Domingo, 17 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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Transgênicos: a novidade ignorada

Por Luiz Weis em 12/01/2006 | comentários

Burocraticamente ou quase, a Folha, o Estado e o Valor deram hoje o press-release da organização americana Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agribiotecnologia (Isaaa, na sigla em inglês) com os mais recentes números sobre o cultivo de transgênicos no mundo.

A Folha e o Estado destacaram já no título que o Brasil passou de quarto para terceiro maior produtor de plantas geneticamente modificadas (de 5 milhões de hectares semeados em 2004 para 9,4 milhões no ano passado). É um aumento de 88%, conforme ressaltou o Valor. As maiores culturas transgênicas estão nos Estados Unidos e na Argentina.

Mas, enquanto o Estado abre a sua matéria informando que a área plantada com variedades transgências – nos 21 países que praticam a agricultura de base biotecnológica – aumentou 11%, o Valor preferiu chamar a atenção, desde o título, para o fato de que esse aumento indica uma desaceleração no setor. Em 2004, a expansão tinha sido de 20%.

As lavouras transgênicas cobrem 3 milhões de hectares, ou 3% da agricultura mundial. Aderiram aos transgênicos em 2005 a França, o Irã, Portugal e a República Checa.

O relatório do Isaaa é o tipo de informação que cai no colo das redações, cada uma trabalhando menos ou mais a matéria-prima recebida. O que os jornais não fizeram, aproveitando o gancho, foi dar uma passeada pela internet para ver se seria possível enriquecer a história com eventuais outras novidades no pedaço.

Tivessem tomado essa providência elementar, teriam um prato cheio a oferecer ao público pagante, partindo do fato de que o único transgênico legalmente plantado no Brasil – e que teve o tal aumento de 88% – é a soja.

Isso porque acaba de se divulgar o resultado perturbador de um estudo conduzido sobre efeitos da soja GM pela doutora Erina Ermakova da Academia Russa de Ciências.

O caso está contado no site www.rssl.com, especializado em questões alimentares.

O estudo verificou que ratos recém-nascidos de mães alimentadas com soja geneticamente modificada estavam cinco vezes mais propensos a morrer nas três primeiras semanas de vida do que os ratos cujas mães consumiram soja convencional. Além disso, 36% dos primeiros nasceram pesando muito menos do que os outros, entre os quais apenas 6% estavam abaixo do peso.

O site que deu a notícia ontem acrescenta que a pesquisa faz parte de uma série de investigações recentes cujas descobertas revivem as preocupações com a segurança dos alimentos GM.

No domingo passado, por exemplo, o Independent de Londres informou que, segundo um estudo italiano, a soja GM afeta o fígado e o pâncreas de ratos. Informou também que dados da própria Monsanto, a megaempresa de sementes transgênicas, revelam que raros submetidos a uma dieta rica em milho GM têm rins menores e mais hemácias (células de sangue) do que os outros – indícios de dano ao seu sistema imunológico.

Comentando a pesquisa russa, a Monsanto retrucou que “a maioria esmagadora dos estudos científicos independentes, publicados e avaliados por outros cientistas, demonstra que a soja transgência Roundup Ready pode ser consumida com segurança por ratos e por todas as demais espécies animais estudadas”.

Quando é que a mídia nacional vai abocanhar o assunto?

***

Serão desconsideradas as mensagens ofensivas, anônimas e aquelas cujos autores não possam ser contatados por terem fornecido e-mails falsos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 18/01/2006 Cláudio Luís Vitório dos Santos

    Para não ser repetivo, gostaria de saber de nossas autoridades do Ministério da Agricultura e Associações dos Cultivadores de Grãos de nosso país, se os mesmos tem noção do que realmente significa a mudança de cultivo de grãos comuns para grãos genéticamente modificados, sanitária e comercialmente falando ?????/////

  2. Comentou em 17/01/2006 Christian

    Quando deixar de lado o analfabetismo científico.

  3. Comentou em 15/01/2006 Sidnei Fontes

    Sera ‘para alimentar os famintos do mundo’ ou enriquecer os espertos. Talvez seja para alimentar os famintos de dinheiro facil e rapido, os grandes produtores e seus serviçais associados.

  4. Comentou em 13/01/2006 MARCOS QUITO

    Fantástica a reportagem – do O.I. – e não do Estado…
    Precisava enviar para a Ex. Ministra Marina Silva.
    Este assunto sempre ficou com uma aura de dúvida, sem provas, sem comprovações de protocolos de pesquisa.
    Agora temos bastante matéria palpável.
    Misturar fosforescência com porcos é até engraçadinho, mas eu nunca aceitei bem a idéia de misturar RoundUp com a nossa soja.

  5. Comentou em 13/01/2006 Paulo de Almeida

    A novela dos insumos agrícolas é antiga e vergonhosa, principalmente para o Brasil. A indústria sempre sai com uma milagrosa assim que as antigas ficam manjadas, sem o mínimo escrúpulo ou probidade científica. No Brasil, a história para lancar estes produtos milagrosos é quase inacreditável. Tem uma curiosa que até a Clarice Lispecktor comentou, quando as donas de casa controlavam barata com um produto caseiro a base de gesso, e isto foi defamado e substituído pela propaganda do Detefon. Saibam compatriotas que fomos um dos maiores exportadores de inseticida do planeta, e hoje após uma verdadeira lavagem cerebral, aceita-se como um fato consumado que somos dependentes de importacoes milhonárias através de uma agricultura doentia, e pronto. No meu curso de agronomia nunca um professor mencionou alguma coisa a respeito de timbó(rotenona). Vejam na internet quanta matéria paga tem a respeito de timbó. Sabem por que? É porque a planta nativa TEM POTENCIAL DE SUBSTITUIR VÁRIOS INSETICIDAS IMPORTADOS!!! Sabem quantas vezes tentei ventilar o tema com as autoridades nacionais? Perguntem à ministra Marina Silva o que seus assessores me responderam. E os meus ex-colegas que hoje estao no governo, apadrinhados pelo meu ex-professor e hoje vice-governador do MS? É um monte de dogmáticos que na hora do pega nao dá no couro. Transgênico é o resultado de uma ignorância histórica. É lamentável

  6. Comentou em 13/01/2006 sandro sicuto

    Ora, uma pesquisa com ratos! Mortandade ímpar de ratos! Estas são as maiores evidências da malignidade dos transgênicos para a saúde human?
    Falam-se horrores sobre os males causados, p. ex., pelo álcool, por produtos industrializados, até mesmo pelo ‘excesso’ de oxigênio, nem por isso nos arriscamos a admitir a proibição da comercialização e do consumo destes produtos, particularmente em relação ao último.
    Os OGM são a grande revolução em curso e mudará a face do planeta, produzindo alimento a custo menor, aumentando a produtividade e, principalmente, atendendo a uma população mundial crescente e faminta.
    Espero que a serenidade, o pragmatismo e o bom senso impere neste momento e que uma obsessão esquerdista não torne ainda mais difícil a sobrevivência da humanidade.
    Sandro Nasser Sicuto

  7. Comentou em 12/01/2006 Letícia Gonçalves

    E o porco transgênico, já viu?
    Em Taiwan fizeram uma mistura de porco com água-viva.O resultado: porco fosforescente.
    Parece piada, mas é verdade, pelo menos tá lá no caderno de ciências do folhaonline. Ele é verde. Só falta agora colocarem o pobre porquinho dentro de uma embalagem de ´chips´, aí vem como brinde.
    ´Compre um chips e pegue já seu porco que brilha no escuro´.

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