Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Teoria do ‘rabo comprido’ procura explicar a crise na imprensa

Por Carlos Castilho em 14/07/2006 | comentários


O nome faz muita gente torcer o nariz, mas a expressão inglesa ‘long tail‘ (cauda longa) está hoje em moda por conta de um livro que acaba de ser lançado pelo jornalista norte-americano Chris Anderson .


Trata-se de uma inovadora tentativa de explicar como o o poder concentrado nas mãos de poucas mega-empresas está sendo pulverizado pela fragmentação de iniciativas provocada pela generalização do uso da internet no mundo inteiro.


A tese do ‘rabo comprido’ foi esboçada há dois anos num artigo de Anderson publicado na revista Wired  e provocou um frisson no setor empresarial porque mostrava como o surgimento de milhares de pequenos novos negócios online está criando uma oferta global de produtos que supera a das mega corporações. Noutras palavras, poucas grandes estão sendo substituidas por milhares de pequenas.


A explicação para este fenômeno estaria num conhecido princípio estatístico (curva de Pareto – detalhes técnicos em ingles na Wikipédia ) Long Tailsegundo o qual altas frequências (faixa marron) são substituidas por uma longa sequência de baixas frequências (faixa amarela – a cauda), como mostra o gráfico.


A teoria diz que a faixa amarela do gráfico é virtualmente interminável e que a área total ocupada por ela acaba sendo maior do que a da faixa marron. Anderson aplicou esta idéia ao comércio eletrônico para mostrar como a soma dos pequenas iniciativas viabiliza o conjunto dos negócios online. Como a diversificação poderia ser mais lucrativa do que a uniformização, da produção em massa tipo ‘um modelo serve para todos’.


Daí o ‘rabo comprido’ pulou para o setor da imprensa através de uma entrevista ao autor do livro The Long Tail ao jornal inglês The Guardian (exige cadastramento gratis ) no qual ele interpreta a crise dos grandes jornais na Europa e Estados Unidos como uma das consequências do surgimento de milhares de micro opções formadas por weblogs, páginas pessoais, podcasts, videocasts e de sites como o Orkut  e MySpace .


Somando-se a massa das informações produzidas por estes espaços alternativos, ela acaba maior do que a produzida pelos grandes impérios jornalísticos. ‘Os grandes jornais não vão desaparecer. Eles simplesmente pederam o monopólio da informação. Para sobreviver eles terão que se adaptar aos novos tempos, e é justamente isto que está na origem da crise atual dos grandes jornais’, disse Anderson ao The Guardian.


A viabilidade econômica futura do conjunto das pequenas iniciativas jornalísticas estaria assegurada segundo a teoria do ‘rabo comprido’, mas isto não significa que a sobrevivência de cada uma delas individualmente esteja garantida. A curva do rabo pode ser lida também no sentido da expectativa de rentabilidade. Os novos empresários jornalísticos terão que esperar um bom tempo antes de alcançar o ponto de equilibrio entre receita e despesas. Vai ser uma questão de paciência e austeridade, garante o autor do livro.


Conversa com os leitores:
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