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Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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Teoria do ‘rabo comprido’ procura explicar a crise na imprensa

Por Carlos Castilho em 14/07/2006 | comentários


O nome faz muita gente torcer o nariz, mas a expressão inglesa ‘long tail‘ (cauda longa) está hoje em moda por conta de um livro que acaba de ser lançado pelo jornalista norte-americano Chris Anderson .


Trata-se de uma inovadora tentativa de explicar como o o poder concentrado nas mãos de poucas mega-empresas está sendo pulverizado pela fragmentação de iniciativas provocada pela generalização do uso da internet no mundo inteiro.


A tese do ‘rabo comprido’ foi esboçada há dois anos num artigo de Anderson publicado na revista Wired  e provocou um frisson no setor empresarial porque mostrava como o surgimento de milhares de pequenos novos negócios online está criando uma oferta global de produtos que supera a das mega corporações. Noutras palavras, poucas grandes estão sendo substituidas por milhares de pequenas.


A explicação para este fenômeno estaria num conhecido princípio estatístico (curva de Pareto – detalhes técnicos em ingles na Wikipédia ) Long Tailsegundo o qual altas frequências (faixa marron) são substituidas por uma longa sequência de baixas frequências (faixa amarela – a cauda), como mostra o gráfico.


A teoria diz que a faixa amarela do gráfico é virtualmente interminável e que a área total ocupada por ela acaba sendo maior do que a da faixa marron. Anderson aplicou esta idéia ao comércio eletrônico para mostrar como a soma dos pequenas iniciativas viabiliza o conjunto dos negócios online. Como a diversificação poderia ser mais lucrativa do que a uniformização, da produção em massa tipo ‘um modelo serve para todos’.


Daí o ‘rabo comprido’ pulou para o setor da imprensa através de uma entrevista ao autor do livro The Long Tail ao jornal inglês The Guardian (exige cadastramento gratis ) no qual ele interpreta a crise dos grandes jornais na Europa e Estados Unidos como uma das consequências do surgimento de milhares de micro opções formadas por weblogs, páginas pessoais, podcasts, videocasts e de sites como o Orkut  e MySpace .


Somando-se a massa das informações produzidas por estes espaços alternativos, ela acaba maior do que a produzida pelos grandes impérios jornalísticos. ‘Os grandes jornais não vão desaparecer. Eles simplesmente pederam o monopólio da informação. Para sobreviver eles terão que se adaptar aos novos tempos, e é justamente isto que está na origem da crise atual dos grandes jornais’, disse Anderson ao The Guardian.


A viabilidade econômica futura do conjunto das pequenas iniciativas jornalísticas estaria assegurada segundo a teoria do ‘rabo comprido’, mas isto não significa que a sobrevivência de cada uma delas individualmente esteja garantida. A curva do rabo pode ser lida também no sentido da expectativa de rentabilidade. Os novos empresários jornalísticos terão que esperar um bom tempo antes de alcançar o ponto de equilibrio entre receita e despesas. Vai ser uma questão de paciência e austeridade, garante o autor do livro.


Conversa com os leitores:
Vários visitantes frequentes deste blog reclamaram da ausência do RSS na página para poderem ser avisados de atualizações automaticamente. A reivindicação será atendida e possivelmente já na próxima semana o sistema já estará operacional aqui na página. O RSS é muito importante em períodos em que é impossível atualizar o blog regularmente. Por falar em atualizações, elas agora serão mais frequentes porque acabou o período crítico do semestre universitário.  

Todos os comentários

  1. Comentou em 17/07/2006 Glória Walkyria

    Gosto muito de ler o seu blog assim como vários outros sobre política, futebol e mídias, no entanto, escrevo pouco para comentar. Geralmente só escrevo em casos de grandes polêmicas. Gostaria de saber se meu comportamento é comum e se um blog que é pouco comentado fica prejudicado. Estou me referindo àqueles que estão hospedados em grandes portais ou um grande jornal; não me refiro a blogs pessoais.

  2. Comentou em 17/07/2006 Marco Antônio Leite Costa

    Se não melhorar o nível de informação pela internet, esses jornais de notícias instatâneas estarão fadados a provocar desinteresse pelos usuários. Portanto, não é só os jornalecos tradicionais que estão atravessando mal momento, isto em função da cauda que não é tão longa assim. Um grande abraço.

  3. Comentou em 16/07/2006 Peri Valdo

    Que bosta…e eu com isso?!?!?

  4. Comentou em 16/07/2006 Leonardo Sato

    Mas acho importante não interpretar essa crise nos impérios jornalísticos somente como crise empresarial. Talvez fosse mais profundo pensar a questão por outro lado, como conseqüência de um jornalismo que não atende a imperativos hoje requisitados pelo emburrecimento da população. Lendo jornais brasileiros é fácil perceber a escassez de matérias de qualidade. Mesmo nos maiores jornais, e de maior circulação, não há opinião, investigação, argumentos, reflexão intelectual, exceto em poucos artigos. Quase todo o jornal se constitui de pequenas notas, descrições superficiais de acontecimentos que muitas vezes se tornam banais frente a tão frágeis coberturas. O mesmo tem ocorrido em outros jornais pelo mundo afora. O jornalismo não tem mais tido a profundidade para abordar processos importantes, fazendo com que pouca coisa diferencie os grandes jornais dos meios menores, pelo menos quanto à cobertura de notícias. E nisso tudo, as grandes agências internacionais de notícias permanecem fortes, e crescentemente requisitadas. Para mim, tudo isso se constitui como reflexo de um mundo que não mais exige reflexão das pessoas; aliás, prefere que as pessoas não pensem. Dentro disso, todos saem perdendo, pois se facilitam a manipulação de dados e do que é noticiado. E também caem como uma luva paradigmas que afirmam a objetividade, neutralidade e imparcialidade do jornalismo.

  5. Comentou em 16/07/2006 Pablo Arruti

    ‘* Autor do capítulo Webjornalismo no livro No Próximo Bloco – Editora PUC/Rio -2005’ Sou de Salvador, como faço para ter acesso ao seu capitulo?

  6. Comentou em 15/07/2006 Gilberto Geraldo

    Creio que realmente poderemos ter uma nova forma de divulgação da noticia. Não só devido a internet, mas também pela produção regional do jornalismo através de pequenos jornais e revistas. Tanto creio que estou projetando um pequeno jornal para minha cidade, a ser lançado em um mês. Não o faço devido a noticias de carater inveridico sobre a realidade, mas pelo fato de a grande imprensa esquecer as cidades de interior. Poderemos ter uma nova realidade no país se cada um de nós estudantes e jornalistas, ao invés de ficarmos mendigando por emprego em jornalões, fizermos nós proprios as publicações. É caro. É dificil. Mas lhes garanto que também é prazeroso. Não falo de fazer publicações para colocar nossas ideias, mas principalmente de levar a infrmação com isenção. Para que os leitorees ao descobrirem os varios caminhos, possam discernir sobre qual melhor a seguir. Há um novo mundo a espera dos que querem desfrutá-lo. Viva a crise. Viva o Caos.

  7. Comentou em 15/07/2006 Gilberto Geraldo

    Creio que realmente poderemos ter uma nova forma de divulgação da noticia. Não só devido a internet, mas também pela produção regional do jornalismo através de pequenos jornais e revistas.
    Tanto creio que estou prjetando um pequeno jornal para minha cidade, a ser lançado em um mês.
    Não o faço devido a noticias de carater inveridico sobre a realidade, mas pelo fato de a grande imprensa esquecer as cidades de interior.
    Poderemos ter uma nova realidade no país se cada um de nós estudantes e jornalistas, ao invés de ficarem mendigando por emprego em jornalões, fizerem eles proprios suas publicações. É caro. É dificil. Mas lhes garanto que também é prazeroso.
    Não falo de fazer publicações para colocar nossas ideias, mas principalmente de levar a infrmação com isenção. Para que os leitorees ao descobrirem os varios caminhos, possam discernir sobre qula melhor a seguir.
    Há um novo mundo a espera dos que querem desfrutá-lo.
    Viva a crise. Viva o Caos.

  8. Comentou em 15/07/2006 Fabio de Oliveria Ribeiro

    Seu artigo é muito oportuno. Mas sinceramente, a cada nova iniciativa da ‘direita escrota’ e da ‘esquerda desonesta’ percebo que o desconpasso entre a realidade mundial e a brasileira tende a se distanciar, pelo menos para a grande maioria dos brasileiros (da qual faço parte por opção). Como já me disse um elitista confesso: ‘não há espaço para todoos participarem e trataremos de reservar todo o espaço para nós mesmos.’ Tenho feito de tudo para romper algumas barreiras, mas as vezes me sinto cansado, muito cansado. Para a maioria dos cidadãoscontribuintes o Estado transforma o presente num exercício de sobrevivência na mais absoluta mediocridade e certamente reserva um pesadelo futuro. Tenho me esforçado para fazer alguma coisa diferente. Já que faço parte da manada aprisionada dentro das fronteiras do país e não tenho idade nem vontade de ir embora resolvi infernizar a ‘direita escrota’ e a ‘esquerda desonesta’:

    http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/07/357632.shtml

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