Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

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Três em cada quatro jornais norte-americanos apóiam Obama

Por Carlos Castilho em 25/10/2008 | comentários

O candidato presidencial democrata nas eleições do dia 4 de novembro já está eleito presidente dos Estados Unidos se depender dos votos dos quase 200 maiores jornais do país. A maioria obtida por Barack Obama é a maior da história norte-americana recente, pois nada menos que 134 jornais expressaram formalmente o seu apoio ao candidato democrata contra minguadas 52 manifestações de simpatia pelo republicano John McCain.


A última grande adesão à candidatura de Obama veio do The New York Times. Antes dele outros grandes jornais já tinham feito a mesma opção, como o The Washington Post, Chicago Tribune, Los Angeles Times, Miami Herald, Boston Globe, Atlanta Constitution e Philadelphia Inquirer.


Nada menos que 3 em cada quatro jornais norte-americanos estão apostando em Obama, inclusive 28 publicações que nas últimas eleições apoiaram a candidatura presidencial de George W.Bush e que agora optaram pelo nome indicado pelo Partido Democrata.


O voto dos jornais é uma velha tradição norte-americana, que tem um grande peso político nos círculos do poder mas uma reduzida ingerência na base eleitoral. Tanto que os eleitores e os partidos dos Estados Unidos já não se preocupam mais com a opção política dos jornais, ao contrário do que acontece no Brasil, onde formalmente a imprensa não toma partido nas eleições, mas tem uma forte ingerência eleitoral.


O Chicago Tribune, o maior jornal da cidade onde Obama tem seu reduto eleitoral, nunca apoiou um candidato democrata nos seus 161 anos de existência. Ao declarar seu voto, o Tribune alegou que “nada garante que John MacCain tem condições de resolver os dilemas financeiros com que o país se defronta”. Sintomaticamente, o mesmo argumento foi usado também pelo The New York Times.


Mas o posicionamento eleitoral dos jornais pesa cada vez menos num ambiente informativo marcado por uma avalancha de opiniões, como as emitidas por weblogs políticos norte-americanos. Além disso, há claros sinais de que para um grande número de eleitores a votação já acabou, porque Obama já é dado como vencedor por uma margem de 7 a 9 pontos percentuais, na catadupa de pesquisas de intenção de votos.


A nossa imprensa ainda continua a gastar muito papel, tinta e adjetivos para cantar loas ao processo eleitoral norte-americano quando na verdade a sua significação no conjunto de valores do cidadão está mudando rapidamente.


Até agora, o ato de votar era a expressão básica da participação democrática, porque fora dele só existiam processos violentos e contestatários. Mas agora, com a internet, a participação popular tornou-se onipresente e ganha cada vez mais amplitude e profundidade à medida que a inclusão digital aumenta.


Até mesmo os partidos e os candidatos estão perdendo seu significado eleitoral num contexto social onde ter um posicionamento ou participação deixa de passar obrigatoriamente por siglas e profissionais da politica. Os eleitores se juntam hoje em comunidades virtuais e em fóruns online para discutir temas que antes eram debatidos em partidos ou sindicatos.


Nossa imprensa continua a cobrir processos eleitorais sem levar em conta que o cidadão, principalmente o dos grandes centros urbanos, já não vota mais por identidade partidária mas por interesse social. Isto só aumenta a defasagem entre a mídia e seu público, pois as desgastantes rotinas de produção em massa de notícias impedem que os profissionais saiam de sua redoma informativa.

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