Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Tarefas dos dias seguintes

Por Mauro Malin em 16/05/2006 | comentários

Depois da madrugada mais silenciosa em muitos e muitos anos na cidade de São Paulo – mais ainda do que a de ontem, retratada nos jornais de hoje –, a manhã começou com um ruído normalmente irritante mas agora motivo de alívio e satisfação: o barulho dos ônibus. O funcionamento das cidades é pré-condição para que se entenda o que aconteceu em São Paulo nos últimos dias.


Hoje haverá cobertura mais ampla dos prejuízos causados às diferentes funções da cidade: comércio, indústria, serviços, entre esses as escolas e hospitais.


São Paulo sem trabalho em dia útil é uma tristeza. Uma tremenda crueldade, porque atinge o etos da metrópole dinâmica. Deixa muita gente sem referencial.


Os bandidos tiveram dias de glória. Resta saber como as autoridades cumprirão seus deveres, daqui por diante. Quanto valerá sua lógica corporativista, quanto valerão o interesse público, a dimensão social.


A tarefa de medir isso é da mídia. Há uma abundante cobertura nos jornais, e num primeiro exame cheia de informações relevantes. Mas é preciso mais. É preciso reformular a cobertura de cidades nos jornais paulistas. No mínimo. Deslocar alguns dos melhores repórteres e editores para reforçar essa mudança de foco e de métodos.


Para começar, é preciso fazer uma radiografia completa e minuciosa do que aconteceu nas prisões. Em cada uma. Só assim se conhecerá a extensão e a natureza efetiva dos problemas agora, espera-se, incontornáveis. Acompanhar a reorientação e o reequipamento da polícia e da administração penitenciária. Acompanhar a remodelação do funcionamento da Justiça e da legislação (nessa ordem, porque os senhores magistrados, na sua inacreditável insensibilidade, gostam de se abrigar sob o manto de obrigações legais). Acompanhar o escrutínio dos advogados que a OAB e outras entidades deveriam fazer e não fazem. Acompanhar as conexões políticas. Tentar impedir que qualquer candidato vinculado ao crime organizado seja apresentado ao eleitorado, e, se concorrer, que seja eleito.


São muitas tarefas para uma imprensa já desbordada. Mas para isso existe o poder de síntese, atributo do bom jornalismo. Não se ‘esgota’ um assunto, isso é tarefa da academia – por sinal, vergonhosamente ausente, em São Paulo, desse território -, mas se oferecem ao cidadãos instrumentos para formarem suas próprias opiniões e convertê-las em vontade política. Para chegar à simplicidade é preciso passar pela complexidade. O caminho que fica apenas no que é simples leva ao que é simplório.


Todas essas tarefas precisam ser condensadas sistematicamente numa pergunta, para a qual se devem buscar respostas a cada etapa da caminhada: quem avançou? O Estado democrático de direito ou o crime organizado?


* * *


Do leitor Elias Ribeiro, comentário recebido há pouco (11h30 da manhã):


‘Pode ter havido sensacionalismo em alguns órgãos de imprensa, mas dizer que o caos que SP viveu foi fruto de boataria é um ABSURDO!!! Houve sim toque de recolher; as lojas fecharam porque OS POSTOS POLICIAS simplesmente DESAPARECERAM da cidade. A polícia, para se proteger, deixou a população ao Deus-dará. Os ônibus não circularam porque a polícia não foi capaz de dar segurança às empresas, e a prefeitura nada fez para amenizar a situação (como acontece em momentos de greve). A segurança pública, acuada, não existiu para a população no dia de ontem. Dizer que a situação se normalizou por conta da ação da polícia é achar que acreditamos em Papai Noel.’


O leitor toca num ponto crucial, em torno do qual talvez resida a maior falha da mídia nestes dias. Não informou com clareza a retirada da polícia das ruas (salvo tropas da Rota e homens do Deic) após a primeira onda de assassinatos. Nesse episódio, relatado às 10 da manhã de hoje (16/5) na Globo pelo reporter Valmir Salaro, talvez se revele mais claramente como, para usar a metáfora da guerra, o crime organizado avançou e o Estado recuou.


E, claro, recuou novamente ao negociar o fim das rebeliões e dos atentados terroristas, mas nesse caso pode ter sido uma decisão sensata, destinada a recuperar fôlego.


Se se tratasse literalmente de uma guerra, a tropa poderia recuar, empreender uma retirada, fazer qualquer manobra tática que seus comandantes considerassem adequada. Mas tirar a polícia ostensiva das ruas significava deixar os cidadãos como primeira linha para o ataque dos bandidos. A menos que tenha havido algum tipo de acordo: se tirarmos os PMs (depois de vinte já assassinados) vocês prometem não atacar ‘civis’?


Também é preciso tomar cuidado com a contagem das vítimas, porque alguns não estavam a serviço, mas fazendo ‘bico’. Igualmente, uma parte da violência pode ser computada dentro da dose cotidiana de criminalidade que aflige São Paulo. O PCC não tem comando sobre todos os criminosos do estado de São Paulo. Se tiver, saiamos de baixo.


* * *


Um leitor que forneceu corretamente todos os seus dados pede que seu comentário seja publicado mas ele não seja identificado. Não é possível. Só publicamos comentários com nome e sobrenome e endereço válido de correio eletrônico. No Observatório da Imprensa não se publicam textos anônimos.


* * *


Às 15h15 (16 de maio),o leitor Marcio Tadeu escreve:


‘É necessário um trabalho de inteligência bem elaborado, se possível coordenado por forças federais, que estão menos passíveis de corrupção. A ajuda do Exército em SP é conpletamente sem propósito, se 138.000 soldados da PM estadual [são 90 mil na ativa e os outros aposentados; M.M.] não dão conta do recado, não serão mais 1.000 ou até 4.000 que ajudarão, é necessário sim que o federal aja da forma acima, na inteligência, e também puxe a responsabilidade da carceragem dos mais perigosos com os famosos presídios federais, que nunca saem do papel. Temos que aniquilar alguns menbros chave deles e acabar com a comunicação, eliminando a maioria das centrais clandestinas. Sem direção nem comunicação, são simples baratas tontas prontas para serem pisadas.’


Não é tão fácil ‘pisar as baratas’. Para começar, a PM tem 90 mil homens. Isso significa que 7.200 estão permanentemente fora de ação (férias, licenças, doenças afetam na média 8% de qualquer corporação). O saldo, de 82.800 homens, deve ser dividido por três (três turnos de oito horas): 27.600. Daí, descontar os envolvidos em atividades administrativas (não sei a porcentagem). Em seguida, constatar que o estado de São Paulo tem 600 municípios, algo assim. Na verdade, na Grande São Paulo não há muito mais de 6 mil homens da PM em ação a cada momento, se houver tudo isso [acréscimo em 17/5: os turnos não são uniformes, há horários com mais gente na rua, outros em que quase não há ninguém]. A esses juntem-se os homens da Polícia Civil e das Guardas Municipais.


Sem ilusões.


Na média dos países, o número de infratores da lei se situa em torno de um por cento. Aplicado o número a São Paulo, seriam 400 mil pessoas. Dessas, 130 mil estão presas. Mas do número total deve-se descontar um enorme contingente de indivíduos que nem sabem dar tiros. Também não é um exército tão assustador.


O que funcionou foi: de um lado, a coordenação dos bandidos, permitida sobretudo pelos sucessivos recuos da administração penitenciária; de outro lado, a descoordenação das polícias. Cada uma segue sua lógica corporativa.


Cuidado com a idéia de que forças federais são menos sujeitas à corrupção. Basta ver que em recentes operações a PF trouxe de fora os homens que efetuariam prisões em São Paulo. Se a turma local soubesse, os suspeitos seriam avisados e fugiriam.

Todos os comentários

  1. Comentou em 18/05/2006 Leão Machado

    O que irrita é que os nossos ‘homens públicos’ lembram muito aqueles alunos que deixam tudo por fazer na última hora. Durante meses ou anos, discutiram entre si, o que mais lhes interessa: VERBAS. São Paulo teve que viver o holocausto, para que os mesmos fizessem o dever de casa. A diferença é que os gazeteiros são punidos com a reprovação, enquanto que a omissão dos ‘gazeteiros públicos’ prejudica o coitado do povo.

  2. Comentou em 17/05/2006 Rogerio Teixeira

    Quero apenas saber o seguinte: temos aqui o Observatório da Imprensa ou o Observatório do Governo do Estado de São Paulo?

  3. Comentou em 17/05/2006 Nemesis ultrix

    Os meandros do jogo sujo do Poder levaram aos acontecimentos deste dia das mães sangrento. Existem bandidos oficiais e não-oficiais, criou-se um paradoxo, pois a polícia está contaminada pela corrupção.Pagam os inocentes policiais que trabalham nas ruas, quando os oficiais graduados das corporações corruptas articulam com o PCC seus futuros lucros e negociatas. A sociedade civil estabelecida é criminosa, a ditadura não acabou, permanece velada, o serviço de informações nunca foi extinto,e agora dizem que é necessário restaurá-lo… e a imprensa só relata, como papagaio, sem ter a coragem de denunciar quem está por trás de tudo. A verdadeira questão é : Quem são os interessados para que tal situação se mantenha? Há gente muito importante que nem desconfiamos, que para manter o sistema como está sufoca o elo mais fraco da cadeia…Isso não é uma defesa do PCC, mas ficou a impressão de que foi um grito de toda uma parcela da população oprimida pela extorsão do sistema de poder predominante. Uma nova modalidade de escravidão.
    Como ouvinte do Observatório, não posso ficar calado diante de tanta distração sobre um único ponto: A podridão do sistema que está prestes a implodir…A ação destes dias foi quase cirúrgica, as balas tinham endereço certo… Lamentável estado das coisas onde inocentes foram mortos pela ignomínia e ganância daqueles que deveriam defender a sociedade…

  4. Comentou em 17/05/2006 Marcelo Sequeira

    ‘se gritar pega ladrão!….não fica um meu irmão…’ Faço perguntas: 1) Se o topo da pirâmide humana mundial é corrupta e os 60 mil rentistas donos do país têm bilhões de dólares escondidos em paraísos fiscais, como se sente a base da pirâmide humana? 2) Se vivemos num sistema econômico – o capitalista – cuja dinâmica é de concentrar a renda sempre mais, exigir POR LEI lucros infinitos num planeta de recursos finitos, sob o disfarce de criar riquezas (toda posse material perde valor com o seu uso), como não ver algo muitíssimo mais grave ocorrendo no mundo com seus óbvios desdobramentos internos no Brasil? 3) Se o homem dito o ‘mais poderoso do mundo’ – George W. Bush – duvido(!)… políticos são somente empregados de grandes corporações, bancos, multinacionais, etc…. enfim, GWB mente, mente, mente, compulsiva e obsessivamente portanto, como esperar que sendo a mentira e os erros da razão as regras do processo ‘civilizatório’ – melhor ficaria ‘sifilizatório’ – como esperar a razão e a busca da verdade na base da pirâmide? 4) Se Deus morreu – existimos por mero consentimento geológico e com sómente 5% de nossa capacidade cerebral consciente, não seria a hora de uma revisão geral dos nossos valores? Usaríamos melhor nossos recursos sem a ajuda de ‘Deus’? 5) O eterno retorno parece o destino o óbvio destino: do macaco viemos e aos símios voltaremos!

  5. Comentou em 17/05/2006 Marco Antônio Leite Costa

    Estamos vivendo um circulo vicioso, o capitalismo gera o bandido periferico, bem como o de colarinho branco, estes sustentam os políticos, por sua vez a curriola da nobre arte de prometer e não cumprir, sustentam alguns elementos do judiciário, estes molham as mãos de maus políciais, estes marginais fantasiados de polícia sustentam o crime, os criminosos pagam propinas para estes bandidos de farda. As ocorrências do final de semana esta relacionadas com o circulo vicioso que tomou conta do país. Somente com uma faxina geral poderemos respirar, quem sabe, um pouco de tranqüilidade.

  6. Comentou em 16/05/2006 Luiz Eduardo Belardinuci

    Enviei comentário solicitando não querer ser identificado, por isso venho solicitar que se possível podem publicar. Obrigado e Parabéns.

  7. Comentou em 16/05/2006 alfredo sternheim

    Discordo, essa não é a polícia que a sociedade quer. É a que lhe é colocada. Quando a polícia torturava, desrespeitava direitos humanos de forma mais clara houve protestos, mobilização (foi quando apareceu Helio Bicudo) e a imprensa escrita participava. Depois, a imprensa foi deixando de lado. Essa história que há mais informações para atacar o governo Lula e por isso se despreza São Paulo não justfica a falta de atenção com os problemas paulistas. Até o ombdusman da Folha reconheceu que, nos últimos dois anos, os textos críticos sobre a prefeitura e o governo do estado de SP diminuiram bastante. É só analisar e ver que os jornais que têm São Paulo no título pouco espaço dão aos problemas da cidade, quanto mais do estado. Ao contário de O Globo e o JB. A partir de agora políticos e jornalistas começam a tratar das condições de policiais, talvez verifiquem algo que existe há tempo em SP: cadeias super-lotadas nas delegacias. Nesse triste episódio, a imprensa escrita que hoje e ontem encheu páginas de ensaios e receitas de sociólogos devia fazer um mea culpa da sua atuação nos últimos dois anos. Foi a imprensa paulistana que partidarizou, não os leitores.

  8. Comentou em 16/05/2006 Fabíola Moreno Bianco

    Há duas perguntas que não querem calar:
    Por que começaram os ataques?
    Por que pararam os ataques?
    Será mesmo que não houve acordo entre policiais e PCC, pois se houve, a situação está pior do que pensamos.

  9. Comentou em 16/05/2006 Maria Regina Adoglio Netto

    Minha proposta é de inserir todos os delegados, policiais e contingente administrativo das polícias, em cursos emergenciais –
    Segurança Pública, nas universidades e faculdades.
    Não existe um treinamento sistemático e científico para os nossos profissionais dedicados em proteção da cidadania.
    Os policiais e delegados estão sofrendo os males da globalização, mas não foram preparados para enfrentar o século XXI; o sistema judiciário ainda usa parâmetros da décda de 40; os cidadãos dependem de Deus.

  10. Comentou em 16/05/2006 alfredo sternheim

    Realmente, Mauro, se algumas das leis tivessem sido cumpridas (proibição de celular em prisão, advogado pombo-correio,etc), não teria acontecido o que aconteceu. A imprensa escrita tem parcela de culpa porque nos últimos tempos preferiu dar amplo espaço para os escândalos relacionados com o PT e esqueceu de São Paulo. Cansei de reclamar para o jornal que assino, pedindo notícias e análises sobre o poder executivo, a nossa assembléia legislativa, a câmara dos vereadores. Em vão. Nesse tempo pré-eleitoral, deu-se pouca atenção e pouca crítica ao governo do estado. Por que será? Agora, claro, surge esse festival de proselitismo sobre o combate a violência. Não quero partidarizar o debate, gosto de Alckmin, ele acertou em muitas áreas (saúde por exemplo). Mas na segurança pública… Desde o sofrível atendimento para fazer boletim de ocorrência (horas), passando pela necessidade de PMS fazerem bicos (uma jornada dupla e desgastante) era evidente que a área deixava a desejar. Mas nossos jornalistas preferiram bater em Lula do que tratar dessa área. Agora, sobram. isso sem falar da OAB que estava mais preocupada com o impeachment de Lula. Porém, o que me assusta é a possibilidade de um repeteco. Caso seja verdadeira a notícia de um acordo com o PCC, essa chance existe. E diante da soberba do governador, temo que o poder do crime se manifeste com mais força.

  11. Comentou em 16/05/2006 Paulo de Tarso Neves Junior

    Madrugada silenciosa???

    Do blog do Noblat: ‘

    Noite sangrenta em São Paulo

    Houve uma matança em São Paulo entre às 18h de ontem e às 6h de hoje, segundo uma fonte da cúpula da Secretaria de Segurança Pública. Foram mortas de duas a três dezenas de pessoas que a polícia aponta como suspeitas de terem participado dos ataques do Primeiro Comando da Capital de sexta-feira para cá.

    Há sérias dúvidas se muitos dos mortos de fato eram bandidos ou ligados a eles.’

    Vamos ver se a imprensa vai dar carta branca pra mais um massacre de civis.

  12. Comentou em 16/05/2006 Angélica Matos

    Muito conveniente a atitude da mídia de considerar antiética qualquer ligação política com a crise vivida pelo ESTADO de São Paulo. Para a mídia, ligar o PSDB e o PFL a qualquer fato que lhes façam perder voto é profundamente reprovável. Faço questão de lembrar, novamente, que a (IN)SEGURANÇA do Estado de São Paulo está sendo coordenado pelo PSDB há 12 (doze) anos e que, NESTES DOZE ANOS, O GOVERNO FEDERAL ESTEVE NAS MÃOS DO PSDB (FHC) POR 8 ANOS.

  13. Comentou em 16/05/2006 paulo perez

    Não creio que a cobertura da imprensa, de um modo geral, tenha sido errônea pois realmente foi chocante ver o comércio e as escolas fechando as portas, seja por boatos, seja por ‘alguma ordem direta’.
    A cidade tremeu. E quem saiu às ruas para o combate nesta hora? A Rota, isso mesmo, a velha instituição tão criticada pela esquerda brasileira, pelo MP e por ‘organismos internacionais de defesa dos direitos humanos dos bandidos’. Nenhum policial da Rota foi morto, o próprio PCC não se atreve a confrontá-la diretamente, sabe que significaria aniquilação. Mesmo assim, desde a ‘era Covas’, na verdade desde ‘Montoro’ a Rota foi marginalizada, chegando a ficar ‘trancafiada’ nos últimos anos, sob a alegação de que ‘matava demais’…. São Paulo sempre teve a resposta a seus problemas, principalmente àqueles relacionados à Segurança Pública, o problema é a falta de coragem dos politicos para aplicação das soluções.

  14. Comentou em 16/05/2006 Marco Antônio Leite Costa

    Hoje o desvio de atenção da população para os muitos problemas que afetam o cotidiano é o tal de PPC. As ‘autoridades de plantão’ fazem a maior pressão, porém na prática não resolvem absolutamente nada. Daqui uns dias, o foco das notícias será a copa do mundo. Portanto, o assunto atual cai rápidamente no esquecimento, e tudo continua igual no quartel dos incompetentes governantes. Marco

  15. Comentou em 16/05/2006 cezar alvares

    Saudações! Em vista dos fatos não poderia de saudá-los: Viva o nosso 11/09/2001, aliás viva o nosso DIA DAS MÃES DE 2006. Desejo a todos, reflexão, imparcialidade, LUZ, MUITA LUZ, coerência e responsabilidade! Sem dúvida este é um momento de muita pressão e ansiedade para nós todos. SE para uns ‘a verdade está lá fora’, acredito que nosso inimigo está aqui dentro, é brasileiro. Saudações!

  16. Comentou em 16/05/2006 Antonio Prado da Silva

    Sociedade desorganizada, crime organizado.Se a cidade de SP quase parou pelo crime organizado, está na hora das pessoas dessa cidade se mobilizarem grandes protestos para mostrar mostrar aos governantes e todos aqueles que estão envolvidos na questão da segurança pública, a sua insatisfação. Depois dos acontecimentos, é necessário uma demostração de indignação.

  17. Comentou em 16/05/2006 Jacques Silva

    É dificil ficar calado nesta hora, vendo tanta incoerência e abandono por parte das autoridades públicas, e também indiferença por parte de nossos representantes na política deste país, que mesmo diante deste cenário trágico que está passando a maior cidade, e porque não dizer a mais importante, do país, com certeza tem os olhos mais voltados ao processo eleitoreiro (ou re-eleicão!!!) do que a segurança daqueles que os elegeram.
    Realmente, é triste dizer isto, mas creio que o povo nem anseia mais por emprego ou comida, mas por sua vida e o direito de ir e vir.

  18. Comentou em 16/05/2006 Fabio Farias

    Estou achando estranho o fato de ninguem ate agora ter tocado na palavra magica: drogas. O produto que financia tudo isso. Acho que a policia deveria sufocar os pontos de venda de drogas para tirar poder financeiro do grupo e deveriamos pensar na legalizacao das drogas. Eh similar ao Alcapone ganhando dinheiro na lei seca. Eh ilusao achar que as pessoas vao parar de consumir, portanto os usuarios financiam o ‘partido’. Acho hipocrisia nao discutir uma forma de tirar dinheiro desta mafia… Desculpe a falta de acentuacao, meu teclado esta com outra configuracao.

  19. Comentou em 16/05/2006 Alexandre Souza

    Algumas notícias de ‘toque de recolher’ foram divulgadas em algumas regiões por pessoas sem qualquer ligação com o ‘PCC’, pessoas sem qualquer preocuapação, que simplesmente queriam ver os moradores em pânico.
    Na região leste, onde resido e trabalho, todos estavam na rua, PM, Policía Civil, Rota e Rocam, os bravos policiais não recuaram, todos se empenharam para combater os criminosos.
    As polícias de São Paulo estavam nas ruas, realizando bloqueios, comandos, agindo.
    A Prefeitura não poderia fazer muito no dia de ontem, não teria como obrigar as empresas a colocarem os carros nas ruas, muito menos obrigar os motoristas e cobradores a trabalharem.
    Agora é um momento de união de forças, de uma análise minuciosa de tudo o que ocorreu nos últimos dias, para que possamos encontrar mecanismos para evitar novos conflitos e combater com rigor o crime organizado.
    O que me causa tristeza é saber que as cúpulas de alguns partidos já estão preparando a propaganda política com base no que ocorreu no Estado de São Paulo, sendo que estão aguardando apenas o apazigar da situação para começarem a usar as imagens.

  20. Comentou em 16/05/2006 FRANCISCO LOPEZ LUCAS

    permita-me repassar seus comentarios até para o exterior…

  21. Comentou em 16/05/2006 Amauri Donato Donato

    O que eu acho interessante é que em greves de metalúrgicos, professores, estudantes e sem-terras, observamos â polícia com suas armas, escudos,cassetetes e truculência para bater e as vezes matar pessoas que estäo reinvidicando algo, agora num momento crítico para toda a populaçäo cadê a polícia sumiram, e para piorar vejo o nosso governador na tv dizendo que tudo foi feito de acordo com as informaçöes da inteligência da polícia, esqueceram de informar âs mais de 100 pessoas mortas, aos diversos ônibus incendiados e as milhares de pessoas (como o meu filho que hoje näo foi â escola)as agências bancárias, ao comércio enfim tudo em ordem.

  22. Comentou em 16/05/2006 murilo sidney

    Ficamos estarrecidos diante de tamanho absurdo. Policiais tendo de deixar as ruas por causa de bandidos. A lei no BRASIL tem q mudar. É preciso reformar o Judiciário, a Justiça tem q deixar de ser morosa. Certeza de punição vale mais do q penas longas. É preciso tambem identificar e expulsar esses bandidos de fardas, me refiro aos policiais corruptos, a banda podre da policia q auxilia essas facções criminosas. Tomara tambem q essas prisões de segurança máxima funcionem como devem, afastando da sociedade esses ‘criminosos de alto escalão’.

  23. Comentou em 16/05/2006 Afonso Caramano

    Pelo visto são muitas as explicações devidas à sociedade – as autoridades engajam-se num discurso falho, redundante – o clima de terror favorece radicalismos e aos oportunistas de plantão, sempre aptos a recolher os despojos eleitoreiros.
    A “onda” de violência (anunciada) demonstra a incompetência do estado paulista, a falta de uma política de segurança pública eficaz, a falta de uma diretriz nacional de segurança, o descaso com a política prisional entre outras inabilidades das autoridades envolvidas – tudo isso favorece distorções e a corrupção.
    A população torna-se refém – emparedada entre o crime organizado e o Estado que não consegue protegê-la efetivamente (nem fornecer-lhe condições básicas e dignas de vida).
    Perpassam a questão a miséria, o déficit educacional e a falta de criticidade – o medo paralisa e prolifera – por isso são necessárias, de imediato, medidas emergenciais além de se repensar todo o funcionamento do sistema, combatendo também as desigualdades sociais, a corrupção, a injustiça e a miséria, sem hipocrisia e discursos tolos.
    PS: Restam muitas perguntas incômodas, mas vamos a uma: Houve acordo para uma trégua?
    A mídia talvez possa ajudar a responder e tocar as questões mais cruciais.

  24. Comentou em 16/05/2006 César Pires de Almeida

    Caro Autor, caros colegas que conseguiram deslizar a barrinha ao lado direito até aqui, Nasci, cresci e me formei em São Paulo. Dpeois de 35 anos cansado de todos os problemas desta cidade, tive a opção de mudar. E assim o fiz. Fiquei perplexo com os acontecimentos, pois ainda tenho familiares e muitos amigos aí. Para quem acompanha de longe, foi uma verdadeira confusão o que se passou na mídia, seja eletrônica, impressa ou a cybermidia. Ficou claro que é muito fácil desestabilizar ainda mais o já existente caos deste lugar. Dos jornais que consegui ver aqui, nenhum tocou o dedo na ferida: a polícia, aparentemente, recuou mesmo, deixando tudo e todos à (má) sorte. Tanto que os setores produtivos e de transporte paralisaram, na sua maioria. Se perdurasse mais um pouco, tudo poderia fugir mais ainda do controle, numa catarse coletiva, onde o povo coloca o dedo em riste na cara da polícia e saliva de raiva perguntando por que foi covarde e por que parte dela sempre foi conivente com a criminalidade. É claro que essa ‘estrutura do crime’ é mais complexa do que sequer imaginamos. Está calcada em brechas judiciais, políticos poderosos e influentes, em polícia conivente, em falta de comando do estado nas cadeias e penitenciárias. Vai levar tempo para digerir, pensar e reconstituir tudo isso. A mídia podeira fazer sua parte, ao pregar menos sangue, menos sensacionalismo.

  25. Comentou em 16/05/2006 Marcio Tadeu

    É necessário um trabalho de inteligência bem elaborado, se possível coordenado por forças federais, que estão menos passíveis de corrupção. A ajuda do Exército em SP é conpletamente sem propósito, se 138.000 soldados da PM estadual [são 90 mil na ativa e os outros aposentados; M.M.] não dão conta do recado, não serão mais 1.000 ou até 4.000 que ajudarão, é necessário sim que o federal aja da forma acima, na inteligência, e também puxe a responsabilidade da carceragem dos mais perigosos com os famosos presídios federais, que nunca saem do papel. Temos que aniquilar alguns menbros chave deles e acabar com a comunicação, eliminando a maioria das centrais clandestinas. Sem direção nem comunicação, são simples baratas tontas prontas para serem pisadas.

  26. Comentou em 16/05/2006 josé santos

    Infelizmente graças ao desgoverno do tão falado ‘psdb’ vimos nestes últimos dias o caos se instalar na maior capital do país, graças a uma facção criminosa mais bem organizada e melhor aparelhada em armamentos do que o estado de direito, será que não está na hora destes burocrátas repensarem as leis do país para que elas priorizem aos trabalhadores e pessoas de bem e não aos bandidos?

  27. Comentou em 16/05/2006 Fabiana Cristine

    respondendo a pergunta:quem avançou? O Estado democrático de direito ou o crime organizado? Acredito que o crime organizado que avançou, infelizmente. Ontem, assisti a várias entrevistas na tv, com criminalistas, e a única e unânime opinião é ‘enquanto as leis penais não mudarem e se tornarem mais enérgicas, o crime organizado continuará a reinar no país!’ E eu questiono: esses acontecimentos estão evidentes, o crime organizado se popularizando tão rapidamente, gente perdendo a vida, e pq as leis nesse país andam a passos lentos? pq não mudar algo que incomoda a população, algo que faz mal? algo que faz de reféns pessoas de bem em suas próprias casas? Ontem tive vontade de chorar, chorar de tristeza, chorar de revolta, chorar de preocupação com as pessoas que amo! Por isso caros amigos, no dia da eleição, que tal se não nos apresentarmos nas urnas? que tal se não votarmos? que tal se sairmos nas ruas para exigir das autoridades o que é nosso de direito?

  28. Comentou em 16/05/2006 Luiz Eduardo Belardinuci

    É imperioso neste momento difícil para São Paulo, distinguir os bons e maus jornalistas os bons e maus veículos de comunicação pois o que se vê são imagens repetidas de ônibus queimados, prédio de instituições públicas com marcas da violência, acredito que seja relevante informar a população sobre, porem tomando o cuidado para não fazer apologia ao crime. Para pensarmos….será que os tais ‘mc´s’ da vida tão propagados em programas dominicais não são uma fonte de apologia?. será que nossos famosos representantes da sociedade não são uma fonte inspiradora do crime organizado; será que o ‘crime organizado’ de Brasilia não esta inspirando o nosso criminosos comuns? Será que o montante de dinheiro desviado ou mau empregado por políticos não poderiam ser empregados em políticas de educação, saúde e segurança, será que o Ministério do Desenvolvimento não poderia estar fomentando políticas de desenvolvimento com esse dinheiro todo? será que os estados não teriam condições de pagar melhor os funcionários públicos da segurança?…será que não está na hora da sociedade fazer uma reflexão sobre suas atitudes, no auto avaliarmos em nossoas ações cotidianas em benefício próprio? Um abraço a todos.

  29. Comentou em 16/05/2006 Kelly Meneg

    Uma pergunta apenas me intriga. O governo fez plebicito para tirar as armas da população. Por que este mesmo governo não faz um novo plebicito para ver se a população é a favor da pena de morte, mudando definitivamente a lei penal do país?
    Francamente, acredito que o Brasil chegou a um ponto, que apenas a pena de morte pode reduzir a criminalidade. Chegamos ao ponto de atacarem até a polícia. Isto não pode continuar.

  30. Comentou em 16/05/2006 Valéria Almeida

    A cada dia que passa não sabemos se devemos confiar mais na polícia ou nos bandidos.Falta atitude do governo em reeduacar como por exemplos jovens da fébem que quando saem de lá, saem pior do que entraram, e acho tmab´me que há muita regalia para presos concordo plenamente com as palavras do Diretor do DEIC Sr. Godofredo Bittencourt onde fala que ‘ daqui a pouco vão fazer prisão em frente ao mar , onde o preso come, tem mulher , toma banho de mar e vai dormir.
    Até quando nossos governantes vão admitir isso?

  31. Comentou em 16/05/2006 maria inez gonçalves martinez

    O crime organizado só avançou pelo ‘pouco caso’ das autoridades em relação à nossa segurança. No meu entender, só há um jeito de se fazer justiça e de se ter paz:
    ‘Polícia é polícia e bandido é bandido’. ~Simples, não?
    Ainda há de se dizer que ‘Bandido bom é bandido morto’.
    Que Deus nos ilumine.

  32. Comentou em 16/05/2006 Antonio Carlos Pereira Neves

    Chegou a hora de ouvirmos das mais diversas autoridades e em seus mais diversos escalões as várias explicações e fórmulas mirabolantes para acabar de vez com as notícias inacreditáveis que vieram da nossa maior cidade é preciso, e isso se faz urgente que toda população fique de olho e cobre atentamente de todos esses políticos que hoje ocupam as tribunas para mostrarem ao seu eleitorado a sua indignação que isso somente não adianta ele tem que saber que foram eleitos para que resolvam este tipo de problema, para que acabem de uma vez por todas com a superlotação carcerária, para que façam leis mais duras e que essas leis sejam realmente cumpridas, que modifiquem o código penal para que a justiça tenha maior celeridade. Mas não, ocupam as tribunas vomitam a sua indignação e amanhã ou depois volta tudo a estaca zero, em tempos de mensalão, quebra de sigilo bancário e assassino que é condenado e não vai preso a imprenssão que fica é de que se fizerem leis mais rígidas isto pode voltar contra eles mesmos, por isso essa morosidade e falta de interesse e enquanto puderem pagar segurança particular para eles, o povo que se exploda.

  33. Comentou em 16/05/2006 Samuel Firmo

    Esse episódio que o estado de São Paulo viveu é tão impactante que será necessário alguns anos para as melhores cabeças analiza-lo. Entretanto, salta aos olhos a evidencia da incompetencia dos sucessivos governos Tucanos em São Paulo, cuja grande obra foi cristalizar a liderança de um tal ‘Marcola’ e seu PCC. Mas há aspectos mais ricos:odeiam e endemonizam o MST que faz luta pacífica, desarmada, pela posse da terra e deixam ‘Marcola’ virar ‘Comandante Marcos’ ou mesmo ‘Comandante Marcola’. Além de que, o PCC foi gestado enquanto nossa burra burguesia construia fortalezas, apoiava o aparthaid, que no fundo é a mãe do PCC.
    A Grande Imprensa, a serviço desse status quo esta cheia de responsabilidade. Estão todos corretos: ABAIXO A ESQUERDA, O MST, O PT, O HUGO CHAVES E VIVA O PCC!

  34. Comentou em 16/05/2006 Marcio Flizikowski

    Os acontecimentos em São Paulo e Brasil afora são conseqüência direta de uma omissão da sociedade e da mídia em relação ao principal problema brasileiro: a desigualdade social. Enquanto o foco da mídia estiver voltado única e exclusivamente para o econômico, a defesa de aumento do bolo (do PIB) sem se preocupar com a distribuição desse bolo, teremos uma realidade da apartheid que se tornará insustentável rapidamente e logo os ´barbaros´ marginalizados pela sociedade tomaram conta de tudo. E o grande culpado: as instituições políticas e sociais como o governo e a mídia que defendem um modelo econômico predador.

  35. Comentou em 16/05/2006 Robson Carvalho

    Discordo do reaparelhamento. A maior necessidade hoje é o combate à corrupção dos envolvidos no sistema: policiais, carcereiros, advogados e juízes. Esse trabalho terá um impacto forte em todos os outros fatores.

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