Sábado, 20 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Quem tem medo da leitura crítica?

Por Carlos Castilho em 25/01/2007 | comentários


É possivel acreditar em tudo o que os jornais, revistas, rádios e televisões publicam? A realidade indica que não. É necessário então descrer em tudo o que eles afirmam? O bom senso também sugere uma resposta negativa. Então o que o pobre do leitor pode fazer?
A resposta para este dilema está na expressão leitura crítica cuja importância aumenta na mesma proporção do crescimento da avalancha informativa gerada pela internet. Trata-se de desconfiar confiando, ou confiar desconfiando, uma atitude nova e perturbadora para a maioria esmagadora dos leitores, ouvintes, espectadores, navegadores e também para os jornalistas.
A leitura crítica é um conceito antigo e que era discutido até agora, apenas dentro dos ambientes universitários. Mas o aumento oceânico da informação disponibilizada pela internet acabou transformando-o numa ferramenta quase obrigatória na luta pela sobrevivência dentro da selva noticiosa na qual passamos a viver.
Até agora nós, os leitores, estávamos tranquilos porque acreditavamos piamente que a imprensa era quase infalível e que os seus integrantes eram profissionais vigilantes que zelavam pelas informações que nós tomavamos como base para decidir o que fazer. A tranquilidade foi quebrada quando descobrimos que a realidade não era bem esta não só por conta dos sucessivos escândalos envolvendo manipulação das informações como casos claros de fraude noticiosa.
Ai começamos a desconfiar, mas muitos resistiam, e ainda resistem, a ficar com um pé atrás porque isto equivalia a abandonar a sensação de que estavamos protegidos pelos profissionais da imprensa. A internet liberou uma avalancha informativa que nos confundiu ainda mais porque começamos a perceber que a realidade que nos era trazida pela imprensa era muito mais complexa do que o que saia, e ainda sai, publicado. Um mesmo processo, fenômeno ou fato passou a ser visto de muitas maneiras diferentes, abalando definitivamente nossas convicções e certezas.
Descobrimos que os jornais, revistas, radios, emissoras de TV e a própria internet eram incapazes de dar conta de toda a complexidade de fenômenos econômicos, politicos, sociais e culturais que afetam nossa rotina diária.
Foi aí que começamos a praticar a chamada leitura crítica, ou seja, ler, ouvir e ver com uma preocupação analítica, sem aceitar incodicionalmente o que nos é oferecido pela mídia. Sem rejeitar liminarmente o que é veiculado mas procurando descobrir todas as caras possíveis de um mesmo problema.
Trata-se de um proceso em curso que está mudando os hábitos e rotinas de leitura da maioria das pessoas. Els estão sendo obrigadas a assumir uma posição independente em relação a infomações que antes consumidas de forma absolutamente despreocupada.
Este fenômeno está ficando cada vez mais claro no terreno da política e da economia. As pessoas já sabem que os parlamentares tem seus próprios interesses, da mesma forma que as empresas tem os seus. Tanto um quanto o outro adotam um discurso do interesse público , mas os cidadãos já não se mostram tão receptivos como antes.
O fato novo é que agora estamos sendo levados a assumir esta leitura crítica da realidade de forma consciente e isto implica um conflito latente entre os veículos de comunicação e o seu público.
Nem todos os jornalistas aceitam este fato e suas consequências, porque a aceitação do principio da leitura critica e da falibilidade da informação jornalística implica o abandono de conceitos tradicionais e valores muito arraigados no quotidiano da imprensa contemporânea.
Os desafios diante de nós jornalistas, não são apenas tecnológicos e corporativos. São principalmente culturais.

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