Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Quem tem medo da leitura crítica?

Por Carlos Castilho em 25/01/2007 | comentários


É possivel acreditar em tudo o que os jornais, revistas, rádios e televisões publicam? A realidade indica que não. É necessário então descrer em tudo o que eles afirmam? O bom senso também sugere uma resposta negativa. Então o que o pobre do leitor pode fazer?
A resposta para este dilema está na expressão leitura crítica cuja importância aumenta na mesma proporção do crescimento da avalancha informativa gerada pela internet. Trata-se de desconfiar confiando, ou confiar desconfiando, uma atitude nova e perturbadora para a maioria esmagadora dos leitores, ouvintes, espectadores, navegadores e também para os jornalistas.
A leitura crítica é um conceito antigo e que era discutido até agora, apenas dentro dos ambientes universitários. Mas o aumento oceânico da informação disponibilizada pela internet acabou transformando-o numa ferramenta quase obrigatória na luta pela sobrevivência dentro da selva noticiosa na qual passamos a viver.
Até agora nós, os leitores, estávamos tranquilos porque acreditavamos piamente que a imprensa era quase infalível e que os seus integrantes eram profissionais vigilantes que zelavam pelas informações que nós tomavamos como base para decidir o que fazer. A tranquilidade foi quebrada quando descobrimos que a realidade não era bem esta não só por conta dos sucessivos escândalos envolvendo manipulação das informações como casos claros de fraude noticiosa.
Ai começamos a desconfiar, mas muitos resistiam, e ainda resistem, a ficar com um pé atrás porque isto equivalia a abandonar a sensação de que estavamos protegidos pelos profissionais da imprensa. A internet liberou uma avalancha informativa que nos confundiu ainda mais porque começamos a perceber que a realidade que nos era trazida pela imprensa era muito mais complexa do que o que saia, e ainda sai, publicado. Um mesmo processo, fenômeno ou fato passou a ser visto de muitas maneiras diferentes, abalando definitivamente nossas convicções e certezas.
Descobrimos que os jornais, revistas, radios, emissoras de TV e a própria internet eram incapazes de dar conta de toda a complexidade de fenômenos econômicos, politicos, sociais e culturais que afetam nossa rotina diária.
Foi aí que começamos a praticar a chamada leitura crítica, ou seja, ler, ouvir e ver com uma preocupação analítica, sem aceitar incodicionalmente o que nos é oferecido pela mídia. Sem rejeitar liminarmente o que é veiculado mas procurando descobrir todas as caras possíveis de um mesmo problema.
Trata-se de um proceso em curso que está mudando os hábitos e rotinas de leitura da maioria das pessoas. Els estão sendo obrigadas a assumir uma posição independente em relação a infomações que antes consumidas de forma absolutamente despreocupada.
Este fenômeno está ficando cada vez mais claro no terreno da política e da economia. As pessoas já sabem que os parlamentares tem seus próprios interesses, da mesma forma que as empresas tem os seus. Tanto um quanto o outro adotam um discurso do interesse público , mas os cidadãos já não se mostram tão receptivos como antes.
O fato novo é que agora estamos sendo levados a assumir esta leitura crítica da realidade de forma consciente e isto implica um conflito latente entre os veículos de comunicação e o seu público.
Nem todos os jornalistas aceitam este fato e suas consequências, porque a aceitação do principio da leitura critica e da falibilidade da informação jornalística implica o abandono de conceitos tradicionais e valores muito arraigados no quotidiano da imprensa contemporânea.
Os desafios diante de nós jornalistas, não são apenas tecnológicos e corporativos. São principalmente culturais.

Todos os comentários

  1. Comentou em 29/01/2007 Kleber Carvalho

    Castilho, o link código aberto me parece que não tem censuras, é uma novidade prá mim, em outros links existe a censura prévia pois já li comentaristas chamando o presidente Lula de apedeuta , recentemente enviei um comentário sobre o artigo do diretor de jornalismo da globo Kamel que teve um trecho censurado pelo OI , neste trecho do comentário eu chamei um jornalista de cão de estimação, posso até ter exagerado, porém é inaceitável por parte do OI permitir que se trate um presidente desta maneira, independente da quantidade de diplomas que ele possua. Este link, não tem censura prévia é algo salutar, porém abre caminho para ataques aos comentaristas, notadamente de algumas figurinhas carimbadas deste site, ataques desrespeitosos e agressivos que em nada contribuem para um debate ético e civilizado, criticar ou elogiar os articulistas do OI é opção de cada leitor, e cabe aos articulistas rebater ou não a crítica,o que eu não posso admitir é este ataque agressivo a quem comenta os artigos, espero ter atendido suas expectativas com este esclarecimento.

  2. Comentou em 29/01/2007 Kleber Carvalho

    Rafaela sua mediocridade é flagrante, você precisa renovar seu repértorio de leviandades, um estado que tem um escritor do gabarito de Luís Fernando Veríssimo não merece ter como comentarista do OI, um acéfalo feito você.

  3. Comentou em 29/01/2007 Rafael Chat

    Tá bom, a leitura ficará mais crítica… Mas no Brasil continuará irrelevante. A proporção de brasileiros que entendem um texto qualquer é de 25-30%. Destes, quantos lerão uma determinado texto publicado? (Se ficarmos na blogsfera, pouquíssimos). Dos que leram, quantos terão a postura crítica? Quase ninguém.

    E quando há crítica, quase sempre é patrulhamento ideológico – o triste espetáculo reproduzido diariamente aqui no OI – as pessoas acreditam em algumas premissas, que tomam por imediatamente verdadeiras e não admitem questioná-las. Daí se algo for contra suas convicções, está errado. E dê-lhe rancor e agressões ao idioma.

    É por isso, caro Kleber, (ou ‘pôr’ como escreveu o Marco) que eu temo enfrentar a Patrulha Ideológica do OI com meu nome. Vá que vocês consigam implantar a ditadura e entrem para a Polícia do Pensamento?

  4. Comentou em 28/01/2007 joseana Almeida Santana Almeida Santana

    Senhor Castilho:o fenômeno da ‘leitura crítica não é de agora. Mas pertinentemente é proporcionado pelo advento de mídias alternativas como a internet, que poossibilita ao leitor uma pluralidade de informações e opiniões, tornando-se um instrumento de interação,de desenvolvimento critico e reflexão.Temos também que levar em consideração que o leitor , e a maioria das pessoas estão mais conscientes do papel que representam na sociedade e no respeito ao outro.Paradoxalmente, existe no contexto social uma multiplicidade de fatores que vem contribuindo de forma decisiva para o discernimento critico das pessoas. Joseana

  5. Comentou em 28/01/2007 Marcelo del Questor

    Na minha opinião, que não é a de um profissional com formação na área, mas baseada na minha vivência pessoal, a Internet é o real fator modificador e disseminador dessa questão de ler de forma crítica o que a mídia divulga. Outra coisa que percebo é a tentativa dessa mídia e de seus ‘simpatizantes’ em diminuir a importância que a internet tem neste processo de questionar e confrontar o que é veiculado. Em vão no entanto. Essa condição nova de contestar o que a mídia diz em suas publicações tem causado um incômodo inconteste nestes grandes veículos. Quando teriamos a oportunidade de ver chefes de redações vindo tentar justificar suas articulações para o grande público, como já ocorreu aqui no próprio OI. E é inevitável que tal se repita se a mídia pecar. Hoje vozes se levantam para questionar seus erros. E é uma doce ilusão para os que querem diminuir o papel da internet, pois o que é dito e até descoberto por aqui,acaba vazando para o convívio social. Os grandes veículos sabem disso, o que só faz lhes aumentar o desconforto e a preocupação. Principalmente quando o conhecimento vaza para fora do eixo Rio-SP. O advento das eleições presidenciais regrudeceu a desconfiança contra a mídia e a internet ecoou tais desconfianças, até que se confirmassem ser verdade. Portanto, as ofensas proferidas por alguns não tem nenhuma importância. É só fruto de desespero Pena é o OI permnitir.

  6. Comentou em 27/01/2007 Célio Mendes

    O fenômeno que o articulista denomina ‘leitura critica’ não é novo, a novidade é a abertura de espaço para aqueles que não concordam com o que lêem, isso possivelmente estimulou quem lia e não refletia a começar a se perguntar se pode confiar em tudo que é veiculado na chamada ‘grande mídia’, eu mesmo as vezes obtenho informações muito mais relevantes nos comentários do que nas matérias publicadas em si, creio que existe um determinado tipo de leitor que não se satisfaz mais em só receber passivamente a informação, este leitor tende a ser um consumidor do que é publicado nos blogs e em outros canais interativos da internet, os quais individualmente creio que nunca terão a mesma quantidade de leitores que uma grande publicação ou emissora de tv atual, mas futuramente e no conjunto devem superar em muito estas ultimas, acho isto positivo pois acaba com o ‘monopólio’ da informação e consequentemente com o poder desproporcional que a mídia tradicional tem para conquistar corações e mentes.

  7. Comentou em 27/01/2007 Luiz Carlos Soares Moreira

    Concordo com a leitura crítica. Aliás deve ser o objetivo de toda leitura. Seja ela sobre notícias veiculadas pela mídia ou literária. Ocorre que a maioria dos jornais brasileiros resolveram não dar espaço para uma leitura crítica, pois dão a notícia já devidamente opinada. Ou seja: querem induzir o leitor a seguir o mesmo raciocínio do editorial. É preciso ficar atento para essas artimanhas. Desonestidade pura!

  8. Comentou em 27/01/2007 Ivan Berger

    Certas coisas estão bem diante de nosso nariz,de tão óbvias,mas muitas vezes precisa vir alguém para mostrá-las,como é o caso do oportuno texto do Castilho sobre a leitura crítica.Só discordo que seja uma descoberta nova e perturbadora,apenas por que as pessoas passaram a ter mais acesso a informação graças a internet,o que sucede é que estamos tomando consciência dessa nossa capacidada.Na verdade,a leitura crítica nada mais é do que uma ramificação do contínuo processo de aprendizado e o consequente entendimento da realidade pelo qual todo ser humano passa,a diferença é que agora nosso senso crítico está potencializado pelo acesso e troca quase irrestrita de idéias e informações.O que de fato deixa os veículos convencionais de informação na berlinda,percebe-se até que meio atordoados diante de um questionamento mais direto e incisivo,ao qual não estão acostumados.Acho que ainda é cedo para avaliar até que ponto essa nova realidade pode afetar e interferir no comportamento da mídia tradicional,dada a forma ainda crua e desordenada desse questionamento,mas seja como for não resta a menor dúvida de que a velha forma de fazer jornalismo,se ainda não morreu,está com os dias contados.

  9. Comentou em 27/01/2007 Kleber Carvalho

    Não tenho medo nem de bravatas e muito menos de bravateiros.

  10. Comentou em 27/01/2007 Paulo Bandarra

    Caro servidor público Francisco Antero Mendes Andrade, (São Paulo/SP). Parece que não fui claro. Eu não disse que Blogs e Jornais são a mesma coisa. Refiro-me a certeza que um Blog pode ter em relação à matéria do jornal. Blog serve para isto que você menciona, alguém falar a matéria do Caros Amigos ou do Estadão livremente. Ponto. Não é mais confiável ou honesto. Não possui um articulista com formação atrás da opinião e da versão dada. Nem mesmo alguém melhor informado. A vantagem do jornal é que um artigo (não sei a tiragem do Caros Amigos) é exposto 300 000 vezes ou mais no jornal do dia. Se um por cento ler a matéria são 3000 visualizações. Agora, um comentário sobre um artigo sobre “fulano de tal” em versão contrária ao que saiu, será visto por meia dúzia apenas de amigos do blogueiro. Aqueles que têm um volume destes são poucos, e ainda mais de quem lê tudo! O Estadão também não vai nunca publicar um contraditório da imensa maioria dos Blogs que não possuem repercussão alguma. É o caso da Miriam Leitão, quantos milhões tomam conhecimento do que a mesma diz todos os dias em relação ao Blog que contesta! Eu ainda acho que ela possui mais preocupação com a sua imagem profissional do que um blogueiro! Caro Escritor Kleber Carvalho, (B.H./MG), não precisa se preocupar comigo que o que você escreve nem mesmo leio, portanto não merece comentário. Sinto muito se lhe dou medo!

  11. Comentou em 26/01/2007 Francisco Antero Mendes Andrade

    Comentou-se aqui a falta de um dado para mostrar que realmente o público passa a enxergar de uma outra forma o que lhe é passado. O dado está esparramado por todo o ano de 2006, reproduzindo-se desde então. Sem mais comentários. Comentou-se aqui também que Blogs e jornais são a mesma coisa. Discordo. Nos jornais não há espaço para comparações, seria um insulto a sua cultura. Vocês acreditam que o Estadão vá um dia comentar o contraditório que fora publicado numa revista Caros Amigos por exemplo? Claro que não. No caso dos blogs, colocamos lado a lado as duas versões e as diferenças são tão aberrantes. Minto, vou dar um exemplo de vacilo da midia televisiva, mas isso só acontece quando é ao vivo: Mirian leitão no Bom Dia Brasil cobrou de Celso Amorim o fator-Chavez e os prejuízos para o Mercosul, com sua elegância disse que não há problemas afinal do comércio de US$ 4.000.000.000,00 entre os dois países US$ 3.500.000.000,00 são de exportações. O meu comentário diz respeito aos leitores Paulo Bandarra e Bernardo Tonasse. E é isso por enquanto.

  12. Comentou em 26/01/2007 william gumiaraes souza

    A internet trouxe para o campo da ‘imprensa’ importantes fatos, que, com certeza, muitos já sabem, não paga nada repetir: 1. Que os leitores/especatadores não são tão passivos como muitos donos de mídia pensam; 2. que há diferentes pessoas, com diferentes idéias, pensamentos políticos frente à tv, rádios, jornais, computadores, revistas- a sociedade brasileira não é composta de um monólogo ideológico, como imaginam alguns; 3. Que quanto mais plural se comportar qualquer setor da imprensa brasileira, abrindo espaço para o maior número possível de correntes de pensamento, mais ela se encaixará no perfil da sociedade brasileira, seja do ponto de vista Constitucional ou sociológico e mais justa ela será. Nos programas televisivos, radiofônicos, nos espaços de jornais, revistas e páginas da internet, há lugar para todos. Quer dizer, deveria haver… Simplesmente por que a liberdade é da imprensa e não nossa.

  13. Comentou em 26/01/2007 Kleber Carvalho Carvalho

    Quando eu postei , também não havia nenhum comentário, tanto é verdade que o meu foi o 1º a ser editado.

  14. Comentou em 26/01/2007 Kleber Carvalho Carvalho

    O OI faz isto de maneira sistêmica para dar vazão a comentários que são favoráveis a alguns de seus articulistas, acredito que este tal paulo bandarra e este outro tal rafael chat são a mesma pessoa, eu não preciso me esconder atrás de pseudônimos..

  15. Comentou em 26/01/2007 Paulo Bandarra

    O fato de uma postagem estar acima de outra não quer dizer que ela se refira necessariamente a abaixo. Até porque não havia nenhuma postagem quando escrevi o meu comentário ao articulista! Existe um minuto de diferença entre uma e outra postagem, tempo insuficiente para a mesma já ter sido “publicada”. Em todo o caso, torna o meu texto muito mais claro sobre a total falta de educação de alguns comentaristas atuais, além megalomania. Quanto ao comentário do advogado Fabio de Oliveira Ribeiro, (Osasco/SP), me parece que a Internet é neste aspecto uma grande ilusão. O fato de estarmos aqui ainda nos deixa desconhecidos e pouco visíveis. Enquanto uma revista coloca um milhão de revistas na semana, ou um jornal 300 000 exemplares diários, um Blog dificilmente será visitado. Apenas alguns poucos serão visitados. E acreditar em Blogs ou jornais é a mesma coisa. Pode-se escolhe o jornal que noticie o que se gosta de ler ou uma dúzia de Blogs que fazem isto. Mas a mídia impressa sempre terá maior visibilidade, pois independe de você procurar o assunto, ficar parado na frente de um computador, carregar um aparelho compatível com isto, como as pessoas são obrigadas a fazer na Internet. O bancário Francisco Bezerra, (Caicó/RN) diz em outras palavras o que eu disse. A imprensa nunca teve uma fé cega. Não precisa ficar na época da ditadura. Pode recuar muito mais aos tempos do Império!

  16. Comentou em 26/01/2007 Ivan Moraes

    Quanto menos cega eh a minha fe, mais amoladas as minhas facas ficam, mas eu pensei que era so eu! Eh como no caso do Alkimim e do foco de ressentimento que ele ja representava antes das eleicoes (do qual eu nunca havia desconfiado, alias, ate que se tornasse inegavel). Essa situacao se equilibrarah eventualmente, mas esse equilibrio nao pode ser esperado somente do lado dos leitores. Em casos criticos, como eleicoes, a media tem que saber seu lugar -afetar ares de madame nao ajuda na maioria dos casos, e causa ainda mais ressentimento.

  17. Comentou em 26/01/2007 silvio freitas

    Faltou abordar, o que não se lê, pela aplicação do mais covarde e de-
    sonesto artificio jornalistico que é a OMISSÃO, como tivemos com as capas da revista VEJA, que quase caiu literalmente na cratera e a
    ´EPOCA, bem como , a vaia ao prefeito e governador de S.Paulo, que
    foi solenemente ignorada pela grande midia e para fechar o dossie que
    acusa o dep Fruet, candidato pela ética do psdb, de tomar parte dos
    salários de seus funcionários. Assim , é realmente muito dificil de res
    peitar o jornalismo praticado no Brasil.

  18. Comentou em 26/01/2007 Francisco Bezerra

    Entendo que Castilho quiz traçar um perfil médio dos leitores, atribuindo a este perfil ‘tranquilidade por acreditar piamente que a imprensa era quase infalível’ e a ‘sensação de estar protegido pelos profissionais da imprensa’. Não acredito de maneira alguma que esses tenham sido os seus reais sentimentos. Ainda assim considero que comete o mesmo erro dos papas do jornalismo de subestimar a inteligência dos leitores. Eu, por exemplo, nordestino dos cafundós, cresci sob a ditadura e, talvez por isso mesmo, desde que comecei a engatinhar nas letras dos jornais e revistas já sabia que boa parte das publicações não eram confiáveis. Não precisei esperar a Universidade para praticar leitura crítica. Já cresci ouvindo pessoas aparentemente simplórias alertar para os excessos e invencionícies da imprensa. Desde muito a mídia estava nas mãos de poucos e interesseiros coronéis. Talvez por minha educação ter sido ao estilo cegonha e Papai Noel, desenvolvi cedo meu desconfiômetro. Um educação correta, com todo apoio moral e compreensão sugeridos pela psicologia talvez só sirva para criar ingênuos e crédulos. Como diz a música do Ultraje ‘Como é que eu vou crescer sem ter com que me rebelar?’

  19. Comentou em 26/01/2007 Marcelo Soares

    Castilho, concordo e discordo. Concordo no sentido de que uma leitura analítica é sempre necessária e salutar, cada vez mais. O problema é que muitas vezes a prática que passa por leitura crítica é pouco mais do que uma leitura paranóica – isso quando há sequer leitura. É tristemente comum ver o pessoal opinando ‘criticamente’ sobre o que não leu e não gostou. O maior fator do problema consiste em tratar questões de fato (que, por natureza, consistem em algo que foi ou não foi) como questões de opinião (que, por natureza, dependem do juízo que cada leitor faz do assunto). A cobertura baseada no declaratório ajuda a confundir ainda mais a coisa. O lado bom é que, para quem é chegado à verificação da veracidade do que lê, a internet é uma ferramenta poderosa.

  20. Comentou em 26/01/2007 Bernardo Tonasse

    Sem querer ser chato, mas Carlos Castilho não apresenta nenhum dado que confirme que a leitura crítica tem se tornado um fenômeno em expansão, com o aumento do volume de informções. Baseado em quê isso é afirmado? A opinião pública um mecanismo complexo, difícil de entender como funciona. Sinceramente, não compartilho da opinião do autor de que ‘o fato novo é que agora estamos sendo levados a assumir esta leitura crítica da realidade de forma consciente’. Nós quem, cara pálida? Os formadores de opinião? Mas esses sempre foram críticos. Ou o usuário médio da internet, aquele que entra no orkut pra discutir como se fosse um monólogo, despejando idéias mastigadas pelo pouco que lê por aí?

  21. Comentou em 26/01/2007 Junior B. Barbosa

    MAS AFINAL, QUEM TEM MEDO DE LEITURA CRÍTICA???

  22. Comentou em 26/01/2007 Mirna Vieira Vieira

    É possivel acreditar em tudo o que os jornais, revistas, rádios e televisões publicam? A realidade indica que não.
    Com certeza pergunta boa , resposta, melhor ainda!

    ´´necessário então descrer em tudo o que eles afirmam? O bom senso também sugere uma resposta negativa. Então o que o pobre do leitor pode fazer?´´
    Se interar de quem patrocina os jornais, quem banca os jornais e redes de tv, estudar a história da folha de sp, estadão , rede globo, revista veja, quem paga as matérias… quais os interesses que rondam a grande média do país. È assim que se começa a fazer uma leitura critica como disseram agora.
    E no meu entender, o que ainda salva o leitor é justamente a internet! Claro que na internet tem a globo, folha ,estadão e outros ogrãos oligopolizados.. mas existem as midias independentes e isentas e é nelas que o povo se agarra para pelo menos ter a sensação de que nem todos os jornalistas são vendidos.

  23. Comentou em 26/01/2007 Zelmar Antônio Guiotto

    Leitura crítica se desenvolve em escolas críticas, um local dificil de encontrar. Agora, o nosso repórter poderia dar uma lista de jornais, revistas ou mesmo autores, onde o critério de quem escreve seria uma construção crítica da realidade. Só assim poderíamos educar a geração da Mcdonalização, do fast-food intelectual, para algo mais sólido. Até! Fuiiiiiiiiiiiiii

  24. Comentou em 26/01/2007 Marco Costa Costa

    Pôr imposição de uma pequena elite somos obrigados a tolerar e conviver num sistema capitalista capenga. Tudo que a imprensa em geral escreve e fala não podemos acreditar em absolutamente nada, isto porque tudo gira em torno do sistema. Como é de costume, quando é falado no homem com poderes econômico/político só lemos e ouvimos situações elogiosas. Ao contrario, quando o homem pobre é notícia, tudo que é falado ao seu respeito, ou este esta envolvido com o crime ou então com a miséria. Em suma, a imprensa é capitalista e esta a serviço do capitalismo. Desta maneira, como poderemos acreditar numa atividade que procura impor seus sofismas para a grande massa, a fim de que acreditemos que tudo que é veiculado seja verdade.

  25. Comentou em 26/01/2007 José Carlos da Silva

    Ouço noticias sobre o acidente na linha 4 do metro de São Paulo, vejo a imprensa super estimar a atuação dos cães farejadores, esquecendo que são animais, uma ferramenta na mão do homem. Neste caso é fácil uma leitura critica, pois o cão foi adestrado, anos de treinamento, o bom senso nos diz isso, e damos a importância a quem tem de direito. Mas, e uma noticia mais técnica? Fica difícil ser critico, será que a imprensa efetuou o seu trabalho de averiguar? Fez o seu trabalho de questionar: ‘Onde? Qual a prova? Onde foi obtida a informação? Com quem falaram? Quais as fontes? E por fim, Qual a tendência deste veiculo de informação?’. Mas tenho que trabalhar, nao tenho tempo para isto. Seria bom que aqueles que nos passam as informações tivessem os nossos interesses em consideração.
    É muito importante compreender que: não, eles não têm os nossos interesses em consideração.

  26. Comentou em 26/01/2007 Nelson Costini

    As circustâncias econômicas atuais, ou seja, o modo predador como se trata a concorrência e os consumidores, tornam o patronato e os salários os verdadeiros mandantes dos meios de comunicação.
    Nesta semana, um comentarista esportivo ao criticar a realização da possível Copa do Mundo de 2014 no Brasil foi ignorado pelos companheiros do evento. Claro, a emissora em que emitiu os comentários é a principal beneficiária das Copas……

  27. Comentou em 26/01/2007 Clovis Segundo

    Prezado Castilho, muito boa as suas considerações sobre a Mídia.
    Durante muitos anos a Imprensa foi o 4º poder, não eleito, imposto à sociedade.
    Às vezes vejo as pessoas a repudiando com veemência, acredito que seja pelo passado de manipulações, então na primeira oportunidade que o leitor pode se expressar, ele retalia os anos de mordaça.

  28. Comentou em 26/01/2007 Bruno Silveira

    Muito legal esse texto. Fez-me lembrar de quando comecei a consumir notícia, quando me tornei leitor da imprensa. Foi como se a corrente que me prendia à caverna tivesse se rompido. Sempre incentivei meus amigos a ler jornal argumentando que o mundo, depois da informação, ficava maior. Realmente eu acreditava piamente no que lia, não tinha preocupação nenhuma com interesse de jornal ou jornalista. Era bem melhor. Eu pensava que tinha saído da caverna, mas aí veio o OI, e percebi que eu estava apenas numa caverna maior. Agora é um inferno. Tenho que desconfiar dos jornais, dos jornalistas, dos críticos de mídia, tomar posição numa infinidade de assuntos e ser coerente. Brincar de comentarista aqui é um baita exercício de argumentação. A gente comenta o texto, comenta sobre os comentários, leva porrada, dá porrada, às vezes ganha, às vezes perde, participa de discussão boa e de briga inútil, faz “amigos” e “inimigos”, observa e é observado, cobra coerência de si e dos outros e muitas vezes nos excedemos. Nós fazemos uma leitura crítica da imprensa e vimos aqui impor nossos pontos de vista. Eu uso o OI para obter informação e treinar minha retórica. Isso não exclui minha preocupação com a imprensa nem com a política. Creio que todos que vêm aqui (isso acontece comigo, pelo menos) carregam informação para as pessoas que os cercam. Então, estamos agindo de certa forma. 1400, só? kkk

  29. Comentou em 26/01/2007 Kleber Carvalho

    A universalização do acesso a internet preocupa a mídia corporativa acostumada a criticar e confundir notícia com editorial ( de propósito) com objetivos inconfessáveis, a democracia proporcionada pela internet coloca em xeque este modelo ditatorial estabelecido a muitos anos na imprensa brasileira, com o tempo os leitore perceberam as nuances de uma notícia veiculada de maneira semelhante por alguns meios de comunicação(mídia corporativa) que vem perdendo espaço não só pela visão crítica dos leitores, mas também pelo custo e pelo debate democrático que a internet permite.

  30. Comentou em 26/01/2007 marcio varella

    É isso mesmo, professor Castilho, ainda mais depois do vexame da cobertura da campanha política no ano passado. Não acreditei em uma linha (exagero de expressão) do que a grande mídia escreveu e falou sobre o tema. Certeza mesmo ficou a de que não existe mensalão, e sim comissões recebidas por parlamentares por atendimento ao lobby feito no Congresso, e caixa-dois, que, pelo que entendi, começou no Império, passou pela ditadura, teve continuidade com Sarney, Collor, FHC e Lula, aprimorou-se com Marcos Valério no Bradesco ao tempo do Eduardo Azeredo (PSDB) e perambula nas eleições estaduais e municipais sem o menor pudor. Só gostaria de lembrar que a grande notícia deste início de governo seria o TSE, com a suspeita de que as urnas eletrônicas são tão indevassáveis quanto à putaria explícita do BBB7. Viva Alagoas, que finalmente mostrou que indevassável deve ser o cérebro dos que alardeiam sua perfeição (a das urnas).

  31. Comentou em 26/01/2007 Ivan Bispo

    E um olhar crítico na pauta da mídia quando o assunto é meio ambiente, a crítica que existe é que não há pauta para o assunto. Talvez, agora ,depois de ‘uma verdade inconveniente’ e do discurso do invasor do Iraque tenhamos na pauta algumas matérias – que devem ser lidas com um olhar bastante crítico -, pois nossa mídia não tem olhado e se preparado convenientemente para o assunto. Mudanças climáticas é um assunto hodierno e que deve ser tratado com o respeito que lhe é peculiar.

  32. Comentou em 26/01/2007 Kleber Carvalho

    Eu solicitei ao jornalista Carlos Castilho que me corrigisse e não ao truão gaúcho alinhado com a direita brasileira.

  33. Comentou em 26/01/2007 Hugo WErle

    Carlos Castilho, muito interessante seu artigo, todavia creio que deva ser o primeiro de uma série, visto que não foram abordadas uma série de questões ou aprofundadas ulgumas que que apontastes.
    1 – A internet além de possibilitar infinitas opções de ‘fonte’ para o leitor, permitiu que diversos jornalistas ‘malditos’ para os grandes grupos de mídia permitissem continuar, em veículos de menor espressão, suas análises, na maior parte das vezes destoantes do consenso das redações dos grandes grupos de mídia.
    2 – Surgiu a possibilidade de uma comunicação direta dos atores políticos e sociais, via blogs, chats e outros meios, sem a necessidade de intermediação de jornalistas tarimbados, os quais não raras vezes subvertem o verdadeiro sentido de muitas falas e discursos.
    3 – Rapidez e velocidade da comunicação. Mesmo que um ator político e/ou social tivesse subvertida/mal interpretada sua fala, hoje ele pode imediatamente esclarecer através de meios alternativos suas verdadeiras intenções.
    4 – A verdadeira socialização do acesso aos meios alternativos. A internet não é uma coisa tão nova assim, mas a sua influência enquanto veículo importante para formar opinião, o que os grandes grupos de mídia perceberam tarde, data do barateamenteo dos equipamentos de informática, da universalização da conexão e principalemte do aumento do nível de renda das populações mais pobres
    Segue…

  34. Comentou em 26/01/2007 André Martins

    Parabéns pelo texto. Mas cuidado, com essas idéias, vão acabar te acusando de petista, raivoso, linchador ou patrulheiro.

  35. Comentou em 26/01/2007 Fabio de Oliveira Ribeiro

    O que é valido para o jornalismo é válido, também, para qualquer outra área do conhecimento humano. Sem critica não há compreensão, nem tampouco evolução das idéias. Curiosamente, o que era um privilégio de poucos (a leitura crítica e/ou sua divulgação) também está se tornando popular em razão da Internet. Não poucos jornalistas/políticos/cléricos/cientistas sentem-se bastante incomodados. Afinal, a critica sempre foi fonte de poder e calar a crítica uma demonstração evidente do mesmo. Num mundo em que todos podem criticar/difundir criticas e ninguém pode ser calado, a própria noção de poder sofrerá uma transformação muito grande. O processo de construção da realidades sempre foi um instrumento útil àqueles que pretendiam ganhar e conservar poder. Com a desmistificação e desmitificação do próprio poder todos ficamos nus uns diantes dos outros. De certa maneira todas instituições também são desnunadas. É por isto que não dá para entender como ainda tem gente que acha que a tecnologia, que a rede mundias de computadores, desumaniza. Ao contrário, ela humaniza na medida em que confere a todos a possibilidade de invadir os últimos bastiões faudais que ainda existem. Doravante todos serão julgadores e julgados. Doravante não apenas uns poucos privilegiados poderão expor sua crítica/construção da realidade. Mordaças, nunca mais. Censura, nem pensar. Assim seja…

  36. Comentou em 26/01/2007 Marnei Fernando

    PERFEITO!!!! Parabéns Carlos Castilho.

  37. Comentou em 26/01/2007 Carlos Teixeira

    Parabéns pelo texto. É ótimo observar que ainda existem jornalistas que conseguem captar a mudança de comportamento do leitor e telespectador. Infelizmente, muitos ainda não entenderam que o controle remoto e a internet vieram para ficar e ‘democratizar’ a informação. O leitor moderno não suporta o CORPORATIVISMO, A SUBSERVIÊNCIA AO PATRÃO, A DESINFORMAÇÃO, OS INTERESSES COMERCIAIS, A OMISSÃO, A ‘JURISPRUDÊNCIA JORNALISTICA’, O ‘MANUALZINHO DO JORNALISTA’, e etc…,

  38. Comentou em 26/01/2007 Paulo Bandarra

    Existe uma diferença muito grande entre crítica e a patrulha ideológica neofascista atual. Uma coisa é criticar dados e versões, e outra muito longe é a campanha de difamação e ataques pessoais que os comentaristas do OI e da imprensa tem recebido. Não porque se deixou de desconfiar da mídia, mas agora alguns agentes do poder passaram a ser intocáveis para os seus admiradores. E é o que reclamam, por que não vivem relembrando notícias dos antigos governantes e ficam criticando como sempre fizeram, os atuais ocupantes do poder. E isto não tem nada de bom, pois tratasse de patrulha ideológica e não realmente critica da imprensa. É empastelamento! É atacar o não alinhado e divergente! O que agora virou a visão dos observadores do observatório que acusam o OI comprometido com os tucanos e cia!

  39. Comentou em 26/01/2007 Kleber Carvalho

    Além do desafio cultural Castilho, gostaria de destacar o desafio ético, item que tem se mostrado escasso na maioria dos meios de comunicação brasileiros, falta uma pauta condizente com a realidade brasileira, se eu for citar todos os exemplos, estes 1400 toques com certeza serão insuficientes. Vou dar somente um exemplo, talvez eu esteja enganado ,se tiver me corrija por favor. A cobertura do acidente na linha 4 do metrô de S.P. em 2 revistas semanais: a Carta capital fez uma cobertura crítica do acidente ou seja de maneira jornalística, a Veja preferiu sair pela tangente e veio com aquela estorinha muito mal contada da relação jurássica dos homens com os cães, uma piada né Castilho, a veja já foi bem melhor.

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