Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Relatório aponta aumento na resistência dos blogs aos comentários de leitores

Por Carlos Castilho em 16/03/2008 | comentários

Esta é talvez a  mais controvertida de todas as constatações feitas pelos autores da versão 2008 do relatório O Estado da Mídia Jornalística (The State of the News Media), produzido pelo Projeto Excelência no Jornalismo.


 


Segundo Tom Rosenstiel, o diretor responsável pelo projeto, o número de weblogs que passaram a adotar o sistema de monitoramento de comentários de leitores aumentou em 2008, em relação a 2007 e todos os anos anteriores. O relatório afirma também que a resistência aos comentários críticos é maior nos blogs independentes do que nas páginas web de jornais impressos.


 


Embora o estudo não tenha se aprofundado nas causas do fenômeno, o acelerado aumento do número de comentários postados em weblogs indica uma mudança radical nos hábitos informativos da maioria dos internautas, tanto no exterior como aqui no Brasil.


 


Os leitores tornaram-se proativos e já não se conformam em ser consumidores passivos de notícias. Junto com a maior participação e colaboração, cresceu também a presença dos contestadores, vândalos, provocadores e xenófobos de todos os tipos.


 


O relacionamento entre autores de blogs e o público tornou-se tenso. Freqüentemente as discussões enveredam para o bate-boca estéril, e não raras vezes escapam do controle do responsável pelo blog ou fórum de debates.


 


Trata-se de um desafio inédito para os autores de blogs cuja experiência de relacionamento com o público, até agora, era basicamente unidirecional e vertical. Os problemas mostram que o novo protagonismo do leitor exige que os autores assumam também o papel de moderadores, ou seja, preocupem-se mais em garantir o espaço para o debate e menos em determinar o rumo da discussão.


 


O fato de nós blogueiros abrirmos espaços para comentários, de alguma forma acaba por nos levar a perder parte do controle sobre o que escrevemos. Isto também é uma situação nova, que exige um conjunto de habilidades que não são ensinadas na faculdade e nem constam dos manuais de weblogs.


 


Às vezes é preciso muita diplomacia, tolerância e sensibilidade para lidar com comentários agressivos ou grosseiros. Além disso, muitos dos comentaristas cobram posicionamentos tipo bom ou mau, branco ou preto, quando a situação é muito mais complexa.


 


Não é difícil entender por que há uma tendência ao aumento do monitoramento prévio dos comentários, antes da publicação, principalmente nos blogs que lidam com política e imprensa. A pressão do público é grande, tende a crescer e nem sempre ela segue parâmetros civilizados.


 


O mesmo dilema afeta também os sites de jornais que publicam comentários de leitores. A maioria exerce algum tipo de controle, especialmente sobre os comentários anônimos, mas admite que a alternativa está longe de ser eficiente, como alega Jonathan Landman, do New York Times.


 


Alguns excessos podem ser evitados, mas em compensação os jornais correm o risco de enfrentar processos judiciais por parte de leitores descontentes com a edição de seus comentários ou devido à postagem de informações falsas.


 


Uma coisa, no entanto, parece certa. Tanto a experiência pessoal de blogueiros como o relatório Estado da Mídia Jornalística 2008 indicam que a gestão dos comentários em paginas online de informação é um tema complexo, polêmico e que ainda vai ocupar muito espaço na agenda da mídia eletrônica.   


 


Conversa com o leitor


Os três anos de convivência com os nossos leitores mostraram que existe espaço para um relacionamento cada vez mais intenso e dinâmico entre autor e público.  Nem sempre consigo contextualizar informações como gostaria e com isto acabo muitas vezes gerando percepções distorcidas, que provocaram os mais diversos tipos de comentários e críticas.


Quando a temperatura do debate subiu, foi possível descobrir que existe uma espécie de maioria silenciosa no Código que lê, mas não comenta.


Em compensação há um considerável número de leitores cuja principal preocupação é o debate, sempre que a agenda do blog inclui política e empresas jornalísticas. Estes leitores “barulhentos” são o principal termômetro da opinião pública. Sem eles, é impossível descobrir se estamos certos ou errados. 

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