Quinta-feira, 21 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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Repórter não aconselha: apura

Por Luiz Weis em 17/05/2005 | comentários

Ao negar enfaticamente nesta tarde, da tribuna da Câmara, qualquer participação no esquema de propina nos Correios, denunciado pela Veja com base numa fita de vídeo a que teve acesso, o presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson, criticou o autor da matéria, Policarpo Júnior, por alegados erros factuais do texto (sobre os cargos do partido no governo) e por ter entrado de gaiato – palavras minhas, não dele – numa armação montada por interesses comerciais contrariados.

Mas o alvo principal de Jefferson foi o repórter Expedito Filho, ex-Veja, atualmente na sucursal de Brasília de O Estado de S.Paulo. No domingo, ele assinou um perfilete de 48 linhas de coluna do político petebista (‘Da tropa de Collor a aliado de Lula’), em que faz referência ao seu antigo ‘estilo troglodita’.

Jefferson disse que era mesmo troglodita: pesava 175 quilos e tratava de infundir medo pois ‘temia o olhar de rejeição’ das pessoas, o que teria descoberto fazendo psicoterapia. E aproveitou para lembrar que, em um dos seus momentos mais trogloditas, na CPI do caso Collor, quando investiu ferozmente contra a mesma Veja, que o acusara de se beneficiar do esquema PC Farias,
Expedito comentou com ele que estava exagerando e o aconselhou a baixar o tom das críticas à revista – presumivelmente em benefício dele, não dela.

É a segunda vez nos anos recentes que um político entrega jornalistas que teriam confundido as funções de informar ou analisar o que fazem ou deixam de fazer os outros com a de aconselhá-los a fazer (ou deixar de fazer) seja lá o que for.

No primeiro caso, de 2001, a intenção era outra: elogiar um jornalista pelas dicas recebidas. O elogiador era o senador Antonio Carlos Magalhães. O elogiado, o veterano colunista político Villas-Boas Correia. Numa conversa com procuradores federais que ACM não sabia que estava sendo gravada (a fita foi parar na IstoÉ, que a divulgou), ele creditou ao comentarista o conselho de não usar de uma vez toda a munição que supostamente teria contra o governo, mas guardar uma parte das denúncias para uso futuro, a fim de que tivessem maior impacto.

Salvo melhor juízo, o jornalista jamais desmentiu o elogio. Em benefício da ética da profissão, torço para que agora Expedito negue expeditamente o que Jefferson disse de sua conduta.

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