Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Ralé pontocom

Por Luiz Weis em 30/05/2005 | comentários

Alguém aí ainda se lembra do filme “Coração Valente” (Braveheart), um dos grandes sucessos de 1995? Dirigido por Mel Gibson, o fiilme conta a história do plebeu William Wallace que, no século 13, uniu os escoceses para se libertarem do jugo inglês.


Braveheart foi a referência que ocorreu à colunista Heather Mallick, do The Globe and Mail, de Toronto, para falar de um evento que comentei neste blog, no texto “Ataque à massa de mentiras”, de 18 de maio.


O evento foi o testemunho do deputado britânico George Galloway, escocês de nascimento, perante uma subcomissão do Senado dos Estados Unidos. O depoimento deixou grogues os políticos repulblicanos que o convidaram a falar dos supostos negócios que ele teria feito com Saddam Hussein para fraudar o programa da ONU Petróleo por Alimentos.


Eu não teria por que voltar ao assunto não fossem duas coisas. Primeiro, a qualidade do texto de Heather. Para dar idéia do que foi o espetáculo proporcionado pelo Coração Valente II, ela começa comparando os que perderam o depoimento televisado àqueles de quem Shakespeare faz Henrique V dizer, na célebre exortação aos “happy few”, que se amaldiçoarão a si mesmos por não terem participado da batalha de Agincourt.


Depois, a colunista compara o principal inquisidor de Galloway, o senador de Minnesota, Norman Coleman, “que parece, como o monstro de Frankenstein, algo manufaturado” por causa de suas plásticas, ao escocês que, à maneira dos deputados britânicos de todas as cores, “fala com sentenças completas e gramática imaculada” e é capaz de escolher sintaxes mortíferas, além de ter “um domínio glacial dos seus fatos”.


“Eu não vi tamanha destruição em massa”, lembra Heather, “desde que John Dean, de forma calma e gélida, contou a um comitê do Senado em 1973 ter dito a Nixon que havia um câncer na presidência”.


E arrematou: ‘Foi um banho de sangue. Se Gore [em 2000], ou Kerry [em 2004], tivesse feito isso, os democratas teriam vencido.”


O assunto e os seus personagens podem parecer muito distantes dos interesses de um jornalista brasileiro. Mas a falta que fazem no Congresso Nacional parlamentares como Galloway – não importa se do lado do governo ou da oposição – e no jornalismo político brasileiro colunistas como Heather Mallick só pode ser avaliada pelos que ouviram o primeiro e leram a segunda.


O que me leva à segunda razão deste comentário – fazer propaganda do site onde Heather escreve, além do Globe, o principal diário canadense (ao lado do Star, também de Toronto).


O site vale uma visita já pelo nome, que é uma provocação e uma sinalização política: rabble (ralé). Claro que os assuntos canadenses, que a escumalha ali trata com muita informação e outro tanto de mordacidade, não são propriamente de parar as máquinas. Mas o bom é que trata das coisas do mundo com o mesmo espírito e qualidade. Eis o endereço: www.rabble.ca

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