Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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Redação jornalística em weblogs

Por Carlos Castilho em 02/05/2005 | comentários


Já são 31 milhões de blogs em todo o mundo e 40 mil novos surgem diariamente, segundo a empresa de pesquisas Perseus. Com este crescimento avassalador, a busca dos blogs por atenção dos internautas deflagrou um processo de seleção natural onde só os mais bem redigidos e com melhor informação terão chances de conquistar visitantes.


A sobrevivência no circo da informação depende da qualidade e de respostas a uma série de questões, como:
1) O texto de um blog é igual ao de um jornal?
2) Existe um estilo próprio dos blogs?
3) Eles podem usar a pirâmide invertida?
4) Como fica o problema da não linearidade narrativa, uma das principais características do texto online?


Estamos entrando num território virgem onde tudo está praticamente por criar. Até mesmo nos Estados Unidos, origem de 10 entre 10 pesquisas sobre Web, não há até agora nenhum consenso sobre como escrever para blogs, especialmente os que lidam com jornalismo. Portanto, mais do que ditar regras, nossa preocupação é o debate e a troca de informações.


A primeira grande questão é o sistema cronológico usado pelos weblogs para ordenar a publicação de textos. Isto cria um complicador para o redator acostumado a escrever para jornal, revistas, rádio ou televisão.


Os jornalistas produzem normalmente textos seguindo a técnica da pirâmide invertida, onde o mais importante vem em primeiro lugar. O texto forma uma peça única, mas nos blogs é necessário dividi-los em blocos porque a maioria das pessoas dedica no máximo de 20 a 25 segundos por página na web. Textos longos acabam não sendo lidos.


Só que a fragmentação num blog acaba invertendo a ordem tradicional no jornalismo.  O mais importante no jornal impresso virá por último num blog, caso o seu autor dividir o texto em, por exemplo, quatro blocos publicados em dias diferentes.


Por isto, a produção de um texto para weblogs segue uma lógica diferente da usada para os jornais e revistas. Antes de publicar, o autor deveria dividir o assunto em blocos por interesse e tratar cada um deles como se fosse uma reportagem isolada. A pirâmide invertida funciona em cada bloco, mas não é usada para o conjunto dos textos.


A fragmentação em blocos tem a vantagem de permitir a participação dos leitores no desenvolvimento do texto através do recurso dos comentários, geralmente localizado no final de cada bloco. Isto permite ao autor receber críticas, correções e sugestões enquanto está publicando seu trabalho.


Nas próximas semanas falaremos de temas como:


Pirâmide invertida em weblogs
Leitura por camadas
Não linearidade em blogs
Atualização permanente dos textos
Edição compartilhada
Mapas de informação

Todos os comentários

  1. Comentou em 17/05/2005 Viviane Ribas

    Ola Carlos Castilho.
    escrevi p/ o canal do leitor e várias outras e-mail da equipe do OI.
    Em resposta a minha solicitação, o canal pediu p/ que eu enviasse meus comentários a vc.
    E aqui está. Ciente de que me auxiliará em minhas dúvidas, desde já agardeço.

    Prezados Senhores
    Sou estudante de jornalismo, tenho 38 anos, e estou no 6º período, da Faculdade Cristo Rei em Cornélio Procópio –PR..
    Durante uma aula da disciplina de “webjornalismo”, foi feito um debate e discutimos sobre a crítica “Governo em cenas de exclusão digital” por Andrea Fornes, do site “Observatório da Imprensa” que foi publicada no dia 03/05/2005 a propósito da coletiva do Presidente Lula.
    Durante o debate, manifestei minhas idéias sob a análise do site.
    Discorro um pouco, sobre minha apreciação:
    A atitude de o governo em excluir a mídia digital causou impacto. Um Governo que se diz “governo da inclusão digital” ter convidado para a coletiva as emissoras de televisão, jornais impresso, revistas e agencias de notícias e ter deixado de fora a internet, foi de fato surpreendente, uma vez que com tanta preparação por parte do presidente, que convocou até o Publicitário Duda Mendonça para orientá-lo na entrevista coletiva, cometeu outra “gafe” ao excluir os portais de internet negando a eles, o direito a perguntas.
    O curioso na coletiva não foi só a rigidez da forma que não permitindo o direito a réplica aos jornalistas, mas também os temas a serem tratados nas perguntas, que foram criteriosamente ajustados pela assessoria do Planalto, bem como a seleção dos 14 jornalistas que participaram da entrevista. Sendo que nove destes jornalistas representavam veículos que consta diariamente na agenda do presidente.
    A exclusão houve e, foi inevitável o descontentamento por parte da mídia digital, o que é natural, levando em consideração, que os portais de internet foram os primeiros a abrirem espaço para as declarações e repercussão da primeira coletiva do presidente da República com os jornalistas.
    Enfim, diante do descontentamento da mídia on-line neste episódio da exclusão, fica aqui algumas dúvidas que me surgirão dentro da sala de aula, durante a discussão. Ciente da boa vontade dos Senhores e do bom profissionalismo solicito respostas a essas minhas dúvidas a fim de saná-las e para que eu possa, no próximo debate, abordar esse assunto com mais convicção.
    Segue abaixo algumas perguntas.
    • Nesse episódio, a mídia on-line já não estaria representada por outros veículos como o Jornal o Globo, Estadão ou O Estado de São Paulo nas suas versões eletrônicas?
    • Até que ponto as mídias on line usam suas pontencialidades?
    • Diante da rigidez da forma em não permitir aos jornalistas o direito à réplica, os temas selecionados para as perguntas e, a seleção dos jornalistas que participaram da entrevista, qual a posição do Observatório da Imprensa quanto a manipulação de expressão?
    • Qual é a relação de poder e interesse diante dessa atitude do Governo?
    • O site Observatório da Imprensa, com sua crítica teve a intenção de atingir qual público?
    • Ainda sob a análise e descontentamento por parte do site Observatório da Imprensa, qual proporção que essa crítica atingiu?
    • Porque os demais portais se limitaram a essa crítica com relação à exclusão digital na coletiva do Presidente Lula?
    • Outros sites manifestaram também seu descontentamento?
    • Porque o Observatório da Imprensa limitou-se em manifestar seu descontentamento em poucas edições?
    • Sabemos que a mídia on-line é tão importante quanto as outras. Sob o ponto de vista do site Observatório da Imprensa, o que houve na verdade? Esquecimento por parte do Governo? Desmerecimento quanto aos profissionais de jornalismo que trabalham na mídia on-line?
    • Qual o posicionamento do site, em relação ao processo de preparação do governo para a entrevista, e a falta de enquadramento da mídia digital, em participar com direito a perguntas?
    • Essa atitude do governo tem a ver com os homens de comunicação do PT?
    Pela atenção, desde já agradeço.
    Um cordial abraço,
    Viviane Ribas

  2. Comentou em 02/05/2005 Daniela Bertocchi

    Carlos,
    Um pensamento para você: não sei exatamente em que ponto isso entra, mas seria interessante abordar, em algum momento, a questão da narratividade dos blogs (seguir a narrativa dia após dia para entender o que se passa); e, ainda, a questão das ‘categorias de assuntos’ (quem usa Movable Type tem isso), uma espécie de divisão por editorias (o que deixa o blog mais parecido com o jornal).
    Abraços,
    Daniela Bertocchi

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