Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Trapalhadas

Por Mauro Malin em 21/02/2006 | comentários

Medida pelas trapalhadas atuais para escolher um candidato, entende-se por que a condução tucana da crise do mensalão não foi a mais eficaz. Não se trata de aplicar a chamada “sabedoria da visão retrospectiva”, mas sempre se pode ler o passado à luz do presente.


Partindo-se da premissa absurda de que se tratava de uma luta entre o bem e o mal, como no samba de Nelson Cavaquinho, por que o PSDB e seu aliado PFL foram incapazes de produzir evidências incontestáveis contra o PT? Dentro dessa premissa, teria sido incompetência.


Mas não foi só esse o problema. O problema é que as fontes de financiamento são, se não idênticas (o que acontece em alguns casos, vide Marcos Valério e Dimas Toledo), muito semelhantes.


A mídia depende doentiamente de um número limitado e viciado de fontes, porque foi esvaziada por crises econômicas e opções empresariais contestáveis. Por isso não conseguiu ir mais longe na apuração. Como em tantos outros episódios da História republicana. Depende de fontes que têm interesse numa apuração parcial dos fatos: revelem o que atrapalha a vida dos meus adversários. Mas, se chegar perto de mim, alto lá!


Outra hipótese é a de que a mídia seja conivente, por convicção ou por conveniência, com as irregularidades. É o que muita gente gosta de dizer – lêem-se montanhas de comentários assim nos blogs –, mas essa análise é equivocada. Seria preciso que não houvesse concorrência, que os veículos funcionassem como uma máfia, ou um cartel. As coisas não funcionam assim. É óbvio, mas é necessário insistir nisso. E procurar causas reais para deficiências dolorosas, das quais resultam um sentimento de frustração impotente e o alastramento do cinismo.

Todos os comentários

  1. Comentou em 21/02/2006 cid elias

    SR MAURO

    Cada vez mais patético !!!
    Não existe cartel da mídia… a mídia é imparcial , existe dólares de Cuba, o lobista é escroque, o TCU da Bahia é fictício , o ‘Comendador’ não deu 5,7 milhões pro Psdb ( os cheques, confissões, depoimentos … é tudo invenção), os depósitos feitos pela telesp uma semana antes de ser privatizada na conta da SMP&B é uma ‘montagem’ do MP e Bacen, as privatizações foram um sucesso, o dolar 1×1 foi fundamental para o Brasil progredir, foi visto ontem conspirando contra o psdb o SACI, o CURUPIRA e a MULA SEM CABEÇA !!!!
    DEU NA VEJA, FOLHA E ESTADÃO, o sr não leu??? Estranho….

  2. Comentou em 21/02/2006 Dermeval Vianna Filho

    Mauro, não concordo com o que você disse em: ‘Outra hipótese é a de que a mídia seja conivente, por convicção ou por conveniência, com as irregularidades (…)Seria preciso que não houvesse concorrência, que os veículos funcionassem como uma máfia, ou um cartel. As coisas não funcionam assim. É óbvio, mas é necessário insistir nisso.’
    Desculpe-me, mas é franca ingenuidade não admitir que existe sim um discurso padrão adotado pela grande mídia. O Óbvio é verificar que, sob diversos aspectos, parece que estamos lendo o mesmo jornal ou revista diversas vezes. Quem não o vê deve estar morando em Ruanda ou em Marte.
    São pouquíssimos os donos dos canais de comunicação. Globo, Folha, Estado e Abril são os principais produtores de conteúdo jornalístico. Se você analisar os demais jornais, quase todos reproduzem as matérias veiculadas por aqueles grupos. Pois bem, este grupo dos quatro (se quiser, coloque mais um ou dois), são notadamente uníssonos, p.ex., quando se trata de atacar movimentos populares ou ironizar chefes de estado latino-americanos. Não me lembro de a mídia nacional ter se mostrado tão eloquente quanto nos recentes casos de mensalão e congêneres. Não que seja errado mostrá-los. Mas, qual foi insistência nos deslindes de casos de corrupção perpetrados pelos governos passados, seja o de FHC, Sarney ou estaduais?
    Acho que lhe está faltando um choque de realidade.

  3. Comentou em 21/02/2006 Luiz Seixas

    Suas considerações sobre a ineficiência das investigações políticas nas CPIs e sobre as desastradas opções empresariais da mídia, OK. Quanto ao cartel ou máfia inexistente, sem essa: os problemas semelhantes, a miséria semelhante , as dívidas contraídas de forma semelhante, o perfil ideológico semelhante levaram a soluções semelhantes, como dividir fraternalmente o bolo pequeno de publicidade, vender a preço vil os jornais e revistas para entregar a mensagem política comprada.
    De qq forma, não creio que caiba ao congresso ou à mídia a apuração de ilegalidades. Cabe à polícia investigar, à mídia divulgar e aos tribunais punir, amparados em leis que o congresso criou, mesmo que defasadas. Essa é a ordem natural da República, que deve ser vigiada e preservada.

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