Quarta-feira, 20 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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Relatório aponta aumento na resistência dos blogs aos comentários de leitores

Por Carlos Castilho em 16/03/2008 | comentários

Esta é talvez a  mais controvertida de todas as constatações feitas pelos autores da versão 2008 do relatório O Estado da Mídia Jornalística (The State of the News Media), produzido pelo Projeto Excelência no Jornalismo.


 


Segundo Tom Rosenstiel, o diretor responsável pelo projeto, o número de weblogs que passaram a adotar o sistema de monitoramento de comentários de leitores aumentou em 2008, em relação a 2007 e todos os anos anteriores. O relatório afirma também que a resistência aos comentários críticos é maior nos blogs independentes do que nas páginas web de jornais impressos.


 


Embora o estudo não tenha se aprofundado nas causas do fenômeno, o acelerado aumento do número de comentários postados em weblogs indica uma mudança radical nos hábitos informativos da maioria dos internautas, tanto no exterior como aqui no Brasil.


 


Os leitores tornaram-se proativos e já não se conformam em ser consumidores passivos de notícias. Junto com a maior participação e colaboração, cresceu também a presença dos contestadores, vândalos, provocadores e xenófobos de todos os tipos.


 


O relacionamento entre autores de blogs e o público tornou-se tenso. Freqüentemente as discussões enveredam para o bate-boca estéril, e não raras vezes escapam do controle do responsável pelo blog ou fórum de debates.


 


Trata-se de um desafio inédito para os autores de blogs cuja experiência de relacionamento com o público, até agora, era basicamente unidirecional e vertical. Os problemas mostram que o novo protagonismo do leitor exige que os autores assumam também o papel de moderadores, ou seja, preocupem-se mais em garantir o espaço para o debate e menos em determinar o rumo da discussão.


 


O fato de nós blogueiros abrirmos espaços para comentários, de alguma forma acaba por nos levar a perder parte do controle sobre o que escrevemos. Isto também é uma situação nova, que exige um conjunto de habilidades que não são ensinadas na faculdade e nem constam dos manuais de weblogs.


 


Às vezes é preciso muita diplomacia, tolerância e sensibilidade para lidar com comentários agressivos ou grosseiros. Além disso, muitos dos comentaristas cobram posicionamentos tipo bom ou mau, branco ou preto, quando a situação é muito mais complexa.


 


Não é difícil entender por que há uma tendência ao aumento do monitoramento prévio dos comentários, antes da publicação, principalmente nos blogs que lidam com política e imprensa. A pressão do público é grande, tende a crescer e nem sempre ela segue parâmetros civilizados.


 


O mesmo dilema afeta também os sites de jornais que publicam comentários de leitores. A maioria exerce algum tipo de controle, especialmente sobre os comentários anônimos, mas admite que a alternativa está longe de ser eficiente, como alega Jonathan Landman, do New York Times.


 


Alguns excessos podem ser evitados, mas em compensação os jornais correm o risco de enfrentar processos judiciais por parte de leitores descontentes com a edição de seus comentários ou devido à postagem de informações falsas.


 


Uma coisa, no entanto, parece certa. Tanto a experiência pessoal de blogueiros como o relatório Estado da Mídia Jornalística 2008 indicam que a gestão dos comentários em paginas online de informação é um tema complexo, polêmico e que ainda vai ocupar muito espaço na agenda da mídia eletrônica.   


 


Conversa com o leitor


Os três anos de convivência com os nossos leitores mostraram que existe espaço para um relacionamento cada vez mais intenso e dinâmico entre autor e público.  Nem sempre consigo contextualizar informações como gostaria e com isto acabo muitas vezes gerando percepções distorcidas, que provocaram os mais diversos tipos de comentários e críticas.


Quando a temperatura do debate subiu, foi possível descobrir que existe uma espécie de maioria silenciosa no Código que lê, mas não comenta.


Em compensação há um considerável número de leitores cuja principal preocupação é o debate, sempre que a agenda do blog inclui política e empresas jornalísticas. Estes leitores “barulhentos” são o principal termômetro da opinião pública. Sem eles, é impossível descobrir se estamos certos ou errados. 

Todos os comentários

  1. Comentou em 01/04/2009 Antônio Edmilson de Castro Lima

    Para mim este relatório não é novidade, agora o que eu não sabia é que em outros países mais avançados, também temem o bom termômetro social, que é a OPINIÃO PÚBLICA.
    Confesso que sem este instrumento de comunicação, eu jamais saberia que a classe política partidadária brasileira, está mais baixa que apartamento de MINHOCA.

  2. Comentou em 26/03/2008 marcos omag

    A mídia corporativa no Brasil tem uma política de censura crescente nos seus blogs. O mais censurado é o do Ricardo Noblat.Qualquer contestação ao seu viés conservador vale imediato banimento do comentarista. Não vou citar os blogs da revista Veja, pois não existe jornalismo por lá.Os blogs das Organizações Globo têm baixa audiência, e não são censurados, em geral.Costumo escrever duras críticas contra a postura, no mínimo parcial, da Lúcia Hippólito, e não sou censurado, na maioria das vezes.Na ‘Folha de São Paulo’, o blog do Josias de Souza, linha de frente da imprensa anti-PT tem censura férrea.Não posso comentar nada sobre censura no blog do Fernando Rodrigues,pois não costumo acessa-lo.Se você for censurado em blogs da imprensa corporativa,uma boa dica é escrever o comentário censurado no Mídia Independente (http://brasil.indymedia.org) como forma de denunciar a censura.

  3. Comentou em 22/03/2008 Dulce Leão

    Olá Carlos. ‘Os leitores tornaram-se proativos e já não se conformam em ser consumidores passivos de notícias. Junto com a maior participação e colaboração, cresceu também a presença dos contestadores,’ SEU TEXTO É PERFEITO…MAS CONVENHAMOS, NÃO É POSSÍVEL HAVER SEMPRE CONCORDÂNCIA.

    QUANTO AOS ‘vândalos, provocadores e xenófobos de todos os tipos.’ ACREDITO QUE EXISTAM BLOGS ESPECÍFICOS PARA ÊLES…ONDE SE SENTIRÃO À VONTADE. ACHO QUE COM EDUCAÇÃO HÁ ESPAÇO PARA TODOS, OS QUE NÃO ACEITAM PROCURE SUAS TURMAS. Misturá-los desencoraja os que gostam de participar com seriedade, bom humor, e qualidade de informação.

  4. Comentou em 22/03/2008 Eduardo Guimarães

    Prezado senhor, por que essa mania de jornalistas, quando falam em blogs, falarem sempre de blogs americanos?

  5. Comentou em 17/03/2008 Fernando Lemos

    Carlos Castilho, podemos aplicar a importância do termômetro da opinião pública numa revista como a VEJA, por exemplo? Vamos imaginar um blog da Veja: o que teríamos? A mesma postura em relação ao seu painel do leitor, ou seja, só seriam publicados os comentários favoráveis ao ponto de vista da revista! Por acaso alguém já viu algum comentário ser aprovado e publicado pela VEJA que mostre apenas um minúsculo ponto positivo do governo Lula? Por isso, acreditar que blogs estejam preocupados em saber se estão certos ou errados acaba sendo uma piada enorme, me desculpe…

  6. Comentou em 17/03/2008 Luciano Prado

    Cláudia Monteiro, Jornalista (Fortaleza/CE)- Deus do Céu! Você estudou jornalismo na escola do Ali Kamel? Você acha que a instituição da ‘moderação’ é que vai proporcionar o melhor debate? A ‘moderação’ é que vai discernir entre o que deve ou não ser publicado? Quantos anos você tem, meu caro? Você conhece a história do seu país? A ‘grande’ imprensa, fustigada, deu uma de vítima e demandou na OEA. É um belo sintoma de que a sociedade está correta. Se alguém está precisando de moderação responsável ou pelo menos de um freio de arrumação é a “grande” imprensa que partiu para a contratação de matadores de aluguel da honra alheia. Pimenta nos olhos dos outros é refresco. A ‘grande’ imprensa brada por liberdade de expressão, mas quer calar os leitores. Bonito! Fico com a última frase do Castilho: “Estes leitores “barulhentos” são o principal termômetro da opinião pública. Sem eles, é impossível descobrir se estamos certos ou errados”.

  7. Comentou em 17/03/2008 Luís Gustavo Nunes

    Muito oportuno o texto. Quando me formei, há cerca de quatro anos, meu TCC versava sobre o uso jornalístico dos blogs. Na época, os blogs eram mais vistos como diários pessoais, de acordo com o resultado da pesquisa que fiz. Hoje, parece-me que o uso jornalístico já ocupa maior espaço e destaque, o que requer mais cuidados. Inquieta-me ver blogs jornalísticos lotados de comentários inconseqüentes. Manchar a imagem alheia é fácil. Muitas pessoas usam o anonimato, pseudônimos ou nomes falsos. Os blogueiros têm de pensar em formas de controle. Quem comenta tem de assumir a responsabilidade pelo que diz ou, senão, o blogueiro. Que tal a identificação via CPF? Adequado? Exagero? Lanço a discussão.

  8. Comentou em 17/03/2008 Luciano Prado

    Desconfio que boa parte dos comentários dos leitores, embora ásperos, tenham mais consistência, conteúdo fático do que os de muitos blogueiros missionários de plantão. É preciso investigar com critério essa onda de censura. Já é possível sentir esse “fenômeno”. A censura tem se voltando essencialmente para os comentários que envolvam questões políticas e ligados as críticas a imprensa. O missionário está sempre atento aos comentários que possam trazer prejuízos eleitorais e descrédito ao político ligado a seu anunciante. Àquele que paga o salário do missionário, direta ou indiretamente. Existe remédio para essa ditadura. É um novo filão que ainda não foi percebido pelos internautas.

  9. Comentou em 17/03/2008 Fábio de Oliveira Ribeiro

    Você tocou num assunto bastante interessante e delicado. Ao ler seu texto lembrei de um livro maravilhoso chamado LIVRES PARA ODIAR, de Paul Hockenos, que trata do aumento da xenofobia e dos grupos nazifascstas no leste europeu após a queda do Muro de Berlim e do fim da Guerra Fria. Logo no início do livro Hockenos afirma que ‘Todos os Estados modernos de hoje contém elementos do nacionalismo cívico e do étnico.’ Ao final lamenta o fato de que ‘Até certo ponto, as forças democráticas têm que se culpar pelos retrocessos que sofreram.’ Os bate-bocas, grosserias e demonstrações de xenofobia ‘on line’ podem ser explicados da mesma forma. Antes do advento da Internet as pessoas comuns não tinham liberdade para se manifestar publicamente. Este era um privilégio dos jornalistas e das celebridades paparicadas pelos mesmos. Na sua vida privada certamente as pessoas se expunham tal como agora o fazem. Entretanto, o ruído ideologico que produziam não ganhava a arena pública ne chegava aos ouvidos seletivos dos jornalistas. Se partirem para a censura, os jornais e jornalistas apenas e tão somente se tornarão dispensáveis. Afinal, os ruídos produzidos pelos leitores/produtores continuarão a ganhar a arena pública através dos blogs que eles criarem (alguns dos quais podem se tornar foruns mais importantes que os websites ‘oficiais’).

  10. Comentou em 17/03/2008 José Orair Silva

    Pior do que os comentários é a linguagem usada por alguns jornalistas. Um veterano jornalista e colunista da Folha de São Paulo usa uma linguagem de blogueiro de quinta categoria com xingamentos piores do que aqueles que encontramos nas disputas entre os mais apaixonados comentaristas dos blogs. Parei de ler a FSP. Não faz sentido comprar insultos se podemos tê-los de graça na Internet…

  11. Comentou em 17/03/2008 Cláudia Monteiro

    Já não era sem tempo uma moderação mais eficiente sobre os comentários. Enfim, poderemos daqui a algum tempo poder discernir entre uma opinião consistente ou uma agressão desinformada. É aquele velho ditado: ‘macaco que nunca come melado, quando come se lambuza’. As pessoas ainda não sabem se comportar nos blogs. Falta informação, conteúdo, opinião e discernimento. Sobram polêmicas infrutíferas e faltam comentários que realmente acrescentem algo ao texto publicado.

  12. Comentou em 17/03/2008 João Silva

    Penso que este artigo, surgiu devido ao mais de 200 comentários de alguns artigos relacionados com as pesquisas com células-troncos embrionárias. Imagino que o OI nunca teve tamanha participação dos leitores. Isso acontece normalmente pela falta de imparcialidade do texto em destaque, pois quando se defende um ponto de vista, terá pessoas contrárias e respostas a esta posição. Quando se faz um texto que analisa os dois lados (padrão do jornalismo) sem puxar para um lado, o leitor acaba encontrando no texto seus argumentos contra e a favor (i.e. completo e justo), com isso não há tanta necessidade de comentar o assunto, pois o texto se torna claro e justo. Vejo alguns pontos. 1) O comentário deve ser moderado, principalmente quando as pessoas colocam palavrões e fazem agressões pessoais. 2) Ao mesmo tempo quando uma mensagem é recusada deve ser obrigatoriamente, notificado ao autor e o motivo da recusa. 3) Já tive texto editado com [ ] – devido a palavras restritas, no caso do corte ficou o meu comentário com outra visão. Penso que o comentário em alguns casos não deva ser editado e sim recusado imediatamente. 4) Deve lembrar nas classes que tem acesso a internet (ainda), ou seja, nem sempre os comentários servem como termômetro, para o assunto em debate.

  13. Comentou em 17/03/2008 otavio raposo

    E quando são os proprietários dos blogues que estimulam a baixaria e radicalização?

  14. Comentou em 17/03/2008 Thomaz Magalhães

    Entre outras, mas em destaque, tenho como causa do maior controle dos comentários o fato do dono do blog ser resonsável solidário sobre crimes cometidos por comentaristas. Por outro lado, embora pareça squisito para os leitores e leigos, a imprensa é atividade de cunho privado. As publicações têm dono. Não são a casa da mãe joana.

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