Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Sem medo de parecer tímido

Por Luiz Weis em 03/12/2007 | comentários

Prudência deve ser a terceira palavra mais detestada no jornalismo, depois de censura e retratação.

Mas às vezes, em situações escorregadias, paga a pena ser prudente para não dar por líquido e certo, antecipadamente, algo que tem tudo para acontecer, mas de repente não acontece.

Resultado de votação, por exemplo. Jornalistas costumam cobrir decisões eleitorais, esquecendo no fundo da gaveta o ditado “barriga de mulher, cabeça de juiz e urna, nunca se sabe o que tem dentro”.

Daí a traulitada que os fatos deram no Estado, que saiu hoje com a manchete “Referendo aumenta poderes de Chávez” e com um sub-título onde se lê que ele “terá direito de tentar a reeleição quantas vezes quiser”.

Ou seja, agarrado às três pesquisas de boca-de-urna que davam a vitória do sim no referendo venezuelano, o jornal apostou as calças nesse desfecho.

No meio da noite, deu não – um resultado “atordoante”, anunciou lá pela 1:30 da manhã, hora local, o New York Times.

No Brasil, sensata foi a Folha, com “Boca-de-urna dá vitória a Chávez em referendo” e “Vice-presidente, porém, admite disputa apertada em votação que pode instituir reeleições sem limite”.

Mas a palma da manchete do dia vai para o Globo, que não teve medo de parecer tímido:

“Resultado apertado põe a Venezuela em alerta”. E ainda, no sub, “Apuração inicial contradiz boca-de-urna que dava vitória a Chávez”.

P.S. E por falar em Globo, a especialidade da casa – séries de reportagens – continua no ponto. A que começou ontem, “Dimenor”, pelos números aparentemente impossíveis que conseguiu garimpar, é de aplaudir em cena aberta.

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