Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

CÓDIGO ABERTO > Código Aberto

Recessão econômica nos países ricos fecha jornais gratuitos

Por Carlos Castilho em 02/10/2008 | comentários

Durou pouco a euforia dos jornais gratuitos, principalmente na Europa. A moda surgida por volta de 2003 entrou em declínio em 2007 e agora caminha rapidamente para a extinção em conseqüência de uma violenta queda no volume de anúncios pagos nos chamados jornais descartáveis e que chegaram a ser apontados como uma alternativa para a crise na imprensa.


 Jornais gratuitos em crise


Dos 230 jornais gratuitos existentes no mundo, 23 jogaram a toalha em 2007 e 12 já fecharam as portas em 2008. Quase metade dos membros da associação mundial de jornais gratuitos encontra-se num processo de agonia lenta e os prognósticos são sombrios, segundo o especialista holandês Piet Bakker.


 


“Os jornais gratuitos são extremamente vulneráveis à recessão econômica”  garantiu Bakker que previu dias ainda mais duros para o segmento que já teve uma participação de 30% no mercado mundial de jornais. Os jornais de distriubição livre tornaram-se muito populares nas grandes cidades com redes extensas de metrô. Jornais grátis em metrôs Hoje, os jornais gratuitos crescem apenas em paises emergentes como África do Sul, Turquia, Índia, Indonésia e em alguns países latino-americanos.


 


O grupo sueco Metro International, o maior conglomerado de jornais gratuitos do mundo com investimentos em cerca de 150 grandes cidades em 20 países, admitiu uma redução de 83% na receita publicitária nos primeiros oito meses de 2008. Na Espanha a queda foi da ordem de 20%.


 


A crise das bolsas mundiais aumentou ainda mais a tensão entre os donos de jornais, inclusive os pagos. Na França, o governo entrou na onda dos pacotes de salvação de empresas privadas em dificuldades, ao anunciar que vai socorrer os jornais e a televisão, que já recebem o equivalente a cerca de 4 bilhões de reais anuais em subsídios oficiais.


 


A imprensa francesa é a que se encontra em situação mais difícil, na Europa. O seu faturamento anual caiu de 1,4 bilhões de euros (R$ 3,1 bi)  no ano 2000 para 850 euros (R$ 2,1 bi), em 2007 . O presidente francês Nicolas Sarkozy está sob forte pressão dos seus muitos amigos na imprensa para alterar as leis que regulam a mídia no país e oferecer créditos da ordem de até 300 milhões de euros (R$ 800 milhões).


 


Nos Estados Unidos, o jornal The New York Sun, deixou de ser impresso nesta terça feira (30/9) , depois de seis anos de circulação errática. O jornal, de tendência conservadora, chegou a ter uma tiragem de 150 mil exemplares diários, depois passou a distribuir 66 mil exemplares de graça e sua circulação paga acabou se reduzindo a 14 mil assinantes.


 


A recessão econômica nos Estados Unidos, acentuada pela crise na bolsa, vai afetar duramente toda a indústria dos jornais no país. William Dean Singleton, diretor do MediaNews Group, um dos cinco maiores conglomerados da imprensa norte-americana advertiu que os próximos 18 meses serão críticos porque 60% dos problemas financeiros dos jornais estão vinculados à intensidade da recessão.

Todos os comentários

  1. Comentou em 04/10/2008 j batista

    Nova Ordem-O sistema financeiro foi mantido pelos E.U. enquanto lhe era conveniente e pode, assim como é o sistema politico no Brasil, sendo que ambos possuem algo em comum: os dois sistemas se exauriram, sendo que o primeiro implodiu antes deste ultimo.Uma nova ordem mundial, exige novos parametros com a participação de outras nações, para terem credibilidades e envoluirem e mais justos.

  2. Comentou em 03/10/2008 ubirajara sousa

    No Brasil, nunca se leu tanto jornal como agora. E por quê? Porque a classe pobre passou a ter condições de comprar um jornalzinho para saber um pouco mais do que se vê na TV. Mas a imprensa brasileira é tão burra, tão burra, que fica procurando chifre em cabeça de jumento para demonstrar que a coisa vai mal no País; que o Lula é uma b…; que a crise já tomou conta do Brasil. Esquecem-se, os donos da Imprensa, que havendo recessão eles não escaparão dela, também. As Mirians Leitão da vida, os Sadenbergs e outros da espécie estão fazendo de tudo para que o disparo da manada aconteça e aí, só Deus sabe! No Brasil está havendo um desgaste da Imprensa, mas não por falta de dinheiro. Um dia, esse novo leitor também deixará de ler o seu jornalzinho porque constatará que ficará mais bem informado, sem ele.

  3. Comentou em 03/10/2008 Ivan Moraes

    (so uma correcaozinha de um erro: a revista Byte cujas paginas eu contei tinham **dois tercos** de propaganda, e nao um terco como eu disse abaixo)

  4. Comentou em 03/10/2008 dante caleffi

    Só os gratuitos?Aqui ,a perda de credibilidade é mais séria.Periódicos e semanários, engajaram-se política e ideológicamente,contra tudo que é originário do governo federal. Agora mesmo, a desfaçatez de forçar
    crise onde não exite,e sobre isso, dar dimensões inexistentes. O que temos ,são os ‘quase-gratuitos´. E esses vão bem .Podem se chamar , o braço popular do PIG.

  5. Comentou em 03/10/2008 Ivan Moraes

    Como voce se sentiria se pagasse a passagem pra seu amigo te visitar e ele falasse sem parar um minuto a respeito do que nao te interessa? Pois eh… uma vez eu contei as paginas da finada ‘Byte’. Um terco das paginas era tudo propaganda. Na tv dos EUA a proporcao conteudo e propaganda ja esta pra pouco mais de um terco propaganda. Nao da! Tou pra cortar a tv a cabo da minha casa a qualquer minuto, alias, minha filha ja tem 7 anos e mal assiste. Mas assiste ‘Ninja cat’ no youtube ha 3 semanas sem parar. A estrutura dos jornais nao foi repensada ainda. Existe uma geracao inteira que se treinou a nao olhar ‘caixinhas’ na media impressa -uma batida de olhos, mesmo inconsciente, e a maioria das pessoas sabe se deve ler ou nao! Varias geracoes ja aprenderam a desligar a atencao na hora dos comerciais de tv. Como dizia Clinton: ‘EH O FORMATO, ESTUPIDO!’ Se a industria esta pensando que ‘mudanca de formato’ significa infiltracao comercial no conteudo -e mesmo assim pensa que ninguem vai notar a falta de etica- ela esta perdendo tempo e estorricando paciencia alheia por incapacidade de reconhecer o novov status quo. Quanto ao aspecto financial dos jornais, esta na mesma situacao de varias industrias e comercios. Feio!

Código Aberto

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem