Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
Menu

CÓDIGO ABERTO > Desativado

TV digital não é (só) tecnologia

Por Mauro Malin em 11/01/2006 | comentários

Luís Nassif adverte hoje (11/1) na Folha que “está se montando [em torno da TV digital] uma farsa para justificar uma escolha fundamental”. Cita a posição da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura, para a qual o ponto crítico não é o padrão tecnológico mas “o que se pretende em um país continental, de baixo poder aquisitivo e alta taxa de analfabetismo”.


O Brasil foi o terceiro ou quarto país do mundo a ter televisão. Não sei dizer até que ponto Assis Chateaubriand sabia onde a criação da TV Tupi iria desembocar. Mas li depoimentos sobre a criação da TV Globo nos quais fica bem clara a consciência de que uma rede nacional de televisão, num país de baixas taxas de alfabetização e escolaridade, deveria ter grande papel educativo. Embora se possa afirmar que parte da programação da Globo deseduca, é inegável que a emissora sempre trabalhou tendo em vista uma função educativa. Que de fato desempenha. Ainda que seu móvel principal seja a audiência, que lhe traz receitas publicitárias. E que não se acanhe em transmitir, por exemplo, propaganda de cerveja dirigida a jovens na qual o argumento de venda são corpos de belas moças.


Não é possível pilotar temas tão grandiosos como esse da televisão digital sem uma visão das carências e expectativas da sociedade. Se predominar exageradamente a visão dos que estudam tecnologia e mercados, é alto o risco de se adotarem decisões questionáveis, com efeitos que serão lamentados por muitos e muitos anos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 13/01/2006 Cláudio do Valle Giuliano

    A discussão técnica é importante desde que se recorde do fiasco da adoção do malfadado sistema de cores PAL-M e das dores de cabeça que isso gerou no consumidor final de televisores, videocassetes e DVD´s.
    Infelizmente a discussão irá caminhar para o lado político, também, por causa do potencial que o novo sistema digital tem em relação às possibilidades para o consumidor final.
    E digo infelizmente por causa das interferências negativas dos detentores dos direitos de veiculação, que poderão ‘entender’ que essas possibilidades podem ‘ameaçar’ o domínio sobre a informação, sobre a programação, o conteúdo, etc..
    No final quem vai sair perdendo, como sempre, é o consumidor final, principalmente os de classe média para baixo.

  2. Comentou em 13/01/2006 Marcos de Souza Subtil

    Demais mas é verdade, todos os dias são veiculado comercias de vários produtos, desde bebidas alcoólicas até remédios que viciam crianças. E de programas educativos tão pouco se vê, quando tem é de má qualidade, fica aí então o recado para as pessoas envolvidas com o meio, programas do tipo como evitar as drogas, usar camisinhas, a cada dia que poucos programas desse tipo são veiculados.

  3. Comentou em 12/01/2006 Jacy Coelho

    Faltam discussões…já que essas não vêm até mim, fui atrás de argumentos sobre a tv digital, mas voltei com a sensação de que esse é mais um projeto que vai se tornar lenda, não vai sair do papel como tantos outros nesse nosso Brasil.

  4. Comentou em 12/01/2006 Bruno Langeani

    faltam discussões com propriedade a respeito do tema,
    o observatório poderia convidar especialistas para enriquecer o debate e mostrar quais as oportunidades de democratização da informação a tv digital pode trazer.

  5. Comentou em 11/01/2006 Laerte Abreu Junior

    Acabei de enviar uma mensagem congratulando-me com o fim da censura prévia neste blog, mas me enganei, a censura permanece. Peço desculpas por minha empolgação. No meu modo de pensar cada um deve ser responsável por aquilo que faz. Para quem extrapolar existe a justiça. Não é necessário haver censura e ainda mais da parte de jornalista…

  6. Comentou em 11/01/2006 Laerthe Abreu Junior

    Quero enaltecer a atitude madura tomada por todos os donos dos blogs deste OI pelo fim da censura prévia nas mensagens. Parabéns!

  7. Comentou em 11/01/2006 Rikene Fontenele

    Ocupá-la significa ‘esquerdizar’ a televisão através da revolução bolivariana.

  8. Comentou em 11/01/2006 Eduardo Peduto

    Nada pode justificar a volta de programas populares de forte apelo sexual numa emissora que deveria priorizar a discussão dos problemas socias, haja vista o alcance e a importância que ela deveria assumir na formação do povo brasileiro. Como assegurar esse compromisso se o controle dela está sob comando de profissionais inescrupulosos e nada responsáveis? A bem da verdade, estou convencido de que não basta tão-somente exigir qualidade no conteúdo da programação. É preciso acima de tudo ocupá-la e remover o entulho que lá está. Caso contrário, muitos continuarão acreditando que o Observatório da Imprensa será o instrumento de possível ação transformadora.

Código Aberto

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem