Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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‘Sexo’, ‘dinheiro’, ‘padre’: haja apelação

Por Luiz Weis em 28/10/2007 | comentários

É um escândalo a forma como a Folha noticia hoje os mais recentes desdobramentos do caso do padre Júlio Lancelotti – comentado aqui no artigo “Para não repetir a tragédia da Escola Base” [http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/blogs.asp?id=
{8F0B3C73-BC0E-46EE-93EB-B124439B3501}&id_blog=3
].


 


O retrospecto, em poucas palavras: depois que a polícia informou ter preso em flagrante um dos membros do grupo acusado pelo padre de chantageá-lo para não divulgar atos de pedofilia que teria praticado, uma mulher, que não quis se identificar, disse à TV Record e em seguida à polícia que certa vez viu o padre beijando um adolescente. 


 


Ontem, a polícia informou a prisão de  três outros acusados de extorsão. O principal envolvido, Anderson Batista – lê-se na chamada de primeira página do Estado – “disse que o padre lhe dava dinheiro espontaneamente e que mantinham relações sexuais”.


 


Título da chamada: “Polícia vai pedir quebra de sigilo de padre Júlio”.


 


Agora, o título da chamada da Folha: “Ex-interno diz que fazia sexo por dinheiro com padre”.


 


É bem verdade que, no segundo parágrafo da nota, o advogado de Lancelotti, Luiz Eduardo Greenhalg, diz que ‘o padre é vítima, foi ele quem chamou a polícia e fez a denúncia de extorsão”.


 


Mas o que fica para o leitor, e disso não pode haver a menor dúvida, é a expressão sensacionalista “sexo por dinheiro com padre”.


 


Com isso, a Folha se equiparou aos mais repulsivos tablóides ingleses, dos quais se diz que fazem “jornalismo de esgoto”.


 


A apelação continua dentro, dessa vez no título “Igreja blinda padre e se protege” de um artigo assinado pelo repórter Leandro Beguoci. O título é uma versão engravatada daquele da primeira página.


 


O texto começa informando que, para a arquidiocese de São Paulo, “o padre Júlio Lancelotti se tornou alvo de um linchamento público que visa atingir a Igreja Católica e seu trabalho social”.


 


A análise flui aceitavelmente até derrapar na passagem “A igreja apela para a inocência de Lancelotti no momento em que perde fiéis e influência pública.” Tradução: não é que a igreja creia necessariamente na inocência do padre; fecha com ele para se defender a si própria.


 


Embora, na página seguinte, o advogado de Lancelotti, o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, tenha tido amplo espaço para fazer a defesa do seu cliente, que “nega tudo”, sabe-se que o leitor não costuma se fiar na palavra de advogados. Afinal, a função deles é essa mesma.


 


Pesa muito mais o que está na primeira das cinco matérias do Estado a respeito – e em nenhuma das três da Folha: a palavra do delegado que trata do caso, André Pimentel.


 


Ao informar que o padre continuará a ser tratado como vítima de extorsão, ele disse ao jornal:


 


“Todas as informações fornecidas pelos acusados serão checadas, mas, por enquanto, elas são apenas matéria de defesa. Seria leviano dizer que o conteúdo dos depoimentos é verdadeiro.”


 


Pelo visto, o policial tem uma coisa ou duas a ensinar sobre os riscos da leviandade ao trêfego pessoal da Folha.

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