesa contra o Google News acusado de uso ilegal de informações produzidas pela agência e publicadas em jornais que foram indexados pelo mecanismo de buscas.


 


A UPI fechou as portas ingloriamente em 1993 e a Reuters é hoje uma pálida imagem do seu passado centenário, depois de ter demitido quase três mil funcionários e ver suas receitas caírem 90%.


 


A Associated Press é talvez a única das outrora grandes agências que ainda aposta no modelo centralizado de distribuição de notícias. A agência, que é uma cooperativa de jornais norte-americanos criada em 1846, tem um acordo operacional com o NowPublic e intermediou o último grande financiamento recebido pelo site.


 


O maior desafio à nova experiência de agência de notícias vem dos weblogs e do recém lançado site Tailrank, que monitora informações publicadas em quase cinco milhões de weblogs de todo mundo. Além disso, existe o chamado “jornalismo quântico”, que deve provocar o surgimento em breve de várias experiências de distribuição personalizada de notícias, segundo os interesses e necessidades de cada leitor.


 

Todos os comentários

  1. Comentou em 03/08/2007 Ivan Moraes

    Mais jornalismo centralizado em volta do dinheiro do patrocinador: semana passada um dos sites tinha reportagem sobre estudar fora do Brasil, como se 1 milesimo de seus leitores tivesse condicoes de fazer lo… A respeito de estudar no Brasil nao se falava nada. O Brasil nao tem Educacao.

  2. Comentou em 03/08/2007 Ivan Moraes

    Centralizacao eh somente feita sob o sol do marketing: de ontem pra hoje, em dois sites somente, ouvi falar de Ingmar Bergman, Steve Wonder, Moby, cineasta italiano que morreu, Björk, Cat Power, Arctic Monkeys, The Killers, Claude Chabrol. John McClane. De artistas brasiileiros tinha Juliana Paes e Gil. Brasileiro que nao tem pistolao nao tem chamada de capa, ponto final. Eh isso que brasileiro aprende na media. Chile eh maravilhooooso para turismo, Mexico tambem, mas ninguem diz que turismo no Brasil eh impossivel. Eh uma exclusao brutal da realidade brasileira. Existem dezenas de casos assim todos os dias de todos os mezes na media brasileira. Ate nulidades internacionais sao mencionadas por nome na capa, e artistas brasileiros que se danem. Turismo so em paises neoliberais, o resto do Brasil que se dane. E assim vai. Foi a isso que a centralizacao de noticias levou.

  3. Comentou em 03/08/2007 Ivan Moraes

    A AP eh respeitada por ser excelente, mas esta apostando no modelo errado. Eu nao sabia o que dizer ou pensar a primeira vez que notei que os factoides tom cruisianos haviam invadido a media brasileira, por exemplo, e estava perplexo porque nao sabia que isso acontecia no resto do mundo. De 93, quando notei isso, pra ca, a situacao da distribuicao centralizada de noticias era um saco de gatos com coisas excelentes misturadas com coisas pessimas, mas quase nada delas apropriado ao Brasil. A situacao expoe mas nao endereca uma deficiencia da media brasileira aonde ‘verdade’ so pode ser contada por certas partes escolhidas a dedo coronelista, e o resto eh tudo ‘mentira’ ou simplesmente juridicamente perseguido. Jaba jornalistico eh fato mundial. Se as criticas e os plugs para cultura importada nao aparecem na media nativa, cedo ela desaparece. Existe algo mais culturalmente improprio do que o filme dos ‘4 fantasticos’ para o Brasil? Nao ha maneira do filme ser mais ruim mas media que sabe seu lugar nao pode falar de atores feios, de historia moralista, de preto morrendo pelo amor de uma branquela. Centralizacao, quanto mais limitada, melhor, porque so assim ela tem mais possibilidade de cuidar da qualidade em vez de cuidar dos anunciantes. E anunciantes, isso eh, patrocinadores, sao o problema etico mais central do jornalismo -texto ou video.

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