Terça-feira, 17 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

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Revolta de investidores abala jornais americanos

Por Carlos Castilho em 28/11/2006 | comentários


Dois conglomerados de comunicação dos Estados Unidos acabam de ser vendidos sob pressão de investidores nas bolsas de valores que se mostram desconfiados até mesmo com a situação financeira de alguns ícones da impresa norte-americana.


Numa mesma semana o rede de emissoras de radio Clear Channel, a maior dos Estados Unidos, e a revista The Reader´s Digest, um grupo de mídia impresssa com mais de 70 anos de vida, foram vendidos no pregão para investidores cuja preocupação básica são os dividendos e não o papel politico ou ideológico dos veículos em questão.


Tanto a Clear como a Reader´s Digest tem uma clara posição conservadora dentro da imprensa norte-americana e não enfrentavam problemas financeiros graves.


No ano passado, o conglomerado jornalístico Knight Ridder, um dos cinco maiores dos EUA, foi vendido no auge de uma crise de confiança no futuro da empresa e de um agudo processo de desvalorização de suas ações.


Parecia uma exceção ou um exagero da corretora de valores Private Capital Management que recomendou a venda da Knight Ridder para evitar uma revolta de acionistas. Outras duas empresas de corretagem de ações na bolsa de Nova Iorque também participaram da operação.


Mas hoje o ativismo dos corretores e acionistas de empresas de comunicação atingiu inclusive o The New York Times, o mais tradicional e estável jornal norte-americano, onde os investidores exigem que a familia Sulzberger venda a maioria das ações e deixe o controle da publicação.


Nenhuma das empresas mencionadas está a beira da falência ou enfrenta grandes problems financeiros. O problema é que os acionistas estavam acostumados a dividendos de 20% ao ano, em média, e não se conformaram quando os jornais passaram a ter que conviver com lucros de 5% ou 6%, considerados saudáveis no caso da maioria das demais empresas norte-americanas.


Também os acionistas da rede de jornais Tribune, outra das cinco maiores dos Estados Unidos, pressionam o conglomerado para resolver logo a situação do jornal Los Angeles Times às voltas com problemas financeiros. Os executivos da Tribune demitiram a pouco toda a alta direção do Times depois que esta se recusou a enxugar a redação para cortar custos operacionais.


A rebelião dos acionistas de publicações norte-americanas mostra que a imprensa deixou de ser considerada um bom negócio, o que é bom por um lado e ruim pelo outro. Bom porque os jornais já não terão que fazer das tripas o coração para apresentar resultados financeiros capazes de alegrar o natal de seus mal acostumados acionistas.


Ruim, porque os temores dos investidores e corretoras são altamente contagiosos no super-volátil pregão das bolsas de valores. Seguramente vai diminuir muito o número de interessados em colocar dinheiro num negócio que perdeu boa parte do glamour e poder de outras épocas.

Todos os comentários

  1. Comentou em 30/11/2006 Ivan Moraes

    >>http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/11/338859.shtml<< Muito bom. Postei um comentario la, o que tem a ver com o assunto aqui eh que a pressao economica que a net esta causando aos jornais eh uma pequena parte do fenomeno que a internet eh, em si: um conflito essencialmente mental, num mundo essencialmente mental. E a mente coloca valores no mundo. O futuro vai ser interessante!(:-)

  2. Comentou em 30/11/2006 Ivan Moraes

    ‘qual a função dos trechos em negrito?’ Quem fez curso de leitura rapida somente le palavra-chave das sentencas. O/a/os/as sao irrelevantes, acentos, a maioria das virgulas, ‘porque’s, ‘que’s, etc, etc, etc. Eu acho fabuloso que com uma batida de olhos de menos de 30 segundos ja tenho uma boa ideia do que o artibgo trata, embora nao o tenha lido (aprendi sem curso algum).

  3. Comentou em 30/11/2006 Daniel Simões

    Já faz algum tempo que ando incomodado e, por isso, questiono: qual a função dos trechos em negrito? A mim só parecer trazer confusão. Não falo especificamente desse texto, mas de todos os texto em que esse recurso é aplicado.

  4. Comentou em 30/11/2006 Fabio de Oliveira Ribeiro

    Você já leu a matéria hospedada aqui no OI no seguinte endereço:-

    http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?msg=ok&cod=409MON013&#c

    Tenho a mais absoluta certeza de que o tema interessa ao CÓDIGO ABERTO.

    Esta notícia explosiva confirma minha suspeitas de que a Internet é realmente capaz de modificar para sempre a face carrancuta e obsoleta do Estado moderno. Este mostrengo que emergiu das guerras napoleonicas irá à bancarrota sem um único tiro porque na rede mundial pode mais não quem tem mais armas, mas quem tem mais vontade de contornar a repressão estatal.

    A ferramenta virtual criada pelos canadenses para contornar a censura ‘on line’ certamente afetará a política interna na China. O incidente pode vir a criar um sério atrito entre a China e o Canadá. De certa maneira estão confirmadas minhas observações:

    http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/11/338859.shtml

    Mas é claro que nenhuma ‘autoridade’ no assunto deu ou dará a menor importância para minhas observações teóricas. Nenhuma novidade. No mundo real as coisas mudam mais lentamente.

  5. Comentou em 30/11/2006 Ronald Carvalho

    Castilho, acho que o Carlos Castilho que assina a matéria é o Castilho que conheci na redação de Fatos& Fotos.
    Será que 40 anos depois poderia tê-lo reencontrado via Internet ?
    Caso você seja você, dê notícis. Meu e-mail é o seguinte:
    ronald@yawl.com.br

    Abraços

    Ronald de Carvalho

  6. Comentou em 29/11/2006 Fabio de Oliveira Ribeiro

    Há algum tempo escrevi dois artigos sobre os EUA:

    http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/11/339425.shtml
    http://www.midiaindependente.org/en/red/2005/11/339082.shtml

    As transações que você mencionada são apenas mais dois incidentes de um processo maior (detalhado em livro que resenhei http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/07/357298.shtml).

    Estes fenômenos políticos (eleição e reeleição de Bush), econômicos (fraudes corporativas) e jornalisticos (os lucros antes das notícias) demonstram que está ocorrendo uma profunda ‘revolução’ nos EUA. Usei o termo ‘revolução’ porque ‘degradação’ (que a esquerda gosta de usar) não me parece adequado. Não me parece que a sociedade americana esteja ficando doente. Ela já estava doente desde a Guerra do Vietnan. Agora a doença evoluiu tanto que a decrepitude se tornou manifesta. Doravante o que chamaremos EUA será algo bem diferente dos EUA pré e pós II Guerra Mundial . Assim como a Roma dos Césares não tinha qualquer semelhança institucional e social com a Roma de Camilo, Quinto Fábio Máximo e Marco Pórcio Catão, os EUA deste princípio do século XXI muito pouco se parece com os EUA que hesitou a entrear na II Guerra e emergiu dela como a potência hegemônica. É claro que para muitos nada mudou. Mas isto apenas atesta a persistência memória (ou da ideologia), que congela o mundo e preserva-o o mesmo após a mudança.

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