Sábado, 19 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Quanto riso, ó, quanta alegria

Por Luiz Weis em 02/03/2007 | comentários

No gênero, não me lembro de cena igual desde a foto do então presidente Fernando Henrique, em palácio, irmanado com a valorosa rapaziada da Juventude Malufista, vestida a caráter – camisetas brancas com as duas palavras no peito.

O malufismo tinha conseguido estender aos prefeitos das cidades com mais de 200 mil habitantes o direito à reeleição originalmente restrito ao presidente e governadores. No ano seguinte, 1998, viam-se em São Paulo painéis de propaganda da candidatura Maluf ao Bandeirantes em que ele aparecia, numa montagem, ao lado de Fernando Henrique.

Pois hoje, com exclusividade, o Estado traz na primeira página, como não poderia deixar de fazer, a foto de um risonho deputado, o petista Cândido Vaccarezza, o ‘embaixador’ da ex-prefeita e quem sabe futura ministra Marta Suplicy no Congresso Nacional. Ao lado dele, também sorridente, o seu colega de Câmara, Paulo Maluf.

Acima do título ‘Um brinde por Dona Marta do PT’, a foto, tomada quarta-feira à noite por Paulo Valadares, numa mesa do restaurante Piantella, em Brasília, com taças de vinho e uma garrafa de Château Plince (um Pomerol de R$ 225, informa o jornal) registra uma celebração.

Segundo o repórter Expedito Filho, autor do flagra, Vaccarezza e Maluf haviam acabado de fechar um negócio: o PP do doutor Paulo apoiará o (a) candidato(a) do PT de dona Marta a prefeito de São Paulo em 2008, ganhando, com isso, o direito de indicar o nome do vice dele (dela).

Apesar do riso aberto de Vaccarezza e do sorriso mais contido de Maluf, foi coisa de gente séria. Tanto assim, escreveu Expedito, que ‘o ex-prefeito paulista (sic) disse que o seu apadrinhado seria um professor universitário e chegou a citar o reitor da Uniban, Heitor Pinto Filho’.

Para Maluf, afirma ainda a matéria, ‘a chance de o PT perder é pequena’ se a candidata for Marta. Além de ser uma candidatura ‘muito competitiva’, jogam a seu favor as diferenças entre os tucanos Serra e Alckmin, ‘em rota de atrito’.

A municipalização do pacto PP-PT, que já existe na esfera federal, é a enésima demonstração de que não sobrou ninguém na política brasileira, afora a brava gente do PSOL e outros ainda menos votados, para atirar a primeira pedra.

P.S. O que ficou do café dos jornalistas com o presidente:

1. ‘Não há essa hipótese [a disputa de um terceiro mandato]. É brincar com a democracia.’

2. ‘Ser pingüim é muito difícil. É mais fácil ser gente.’

***

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Todos os comentários

  1. Comentou em 05/03/2007 hapvywl qjdicbohn hapvywl qjdicbohn

    ryskx uklrcdbip vxhtrjgak khzqewvf pgyboelhm xlktqhb cfkjdv

  2. Comentou em 03/03/2007 Marco Costa Costa

    Para que haja o casamento tradicional se faz necessário ambos os sexos. Neste caso, a dama é o PT.

  3. Comentou em 03/03/2007 alfredo sternheim

    Hoje no Estadão (3/3), há uma declaração de Marta SUplicy em que ela desmente categoricamente o texto da reportagem que afirma a sua paricipação em qualquer negociação a respeito ds eleições municipais. . Portanto, creio que a ilação acima foi, no mínimo, precipitada. E, na minha opinião, irrelevante. Mais relevante é ver político não cumprir promessa de campanha (ficar até o fim do mandato de prefeito). No entanto, o fato, anti-ético, jamais ganhou o destaque merecido entre os jornalistas que têm espaço para manifestar indignação. Assim como o o uso sistemático de celulares por parte de presidiários sob a tutela de governos estaduais. Assim como o conteúdo do dossiê Vedoin: a imprensa só deu destaque a comproa do dossiê. Por que será que existe essa blindagem, essa conspiração do silêncio em torno desses e de outros fatos?

  4. Comentou em 03/03/2007 Marco Costa Costa

    Me engana que eu gosto. Esta aliança entre PP/PT cujo romance vem ocorrendo já há muito tempo, acabou selando num casamento perfeito entre o primo rico dos jardins com a dama vinda da periferia do grande ABC. Caro jonalista, não se assuste, no Brasil tudo termina no famoso jeitinho e na acomodação daqueles que estão no poder, pois na filosofia do treinador não se mexe em time que esta ganhando. Este bando de picaretas não deseja que o povo participe ativamente do jogo, isto pode gerar numa divisão de poder e é justamente este fato que eles não querem que aconteça.

  5. Comentou em 03/03/2007 Alexandru Solomon

    Erro meu.! Para conseguir um valor equivalente ao superávit primário de janeiro teríamos que detonar nossas reservas.

    O bordão ‘O Brasil é uma ilha de tranqüilidade num mar agitado’, cunhado há décadas, continua – está provado – soando tão falso quanto uma nota de três reais. O ministro Mantega cumpre seu papel em tentar minimizar os fatos, falando em mera turbulência e, até pode ser que desta vez acerte mais do que no final do ano passado, quando vaticinava ser o crescimento do PIB brasileiro, em 2006, de 4%, ou será foi a mídia vendida aos interesses do grande capital que lhe atribuiu essas declarações?

    Vamos ouvir a história dos especuladores de fora (?) que se divertiram com o carry- trade, tomaram empréstimos em iene para aplicar aqui, inundando o mercado de dólares e que, agora, assustados com a subida do iene, a gripe chinesa – ou o resfriado, como queiram – trilham o caminho inverso,
    comprando dólares para repatriá-los, fazendo subir as cotações. Uma pergunta não quer calar. Já que praticamos o tal dirty float, com as intervenções do BC comprando dólares – para segurar a queda, ou aumentar nossas reservas, pouco importa – será que houve a esperteza necessária de vender agora a 2,12-2,14 um pouco do que foi comprado a 2,08-2,09 reais?

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