Sábado, 20 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Terceirização de repórteres e jogos jornalísticos mudam a cara da imprensa na era digital

Por Carlos Castilho em 25/05/2007 | comentários


Para quem ainda dúvida que o jornalismo já não é mais o mesmo, aqui vão três notinhas pescadas na Web, que podem dar um nó na cabeça de muita gente, de coleguinhas a leitores:




1) Repórteres indianos fazem cobertura local em cidade americana, pela internet.


2) A moda atual entre os antenados é responder entrevistas por email ou colocar as respostas no blog pessoal, antes de passa-las ao repórter.


3) O título mais acessado no site jornalístico da MSNBC é o de um jogo chamado Newsbreaker , onde a captura de manchetes vale pontos.


O jornalismo na era digital tem destas coisas que parecem modismos passageiros, mas que no fundo indicam tendências no mercado da informação.


A terceirização jornalística já é um fato na maioria dos países, embora aqui no Brasil ela ainda seja muito reduzida. Tornou-se moeda corrente as empresas jornalísticas alugarem profissionais por tarefa para economizar custos sociais dos contratos trabalhistas. É quase um corolário da tese das redações mínimas que passou a ser um verdadeiro dogma na maioria dos jornais, emissoras de radio e de televisão.


As empresas de telemarketing dos Estados Unidos descobriram a mina de ouro da mão de obra barata na Índia há quase uma década. A mesma preocupação com a minimização de custos levou o jornal Pasadena News Star , de Pasadena, Califórnia a recorrer aos mal pagos repórteres indianos para cobrir temas de uma cidade localizada do outro lado do mundo.


Os três jornalistas indianos contratados deveriam monitorar, através da Web, os blogs, páginas institucionais, fóruns de moradores e sites de relacionamentos de moradores de Pasadena, para garimpar notícias locais que seriam publicadas tanto na versão impressa como na versão online do jornal.


A contratação dos repórteres indianos  gerou um grande ti-ti-ti entre os jornalistas americanos, a tal ponto que o Pasadena News Star resolveu adiar o projeto porque a pressão foi grande. Mas o editor James Macpherson admitiu que a idéia não foi abandonada, pois a diferença salarial é enorme. Um repórter indiano, formado na badalada escola de jornalismo da Universidade da Califórnia em Berkeley, custa, na Índia, US$ 7.200 dólares anuais (ou seja, 1.120 reais mensais), enquanto um norte-americano cobra dez vezes mais.


Se para o jornal Pasadena News as distâncias não importam, para personalidades muito requisitadas para entrevistas, o contato direto também já é dispensável. O diretor da faculdade de jornalismo da Universidade de Nova Iorque, Jay Rosen, agora só responde entrevistas por correio eletrônico ou pelo seu blog pessoal. Rosen queixa-se que os repórteres descontextualizam suas respostas e que não tem mais tempo para tantos pedidos da imprensa.


Howard Kurtz, crítico de mídia do jornal The Washington Post resolveu investigar o tema e descobriu que o professor Rosen não é uma exceção. O mesmo expediente já está sendo usado por um grande número de empresários, consultores renomados e por especialistas procurados a todo instante para dar entrevistas. As chamadas fontes agora não precisam mais dos repórteres porque tem seus blogs pessoais para dizer tudo o que desejam.


Mas em matéria de quebra de paradigmas na imprensa, nada supera o jogo criado pela MSNBC. Não é a primeira vez que o jornalismo vira tema de videogames, mas, se não me engano, nunca antes um veículo jornalístico usou este recurso para atrair leitores.


O Newsbreaker não chega a ser um jogo empolgante, mas ele pode estar abrindo caminho para uma tendência que vai se infiltrando aos poucos na comunicação através das narrativas não lineares em projetos multimídia.


O componente lúdico começa a ser estrutural no desenvolvimento de histórias mudando o caráter dos jogos. De divertimento eles passam a ser também formas de descobrir a realidade.


São apenas três histórias , das muitas que circulam na nova realidade digital, que a cada dia quebra mais paradigmas na arena da comunicação.

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