Sábado, 17 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Um breve contra o lero-lero

Por Luiz Weis em 22/07/2008 | comentários

O New York Times recusou-se a publicar, como veio, um artigo do candidato republicano John McCain falando de seus planos para o fim da ocupação americana do Iraque.

O jornal pediu a McCain que reescrevesse passagens do texto para dizer em termos concretos o que entende por “vitória no Iraque” e se irá anunciar um cronograma para a retirada.

O pedido foi rejeitado, e a equipe do candidato se queixou de discriminação.

Na fase das primárias, o NYT anunciou seu apoio a Hillary Clinton entre os democratas e a McCain entre os republicanos.

Recentemente, o Times publicou um artigo do afinal vitorioso Barack Obama sobre o Iraque. Não se sabe se saiu como recebido, ou se precisou ser canetado pelo autor, por exigência do jornal.

Todos os artigos da sua página de Opinião são editados e checados. Não só por razões de clareza e espaço, mas para eliminar erros factuais. Se algum deles serve de base para um juízo de valor, o autor que desate o nó, do contrário nada feito.

Nem todos apoiam essa política. O argumento contrário é o de que o jornal não tem de interferir em artigos assinados – o leitor que julgue os seus autores. É, por exemplo, a rotina na imprensa brasileira.

Mas o Times está certo. Nem sempre o leitor sabe distinguir informação falsa da verdadeira, e o jornal não deve mesmo se prestar ao papel de transmissor de enganos alheios, propositais ou não, em nome do respeito à integridade das idéias dos articulistas.

No caso McCain, o NYT foi mais longe. Pelo visto, não quis ser mula do eventual lero-lero de um candidato diante de uma das duas questões que deverão decidir a eleição de novembro. (A outra é a economia.) Se ele fala em “vitória no Iraque”, tem de explicar o que quer dizer com isso.

Se os jornais brasileiros tratassem com a mesma severidade os artigos com as promessas dos nossos candidatos, nenhum deles iria gostar – mas o leitor encontraria menos abobrinhas nas páginas opinativas.

Todos os comentários

  1. Comentou em 25/07/2008 Filipe Fonseca

    A Barack Obama tudo é permitido? No artigo referido no texto, ele afirma que daria às Forças Armadas uma nova missão: acabar a guerra. Em que condições, ele não menciona. Ele elogia os resultados do ‘surge’ – o aumento da presença militar americana. Mas, à época, ele mesmo disse que isso só pioraria a violência sectária. O sujeito mente compulsivamente, mas o tal do ‘fact checking’ só vale para o McCain?

  2. Comentou em 25/07/2008 Roberto Ribeiro

    ‘Editar’ em português não significa ‘redigir’ ou ‘reescrever’, significa ‘publicar’. O editor de um livro é o sujeito que o publicou às suas custas ou conseguiu dinheiro para a edição. ‘Editar’ com o sentido de ‘redigir’ é um decalque por carregamento do inglês ‘to edit’. Se não fosse assim, qual seria a diferença entre ‘redator’ e ‘editor’? O redator de uma revista redige os textos, o editor a publica. O resto é anglicismo. É como ‘chocar’ em português existe o verbo ‘chocar’, mas para se referir ao que as galinhas fazem com os ovos, nos outros sentidos é imitação de ‘to chock’.

  3. Comentou em 25/07/2008 Fábio de Oliveira Ribeiro

    Quem publica tem o direito de escolher o que vai e o que não vai divulgar. Mas me parece que seria deselegante pedir para alguém reescrever um texto. Seria mais simples o jornal se recusar a publicar o texto e dar o caso por encerrado. Mas como se trata de uma eleição, penso que o jornal poderia publicar o texto do candidato na íntegra e ao lado do mesmo, com igual destaque, uma nota editorial explicando a posição do jornal em relação ao artigo.

  4. Comentou em 24/07/2008 Leandro Pereira

    Particularmente acho que os jornais não deveriam editar, checar, verificar, corrigir ou fazer qualquer outra alteração mais significativa em artigos assinados (talvez a exceção sejam erros grosseiros de grafia, concordância etc). Se o jornal não concorda com o conteúdo, que não publique, ou que abra espaço adicional e exponha seu ponto de vista. O leitor que julgue os dois: articulista e jornal.

  5. Comentou em 24/07/2008 Marcelo Thompson

    Quem nos dera nossos jornais tivessem um pouco dessa cultura… não precisava muito não, só um pouquinho já melhoraria e muito.

    PS: amigo Roberto Ribeiro, não resisti… o ‘checado’ eu concordo com você. Mas o ‘editado’, não. Editar não vem de ‘to edit’, amigo, vem do latim ‘editare’, que é coincidentemente a mesma origem de ‘edit’. Em vez de posar de intelectual, releve e veja o que esse post tem de bom. Tem pessoas que realmente não ficam satisfeitas e tem que colocar defeito em tudo…

  6. Comentou em 24/07/2008 Hélio Amaral

    Excelente, inteiramente de acordo! Não quero citar nomes, mas é incrível a irresposabilidade de certos comentraristas e articulistas que comentam sobre tudo e dão versões definitivas de algo que nem de longe estudaram sobre o assunto.

  7. Comentou em 24/07/2008 ubirajara sousa

    Senhor Luiz Weis, estou surpreso. Como pode o senhor e tantos outros jornalistas, que defendem a ‘livre e irrestrita’ expressão do pensamento (talvez apenas para a imprensa, não sei) propor um ato de censura de tal porte?
    Quanto ao Carlos Alberto de Souza Oliveira, Adm. Empresas (São Paulo/SP), engana-se o cavalheiro ao pensar que a capacidade de discernir do americano do norte é maior do que a nossa: o Bush que o diga.

  8. Comentou em 23/07/2008 Carlos Alberto de Souza Oliveira

    Desculpe meu caro Luiz, mas o nivel cultural dos eleitores/leitores, Brasileiros, não tem uma grau de discernimento tão apurado para julgar que uma noticia, não tem um fundamentação clara ou que espelhe a verdade, portanto os jornais estão pouco se lixando com isso, eles estão mais para frase do nosso diplomata de plantão proferida na rodada Dova, (uma mentira repetida varias vezes acaba virando uma verdade.
    Exemplo maior de desinformação que aparecer com uma boa porcetagem mas pesquisas eleitorais o Paullipetro Maluf, que tem como foi divulgado pela Associação dos Magistrado n processos correndo na justiça, ou maior ainda a dona Martaxa em primeiro nas pesquisa, ou um cara de pau do Senhor Geraldinho, fazer campanha institucional para o PSDB, falando assim, nos duplicamos a Imigrantes, contruimos mais linhas de Metro etc ele so esqueceu de dizer com o dinheiro dos impostos que nos pagamos, por exemplo alicota de 25% do ICMS, que ninguem reclama mais o Brasileirinho em geral tem uma memoria de como chama mesmo aquela passarinho praga que tem muito aqui em SP, e o pardal.
    Você acha que depois de tudo que aconteceu e vc mesmo comentou aqui a Respeito da Veja no ano de 2007, tem alguem preocupado com isso.

  9. Comentou em 23/07/2008 Roberto Ribeiro

    Caro senhor. ‘Todos os artigos da sua página de Opinião são editados e checados’. Pq não ‘reecritos e verificados’, ‘adaptados e conferidos’, ‘redigidos e analisados’? Na USP ninguém mais fala português? Será que o ‘to edit’ e o ‘to check’ são verbos obrigatórios para jornalistas? O que ‘to edit’ tem de superior a ‘redigir, adaptar, redigir’ e o que ‘to check’ tem de tão melhor que ‘analisar’, ‘verificar’, ‘conferir’, etc.? Pq o senhor não escreve diretamente em Inglês, em vez de agredir nosso pobre idioma? Tão bonito um texto escrito em uma só língua, em vez deste ‘portuglês’…

  10. Comentou em 23/07/2008 Ivan Moraes

    Nossa, WOW! Vou desmaiar de surpresa!!! Isso Prova Terminantemente Por Todos Os Seculos, Queridos Leitores: o NYTimes NAAAOOOO esta infiltrado, ta bom? Escutaram? Escutaram? Entao ta!

Código Aberto

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem