Quinta-feira, 29 de Junho de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº947

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Protagonistas de escândalos de corrupção discutem via weblogs

Por Carlos Castilho em 04/06/2007 | comentários


No início de maio, boa parte da elite político-empresarial de Santa Catarina foi parar nas celas da Polícia Federal em Florianópolis em conseqüência de um escândalo de tráfico de influência e falsificação de licenças ambientais para construção de dois shopping centers bem como de uma penca de outros empreendimentos imobiliários de luxo.


 


A chamada Operação Moeda Verde ficou nas manchetes da imprensa local durante quase duas semanas, mas quando todo mundo pensou que ela seria substituída por uma “operação-abafa”, o bate-boca entre acusados, suspeitos e interessados transferiu-se para a internet, mais especialmente para a blogosfera catarinense.


Dois blogs se encarregaram de manter o assunto em evidência e alimentar pelo menos seis outros com material para comentários e posts. Enquanto a imprensa barriga verde trocou a perplexidade inicial por uma cobertura quase burocrática, a preocupação em levantar dados novos passou aos blogs, o que é um fato inédito na mídia e na política locais.


 


O blog Moeda Verde Floripa  foi criado logo depois da prisão de 22 empresários do ramo imobiliário, políticos e funcionários públicos estaduais e municipais. Quando a cobertura do assunto começou a ficar rarefeita na imprensa surgiu o blog do empresário colombiano Carlos Amastha, um dos responsáveis pela construção do Shopping Floripa, sobre quem pesam suspeitas de corromper funcionários públicos para comprar licenças ambientais.


 


O Moeda Verde Floripa procura adotar uma postura mais informativa, o que acabou se refletindo num maior número de “desabafos”  de leitores, em sua maioria manés (apelido dos moradores de Florianópolis) mais informatizados e que não têm acesso às páginas de cartas de leitores no jornal Diário Catarinense, que domina toda a imprensa estadual.


 


Já o weblog do empresário colombiano foi criado em apoio às pesadas acusações que ele faz contra o prefeito da capital catarinense, acusado de favorecer os interesses de um shopping concorrente, da rede Iguatemi, inaugurado no final de abril.


 


Mais recentemente, Carlos Amastha tenta neutralizar uma série de boatos sobre sua carreira e sobre a origem de seus recursos financeiros, através de posts onde conta a sua história pessoal.


 


O mais interessante neste processo é a participação das pessoas. Embora reduzida em termos absolutos se comparada com os números de sites do Rio e São Paulo, ela marca uma mudança no comportamento do público consumidor de informações numa cidade pequena (400 mil habitantes), onde quase todos os principais veículos de comunicação são propriedade do conglomerado gaúcho Rede Brasil Sul (RBS).


 


Os blogs começam a entrar no quotidiano da agenda das pessoas, mesmo fora dos grandes centros urbanos. Isto marca uma importante mudança de comportamento e assinala, sobretudo, a perda de controle da imprensa convencional sobre a cobertura de temas que afetam interesses comerciais e financeiros.  

Todos os comentários

  1. Comentou em 09/06/2007 Rodrigo Albuquerque

    Depois reclamam quando suas concessões são ameaçadas. O Grupo RBS polariza a sua informação em torno do futebol, criando uma massa de alienados. Diariamente, 70% das páginas do Jornal impresso e das noticias no seu canal de televisão (filiado à Rede Globo) só fala em FigueirensexAvaí, o frio em São Joaquim, o movimento nas estradas, enfim amenidades. Já o escândalo dos dois milhões encontrados em êpoca eleitoral com um assessor do Governo passou em brancas nuvens por aquí, assim como outros assuntos de interesse da Comunidade sequer são noticiados. Antes de estourar o escândalo da Operação Moeda Verde, um deputado da base aliada havia proposto um projeto para comercialização de uma das últimas áreas verdes da Cidade de Florianopolis. Adivinhem quem seriam os beneficiários? Eles mesmos. O pior de tudo é que a massa de alianados em SC / Rs cresce ao ritmo das vitórias esportivas de seus principais times. E dalhe ufanismo!!!

  2. Comentou em 09/06/2007 Rodrigo Albuquerque

    Depois reclamam quando suas concessões são ameaçadas. A RBS polariza a sua informação em torno do futebol, criando uma massa de alienados. Diariamente, 70% por cento das paginas do Jornal impresso e das noticias no seu canal de televisão (filiado à Rede Globo) só fala em FiguirensexAvaí, o frio em são Joaquim, o movimento nas estradas, enfim amenidades. Já o escandalo dos dois milhões encontrados em êpoca eleitoral com um assessor do Governo passou em brancas nuvens por aquí, assim como outros assuntos de interesse da Comunidade sequer são noticiados. Antes de estourar o escândalo da Moreda Verde, um deputado da base aliada havia proposto um projeto para comercialização de uma das últimas áreas verdes da Cidade de Florianopolis. Adivinhem quem seriam os beneficiários? Eles mesmos. O pior de tudo é que a massa de alianados em SC / Rs cresce ao ritmo das vitórias esportivas de seus principais times. E dalhe ufanismo!!!

  3. Comentou em 08/06/2007 Ilda Melo

    Viva a internete! Diante de uma imprensa agonizante, dependente de repasses de governos e multinacionais, o milagre da internete vem a calhar. Essa revolução só está começando. Pessoalmente, já não me interesso por jornais, quero beber na fonte! Depois, visito alguns sites e blogs e, querem saber de uma coisa? Nunca estive mellhor informada e nunca, absolutamente nunca, tive essa agradável sensação que tenho hoje de independência com relação a tudo o que é veiculado na mídia tradicional.

  4. Comentou em 08/06/2007 Fábio de Oliveira Ribeiro

    Pois é meu caro… devagar a imprensa tradicional vai perdendo espaço ou se tornando irrelevante. A Internet ampliou as possibilidades jornalisticas da população e isto certamente terá influências políticas dolorosas (especialmente para os canalhas de sempre, que sempre foram os queridinhos da mídia convencional). Há uma VERDADEIRA revolução em curso. Silenciosa, sorrateira, imperceptível e decididamente irreversível, como só as grandes revoluções costumam ser. A domesticação do fogo nos retirou das cavernas. A invenção da roda e do arado nos transformou em seres gregários. A força do vapor nos permitiu atravessar continentes e oceanos rapidamente. Marx descreveu satisfatoriamente a economia capitalista, mas do ponto de vista político cometeu um erro. Todas as grandes revoluções não foram nem ideológicas, nem violentas. Foram científicas, foram tecnológicas… algumas, como a Internet, possibilitaram um aprofundamento das relações entre as pessoas comuns, catapultando-as diretamente do anonimato para o centro da arena política.

  5. Comentou em 06/06/2007 Alberto Caeiro

    Prezados leitores, o grupo RBS possui uma ramificação monopolista de comunicação ao qual seus tentáculos estenderam-se ao estado de Santa Catarina, adquirindo- o a poucos meses o jornal Anotícia de Joinville e, o que é pior, está demitindo seus funcionários em doses homeopáticas para um futuro esvaziamento do mesmo, com isso formaria um único padrão de jornalismo; inclusive anexando definitivamente ao Diário Catarinense. Senhor(a)es, está em curso aquilo que o velho Leonel Brizola em muito nos advertira: ‘de que a serpente já chocara seus ovos’.

    Obs: Prezado Alberto Dines, mesmo discordando do seu ponto de vista acerca do caso do cancelamento da concessão da RCTV pelo governo eleito democraticamente de Hugo Cháves, saúdo-o pelo brilhante programa observatório da imprensa exibido ontem,terça-feira, na rede pública de televisão. Nesse sentido Dines, espero que o senador Artur Virgílio olhe para o seu próprio úmbigo e faça efetivamente o prometido, reative a famigerada comissão senatorial para assuntos da mídia, que possui como prerrogativa, assim creio, apontar os problemas e propor melhorias para o bem da boa in-formação. Haja vista, que o interesse do senador pela mídia despontado no programa me parece novo e, incute-me a desconfiar dos seus propósitos, todavia, resta saber se o ‘grande’ arauto da democracia, o senador José Sarney (Arena-PFL-PMDB), cederá suas concessões.

  6. Comentou em 05/06/2007 Lau Mendes

    Não é atoa que a RBS não quer este tipo de noticia,além de outras,continue nas manchetes,isto atingiria o braço ‘construção civil’ da RBS. Bem fazem os ctarinenses em preservar seu maior patrimonio que rende trabalho no turismo e não os deixa virarem meros escravos do capital especulativo.

  7. Comentou em 05/06/2007 Ivan Moraes

    ‘Aqui no Rio Grande do Sul – Porto Alegre somos lavados diariamente por este Conglomerado de Comunicação, que só comunica o que quer. Elege quem quer.’: a justica tambem esta assim. Justica amapaense nao eh justica mineira nao eh justica paulista nao eh justica acreana nao eh justica paranaense. A pratica do que a constituicao diz esta em frangalhos para o agrado de coroneis locais, e quem a esfrangalha sao juizes.

  8. Comentou em 05/06/2007 gilberto lopes da silveira

    é claro que a sociedade tem que se movimentar contra os grandes tablóides . Parabéns povo Catarinense que não é levado no bico pela família Sirotski – RBS . Aqui no Rio Grande do Sul – Porto Alegre somos lavados diariamente por este Conglomerado de Comunicação, que só comunica o que quer. Elege quem quer. A gauchada se acha sabida, entram no site da Zero Hora e só tem informação adesiva – teatros-cafés-shows-palestras- Não há espaço para esta discussão sociabilizada. Não se discute. Aqui apenas se houve o ruido .A maioria não tem voz, mas gostaria de ter. Com certeza se houvesse um espaço assim , digamos democratico, a RBS estaria no paredão. Por favor ensinem-nos como operar , e vamos fazer uma grande rede , uma grande malha de informação para que estes veículos de comunicaçaçao entrem nos seus devidos eixos, como dizia meu pai, ou seja não é cerveja , mas vamos democratizar a comunicação. meu site é silveira61@yahoo.com.br.

  9. Comentou em 05/06/2007 Ivan Moraes

    Eu adoraria saber, entre outras coisinhas, quanto o governo investiu nos ultimos 5 anos nas regioes aonde os malls estao… *antes* deles serem construidos.

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