Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

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Revista centenária embarca em experiência revolucionária

Por Carlos Castilho em 20/05/2011 | comentários

A Atlantic Magazine, um dos ícones da tradição jornalística norte-americana embarcou numa inovadora aventura que está provocando arrepios em vários editores, inclusive os considerados de esquerda. A Atlantic, fundada em 1857, acaba de abrir o seu conteúdo editorial para o público geral, que pode propor artigos e comentar os já publicados, numa experiência de coedição que até agora era praticada apenas pelas revistas online de vanguarda.

A produção colaborativa de artigos acontecerá no site da versão online da revista como parte de um projeto destinado a ampliar o número de colaboradores e melhorar a qualidade do conteúdo, segundo mensagem colocada no convite aos leitores. O caso da Atlantic é significativo porque se trata de uma publicação com mais de 150 anos de existência, nascida em Boston, um dos redutos do tradicionalismo intelectual norte-americano, e que agora parte para uma experiência revolucionária em contraste com toda a sua história.


O caso também é inédito porque numa mesma organização passam a conviver a tradição intelectual da edição impressa e a inovação da versão online, aberta ao público em geral. É uma experiência que pode virar um estudo de caso num momento em que a imprensa mundial procura modelos alternativos tanto para suas políticas editoriais como para a busca de sustentabilidade financeira.


A experiência da Atlantic Wire acontece num ambiente em que se multiplicam as experiências inovadoras como a do projeto Storify, outra iniciativa de produção colaborativa de conteúdos, baseada na interação entre jornalistas e os leitores. Na Storify, o autor lança um tema e os leitores incorporam novos conteúdos, colocando no texto original links para informações, dados e notícias correlatas. Com isto em vez de uma leitura sequencial, o visitante da página “navega” por várias notícias de forma não linear.


Qualquer pessoa pode iniciar uma reportagem e seus colaboradores sequer necessitam escrever apêndices e anexos. Basta publicar os links, como mostrou a experiência feita pelo professor Marcos Palacios, da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia. Isto faz com que o contato do usuário da internet com as notícias e reportagens passe a ser feito de uma forma multimídia, já que é cada vez mais frequente as pessoas usarem vídeos e gravações sonoras no estilo podcast ou youtube para contarem uma história.


A narrativa jornalística está mudando mais rápido do que se imaginava em função da necessidade de adaptação ao ambiente criado pelas novas tecnologias digitais. Tudo isto gera pressões adicionais sobre quem exerce o jornalismo diante da necessidade de adaptação, não apenas a novas ferramentas, mas principalmente a novos valores e comportamentos.


Isso implica muitas vezes mudanças traumáticas porque afeta hábitos antigos, enquanto do lado do público tudo é novidade, no começo, e só mais tarde é que os problemas aparecerão. A descoberta das novas possibilidades participativas gera muitas expectativas e curiosidade, mas com o passar do tempo surgem questões como direitos autorais, ética da autoria coletiva e regras de colaboração entre pessoas que se relacionam virtualmente.

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