Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Tucanos, petistas – e a mídia

Por Luiz Weis em 16/08/2007 | comentários

Bibliografia

CASTELLS, Manuel. A Era da Informação: economia, sociedade e cultura (vol. 3). Paz e Terra, 2ª edição. São Paulo. 2000

CASTELLS, Manuel. O Poder da Identidade. Paz e Terra. São Paulo. 1999

MATTELART, Armand. Comunicação-mundo. Editora Vozes, 4ª edição. Petrópolis (RJ). 2001

SALAM PAX, O blog de Bagdá. Tradução de Daniel Galera. Cia. Das Letras. São Paulo. 2002

Trabalhos acadêmicos

CASTELLS, Manuel. Internet y la sociedad red. Aula inaugural do Programa de Doutorado sobre a Sociedade da Informação e o Conhecimento, na Universidade Aberta da Catalunha (UOC) – 1999. Disponível em www.sociologia.de. Acesso em 30/6/2004

OLIVEIRA, Rosa Meire Carvalho de. De onda em onda: a evolução dos ciberdiários e a simplificação das interfaces. Disponível em http://bocc.ubi.pt/pag/oliveira-rosa-meire-De-onda-onda.html. Acesso em 26/6/2004.

Hemerografia

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http://www.ojr.org/ojr/glaser/1084325287.php. Acesso em 11/5/2004

Algo tardiamente, leio no Valor de hoje um artigo que enriquece o debate sobre afinidades e desavenças entre PSDB e PT, acrescido de idéias também sugestivas sobre o que a autora, a jornalista Maria Inês Nassif, chama ‘o caso do PT e de Lula com a imprensa’. Tem por título ‘Caminho à esquerda é o mais difícil’. Lá vai:

A cientista política Lourdes Sola, da USP, constatou em entrevista ao jornal ‘O Estado de S. Paulo’ do último domingo que o PSDB ‘tem um pudor enorme de se apropriar de suas realizações políticas e um medo de pânico de ser acusado de direita’. O PT compartilha o pânico, mas de ser apontado como um partido de centro-esquerda e retirado da lista dos socialistas. Os dois, pelo menos, têm alguma crise de identidade, trazida talvez pelo fato de que ambos, na origem, tinham uma identificação ideológica com segmentos da sociedade brasileira, ao contrário dos partidos tradicionais. O PSDB surgiu como um partido de quadros, mas com um peso intelectual capaz de agregar elites ‘ilustradas’ e com vocação social-democrata; o PT, como um partido de massas, que não apenas atraiu boa parte dos partidos da esquerda mais radical como uma militância que veio da área sindical e das comunidades eclesiais de base e militantes contra a ditadura que até então não tinham vínculo partidário.

No caso do PT, a atração de pessoas desvinculadas das estruturas excessivamente centralizadas (justificadas por muito tempo de atuação na clandestinidade), que dentro do partido se mantinham como facções (ou ‘tendências’, como são chamadas), acabou resultando também na articulação de uma facção dos chamados ‘independentes’. Ainda assim, na convivência entre os grupos e na síntese do contraditório interno, o socialismo era o centro do debate. No caso do PSDB, havia uma indiscutível hegemonia social-democrata, apesar de adesões, no início esparsas, de lideranças regionais desideologizadas, forjadas na política tradicional brasileira.

A luta pelo poder, e depois sua conquista, empurrou ambos à direita. O PSDB tem horror a essa realidade, mas consolidou-a incorporando a ideologia neoliberal nas duas presidências de FHC (1995-1998/1999-2002), vendendo-a como a chegada gloriosa do país à modernidade e à eficiência administrativa do Estado enxuto – vendeu uma ideologia como verdade racional. O processo de deslocamento ideológico foi completado pela aliança preferencial com o PFL e com a ajuda errática do PMDB para fazer maiorias. A cadeira colocada ao centro e à direita cabe a ele, apesar do ‘horror’ a essa posição.

O PT teve a ajuda da política econômica do governo Lula no primeiro mandato para também andar uma cadeira à direita – no centro e à direita, logo depois de seu principal adversário na política nacional. A ‘desideologização’ dos princípios neoliberais inaugurada pelos governos tucanos foi mantida, embora atenuada por uma política social mais ativa, que pelo menos não retirou dos petistas que permaneceram no partido todo o discurso de esquerda.

Os dois partidos tentam se reposicionar, mas é difícil. O PSDB porque internamente hegemonizou o malanismo, e é difícil livrar-se dele. O PT porque, mesmo tendo conquistado o Ministério da Fazenda para o não-ortodoxo Guido Mantega, não consegue reaver um discurso que minimamente o mantenha como alternativa de socialismo (aquele no qual o Estado é dono dos meios de produção). O governo do PT não é socialista e não conseguiu chegar sequer a algo parecido com a social-democracia. Isso acentuou uma dificuldade que já estava posta para o petismo após o fim do ‘socialismo real’, quando a maioria partidária assumiu a bandeira do socialismo democrático. Se naquele momento já era difícil definir o que vinha a ser esse socialismo – que se confunde simplesmente com a social-democracia -, no poder ficou mais difícil ainda.

No PSDB a unidade é difícil, inclusive e principalmente pelo poder desagregador do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, guindado a líder máximo, que tem sido eficiente no trabalho de acirrar discordâncias. O que hoje une o PT é uma aversão à chamada ‘imprensa burguesa’ e uma acomodação das tendências mais à esquerda, menos sujeitas à negociação quando conviviam com os grupos mais radicais que saíram do partido rumo ao P-SOL.

O caso do PT e de Lula com a imprensa é um caso à parte. Não há dúvida de que o grosso da imprensa tradicional cumpriu um papel ideológico no ano anterior e durante o processo eleitoral de 2006. Lula não era o seu candidato; o PT jamais foi sua preferência partidária, apesar de ter mantido uma política econômica que não suprimiu benefícios dos bloco dominante. Como disse Octavio Ianni no artigo ‘O Príncipe Eletrônico’, mais do que em qualquer outro período histórico, na globalização a informação tornou-se mercadoria – e nenhuma mercadoria é inocente. E, como afirmava o italiano Antonio Gramsci já no primeiro quartel do século passado, os jornais são aparelhos ideológicos cuja função é transformar uma verdade de classe num senso comum, assimilado pelas demais classes como verdade coletiva – isto é, exerce o papel cultural de propagador de ideologia. Ela embute um ética, mas também a ética não é inocente: ela é uma ética de classe.

Nas eleições de 2002, a imprensa, de um lado, e o eleitorado, de outro, no meio de toda essa confusão ideológica de petistas e tucanos, foram afinal aqueles que dividiram tucanos como a opção à direita e Lula como uma opção à esquerda. Nesse embate, o eleitorado derrotou a imprensa, mais do que Lula e o PT derrotaram o tucano Geraldo Alckmin e seu partido. A imprensa falhou no seu papel de formulador de consensos. Nos quatro e oito anos anteriores, o discurso de entrada do país na modernidade, reformas estruturais e quetais pela mãos dos tucanos tornaram-se um senso comum com a ajuda inestimável da mesma imprensa que não conseguiu, em 2006, vender Alckmin como um social-democrata e Lula como um corrupto. Foi o momento em que o eleitorado guinou para a esquerda, a imprensa manteve a mesma posição ideológica da última década e Lula, ao menos, acrescentou ao feijão-com-arroz da política econômica os programas sociais. A vitória nessa guerra, é lógico, foi também de Lula e do PT. É surpreendente que, depois disso, ambos mantenham a fixação nas críticas dessa imprensa que se partidarizou e foi derrotada. A única coisa que ganham com isso é uma unidade frágil, em torno da paranóia coletiva do golpismo.

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  1. Comentou em 18/08/2007 José Paulo Badaro

    O presidente (nem tanto o partido), por mais que tenha caminhado em sentido ao centro ou para a direita – coisa que não poderia ter sido muito diferente para quem só conseguiu chegou ao poder ao lado de alguns conservadores – apesar de tudo não perdeu o foco em relação ao social, e a prova mais evidente dessa realidade decorreu da sua reeleição, a despeito dos dossiês, mensalões e do engajamento descarado da mídia na campanha do outro candidato.

    “É surpreendente que, depois disso, ambos mantenham a fixação nas críticas dessa imprensa que se partidarizou e foi derrotada. A única coisa que ganham com isso é uma unidade frágil, em torno da paranóia coletiva do golpismo…” Não acho, francamente, que seja pouca coisa os governistas se unirem em torno de uma idéia de golpismo, e a Venezuela está ai para demonstrar que isso é perfeitamente possível!

    ”Lula não era o seu candidato; o PT jamais foi sua preferência partidária, apesar de ter mantido uma política econômica que não suprimiu benefícios dos bloco dominante…” Em outras palavras o PT, durante todo governo FHC, jamais contou com o apoio da mídia para o que quer que seja, muito menos para tentar desestabilizar o governo, enquanto o PSDB/PFL e seus desdobramentos do tipo CANSEI e “Fora Lula!” contam com notório apoio da imprensa em geral. Essa é a diferença!

  2. Comentou em 18/08/2007 marina chaves

    se existe constataçao de que os partidos politicos perderam rumo, tanto pt como psdb,com a sua tentativa de administrar o pais, quero dizer, perderam o rumo na tentativa ideologica, uma mais de centro esquerda e outra mais de esquerda, é justo nos perguntar como e quando pt e psdb se perderam, deixando de lado a proposta original e se parecendo mais com velha elite de direita, que dizem que no brasil domina a cena politica há mais de quinhentos anos… uma das pistas para se entender esse estranho fenomeno tiraria de uma das maximas de fhc , na entrevista que concedeu a joao moreira salles: o processo historico é dinamico, mas as estruturas permanecem.. no foi o que dise?? e a experiencia ensina que na propria historia há exemplos dessa permanencia…. como no brasil, desde o seculo XIX, a ideia é a de que o estado deve ter o poder para impulsionar instituiçoes e a sociedade, pois estao dispersas e precisam de uma agente organizador e mobilizador, entao essa seria uma das nossas maiores pendencias….. nao existe permanencia maior do que essa…. e de dificil soluçao….primeiro, dificil controlar instituiçoes quando ganham autonomia… depois, nega-se existencia de clases sociais em favor de uma visao estanque da propria sociedade , quero dizer, a percepçao é sempre incompleta…. e por ultimo o setor economico sempre predominará, não há consenso maior..

  3. Comentou em 18/08/2007 Carlos N Mendes

    Uma das poucas análises neutras que li nos últimos anos, pelo menos até o terceiro quarto do texto. É evidente a distância entre discurso e o modus operandi dos dois partidos. Mas, veja : já em sua fundação, o PSDB agregou um ou outro oligarcas, como Caio Pompeu de Toledo e Renan Calheiros. Já política econômica de FHC se resumia em facilitar a entrada de capital – qualquer um – estrangeiro, nem que para isso vendesse a Nação por quilo, ou quase pagasse para especuladores aportarem seus dólares em nossas bolsas (havia duas, quem se lembra?). Pelo menos esses erros serviram de mau exemplo. Mas não há como concordar que não há um movimento francamente golpista; a operação ‘Mensalão’ parou quando atingido o objetivo (destruir politicamente toda a cúpula petista); a operação ‘dossiê fajuto’ (a expressão é da Playboy de agosto) tinha um traçado tão definido que, quando o ministro da Justiça barrou a divulgação das fotos, deu-se um jeito de consegui-las, era parte fundamental do plano (que o digam as vítimas do acidente da Gol…). O atual é destruir a aliança PT-PMDB – primeiro Silas Rondeau, mas empacou em Renan. Crise aérea e acidente da TAM é oportunismo, mas já que estão à mão, ‘vamos usar os cadáveres’… sem a imprensa ao lado, isso tudo seria impossível.

  4. Comentou em 17/08/2007 Ivan Moraes

    ‘Vide o ´Cansei´ ter pedido para os militares ‘acordarem’, na passeata que os mauricinhos fizeram’: correcao: o Defecansei contratou rapazes e senhoritas a 19 reais pra pedir aos militares pra acordarem. Eu estava la! Eu vi!!!

  5. Comentou em 17/08/2007 Rogério Ferraz Alencar

    ‘A vitória nessa guerra, é lógico, foi também de Lula e do PT. É surpreendente que, depois disso, ambos mantenham a fixação nas críticas dessa imprensa que se partidarizou e foi derrotada. A única coisa que ganham com isso é uma unidade frágil, em torno da paranóia coletiva do golpismo.’ A imprensa partidarizou-se e foi derrotada, mas não aceita a derrota. Aliás, não aceita nem que se diga que ela partidarizou-se. Por isso não vejo surpresa nenhuma na ‘fixação’ petista contra as ‘críticas’ da mídia derrotada e inconformada. A coluna de Eliane Cantanhêde, hoje, 17/08, é exemplo disso. Ela ainda tenta jogar o desastre da TAM nas costas de Lula. O golpísmo não é paranóia, é real. Vide o ´Cansei´ ter pedido para os militares ‘acordarem’, na passeata que os mauricinhos fizeram. Lula e o PT, e os que votaram em Lula, devem ficar atentos.

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