Sexta-feira, 25 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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Sanguessugas: hora de ter olhos na nuca

Por Luiz Weis em 28/07/2006 | comentários

Os jornalistas que cobrem o escândalo dos sanguessugas na CPI, Justiça Federal, Controladoria Geral da União e Polícia Federal precisam ter olhos na nuca para tentar enxergar por todos os lados o que possa haver de politização das investigações sobre a máfia das ambulâncias.

Há uma perigosa tendência nesse sentido. Começou com a acusação do tucano Geraldo Alckmin de que ‘a matriz’ de mais esse assalto ao erário está no Executivo – e não nos acertos entre um negociante espertalhão e pelo menos 90 parlamentares e ex, autores de emendas individuais ao orçamento para a compra superfaturada dos veículos destinados a municípios cujos prefeitos tinham parte com a armação, consumada, afinal, por assessores ministeriais, como a notória Maria da Penha Lino.

Além disso, Alckmin omitiu que as apurações do crime continuado se iniciaram neste governo, primeiro na CGI, depois na PF.

Daí se seguiu a divulgação, pelos ministros da Justiça e da CGU, de estatísticas segundo as quais o número de convênios de prefeituras com a Planam, a firma do capo Vedoin, foi maior na administração passada.

Mas hoje a Folha mostra, com dados da Polícia Federal, que a movimentação financeira da Planam deu um salto colossal na era Lula. Em 2002, movimentou R$ 3,46 milhões. Em 2003, R$ 3,19 milhões. E em 2004, R$ 21,22 milhões (caindo para R$ 14,46 no ano passado).

O jornal lembra também que em 2003 a CGU começou a investigar os convênios para a compra de ambulâncias, em 2004 o órgão alertou a Saúde e em 2005 o Ministério mudou as regras dos convênios, embora continuasse a assinar os das ambulâncias.

Enquanto isso, na CPI, a oposição acusou a CGU de querer ‘plantar’ mais quatro deputados – dois do PFL, um do PSDB e outro do PP – na lista dos 90 investigados, em processo de notificação. Puxa dali, empurra daqui, o presidente petista e o sub-relator tucano da CPI resolveram dar um tempo antes de bater o martelo sobre a notificação dos quatro, por parecerem tênues as suspeitas contra eles.

Essa informação é da Folha. Já o Valor sustenta que eles não serão notificados. O Estado dá um destaque enorme ao caso, mas não diz em que pé ficou.

De qualquer maneira, a pauta da cobertura dos sanguessugas se ampliou. Além da garimpagem de nomes, números e casos, e da divulgação do que há de mais quente nas 150 páginas do depoimento de Vedoin – a que o Globo e a Folha, mas não o Estado, conseguiram ter acesso –, a imprensa precisa marcar de perto governo e oposição para flagrar tentativas de pôr a lambança dos vampiros a serviço dos seus respectivos interesses eleitorais.

E, por falar nisso, até agora nenhum editorial pressionando os políticos a não misturar as coisas. Para não deitar a perder o que de bom se conseguiu até agora na maior investigação a que o Congresso já foi submetido.

***

Os comentários serão selecionados para publicação. Serão desconsideradas as mensagens ofensivas, anônimas, que contenham termos de baixo calão, incitem à violência e aquelas cujos autores não possam ser contatados por terem fornecido e-mails falsos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 29/07/2006 Haroldo Mourão Cunha

    Só para meu esclarecimento: a movimentação milionária se refere ao governo do presidente Lula ou ao período? Bem, como a Planam tinha tentáculos no Brasil inteiro, com seus mais de 5000 mil municípios, a coisa tá mal informada, é poeira nos olhos! Quando será que teremos realmente uma imprensa livre (Doce ilusão!)

  2. Comentou em 28/07/2006 douglas puodzius

    Vejamos. Dines e Weis vem ultimamente exercendo o papel de patrulheiros da alocação das matérias nas colunas nos jornais. Primeiro foi a Corrupção dos Correios. Sim! Este assunto deve ser politizado. Mensaleiros de m… Queimem! Depois, o caso caseiro do Papai… Sim! mete lá na coluna de Politica…. Indignação seletiva. Aí…. veio o caso do PCC. Não! Este assunto não pode ser politilizado. Que é isso? Onde já se viu? É assunto muito sério. A lista de Furnas? Deixa quieto… Agora os Sanguessugas… Não! Isso não pode ser politizado. Então? O que mais virá pela frente? Ninguem sabe… Só não sabemosos os nomes dos mortos nos ataques em são paulo. Os responsáveis pelas chacinas na periferia enquanto o secretário de segurança ironicamente dançava na assembleia. Ainda podemos(Weis) esquecer de citar que o montante movimentado pela Planan, em 2003 e 2004, nasce das fraudes de 2002 cujo pagamento foi suspenso pelo Governo Lula. O mesmo que investigou tudo aquilo que hoje pode e não pode ser politizado dependendo da vontade maior. Será que esta empresa nasceu em 2002? É uma boa pergunta para ser respondida. porque, os históricos são sempre de 2002. Demora um pouco mas Lula vem destroçando todos os esquemas que andaram encobertos em nosso pais. Pena que São Paulo continue no escuro com suas seis dezenas de CPIs na gaveta do estado e sem ouvidor na cidade.Isto é que é choque de ética

  3. Comentou em 28/07/2006 Odracir Silva

    Estou enganando, ou de novo, o blogueiro passa do pressuposto q houve corrupcao da planam do gov. anterior. Acho q se sabe de algum indicio ou alguma prova, deveria informar. Se soo tem insinuacoes, deveria escrever explicitamente. Vamos supor q nao haa nenhuma prova ou indicio q a planan cooptou os dep. no gov. anterior, como entao o gov. anterior pode comecar a investigacao? A questao de causa e efeito tb ee temporal… uma vem antes da outra. Primeiro o jornalista tem q provar q houve a corrupcao no gov. anterior, e nao um trabalho do lobista, para depois dizer q o gov. anterior nao foi eficaz.

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