Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Quando o repórter perde a guerra

Por Luiz Weis em 26/01/2009 | comentários

Pelo menos no modelo de jornalismo que separa o registro dos fatos de sua interpretação, o repórter depende basicamente de si – do seu treinamento, da sua milhagem, do seu nível de informação, de sua sensibilidade e de estar no lugar certo na hora certa – para captar e descrever os acontecimentos e transformá-los em notícia.


Já para lhes dar contexto e perspectiva, a fim de indicar ao leitor, em suma, o que significam segundo diferentes visões, ele depende de terceiros. A começar dos portavozes dos interesses em jogo nas situações objeto da cobertura – os dois ou mais “lados” da questão.


Naturalmente, quanto maior o antagonismo entre eles, maior o distanciamento entre as respectivas versões, bem como entre as verdades que nelas se fundamentam, maior ainda a relutância mútua em julgar equânime a cobertura jornalística que dê voz ao adversário. Mas o jornalismo em geral está preparado para lidar com essas diferenças – aliás, é o pão de cada dia do ofício.


Outra coisa é dar conta de eventos e processos cujos protagonistas “falam dois idiomas distintos, as próprias palavras que usam significam o oposto de parte a parte, e a guerra da linguagem pode confundir as tentativas do repórter de narrar o conflito de modo aceitável para os dois lados”.


As aspas são do jornalista Ethan Bronner, chefe da sucursal do New York Times em Jerusalém, e estão na abertura do seu artigo de 1.500 palavras – “As balas na minha caixa de entrada” – na edição de domingo, 25, do jornal.


O seu assunto é o jornalismo diante do conflito israelense-palestino que o autor acompanha de perto há mais de 25 anos. O gancho, evidentemente, é Gaza.


Depois da ofensiva de três semanas de Israel, escreve Bronner, “vale a pena fazer uma pausa para notar como tem sido difícil narrar essa guerra de maneira que outros considerem como neutra” – supondo possível, ou em circunstâncias extremas, moralmente legítima a neutralidade.


Não só o que é fato para uns é fraude para outros, como ainda há o abismo intransponível dos nomes que dão para as coisas que os confrontam. Para os palestinos, a barreira que serpenteia na Cisjordânia é um muro; para os israelenses, uma cerca. Estes chamam o conflito de 1948 de Guerra de Independência; aqueles, de catástrofe (hakhba, em árabe).


Bronner compara a tentativa de contar a história de forma a que os dois lados possam ouvi-la da mesma maneira a uma tragédia grega em que o jornalista faz o papel desprezado do coro que dá as más notícias. Falando na primeira pessoa, ele diz que se sente como se estivesse avivando as chamas, contribuíndo com cada palavra que escreve para a incompreensão e os antagonismos mútuos, “porque a fervorosa voz interior de cada lado é tão alta que abafa tudo o mais”.


Estão em curso na região – aponta o jornalista numa das mais bem resolvidas passagens do seu texto – “duas guerras separadas, baseadas em dois conjuntos muito diversos de premissas”.


Como o mundo se interessa profundamente pelo conflito, isso deveria facilitar o trabalho do repórter, porque os atores, os nomes dos lugares e a história são familiares. Mas, a exemplo dos próprios envolvidos, os leitores têm ideias radicalmente contrastantes a respeito. Daí que “cada vez que eu falho em contar a história que cada lado conta a si mesmo”, desabafa Bronner, “a seus olhos eu fracassei – e põe fracasso nisso”.


Assim, cada vez que ele escreve um artigo sobre o conflito que não reflete a versão israelense – “se, por exemplo, focalizo o sofrimento palestino, ou alegados malfeitos de Israel, ou cito grupos de defesa dos direitos humanos como a Anistia Internacional” – é como se ele tivesse demonstrado compartilhar em segredo os pontos de vista do inimigo.


Um leitor lhe escreveu: “No seu jornal, todas as questões e todas as críticas se dirigem a Israel, e tudo se baseia numa coleção de organizações antissemitas disfarçadas de humanitárias.”


A recíproca é verdadeira – embora tenha ficado patente que Israel e os seus simpatizantes protestaram muito mais sobre a cobertura de Gaza na imprensa mundial do que os palestinos.


De toda forma, sempre que ele não alude à verdade palestina segundo a qual Israel é um país nascido em pecado – “quando, por exemplo, examino os objetivos de Israel na guerra em Gaza sem implicitamente condená-la como um massacre, ou quando escrevo sobre Israel sem questionar a sua legitimidade” – ele terá revelado o seu alinhamento e não pode mais merecer confiança como repórter.


Outro leitor lhe escreveu: “Graças a você e à escória como você, Israel pode agora matar milhares e você pode descrever tudo isso como se fosse um desastre de trem acontecido por acaso.”


Como Israel não permitiu a entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza até a guerra ser suspensa, o New York Times dependia dos relatos da jornalista palestina Taghreed el-Khodary, ali baseada, para cobrir os fatos in loco.


Nos primeiros dias da ofensiva, ela testemunhou no Hospital Shifa a execução, por pistoleiros do Hamas, de um alegado colaborador de Israel. Um deles a advertiu para que que jamais contasse o que viu. Ela respondeu que não havia hipótese de ficar quieta. Em seguida, fez umas ligações para apurar se tinham ocorrido outros episódios do gênero e passou as informações por telefone a Bronner, do outro lado da fronteira. No dia seguinte, a história estava no New York Times.


Blogueiros árabes atacaram Taghreed “com o pior insulto que podiam conceber”, diz Bronner – “sionista”. Ela trabalhava para um jornal “completamente acumpliciado com as atrocidades que Israel comete contra os palestinos em Gaza e na Cisjordânia. Você faz com que isso pareça razoável. É a sua tarefa.”


Em compensação, funcionários israelenses alegavam estar certa a decisão de impedir a entrada de repórteres em Gaza porque nenhum tipo de jornalismo independente seria possível numa área controlada pelo Hamas. Indigna-se Bronner: “Será que essa gente nunca leu nenhuma matéria de Taghreed?”


Ele mesmo responde:


”Muitos leram, mas não importa, porque a sua crença na sua própria visão é tão acachapante que qualquer coisa que a contradiga se torna um detalhe insignificante.”


E cita um outro leitor ainda:


”Basicamente, você está ajudando os terroristas e aumentando o sangue derramado por contar só um lado da história e ignorar por completo o quadro todo.”


A amargura do jornalista é compreensível. No entanto, a menos que mude de profissão, ou vá exercê-la em paragens mais aprazíveis, é o preço que ele – entre tantos outros – paga pela tentativa de descrever os fatos como pode vê-los e de explicá-los incorporando os argumentos, impossivelmente contraditórios, dos dois lados.


Bronner, por sinal, foi o primeiro jornalista ocidental a escrever que o objetivo de Israel em Gaza não era apenas neutralizar a capacidade ofensiva do Hamas, com seus foguetes sobre as cidades israelenses mais próximas. O alvo, sobretudo, era destruir a infraestrutura física que permitia ao Hamas governar a Faixa dentro de um semblante de normalidade, apesar das fronteiras cerradas que transformaram o lugar em um gueto.


Escolas, centros comunitários, mesquitas, o parlamento, ministérios, a prisão central e praticamente todas as delegacias de polícia foram arrasados ou irremediavelmente danificados. Detalhes da devastação estão em outra matéria de Bronner – “Em meio à destruição, a volta à vida em Gaza” –, também no NYT de domingo.


”O medo vende jornais”


Os enviados especiais da imprensa brasileira mandaram várias reportagens sobre o apoio praticamente unânime da população israelense aos ataques a Gaza. A mais recente delas, do repórter Marcelo Ninio, da Folha, focaliza um dos raros opositores de renome da guerra, o veterano colunista Gideon Levy, do Haaretz.


Atacado por todos os lados, até por alguns de seus antigos companheiros do movimento pacifista, o jornalista “tornou-se um símbolo solitário da diminuta minoria israelense que se opôs à ofensiva contra o Hamas em Gaza”, informa Ninio. “Sua revolta contra o bombardeio de áreas civis, a identificação com o sofrimento dos palestinos e o retrato da sociedade israelense como racista e intolerante lhe renderam a pecha de traidor, hipócrita e até ameaças de morte.”


Pode ser pior do que isso, dependendo do “traidor” – e é uma pena que nenhum jornal brasileiro tenha publicado a esse respeito um relato como o de Seth Freedman no Guardian de Londres da quarta-feira passada, 21, sob o título “Como Israel afoga o dissenso”.


A matéria destaca o caso de Sharon Dolev, atacada a jatos de água por um grupo de bombeiros quando participava de uma vigília pacífica contra a guerra, em frente a uma base área de Tel-Aviv. Sharon foi ainda ameaçada de ser levada para o quartel da corporação para “chupar todos nós”, conta Freedman.


Em 20 anos de militância pacifista e de entendimento com os palestinos, Sharon já foi agredida, atingida por balas de borracha, insultada, humilhada – e, naturalmente, ameaçada de morte. Mas, diz ela, esse foi o primeiro episódio em que o Estado se sentiu seguro para agir como agiu – em Israel, funcionários públicos em serviço são proibidos de manifestar opiniões políticas.


As imagens da agressão dos bombeiros, num site noticioso israelense, motivaram 380 comentários. Só 10 defenderam a ativista. Um internauta escreveu: “Por que usaram água? Deviam ter usado ácido.”


”No passado”, observa Sharon para explicar o que mudou em Israel, “chamar alguém de racista era a pior acusação que se poderia fazer. Depois, você começava a ouvir pessoas dizendo ‘Eu sei que sou racista, mas…’. Agora, se ouve ‘Eu sei que estou falando como um nazista, mas pelo menos os nazistas sabiam lidar com os seus inimigos’.”


Para ela, o processo de “desumanização” dos palestinos está em estágio avançado. “O medo nos transformou em feras”, acusa. E aponta o dedo para a imprensa: “A mídia é tão responsável como o governo por atemorizar continuamente o israelense comum. O medo vende jornais.”

Todos os comentários

  1. Comentou em 30/01/2009 Gilberto Clementino dos Santos Santos

    Caro Luiz,

    Apenas complementando texto anterior, não apenas a imprensa mundial, mas inserido nela a nacional que a cada dia desinforma mais, decepciona mais e desestimula novas gerações a trilhar o caminho da comunicação, pois para vender a consciência basta ser um alienado, que deixa as decisões de sua vida nas mãos dos outros. Concordo com o leitor de Observatório da Imprensa que postou ser defícil a imparcialidade quando se está diante de um massacre de um pequeno por um gigante, Israel e palestinos, um forte belicamente e outro fraco, com mortes de civis e crianças. Por isso mesmo, reafirmo que a imprensa, o jornalista, na essência, deve reportar-se ao fato, ao acontecimento, deixando ao interprete equacionar a valoração sobre isto ou aquilo, quem está certo quem está errado, quem deve parar e ceder ao direito do outro. Nesta hora preciaríamos de uma Organização de Nações Unidas, de verdade, não de faz de conta, onde os pesos são diferentes no que se refere aos paises membros, mas de uma ONU de verdade, que buscasse a paz entre os povos, a harmonia entre as nações do planeta.

  2. Comentou em 30/01/2009 Gilberto Clementino dos Santos Santos

    Caro Luiz,

    Tenho comigo que estamos entrando numa nova era. Mas, também tenho certeza de que os valores positivos da humanidade estão tão destruídos que não vai demorar muito e vamos piorar ainda mais. É, infelizmente, o caminho e cenário futuro. Quando disse, estamos entrando numa nova era, refiro-me a eleição de Barack Obama, para presidente dos Estados Unidos. É verdadeiramente uma luz no fim do túnel. Uma esperança a que a humanidade tem e deve se agarrar. Acreditando de maneira firme que existam homens, ainda, que tenham palavra, compromisso com a coletividade, pensamento positivo. Homens que troquem a arrogância pela sensibilidade. Que gostem de dançar, que tenham carinho pela família, preocupação com o próximo. Não se trata de discursar no vazio e sim, de passar a falar a verdade, com sinceridade, vontade. É assim que brigas podem terminar, com as duas partes tendo direito a falar. Refiro-me a judeus e palestinos. Se em 1948 se criou o Estado de Israel, sem o Estado Árabe ou Palestino, observa-se a “mão invisível” de uma grande potência por trás, vigilante, cuidando de seus interesses, dando de ombros para a deflagração dos conflitos que adviriam. Creio que é por aí, que deve percorrer os bons jornalistas, que são homens e mulheres, que devem estar comprometidos com a humanidade, com a legítima informação, coma difusão plural dos acontecimentos.

  3. Comentou em 30/01/2009 marina chaves

    mas já houve confusao entre israel e turquia por causa da ofensiva israilense em gaza…. o primeiro ministro turco e o presidente de israel se desentenderam em davos…. a informaçao está no portal terra.. o primeiro ministro turco foi recebido como heroi em istanbul….

  4. Comentou em 29/01/2009 Gustavo Medeiros

    Num guerra como a de Gaza, acho que a imprensa tem que mostrar os fatos como o são, tentando ser isenta. Agora, imparcialidade não existe. Pois, se você cobre o massacre de um povo por um Estado militarmente forte, não há como deixar esse fato de lado: a desproporção de forças, que gera o massacre de uns (Israel) sobre outros (palestinos e suas crianças)

  5. Comentou em 28/01/2009 rogerio cardozo

    No filme fareneith 11/9 o diretor explica como Bush fez para amendrontar todos para fazer o que queria,eu acredito em DEUS mas não tenho religião,porque todas são compostas por homens como todos,com defeitos e virtudes, e que tem interesse de se eternizar no mundo ,para isso uzam meios desse mundo.Eu acho que o mundo hoje está dominado por uma minoria que para realizar seus intentos não tem limites.O povo Judeu não merecia essas coisas que estão acontencendo mas são dominados por gente sem exclupulos e a mesma coisa o povo Palestino, o hamas é uma minoria que é destrutiva.Acho que a cidade de JErusalem que é ponto central da discordia deveria ser governada pela ONU como patrimonio da Humanidade misso ceria as hostilidades e se decretaria eleições na Palestina não podendo grupos armadrs participar.

  6. Comentou em 28/01/2009 Alexandre Carlos Aguiar

    Toda guerra (conflito, invasão, massacre, carnificina, genocídio ou holocausto, que sejam) tem os seus lados. Diversos lados. Cada qual com seus interesses e conseqüências. Ninguém entra numa guerra contra seus próprios interesses ou sem medir as conseqüências. Ora, um jornalista deve ter nariz, olhos e ouvidos. Estes objetos sensoriais que muita gente possui mas sequer sabe para que servem. E um jornalista, aquele que se diz isento, deve compreender o que sente por estes órgãos e transmitir as SUAS considerações. Sim, um jornalista é único. No momento em que divulga a informação é ele, apenas ele, quem faz. Ele é quem percebe, ele é quem sente, ele é quem elabora a compreensão do evento. Não pode, jamais, ser um pau mandado, senão, não será um jornalista, mas apenas um porta-voz. No conflito recém passado muitos porta-vozes afloraram na mídia, defendendo os interesses do massacre.

  7. Comentou em 28/01/2009 Elcio Machado

    Weis, temos um repórter passando por uma prova de fogo. O moço merece citação elogiosa. Como enviado especial do Estadão ao Oriente Médio, Gustavo Chacra escreve com rara sensibilidade e isenção sobre o que vê, e administra um blog que retrata, em (nem sempre) bom português — abundam sobrenomes árabes e judaicos, e suas históricas dificuldades com nossa língua –, o que Bronner afirmou. Na visão dos leitores, trata-se de ‘duas guerras separadas, baseadas em dois conjuntos muito diversos de premissas”: o meu e o errado. A ação do jornalista, como moderador, dá a nós, brasileiros distantes do conflito, a possibilidade de entender um ´pouco aquele mundo, seus atores e suas vítimas. É uma nova safra de jornalistas que promete. Vou além. Promete superar alguns superados ícones atuais do jornalismo brasileiro.

  8. Comentou em 27/01/2009 Wendel Anastácio

    …/… continuação do anterior:
    e regimes, enfraquecidos por décadas de colaboração com Washington.
    Também em Israel, a opinião pública começa a apresentar tendências novas. Embora 81% dos israelenses estejam hoje apoiando a guerra, pesquisa recente mostrava que apenas 39% dos israelenses acreditam que o atual governo, com guerra ou sem, conseguirá enfraquecer o Hamás ou reduzir a violência.

    Em editorial, há poucos dias, o jornalista Gideon Levy escreveu, no Haaretz, de Telaviv, editorial intitulado ‘The neighborhood bully strikes again’ (‘O delinquente do quarteirão ataca novamente’ (28/12/2008).

    Barack Obama, presidente eleito dos EUA permanece mudo, enquanto Israel assassina palestinos. A mudez é manifestação de cumplicidade.

    (*) Nir Rosen é jornalista, professor do New York University Center on Law and Security, autor de ‘The Triumph of the Martyrs: A Reporter´s Journey in to Occupied Iraq’ (escrevendo de Beirute).

    Publicado originalmente na Al-Jazeera, em 31/12/2008

    Pense nisto.

  9. Comentou em 27/01/2009 Wendel Anastácio

    Caro Luiz;
    Transcrevo do site do Azenha ‘Ví o Mundo’, para seu conhecimento, e de alguém mais que desconheça.
    ‘Restaurar a Palestina
    Apesar de nada fazer na direção de qualquer processo de paz para o Oriente Médio, a Casa Branca, nos anos recentes tem-se mostrado incapaz de resolver o nó da ocupação da Palestina por Israel, principal causa que põe em armas todos os militantes anti-americanos no mundo árabe e fora do mundo árabe.
    O anti-americanismo é o denominador comum que modula todos os discursos populistas, no Oriente Médio. Invadir o Iraque ou oferecer vantagens a Estados aliados, não ajudará a resolver o problema em que os EUA converteram em problema quase insolúvel para todo o mundo.
    Nas minhas viagens e pesquisas, tenho falado com jihadistas no Iraque, no Líbano, no Afeganistão, na Somália e em outros lugares: todos falam da luta dos palestinos como sua de suas principais motivações.
    O apoio a Israel custará muito caro aos EUA. Em breve, as ditaduras árabes, que os EUA consideram moderadas e que contribuem para manter a hegemonia dos EUA na região perceberão que, elas mesmas, estão em posição insustentável.
    Perda de prestígio
    Já se vêem aparecer novas tensões na região. Damasco retirou-se das conversações tripartites com Telavive. Muitos árabes já temem, não só Israel ou os EUA ou ambos, mas, mais, a própria instabilidade interna de seus governos …… cont.

  10. Comentou em 27/01/2009 Wendel Anástacio

    Caro Luiz;

    Que belo jogo de palavras.
    Tentar justificar o trabalho de repórteres nesta carnificina, é como justificar o holocausto nazista.
    Tentar justificar o porquê de Israel não ter deixado entrar a imprensa em Gaza, é tentar justificar 1.400 mortos e milhares de mutilados/deficientes que durante sua longa vida permanecerão assim.
    E finalmente, sentado em frente ao computador, é muito fácil defender o indefensável.
    Pense nisto.
    Tentar justificar

  11. Comentou em 27/01/2009 Samuel Lima

    Caríssimo Luiz, li o texto de uma só tacada. Brilhante. Acompanhei a cobertura, como foi possível, via TV e os grandes jornais impressos. Seu post joga luz sobre os dilemas da cobertura, no limite do equilíbrio e a produção da informação jornalística de qualidade, que os profissionais envolvidos nesse tipo de conflito sofrem. O fato é que, por exemplo, a cobertura da TV Globo, que atinge uma parcela considerável da população brasileira, é tão profunda quanto poça de chuva de verão, o verdadeiro ‘samba de uma nota só’: os terroristas do Hamas versus o Estado ‘democrático’ de Israel. Quando o Secretrário-Geral da ONU denuncia crime contra a humanidade, diante dos prédios da ONU devastados pelas bombas de Israel, é porque a máquina de matar dos israelenses passou de todos os limites. Gracias pela reflexão!

  12. Comentou em 27/01/2009 Ivan Moraes

    ‘Os enviados especiais da imprensa brasileira mandaram várias reportagens sobre o apoio praticamente unânime da população israelense aos ataques a Gaza’: inclusive aquele da ‘demonstracao’ de ‘brasileiros’ em Israel ‘condenando’ O PT! Voce sabe qual… aquele que falava em ‘dezenas’ de brasileiros enquanto a foto mostrava 11… sem dizer quantos eram judeus… sabe qual? Aquele que nao se dignava a nos dizer o historido de votos e de suporte politico daquelas ‘dezenas’ de ‘brasileiros’ em Israel… aquele mesmo… voce lembra, nao lembra? (parece invencao, nao parece?)

  13. Comentou em 27/01/2009 marina chaves

    essa historia me lembrou uma outra, a da guerra do paraguai…. até a pouco tempo atras, tinhamos uma verdade sobre a guerra, a de que os paraguaiso foram arrasados por uma guerra que tinha interesses ingleses na ameriaca do sul…. há um tempo atras, coisa de cinco anos, surgiram novos documentos e evidencias, de que outros paises envolvidos (brasil, uruguai, argentina e a propria inglaterra ) tinham uma visao dos fatos muito diferentes da que conheciamos até entao, contados pelos paraguaios… e lá vai os pesquisadores se perguntando por novos fatos e elaborando novas hipoteses..

  14. Comentou em 27/01/2009 Carlos Castilho

    Luiz,
    Comentário de colega e vizinho de blog não vale, mas não pude resistir. Teu post está ótimo e realimentou a esperança de que ainda é possivel acreditar na sensibilidade jornalistica, numa cobertura de conflitos militares. Um abraço Castilho

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