Segunda-feira, 15 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1045
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Rebelião de usuários força segundo recuo consecutivo da direção da maior comunidade virtual do mundo

Por Carlos Castilho em 25/03/2009 | comentários

O site Facebook, que tem cerca de 200 milhões de usuários registrados em todo mundo, está sentindo na própria pele o significado da expressão ‘mídia social’.


 


É que pela segunda vez em menos de três meses, o site Home Page do Facebooké obrigado a voltar atrás em mudanças que pretendia introduzir no seu relacionamento com o público e no design da home page.


 


A revolta dos usuários foi tão rápida e forte que a direção do Facebook resolveu não bater de frente com os seus membros, que hoje se consideram tão donos do site quanto seus criadores e administradores.


 


Este é um sintoma de acelerada evolução dos usuários da Web integrados em comunidades virtuais. Eles estão trocando a passividade pela proatividade, o que tende a multiplicar os conflitos e ampliar a necessidade de mediações.


 


A apropriação de propriedades virtuais é um fenômeno novo mas previsível na Internet, na medida em que a participação dos usuários é central no desenvolvimento da rede e na produção de informações.


 


Quando percebem o resultado da sua contribuição, as pessoas tendem assumir sua paternidade parcial e consequentemente a sensação de propriedade. Isto vai ser cada vez mais frequente nos projetos da chamada Web 2.0, ou Web social, cujo sucesso empresarial foi construído à base da participação e colaboração do público.


 


O Facebook sentiu isto em fevereiro passado, quando tentou introduzir mudanças no texto que regula as relações da empresa com seus usuários, com o aparente objetivo de aumentar o controle da empresa sobre os conteúdos publicados pelos usuários cadastrados no site.


 


Um blog de direitos do consumidor deu o alerta e em questão de uma semana formou-se uma rebelião de usuários dispostos a abandonar em massa o Facebook. Mark ZuckerbergO criador do projeto, Mark Zuckerberg, hoje com 25 anos, sentiu a intensidade do incêndio e recuou, voltando aos termos originais, segundo os quais a empresa não tem direitos totais sobre os conteúdos gerados pelos usuários.


 


As cinzas ainda não haviam esfriado quando o Facebook resolveu mudar o design de sua página de abertura, agora no começo de março. Cerca de 1,2 milhão de usuários não gostaram, alegando que a nova versão tinha ficado muito complicada e que vários recursos de navegação haviam sido suprimidos.


 


Novamente o descontentamento se propagou rapidamente pela rede e em questão de dias Zuckerberg teve que retroceder novamente, desta vez em meio a críticas do seu próprio pessoal, que alega interferência indevida do público em questões técnicas.


 

Isto tende a tornar a questão mais complicada porque, no caso do Facebook, a diversidade de interesses é enorme e Mark Zuckerberg vai ter que fazer um curso relâmpago de mediação de conflitos, caso deseje sair incólume de um processo que tem tudo para se expandir pela Web.

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