Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

CÓDIGO ABERTO > Desativado

 Só vejo cana pela janela

Por Bruno Blecher em 04/05/2007 | comentários

Compro o Estadão nesta quinta-feira na rodoviária de Ribeirão Preto para me ajudar a enfrentar a viagem até São Paulo, depois de comer pó quatro dias na Agrishow. A manchete tem tudo a ver com a paisagem da estrada: Relatório da ONU vai defender etanol de Cana. Nas 4h20 de trajeto, tudo o que eu vejo pela janela é cana. De vez em quando, um pouco de laranja. Mas a cana prevalece.
 O Estadão antecipa o tom do relatório IPCC, que trata das mudanças climáticas, francamente favorável ao etanol produzido da cana-de-açúcar. Os especialistas consideram o etanol brasileiro mais eficaz para reduzir as emissões de CO2 do que o etanol de milho.
 A matéria, que ganhou a manchete da edição, continua na página A-16. Mas não há nem sequer uma linha sobre a grande feira da agroindústria, a Agrishow, que começou dia 29 de abril em Ribeirão Preto e vai até sábado, dia 2. E olha que a Agência Estado tinha dois repórteres por lá.
 O jornal perdeu uma boa chance de mostrar que o sucesso internacional do etanol brasileiro está provocando uma grande barulho no interior paulista. As vendas da feira, a maioria destinadas às usinas, estão a pleno vapor. As grandes indústrias de máquinas e implementos para o plantio e a colheita da cana estavam lá. Mais de 700 jornalistas devem visitar a feira, mas poucos deles são dos grandes veículos nacionais. Estes só vêem cana nos relatórios da ONU.

Todos os comentários

  1. Comentou em 02/06/2007 Ilda de Freitas

    Na inauguração da usina de biodiesel da Brasil Ecodiesel, dia 18 em Porto Nacional, Tocantins, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil será ‘a maior potência energética do planeta terra’ nos próximos 20 anos, por estar preocupado em produzir combustíveis alternativos.
    Muita cana será plantada…
    Que me perdoem os otimistas mas creio que poderemos, no máximo, nos tornar os maiores fabricantes de pinga do mundo pois é impossível a um país, que não investe na pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias ir muito além disso. E sem falar no que deveria ser investido na educação, condição básica para o desenvolvimento de um país.
    E, mesmo que tal ‘milagre’ acontecesse, quem lucraria com isso? A pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) mostrou que a área de saneamento está sendo deixada pra trás e que no ano passado, dos 13 bilhões autorizados pela União para o setor, somente 3 bilhões foram investidos. O restante foi usado para liquidar dívidas de outras áreas do governo. Saneamento é o mínimo que um povo deveria receber em troca dos impostos que paga e da degradação do MA. Sem educação e sem saneamento seremos não apenas os maiores fabricantes de pinga do mundo mas seu consumo será tão grande que não sobrará nada para exportar.

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