Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Repórter diz que autoridades e mídia ocultaram PCC

Por Mauro Malin em 12/01/2007 | comentários

A repórter da Rede Record Fátima Souza foi a primeira pessoa a falar no PCC, em 1997, quando era da TV Bandeirantes. Ela não foi ouvida. O governo fez questão de desmenti-la publicamente. Fátima faz, a esse respeito, críticas severas ao velho conluio da mídia com autoridades. E explica a razão prática disso:


“Você saber que existe alguma coisa errada, mas fingir que não vê para conseguir manter sua fonte e ter as informações em primeira mão. Nesse sentido, você vê pouca matéria contra a polícia, mostrando a realidade da polícia, o envolvimento da polícia com os bandidos, o que é uma coisa pouco questionada em São Paulo e no Rio, como se fosse normal. São poucos os repórteres que fazem matéria de polícia e não para a polícia”.


Fátima diz que o Fantástico da Rede Globo, ao fazer sua primeira reportagem sobre o PCC, apresentou o assunto como inédito, sem dar o devido crédito à Bandeirantes. São momentos em que o marketing desbanca a consciência profissional e intelectual.


Num período em que os dois lados, novo governo do estado e bandidos, se estudam – nenhum preso paulista foi enviado para presídio federal e até esta sexta-feira, 12 de janeiro, não houve novas ondas de ataques como os de maio, julho e agosto de 2006 –, Fátima diz que o problema maior pode estar não dentro, mas fora das cadeias:


“Hoje, você tem uma coisa muito alarmante do PCC, mais do que o PCC na cadeia, é o PCC aqui do lado de fora. Nós tivemos ataques aqui em maio, na maior cidade do país e, de repente, você via brotar PCCs de todos os cantos. Camicases saindo às ruas das favelas, dos bairros, de todos os pontos de São Paulo, dispostos a atacar e a seguir uma liderança”.


Fátima Souza lançará em março o livro PCC, A Facção. Ela é jornalista formada pela Fiam. Começou na TV Gazeta, passou para o SBT, depois foi da TV Cultura. Trabalhou durante 13 anos na Band, onde fez as principais matérias sobre o PCC. Ficou alguns meses no Diário de S. Paulo, depois passou seis meses dedicada ao livro. Agora está na Record.

Eis a entrevista.


Na literatura sobre o PCC existem, para simplificar, duas linhas que se contrapõem. Uma coloca a ênfase na responsabilidade do Estado, que não cumpre suas obrigações legais nas prisões, transformando-as em masmorras infernais, e suas obrigações relativas ao funcionamento do Judiciário. Outra faz basicamente o discurso de “lei e ordem”, supõe que os problemas estejam na fraqueza da autoridade diante do criminoso, ou até cumplicidade criminosa com ele. Qual é sua visão?


Fátima Souza – Virou um sonho escrever esse livro, porque eu acho que essa história do crime organizado tem que ser registrada, contada, escrita e divulgada. O que estava acontecendo em São Paulo era uma coisa atípica, não existia antes. Existia uma organização no crime, mas não o crime organizado. Era diferente.


Tinha lá os Serpentes Negras, que ameaçaram fazer isso. Erroneamente, algumas pessoas escreveram que o PCC vem da idéia dos Serpentes Negras. Não é verdade. Os integrantes que fundaram o PCC nem sequer conheciam os Serpentes Negras. Então, o PCC nasceu dentro da prisão em parte por aquilo que você acabou de falar: “Bota os caras lá, e daí?”


Só que eles, malandramente, num dado momento, viram que aquilo tinha dado a eles uma plataforma…


F.S. – Malandramente eles viram que aquela massa estava na mão deles mais fácil do que eles imaginaram. Então, passaram daquela bandeira inicial de lutar pelos direitos dos detentos, o que eles mesmos fazem, ninguém faz. E, de repente, passaram dessa união para ter melhores condições nas cadeias para ter melhor tráfico de drogas, para matar os desafetos, para montar uma organização inicialmente dentro da cadeia, com o domínio deles.


Eu decidi escrever esse livro porque eu fui a primeira repórter a denunciar a existência do PCC, em 1997.


Quando ele tinha quatro anos de idade…


F.S. – Sim, quando ele tinha quatro anos de idade e ainda não era de conhecimento público.


Nunca tinha sido escrita nenhuma linha no jornal sobre isso?


F.S. – Nunca tinha sido escrita uma linha sobre o PCC em nenhum lugar. Nem jornal, nem TV, nem revista.


Mas ele não tinha lançado o manifesto de fundação, em 1993?


F.S. – Não, o manifesto eu lancei na TV, pela primeira vez, na Band. O manifesto só veio depois da minha primeira reportagem.


Explique como foi, por favor.


F.S. – Eu recebi o manifesto pelo correio. Quando eu coloquei a primeira reportagem no ar, mostrando que existia atrás das grades uma organização, isso aconteceu depois de uma rebelião em Sorocaba, no interior de São Paulo, numa época em que as chefias ainda mandavam cobrir rebelião porque não era tão comum ter. Rebelião era matéria, eu fui cobrir essa rebelião e vi que tinha uma coisa diferente. Tinha um preso que era articulado, ele comandava essa rebelião, dava ordens e os presos obedeciam de uma forma completamente diferente das rebeliões confusas que eu já tinha visto. ‘Aí tem’, eu pensei. “Quem é esse cara?”, perguntei para um agente penitenciário, e ele me respondeu: “É o Macalé”.


Passou um tempo e eu pedi uma autorização para um juiz, dizendo que queria fazer uma matéria sobre a vida dos presidiários e, claro, escolhi o Macalé para ser meu personagem. Eu queria saber o que tinha acontecido naquela rebelião. Então, o Macalé, em 1995, foi o cara que me deu a dica.


Quando fui entrevistá-lo, ele me disse que havia uma organização atrás dos presídios que, se quisesse, poderia paralisar os outros presídios. Eu saí de lá achando que ele estava contando uma coisa legal, porque era uma organização que ninguém conhecia. Ele não me deu o nome, eu perguntei a ele e ele disse: “Não estou autorizado ainda a falar esse nome, em breve vocês vão saber”. É claro que, como repórter, aquilo me aguçou e eu fui atrás. Comecei a perguntar para os parentes, para outros presos, tudo quanto é preso já tinha celular na época.


Depois que eu entrevistei o Macalé, procurei a minha chefia na redação e falei: “Está acontecendo isto: aquele preso que eu falei para vocês me disse que tem uma organização por trás dos presídios, que eles estão absolutamente organizados, que se eles quiserem eles param os presídios, não quis me dar o nome dessa suposta facção e eu nem posso garantir para vocês que existe, porque às vezes o cara inventa, conta lorota, quer crescer demais em frente à câmera, mas eu quero a liberdade de vocês para ir atrás dessa história”. E meus chefes deram.


Então, entre as matérias do dia e os acontecimentos da cidade, eu continuei investindo nisso. Em 1996, eu já tinha material suficiente para colocar a matéria no ar dizendo que existia uma facção criminosa, já com o nome PCC, porque com essas pesquisas que eu fui fazendo, dessas conversas com mulheres de presos, agentes penitenciários, diretores de presídios, outros detentos, a palavra PCC apareceu para mim em um papelzinho que era, na verdade, uma ameaça de morte. Esse papel foi interceptado dentro do Carandiru e o cara escreveu para o outro: “Você vai morrer”, e embaixo vinha “PCC”. Um agente penitenciário me chamou, entregou esse bilhete e falou: “Olha, acho que é essa facção aí que você está caçando”.


Eu fiz uma matéria robusta, de oito minutos, e a gente colocou no ar na Band. Pela primeira vez a palavra PCC apareceu no cenário. O governo negou, obviamente. O secretário da administração penitenciária, Benedicto Marques, chegou a dar uma entrevista na Jovem Pan dizendo que eu estava inventando notícia para ter ibope, que o que eu tinha falado era uma ficção e não uma facção. Isso me deixou muito brava. Os próprios colegas do mercado tiraram o maior barato da minha cara: “E aí, cadê o PCC, tá inventando notícia agora?”


Na época, o único colega da imprensa que levou a sério isso e decidiu ir atrás foi o Josmar [Jozino], que sabia como eu trabalhava e que não estava inventando uma história.


Nesse episódio nós podemos ver com clareza como a mídia tende a acompanhar o discurso da autoridade…


F.S. – Aquele foi um momento muito decepcionante para mim, porque a gente não está falando só da mídia, a gente está falando de pessoas que me conheciam, conheciam o meu trabalho, sabiam como eu trabalhava e se curvaram à palavra do então secretário e depois do Mário Covas.


O governador entrou ao vivo com o Zé Paulo de Andrade, porque a Rádio Bandeirantes abraçou também e eu passei a fazer matéria para a TV e para o rádio. O Zé Paulo mandou ligar no meu celular e a gente fez uma conversa a três no ar e o Mario Covas foi gentil, dizendo que eu era uma grande repórter, que ele gostava muito das minhas matérias, mas que, no caso, alguém me teria levado ao engano. Não foi tão grosso como o Secretário, mas ele disse: “Alguém te levou ao engano. Essa facção não existe. Eu já falei com o meu secretário, com diretores de cadeia, então a população pode ficar sossegada que isso é uma invenção”. Eu me lembro de ter dito: “Governador, o tempo vai dizer. Eu acharia mais sensato o senhor ir atrás dessa história e acabar com ela enquanto é pequena do que fingir que não existe”. Ficou até um bate-boca entre mim e o Covas lá na rádio, mas eu tinha certeza do que estava falando. A partir daí, eu passei a fazer várias matérias. Passadas duas semanas dessa reportagem que eu coloquei no ar, me chegou via Sedex, sem remetente…


Como é que pode chegar Sedex sem remetente?


F.S. – Você pode pôr remetente falso, como era o caso. Não existia aquele remetente, não era verdadeiro. Então eu recebi aquele material e era o estatuto do PCC, aquele primeiro, escrito a mão.


Mas ele veio escrito a mão?


F.S. – Escrito a mão.


Copiado na cadeia por alguém.


F.S. – Não, acho que foi o estatuto inicial. Era ainda o primeiro estatuto que foi feito e distribuído entre eles, com a letra do Geléia, na época.


Mas o mesmo papel? Aquele papel de 1993 estava circulando ainda e foi mandado…


F.S. – Estava circulando numa folha de papel almaço que era xerocada e distribuída. Eles dizem que até hoje existe o original disso.


Pensei que a senhora estava com o original.


F.S. – Não, o original ainda estaria com algum detento ligado à primeira chefia do PCC. E junto [ao Sedex], uma carta. Escrita a mão, canetinha Bic, explicando o que era o PCC, que era uma organização que tinha a intenção de defender os direitos dos presos.


Passados dois dias que esse material chegou, me ligaram na redação e eu fui atender. Era uma mulher que se identificou como mulher de um dos presos líderes do PCC na época e falou que o marido dela é que tinha me enviado o material, que o remetente não era o verdadeiro.


Eu não pus logo de saída o material no ar. Eu queria buscar mais para ver até onde aquilo era verdade, se era um trote, quem tinha mandado, e aconteceu da mulher me ligar. Ela disse que o marido tinha mandado, que era o estatuto original feito no presídio de segurança máxima de Taubaté, onde o PCC nasceu, e a gente colocou no ar. A partir daí, acho que eu fiz mais umas duas mil matérias sobre o assunto e outras pessoas começaram a fazer também.


Eu me lembro de um episódio muito legal que eu coloco no livro, muito divertido. Passado um ano da minha insistência em dizer que o PCC existia, teve uma outra rebelião, não no presídio de segurança máxima, no outro, de Hortolândia, e eu fui cobrir essa rebelião. Pela primeira vez, o PCC mostrou o nome dele publicamente depois das minhas reportagens. Pegaram um lençol e escreveram “PCC” e hastearam no topo da cadeia, no exato momento em que o mesmo secretário da Administração Penitenciária, João Benedicto de Azevedo Marques, chegava com seus seguranças para tentar negociar o controle da rebelião.


Quando o secretário chegou todo mundo foi para cima dele e os caras hastearam a bandeira. Então eu perguntei: “Secretário, aquilo lá também é invenção minha?” Ele olhou e respondeu, gravando, inclusive: “Minha filha, bandeira existe até em escola de samba”. Eu acho que esse episódio retrata muito o descaso do governo com o que estava acontecendo nas cadeias.


Nessa altura do campeonato, a mídia, seus colegas, estavam…


F.S. – Foi nesse dia, com a bandeira hasteada do PCC, que os colegas deram matéria sobre a facção.


A senhora se lembra em que dia ou ano foi isso?


F.S. – Já era 1997. Foi a primeira vez que a mídia acreditou no que eu estava falando e começou a falar de PCC, do que seria o PCC. Depois dessa bandeira, o Fantástico fez uma matéria, acho que um ano e meio depois da minha denúncia, viu que eu não estava mentindo, foi atrás e fizeram num tom de “O Fantástico descobre”, como se fosse uma total novidade, como é comum da Globo, não aceitar que tomou furo de ninguém. Eles fizeram a matéria como se fosse uma coisa absolutamente nova, que ninguém houvesse falado, como se a TV Bandeirantes não existisse, durante um ano, colocando matérias no ar.


Como a senhora analisa a atitude da imprensa, da mídia? O Observatório da Imprensa tem dito sistematicamente: uma coisa não existe desligada da outra, nem bandido, nem autoridade, nem nada. A mídia é um tecido que liga tudo isso. Não tem nem como não ser assim. Como a senhora analisa a atitude da mídia em face dos bandidos e das autoridades?


F.S. – Na verdade, eu também faço parte da mídia e, em alguns momentos, mesmo sem querer, a gente acaba errando. Eu acho que o maior problema é quando você, por querer, acaba errando.


O que isso significa?


F.S. – Significa você, de alguma forma, compactuar com as autoridades. Você saber que existe alguma coisa errada, mas fingir que não vê para conseguir manter sua fonte e ter as informações em primeira mão. Nesse sentido, você vê pouca matéria contra a polícia, mostrando a realidade da polícia, o envolvimento da polícia com os bandidos, o que é uma coisa pouco questionada em São Paulo e no Rio, como se fosse normal. São poucos os repórteres que fazem matéria de polícia e não para a polícia.


No episódio do PCC, é até deselegante para mim, que também faço parte da mídia e também já errei, o que a mídia fez foi cometer um grande erro. Não é “super”-ego, não, mas acho que se eu tivesse sido ouvida naquele momento, se o resto da mídia tivesse dado essa força para que o PCC estivesse rapidamente em todos os jornais, revistas e rádios, o governo teria se mexido, teria trabalhado com mais empenho, não teria fingido que era simplesmente um problema que não existia. Tenho certeza absoluta que se o PCC tivesse sido combatido naquele momento, em que ele tinha 700 homens, ele não chegaria a ter 130 mil.


A senhora acha que ele tem 130 mil?


F.S. – Absoluta certeza.


A informação que eu tenho não é essa. É de que ele tem um certo número sob controle, até compulsório, em casos em que a pessoa, se não obedecer, pode sofrer represálias, mas não existe essa coisa de ter um exército de 130 mil homens.


F.S. – O Estado tem tão pouco domínio sobre o PCC hoje como tinha no início dele, quando desprestigiou a realidade. Hoje, você tem uma coisa muito alarmante do PCC, mais do que o PCC na cadeia, é o PCC aqui do lado de fora. Nós tivemos ataques aqui em maio, na maior cidade do país e, de repente, você via brotar PCCs de todos os cantos. Camicases saindo às ruas das favelas, dos bairros, de todos os pontos de São Paulo, dispostos a atacar e a seguir uma liderança. Isso me parece mais organizado que o Estado, que não tem liderança sobre sua própria polícia. Não há essa organização dentro da polícia, mas há entre os bandidos.


O próprio Estado, após os ataques, demorou a reagir. No 17° ataque [em 2002, não em 2006, esclarece Fátima Souza em mensagem eletrônica recebida em 21 de janeiro de 2006], eu estava na porta do DEIC e o diretor do DEIC, Godofredo Bittencourt, olhou para minha cara e disse: “Não há nada que comprove que há relação dos ataques com o PCC”.


Isso é não enxergar absolutamente nada ou fazer um jogo sujo, como fizeram quando morreram 111 e anunciaram que eram 11 até às cinco da tarde, quando terminou a eleição [refere-se ao massacre do Carandiru, em 2 de outubro de 1992]. O diretor do DEIC, que é o departamento responsável pela investigação do PCC, dizendo sobre o 17° ataque na cidade de São Paulo, que já começava a ficar assustada, que não havia prova nenhuma de que era o PCC ou, muito menos, que houvesse relação entre os ataques, que poderiam ser coisas isoladas, é, no mínimo, uma piada.


Existe aí a famosa “dissonância cognitiva”, um personagem é o Godofredo Bittencourt, na porta do DEIC, dizendo para a repórter que não tem nada disso e o outro, no Congresso Nacional, dizendo que é isso mesmo e pior até. O que acha disso?


F.S. – Para dar um exemplo, jornalisticamente falando, se você mandar um jornalista ir fazer uma matéria, o cara pode trazer um grande resultado, se empenhar, ir lá, fuçar e trazer uma boa matéria, ou pode ir e fazer o trivial: ouvir autoridade, passar em frente à delegacia, fechar o material dele e sair cedo da redação.


No caso do Godofredo Bittencourt, ele fez uma materiazinha e saiu cedo da polícia. Ele não fez uma grande investigação sobre o PCC. Então, a [Delegacia de] Roubo a Banco investigou e quando eles levaram a sério, e durou, custou muito, porque o PCC só foi levado a sério pelo Estado e investigado pelo Deic em 2002, quando aconteceu a megarrebelião.


De 1997, quando eu detectei a facção, a 2002, faça as contas para ver quanto tempo passou para que realmente eles falassem: “Agora vamos criar uma delegacia para cuidar do PCC”, “O PCC parou 30 presídios, então agora não dá mais pra dizer que ele não existe”. Só que, quando eles disseram “Agora vai ser sério”, eles tiveram sete anos mais os dois em que eles já existiam para se articular, crescer, ter liderança, telefone na cadeia. Na megarrebelião, eu fiquei online com o César em um celular e com o Geléia, no outro, me passando informações: “Caiu cadeia tal. Agora nós vamos derrubar tal cadeia. Conta dez minutos que está rebelada”. E, em 10 minutos, estava rebelada. O PCC já era grande, tinha celulares, caixa, rifa, tudo o que agora todo mundo fala.


A polícia demorou para se tocar da existência. Em 2002, montou essa delegacia e passou a trabalhar, catalogar, saber quem era quem, quem eram os líderes. Houve um espaço de tempo muito grande para que isso acontecesse. Quando eu digo que eles investigaram de forma não total, é exatamente isso. Ali já era tarde, já tinha uma facção grande, um domínio grande dos presos, o PCC já era grandíssimo aqui na rua, com mais de três mil homens. A batalha foi mais difícil.


A senhora concorda com a visão de que existe um grupo de jornalistas que se aplicam, se empenham em mostrar que o problema existe, é grande, tem que ser encarado? Eu noto algumas matérias que têm esse sentido. Por exemplo, outro dia saiu uma matéria que dizia “PCC já treina esquadrão feminino”.


F.S. – Eu fiz essa matéria do esquadrão feminino do PCC em 2003. Em 2003, o PCC começou a dominar as cadeias femininas de São Paulo, a ter representantes femininas. A Maria do Pó se aliou ao PCC, a Loira se aliou ao PCC. Começou a ter nomes de bandidas famosas que se aliaram ao PCC e a ala feminina começou a crescer muito. Hoje, nas cadeias, você tem as rebeliões femininas exatamente como as masculinas, com o PCC nas bandeiras, pintado no chão, mas ainda são subordinadas ao comando masculino, porque só tem homens na chefia do PCC. Hoje não existe mais essa distinção. Não é mais novidade as mulheres serem do PCC.


As mulheres, aliás, têm grande importância para o PCC. Tem um capítulo do meu livro que fala sobre isso, a importância que elas tiveram no leva e traz, as mulheres dos presos levando e trazendo informação.


E o Ministério Público? Teve a mesma atitude que a polícia?


F.S. – O Ministério Público, tão logo eu fiz a denúncia da existência dessa facção, me procurou através do Dr. Gabriel Inela, pedindo todos os detalhes possíveis da situação. Eu entreguei para ele cópia de tudo, o dossiê que eu tinha com mais de quinhentas páginas e ele foi adiante, visitou as cadeias, se certificou da existência da facção e enviou a um juiz, pedindo abertura de inquérito, e o juiz, que disseram ser amigo do governador, mandou arquivar o material. Então, ele até tentou, mas a Justiça também não acreditou e o material foi arquivado.


Depois disso o Ministério Público ficou parado?


F.S. – O Ministério Público tentou de novo, foi arquivado novamente e o que eles fizeram depois foi dar o meu dossiê para a Globo para eles fazerem a matéria no Fantástico.


Que matéria?


F.S. – Aquela inicial de que eu falei. Então, só em 2002 o Ministério Público entra de novo no cenário com o Dr. Marcos Christino, Roberto Porto, que começam junto com a Polícia a investigar o PCC.


E como está hoje a imprensa? Está mais alerta, mais lúcida?


F.S. – Em relação ao PCC, está, sim. Mais alerta, mais lúcida. Ainda tem alguns repórteres que continuam sabendo que é importante a gente bater esse martelo, já alguns não. Eu acho um absurdo, por exemplo, a Rede Globo, a maior emissora do país, com o maior ibope, proibir dentro da redação a palavra PCC. Eles não colocam mais essa palavra no ar. Eles tratam de “quadrilha que atua nos presídios”, como se isso fosse resolver o problema.


Isso é uma coisa controvertida. Eu fiz um debate agora no Rio [a ser publicado nos próximos dias no Observatório] e uma das pessoas, o ex-secretário do Sistema Prisional de lá [Astério Pereira dos Santos], que é veterano, disse que para ele era bom isso, mas ele estava falando do Rio. Disse que os bandidos do Rio são tão carentes, tão miseráveis que eles precisam desse reconhecimento de facções até para crescer um pouco.


F.S. – Eu acho isso um discurso furado de um governo que quer esconder a realidade. Tanto faz São Paulo, Rio de Janeiro. Há quanto tempo existe o Comando Vermelho?


Há trinta anos ou mais.


F.S. – Pois é, se você falar ou não falar deles na mídia, eles vão continuar existindo, trabalhando na calada, nos morros. Sabe aquela história “Quando alguém for seqüestrado nós não vamos dar a notícia”? Você quer coisa mais cômoda para o governo do que se Silvio Santos for seqüestrado a gente não der a notícia? Quer melhor presente para o governo do que esse? Por que não? Porque coloca em risco a vida do homem? Tudo bem, você pode não dar notícias da negociação, para não colocar em risco a vida de quem está seqüestrado. Agora, fingir que não há um seqüestro, omitir da população? […Referência suprimida a um seqüestro em andamento...] O que a gente ganha com isso? Vamos deixar a população ignorante porque essa sempre foi a função do Estado? Então, eu pergunto: a Globo tratar o PCC como “uma quadrilha dentro dos presídios” ajudou em quê, em resultados práticos? O que a gente conseguiu não falando o nome deles? Não é melhor a gente falar, mostrar para o público que existe, deixar a sociedade saber da verdade?


E cobrar das autoridades…


F.S. – Para as autoridades é absolutamente cômodo. Não se fala mais em PCC, a população pensa que já não existe mais, que ele está fraco, quietinho dentro da cadeia. E você sabe como é a classe média, se estiver na cadeia, se estiver morrendo só lá dentro, tudo bem. O problema é quando sai aqui para fora. Então, se o Estado fingir que essa facção está dominada, que está só lá dentro dos presídios matando um ao outro, é cômodo para eles que enganam a população aqui fora.


Em maio, quando o PCC atacou, todo mundo dizia: “Óóó”. Caiu a ficha. O PCC existia há tantos anos e ainda não tinha caído a ficha da população, porque era coisa de preso, eles que se matem lá e nós não temos nada a ver com isso. Para o governo é interessante continuar fazendo essa falsa imagem. Não faz nem um ano que nós tivemos aqueles atentados terroristas aqui em São Paulo e o PCC tem capacidade para fazer de novo a hora que quiser.


Eu tenho certeza que o que houve foi uma negociação que está em vigência até agora.


F.S. – Com certeza.


Inclusive esse casamento do Marcola, que é controvertido, porque tem gente que diz que é normal, tem gente que diz que é anormal, mas para mim sinaliza acordo, contemporização.


F.S. – É verdade que já se casaram outras pessoas dentro do presídio e o próprio Marcola, é o segundo casamento dele preso. No primeiro, ele estava preso em Araraquara e casou com Ana Maria Olivatto, que também era advogada [ela foi assassinada].


Tudo é uma questão de postura, de ter mão firme ou não. Se eu sou o governo do estado, poderia agir de duas maneiras: deixar o Marcola casar com propagandas nos jornais, deixar a noiva entrar vestida de noiva e dar beijinho na boca, trocar aliança, ou dizer: “Você quer casar, você casa no cartório. Assina o papel e ponto. Isso aqui não é sua casa”. Pode até ser normal, mas nós estamos falando de um líder de uma facção que pôs o dedo na cara do delegado da [Delegacia de] Roubo a Bancos [Ruy Ferraz]. O Marcola falou para o Godofredo Bittencourt, dentro do Deic, quando o Bittencourt foi pedir “Marcola, pelo amor de Deus, vamos parar com esses ataques”: “Sinto muito, doutor, agora não dá mais para voltar atrás”. É desse cara que nós estamos falando.


O argumento que eu ouvi e que me parece muito sério é que pode até ser normal que haja casamentos no sistema prisional, mas que isso não andou saindo nos jornais, como no caso de Marcola.


F.S. – Você lembra de ter visto algum outro casamento nos jornais?


Eu não me lembro.


F.S. – No meu livro, eu conto alguns casamentos, do Geléia, que casou dentro da Casa de Custódia de Taubaté, trocou alianças, mas não era o chefe de uma facção criminosa. Era o Geléia, preso comum e não saiu em nenhum jornal.


Pelo fato de eu ter sido a primeira a denunciar e a colocar no ar, eu passei a ser procurada pelos integrantes do PCC. Durante muitos anos eu falei com vários deles pelo telefone, que é a coisa mais fácil dentro da cadeia. Eu conto esses fatos curiosos, os episódios engraçados, tristes, mas sempre com realidade, nome, data. Só posso te garantir uma coisa: no meu livro, não tem absolutamente nada daquela ficção inicial do secretário. Tudo o que está lá é absolutamente verdadeiro, é absolutamente o que aconteceu, o que acontece. Ele é atual, vai até os ataques de maio. Aliás, até os ataques de maio, julho e agosto do ano passado. Já estou escrevendo o segundo, porque o PCC, como eu previa, continua investindo. E tem material para o segundo livro.


(Transcrição de Raiana Araújo Ribeiro.)

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  1. Comentou em 15/01/2007 Alexandre Carlos Aguiar

    O leitor/bancario Nelson Perez de Oliveira Junior tem razão, quando sugere uma melhor explicação de que governo estamos falando. O tal ‘apagão aéreo’ proporcionou à midia um ‘eu já sabia’ ensaiado já desde antes das eleições. Qualquer estúpido, ou criança com menos de 5 anos, percebeu isso. A pancadaria em Lula e em seu Ministro da Defesa foi incansável. Durante as chuvas desse fim/começo de ano, onde até acidente ambiental com mineradora houve, os governos estaduais, que pouco ou quase nada fizeram em relação à infra-estrutura necessária, com o intuito de diminuir os prejuizos, foram poupados pela mídia. A honesta (?) mídia brasileira não tocou em nenhum nome de prefeito ou governador. No acidente em São Paulo, onde se percebe claramente uma responsabilidade dos governos municipal e estadual, todos os jornais e televisões focaram apenas o problema em si, sem falar em apagão do Metrô, apagão do Serra, do Kassab, ou coisa assim.
    Então, é essa isenção que se quer, apontar todos os culpados, mas todos mesmo, sem distinção de bandeiras.
    A insegurança no país é culpa de quem? Do pobre que mora nas periferias e é punido por morar em condições sub-humanas? A classe média, que pouco faz pelo país e exige muito, tem qual participação nisso tudo? Aí, um belo dia aparece uma jornalista com Síndrome de Lois Lane, dizendo que só ela sabia da existência do Superman, ops, do PCC.

  2. Comentou em 15/01/2007 Marnei Fernando

    O jornalista Eduardo Guimarães faz um importante, esclarecedor e intrigante artigo sobre a manipulação da informação nas midias educativas… Escandalosamente infestada de tucanos e seus lambe botas… mas esse post você jamais verá na capa do Observatório da imprensa… pois esse veículo também faz parte dessa mesma organização paulista subserviente ao PSDB… http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?msg=ok&cod=415JDB004&

  3. Comentou em 15/01/2007 Aloísio Morais Martins

    Não é apenas a Rede Globo de televisão que omite o nome ‘PCC’ em suas reportagens. Pelo visto, houve uma combinação entre a chamada grande imprensa para não supervalorizar o PCC. As agências de notícias do país, por exemplo, só chamam o PCC de ‘facção’ criminosa. Tentam jogar o lixo para debaixo do tapete ao omitir o nome da organização. E acham que os leitores/telespectadores e/ou ouvintes são uns bestalhões – como achavam durante a campanha eleitoral. Parabéns, Malin, por mais esta bela e oportuna entrevista.

    Aloísio Morais Martins – Belo Horizonte

  4. Comentou em 14/01/2007 Armando Tambelli

    Três comentários feitos em seqüência pelo leitor foram transformados em tópico do blog. Ver ‘Leitor conta história dos ´estatutos´do PCC‘.

  5. Comentou em 14/01/2007 Armando Tambelli

    continuando… Estes presos temiam de, certa forma, cair no regime ‘duro’ comandado por ninguém menos que o diretor que permitiu o massacre e que tinha sido transferido para lá. O Massacre do Carandiru representou um divisor de águas para os presos e para quem trabalhava com eles sob qualquer pretexto, fosse agente do estado ou de outras organizações. Até hoje faz parte do ritual de iniciação dos poucos que entram para a direção do PCC nas unidade em que eles predominam jurar não permitir que se repita um evento como aquele. É simbólica e é forte esta lembrança e os estatutos confirmam isto. Quando da pretensa publicação pelo deputado, as glosas (a mais importante das quais já citei) criaram uma certa confusão. O PCC existe e foi confirmado em 1995 e 1996 por visitas da Pastoral e de uma Comissão da OAB chefiada por uma advogada – brilhante aliás – que veio a trabalhar posteriormente na SAP. O relatório está arquivado e pode ser consultado. Um dos depoentes foi o preso conhecido como Geleião – que, transferido para o Paraná e posteriormente para o Rio de Janeiro disseminou os estatutos. Este preso era, como muitos outros, um preso de respeito pois tinha sobrevivido por mais de 20 anos no Sistema, o que não é coisa fácil e os torna líderes quase que naturais. Ainda em 1996, por declarações que dei a um jornal fui intimado a dar esclarecimentos em um inquérito aberto…continuo…

  6. Comentou em 14/01/2007 Armando Tambelli

    Prezado Mauro Malin
    Leio sempre e com muito gosto seus artigos neste Observatório e o objetivo deste post não é polemizar ou desdizer a entrevistada, ao contrário, aguardo com muita expectativa o livro a ser lançado para acrescentá-lo à muita documentação que possuo sobre o sistema prisional. Atuei em presídios do Brasil e de outros países entre 1985 e 2001, sempre como agente de pastoral carcerária da Igreja Católica e tive a oportunidade de conhecer interna e proximamente as condições em que se gestou o que conhecemos como PCC. O Partido – como é chamado pelos presos – tem duas ‘fundações’: uma imediata – no ‘Piranhão’ de Taubaté, única prisão de segurança máxima para penalização interna no Sistema Carcerário – até praticamente 1999 – em 1993; e outra em 1996 quando da publicação dos seus ‘estatutos’ no Diário Oficial do Estado, obra do deputado A. Jazadi presidente de uma CPI à época. Nesta publicação aplicou-se uma glosa que é a que fala do PCC em união com o CV para dominar as cadeias e o crime. Os estatutos originais forma concebidos no Pavilhão 7 da antiga Casa de Detenção de São Paulo e foram levados para o ‘Piranhão’ por um grupo que foi castigado com transferêcia após uma rebelião em 1993. Estes ‘estatutos’ como muitos outros que existem de muitas outras organizações de presos, faziam parte de uma reação ao massacre de 1992. Se vc permitir continuo em outro post.

  7. Comentou em 14/01/2007 nelson perez de oliveira junior

    Sr. autor, supeito sim pois quem escreve deve conhecer minimamente as regras do português. O substantivo governo é derivado do verbo governar que por ser transitivo direto pede complemento que no caso é um complemento nominal. Se o tal governo fosse o de LULA o complemento nominal seria mais ou menos assim:O GOVERNO PTISTA DE LULA. Não acredito em atos falhos e parafraseando DINES, nestes tempos de entressafra de notícias, eu acho que há mais tempo para elaborar o texto inclusive com mais cuidado e honestidade
    nas informações evitando o açodamento e que haja confusões para quem quer ler e entender o que bem entende em se tratando de quem é o GOVERNO. Além disso eu acho que os paulistas eternamente iludidos pelo PSDB devem saber quem são os ‘gerentes’ e ‘administradores’ que eles acham que têm e ver o que eles escondem por debaixo das suas administrações ou debaixo das cidades que governam, vide a tragégia do METRO, e tem empreiteira COLLORIDA debaixo disso também. PSDB O PARTIDO DO DESMANCHE. Por favor autor, faça como todos os seus colegas, complete a notícia , ponha que foi o GOVERNO DO PSDB DE SÃO PAULO.

  8. Comentou em 14/01/2007 Ibrahim Cruz

    Aguardo esse livro. Excelente trabalho, Fátima.
    Faltam jornalistas assim na classe.

  9. Comentou em 14/01/2007 Juliana Sodré Sodré

    ESSA REPORTAGEM, COMO TANTOS OUTROS CASOS QUE ACABAM SENDO DESVENDADOS ALGUNS ANOS DEPOIS, SÓ ESCLARECE AINDA MAIS POR QUE HÁ TRÊS ANOS TENTO PESQUISAR EM UNIVERSIDADES FEDERAIS E PARTICULARES (MESTRADO) COMO A MÍDIA INFLUENCIA O MEDO DAS PESSOAS E NÃO CONSIGO ENTRAR! CONSIGO AQUI O EMAIL DA FÁTIMA SOUZA? O MEU É jusodre@yahoo.com.br

  10. Comentou em 13/01/2007 nelson perez de oliveira junior

    Eis um exemplo de forma e conteúdo. No primeiro parágrafo se escreve’… O governo fez questão de desmenti-la publicamente…’ Em um país em que GOVERNO, para o mal e para a IMPRENSA, é governo federal, um jornalista não dar nome aos bois é cinismo, incompetencia e indução ao erro. Por que não esvrever GOVERNO PAULISTA, será que custa tão caro usar mais espaço para dar nome aos bois? Ou será que criticar o PSDB, que não é bom em segurança em investimento, em pagar melhores salarios, mas é bom em impostos, em vender estatais a preço de banana e também é bom em construir obras que desabam a despeito de irregularidades apontadas pela população. Cadê o PSDB nas enchentes em SÃO PAULO E MINAS? Mas eles são bons de mídia, moro em MINAS e não entendo e nem vi o motivo de AÉCIO ser reeleito, não fez nada nada fez e em nada foi criticado, governa para uma elite silenciosa que domina a economia mineira.

  11. Comentou em 13/01/2007 ubirajara sousa

    ‘Para um exemplo recente, ver que o governador de Mato Grosso do Sul por oito anos foi Zeca do PT. E a barra criminal em Mato Grosso do Sul é muito mais pesada do que supõe a nossa parca informação.’ Diante de tal afirmação, em comentário ao questionamento do senhor Pedro Franchi Nunes, será que daria para o nobre articulista estabelecer um paralelo entre as violências: MS X RJ; MS X SP? Gostaria de um artigo a respeito, bem fundamentado, que pudesse levar-me à conclusão de que é um fato a sua observação. Sei que estou pedindo muito. Afinal, quem sou eu para ‘exigir’ uma matéria esclarecedora desse tipo. Mas, sem querer ofender: estou apenas exercitando um direito. Sempre baseio as minhas convicções em fatos. Um abraço.

  12. Comentou em 13/01/2007 jose carlos lima

    Acerca do artigo do Alon publicado em seu blog ( http://blogdoalon.blogspoto.com ) sobre a aproximação PSDB-PT com as quais fiquei em dúvida. Tirei a dúvida ao ler o Luis Nassif. Segundo ele, os governadores eleitos, como, por exemplo, Serra e Aécio, têm o maior interesse em compor com Lula, até mesmo face a demanda que suas administrações exigem. Nassif completa sua análise dizendo que, quanto a FHC, Bornhausen, Tasso Jereissati e outros sem cargo, não tendo outra opção, partirão para a guerra contra Lula. Por sinal uma guerra permanente. O título do artigo de Luis Nassif é ‘Os Senhores da Guerra.’ Kakakakakakakaka

  13. Comentou em 13/01/2007 Marco Costa Costa

    O Partido do Conluio do Consumo comanda a criminalidade em todos os
    níveis. Neste pacote estão envolvidos todos os setores da atividade produtiva e
    congêneres. O PCC tem ramificações na Imprensa, Judiciário, Legislativo,
    Executivo e assemelhados. A atividade fora da LEI rende muito dinheiro, o qual é
    revertido em armas, drogas e lavanderias espalhadas pelo planeta. Uma das
    atividades mais envolvidas com o crime organizado é a imprensa, a qual depende
    de notícias para alimentar os cofres de seus patrões e, pôr medo na população
    através do terror. A população fica acuada em seus domínios acreditando que no
    Brasil só existe marginais fora da LEI. Este quadro se apresenta justamente para
    que os bandidos do colarinho branco e os pés de chinelo da periferia ganhem o
    pão de cada dia, sem que haja uma força contraria para que possamos acabar com a
    bonança desta marginália.

  14. Comentou em 13/01/2007 Eudes Araujo Araújo

    Enviei um comentário e não foi publicado. Gostaria de saber qual o motivo.

  15. Comentou em 13/01/2007 william guimaraes souza

    Políticos vivem de imagens. Políticos não vivem da verdade. Os que
    viveram da verdade ( Cristo, Gandhi, Sócrates) pagaram com a vida. Neste mundo
    louco onde as pessoas só enxergam os pêlos dos próprios narizes, desde tempos
    remotos, a verdade, a ética e a honestidade parecem não combinar com poder e
    riqueza. De quem é a culpa pela violência? Do cinema que vende imagens de
    sangue? Da TV que coloca a bolsa de valores, o materialismo e a ambição acima de
    qualquer outro valor? Da sociedade que vota mal? De alguns políticos, que
    procuram bodes expiatórios na escala hierárquica inferior, para lavarem suas
    sujas imagens? E a família? Não existe mais família? Cadê os pais? Talvez tenham
    ido obedecer às leis do mercado, as ‘magníficas’ leis do mercado, defendidas a
    unhas e dentes pela grande mídia, leis tais que tomam o tempo demais dos pais,
    que roubam o carinho que os filhos poderiam receber deles, que lançam no mundo a
    propaganda de que as pessoas só vivem bem se tiverem mais e mais,
    insaciavelmente mais dinheiro e poder. O PCC é cria desse sistema todo. Ele
    arrebanha acima de tudo os órfãos de amor da sociedade moderna, aqueles
    mesmíssimos que sonham em ser os heróis de metralhadoras na mão que assistimos
    nas telinhas ‘ingênuas’. Não adianta discutir mais nada. É preciso mudar tudo.
    Para o nosso próprio bem.

  16. Comentou em 13/01/2007 Marco Tognollo

    Boa entrevista. Pena que só vamos conseguir lê-la por aqui. A mídia
    não oculta só o PCC; o relatório da ONU sobre a polícia de São Paulo divulgado
    há poucos dias também foi ‘esquecido’. Tenho lá minhas dúvidas. Se o estado
    fosse governado por um outro partido durante todo o período de ‘amadurecimento’
    do PCC, se a postura da mídia tivesse sido outra….. O PCC, antes de ser um
    problema de segurança pública, o é de administração penitenciária, ou seja,
    responsabilidade exclusiva dos governantes que administraram (??) o estado. Se
    não houvesse tanta corrupção nas prisões, não haveria essa facção. Malin, quanto
    ao fato do crime organizado em MS ser ‘barra pesadíssima’ concordo contigo. E o
    que falar de outro ente federativo de mesmo nome, mas sem o ‘SUL’, que tem até
    um ‘nobre’ senador – não preciso dizer o nome, né? – envolvido com o crime
    organizado?

  17. Comentou em 13/01/2007 Luiz Antônio Puton

    Uma coisa tem que se ter como fatos conectados: para crimes
    prosperarem, só com conivência de pessoas ligadas ao poder judiciário (polícia,
    promotoria, juízes, etc.) que são as que punem as contravenções. Fazer de conta
    que isso não é comum, é enganar-se a si mesma. Mais do que isso não é necessário
    comentar.

  18. Comentou em 13/01/2007 ROSANGELA SOUSA

    COMO E BOM SABER POR MEIO DE
    FONTES COMO A FATIMA QUE OS RESPONSAVEIS PELA NOSSA SEGURANCA DAO DE OMBROS
    QUANDO O ASSUNTO E SEGURANCA. AS VEZES DA A IMPREssAO DE QUE QUEM MANDA SAO OS
    BANDIDOS,COMO NO FATO DOS ATAQUES EM SAO PAULO E O ESTRANHO E QUE NA EPOCA DAS
    ELEICOES NEM SE OUVIU FALAR EM PCC. PARECIA ATE QUE O GOVERNO DE FATO TINHA DADO
    UM JEITO NA FACCAO. MAS PODEMOS VER QUE JEITO MESMO QUEM DEU FORAM OS LIDERES
    DESSA FACCAO. MORO NUM LOCAL DE PERIFERIA ONDE TEM ALGUNS INTEGRANTES DO PCC, E
    A COISA MAIS NORMAL DE SE VER SAO POLICIAIS IREM ATE LA PARA RECEBER CAIXINHAS E
    FINGIR QUE NAO SABEM QUEM SAO OS VERDADEIROS BANDIDOS. E TRISTE E REVOLTANTE VER
    MEU PAIS ENTReGUE AS MAOS DE BANDIDOS INESCRUPULOSOS,E QUE MUITAS VEZES USAM
    GRAVATAS E ESTAO NOS MUITOS PALACIOS DE BRASILIA. SO ME CABE DIZER AQUELA FAMOSA
    FRASE, CLARO QUE MUDANDO O SEU FINAL: ‘SOU BRASILEIRO E JA DESISTI FAZ TEMPO’.
    ROSANGELA

  19. Comentou em 13/01/2007 Eduardo Soares

    Da mesma forma como surgiu o PCC, também, foi o Comando Vermelho criado pelo Gregório ( Gordo) e Escadinha quando estiveram presos na Ilha Grande. Juntar traficantes num mesmo local é dar a oportunidade para eles se fortalecerem.

  20. Comentou em 13/01/2007 Paulo Gonçalves Filho

    Mais uma vez fica claro que falar a verdade incomoda aos políticos. Todos eles, seja de que partido for. Os que estão em evidencia tremem de medo porque podem ser atingidos pela verdade, enquanto os que procuram a evidência evitam a verdade para não se comprometerem. E mais, organizados de fato, só os bandidos. A poíicia, os políticos, as autoridades de um modo geral, ficam escondidas atrás de suas mesas, esperando que o tempo mate a coragem e a irreverência dos bandidos. Que, dentro de muito pouco tempo, revelarão através de suas ações, que, de fato, estamos diante de uma guerra civil. O poder constituído, sem força e sem vontade, pensando unicamente nos seus benefícios, entregou o controle da sociedade, à porção mais violenta e sem rodeios da mesma. Aos que chamamos de homens de bem, que confiaram no poder constitudo, restará a sobra do banquete que ora está sendo dividido.

  21. Comentou em 12/01/2007 Patrícia Valiño

    É, uma verdade nua e crua na nossa cara: quando alguém finalmente descobre a sujeira, os políticos, com ajuda principalmente da Globo, varrem ela pra baixo do tapete, até fazer aquele ‘montinho’ no relevo. É que nem querer ocultar gravidez: só dura até o bucho começar a tomar forma. A questão é o que fazer com uma classe política que vê o problema, tem acesso a ele de antemão, e usa isso pra se proteger politicamente até a próxima eleição? Como votar?

  22. Comentou em 12/01/2007 Fabio de Oliveira Ribeiro

    O artigo é excelente. Uma prova cabal da vocação dos servidores públicos brasileiros remunerados com o dinheiro do contribuinte (inclusive as deidades judiciárias) são omissos, covardes e agem como os avestruzes ao menor sinal de perigo. Mas quando se trata de proteger seus cargos, salários, aposentadorias e dignidades os malandros se comportam como os tigres de bengala… No setor privado a ineficiência do empregado é punida com a demissão, a do empresário com a falência. No serviço público brasílico a ineficiência só gera promoções e aumentos salariais. Não precisamos de revoluções socialistas, mas um choque de capitalismo selvagem.
    Pagamos os salários destes caras, portanto, temos o direito dar um pé na bunda destes nossos servidores que se fazem de paxas e acham que tem o direito de ser servidos… a troco de
    sua inércia.

  23. Comentou em 12/01/2007 Calypso Escobar

    Sem babas na língua como a própria jornalista acima. Escrevi em um de meus comentários que o PCC está proliferado no governo, nas ruas, nas vizinhanças, não de dentro, cá fora no asfalto, é uma agremiação que tomou forma, pois ninguém acreditava no seu nascimento muitos anos atrás. Há um internamento no seio e quem pode movê-los está compromissado, portanto, a substancialidade é delirante. Por ora, grata. Calypso Escobar

  24. Comentou em 12/01/2007 Dante Caleffi

    A existência de facções criminosas, dentro ou fora dos presídios, dentro ou fora dos quartéis, dentro ou fora das delegacias, historicamente dividiu autoridades e jornalistas, ou melhor, os empresários da mídia. Estes, compadres ou aliados das autoridades políticas da hora, cumpriam o que os conchavos sugeriam. Nos anos ´60 e ´70, organizações como essas aterrorizavam uma parcela peculiar da população: oposicionistas políticos, intelectuais, artistas e estudantes. Formada por militares, policiais e voluntários sádicos, tiveram o acobertamento da censura,do sistema político vigente, e a colaboração de alguns veículos da tradicional imprensa brasileira. Curiosamente, o desinteresse histórico dos políticos, imprensa e intelectuais pela política prisional e repressão policial é clássico. Como se fora assunto de mau gosto, contagiante, para ser tratado por subalternos, ‘gentinha’. Esse prosaico traço da cultura nacional, de não se ocupar com assuntos que não seriam comentados em rodas de amizades e menos à sala de jantar, contribuiu que esse assunto tivesse menos importância do que a coleta ou o destino do lixo das cidades. A mesma indiferença com o crescimento das construções irregulares. As favelas. O transporte ‘clandestino’. Um Brasil paralelo, uma sociedade paralela, leis paralelas. Resta optar: em qual deles queremos viver?

  25. Comentou em 12/01/2007 cezar pereira

    Excelente relato, excelente vivência. Nada como um observador dos fatos, ainda mais quando os fatos mostram previsões que se concretizam. Acredito que, em todos os relatos, os fatos possam ser cruzados e comprovados. Assim sendo, não há argumentos contrários que possam se sustentar.

  26. Comentou em 12/01/2007 Alexandre Carlos Aguiar

    Alguns jornalistas acreditam (de crença mesmo, de exacerbação da fé) que os leitores, ouvintes e telespectadores espalhados pelo país são ingênuos, tontos e néscios, pois não conhecem os meandros da cafajestada nacional dos governos. Levantam essas teses miraculosas e ensaiadas ninguém sabe de onde, de que ‘há algo de podre nos governos, na polícia, entre os empresários, e no comando das redações de empresas de midia’, e alertam-nos que a intenção dos ditos organismos do poder é esconder certas mazelas, cujo conteúdo tenha algo de algum interesse próprio, e nos passam a versão de que só eles, os jornalistas, sabem disso.
    Ora, é óbvio que existem esses interesses, é evidente que alguém de fora das cadeias lucra com isso, está estampado nas entrelinhas que todo mundo sabe, ou sabia, da existência das gangues do PCC. E ninguém tomou as devidas providências por puro interesse. Em qualquer país do mundo, qualquer um, onde há lei e justiça, um grupo como o PCC jamais existiria. Eu disse ‘num país onde há lei e justiça’, o que não é o caso do Brasil. Aqui, se duvidar, não há nem governo, pois os deputados, juizes, senadores, e até o presidente aproveitam a melhor hora para tirar férias.
    E os jornalistas acreditam que a leitorândia não sabe de nada disso. É mais uma para querer ganhar dinheiro com a nossa suposta ignorância.

  27. Comentou em 12/01/2007 Daniel Braga

    Trabalho jornalístico de altíssimo nível, esmiuçando uma realidade enigmática para mim e para muita gente.

  28. Comentou em 12/01/2007 Santa Imbecilidade

    Quanto a essa história de não dizer o nome do PCC, só me lembro dos livros do Harry Potter, em que todo mundo morre de medo de dizer o nome do Voldemort. Me lembra também a cruzada dos fundamentalistas nos Eua contra a educação sexual, como se não falar sobre masturbação fosse impedir os adolescentes de bater bronha.

  29. Comentou em 12/01/2007 Gilberto Menegoli

    Realmente, eu me lembro muito bem destes fatos, foi pouco antes de eu sair de SP e ir para a Bahia. O crédito tem que ser dado e, embora seja uma prática constante hoje em dia.
    Agora é vergonhoso o papel da imprensa, acho que o velho Barbosa deve estar se revirando no túmulo envergonhado pela atitude de seus ex-colegas(ainda bem) de profissão.
    Só tenho uma coisa a dizer …
    É DEPLORÁVEL!!!!

  30. Comentou em 12/01/2007 altair dias

    Fatima Souza é uma das melhores jornalistas deste pais ,e mostra com muita facilidade para nós que vivemos em uma guerrilha que é escondida pelos governos em especial Covas e Alkimim, traz à atona o desmazelo com a segurança e as mentiras dos politicos profissionais, que com isto ganham muito. É HORA DAS PESSOAS DE BEM REAGIREM,OBRIGADO.

  31. Comentou em 12/01/2007 Wilkner Anderson

    Fiquei impressionado com essa entrevista, pelas diversas informações que ela contém, está perfeita! Fátima Souza, não te conhecia, mas parabéns pelo seu trabalho. Estou interessado no assunto, irei comprar seu livro, tenho certeza que está de ótima qualidade e rico de dados verídicos. Nesse momento comprei o novo livro do Percival de Souza – PCC e outras siglas. Assim que terminá-lo irei ler o da senhora, para confirmar as informações de duas grandes personalidades jornalísticas do país. Fiquei admirado com sua entrevista, virei seu fã. Admiro o trabalho dos jornalistas investigativos. Boa Sorte.

  32. Comentou em 12/01/2007 Douglas Carpegian

    Gostaria de parabenizar a repórter Fátima Souza pela reportagem e pela coragem de colocar na mídia esta situação tão ridícula que passa não só o governo paulista mas todos os governos brasileiros, e incentivá-la a continuar com estes tipos de matérias… Parabéns

  33. Comentou em 12/01/2007 Pedro Franchi Nunes

    Infelizmente a imprensa de São Paulo foi omisssa e continua sendo, acho que ela foi cooptada pelo PSDB, portanto, é uma das grandes responsáveis pela situação de penúria que passa o Estado em todas as suas áreas de atuação, tais como: Segurança, Educação, Saúde e as demais. A imprensa de São Paulo precisa se renovar e ter autonomia independentemente do partido que governa o Estado, pelo bem da democracia.

  34. Comentou em 12/01/2007 Augusto Santana

    Discordo da jornalista. A midia e as autoridades deram muita importância ao PCC. No período pre-eleitoral tentaram desesperadamente deixar a criança no colo do Lula, como a população não foi nessa onda e os índices do Alckmim não decolavam, desistiram da estratégia e o PCC sumiu da campanha do PSDB.

  35. Comentou em 12/01/2007 Sergio Athayde

    Precisamos ter um olhar mais profundo sobre a economia neoliberal. Nesta fase do capitalismo, o mundo informal, de todos os tipos, pode estar sendo uma das principais ferramentas para a busca da megaacumulação. O capitalismo precisa ultrapassar a sua atual crise. Logicamente, a banda mais ilegal da informalidade é a que proporciona a maior lucratividade do sistema, imperiosa para sua reprodução. Só poderemos dar um efetivo combate ao narcoterrorismo se soubermos quem está por trás dele. Que convenhamos, o PCC é só o seu lado visível, armado. É possível que a invasão do Afeganistão não tenha sido só por causa do petróleo, mas por causa das drogas também. E gente próxima de Bush está atolada num problema sério de drogas no México. Precisamos saber mais. Esta guerra será londa e vencerá quem conhecer mais o que esta fazendo e como o outro lado realmente é e age.

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