Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

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Um nome no jornal

Por Luiz Weis em 18/02/2008 | comentários

Na quinta-feira passada escrevi que a imprensa devia aos leitores um perfil do magnífico reitor da Universidade de Brasília (UnB), Timothy Mulholland (ver aqui) – aquele do apartamento de cobertura com lixeiras de R$ 900 (que custam essa nota por serem dotadas de sensores eletrônicos que as fazem abrir automaticamente quando se chega perto delas).


Desde então se soube mais:


A mesma Fundação de Empreendimenrtos Científicos e Tecnológicos (Finatec), que desviou R$ 470 mil destinados a pesquisas para reformar e decorar o apartamento do magnífico, incluíndo as lixeiras de luxo, comprou-lhe, para seu uso exclusivo – e sempre com cartão de crédito do governo – um carrão 2007, com os confortos de esperar num veículo que custou R$ 72.200.


E ainda:


O magnífico recebeu da UnB diária de R$ 3.953 e outros R$ 550 do Ministério da Educação para participar de um congresso em Cuba, onde ele não deu as caras. Só quando a Folha – informada da história – foi em cima da UnB, duas semanas depois, os dinheiros foram devolvidos.


E Timothy Mulholland – perto de quem a ex-ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, parece a Madre Teresa de Calcutá – continua sendo apenas, ou quase isso, um nome no jornal.


Que atentado à isonomia! Quando a senhora Ribeiro entrou na mídia pela porta errada, a do duty-free shop e da auto-locadora, os jornais se apressaram a incluir no noticiário os dados essenciais de sua biografia e da trajetória política que a levou ao governo.


Mas o senhor Mulholland, cujo afastamento do cargo os estudantes da UnB têm cobrado, continua sendo para o público pagante o magnífico desconhecido a que me referi no comentário anterior a seu respeito.


P.S.


A pedido do Ministério Público, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal afastou dos cargos os cinco diretores da Finatec que trataram o reitor com tanto desvelo. O órgão está sob intervenção.

Todos os comentários

  1. Comentou em 20/02/2008 Max Suel

    ‘…agora quando se trata da nojenta, preconceituosa, cafona e ignorante elite branca, o P.I.G. baba até escorrer pelos cantos da boca.’ esse comentário não é nem um pouco preconceituoso, cafona e ignorante. Êta comentário digno de um microcéfalo.

  2. Comentou em 19/02/2008 Marcelle de Paula

    Este abuso do Sr. Mulholland não é nem um décimo diferente daquilo que nossos estimados políticos fizeram (e continuam fazendo) com os cartões. A diferença é que no caso da Unb, os prejudicados são os alunos que hoje têm a conciência de que aquele que os representam infelizmente não serve de espelho para aqueles que trilham caminho em uma das melhores universidades do país. Diferentemente do caso político, em que as vítimas são apenas 180 milhões de brasileiros.

  3. Comentou em 19/02/2008 Kleber Carvalho

    nem preciso comentar mais nada, meu conterrâneo José Orair disse tudo e muito mais, quando se trata de negros, pobres, favelados e remediados o P.I.G. chega o cipó de aroeira até sangrar, agora quando se trata da nojenta, preconceituosa, cafona e ignorante elite branca, o P.I.G. baba até escorrer pelos cantos da boca.

  4. Comentou em 19/02/2008 Ivan Moraes

    ‘recisamos exigir que os governos estaduais, os poderes judiciário e legislativo, as ONGs, enfim, todas as organizações que lidem com o dinheiro público tenham os seus portais de transparência’: isso dependeria de Sao Paulo fazer CPI dos inexistentes cartoes, e SP jamais daria um bom exemplo para o Brasil –muito menos um bom exemplo legal e/ou juridico, ainda mais politico! Adoraria saber quem no Brasil esta gastando o que, porque ate carnaval do Rio o dinheiro do Amapa pagou enquanto 40 anos de extracao de minerio e madeira ainda sequer compraram privadas pra populacao. O exemplo tem que vir de SP. Fora, Serra. Fora, Alkimim. Vao embora, vao sumindo e nao voltem mais.

  5. Comentou em 19/02/2008 André Borges Lopes

    < < A mesma Fundação de Empreendimenrtos Científicos e Tecnológicos (Finatec), que desviou R$ 470 mil destinados a pesquisas para reformar e decorar o apartamento do magnífico, incluíndo as lixeiras de luxo, comprou-lhe, para seu uso exclusivo - e sempre com cartão de crédito do governo - um carrão 2007, com os confortos de esperar num veículo que custou R$ 72.200. >>

    O trecho acima merece dois reparos:
    1) O professor Antonio Santos tem razão: as compras da Finatec (fundação privada que recebe verbas públicas) não foram – e nem poderiam ser – feitas com cartões corporativos do governo. Ou seja, de fato o caso do reitor não tem nada a ver com o ‘escândalo dos cartões’. Surgiu da investigação de Notas Fiscais pelo Ministério Público do DF.
    2) Dizer que R$ 72.200,00 é dinheiro bastante para comprar um ‘carrão de luxo’ configura desconhecimento da tabela de preços ou exagero. Com esse valor se compra um Toyota Corolla, um Chevrolet Vectra ou um Honda Civic, todos nacionais, e desde que não sejam modelos topo-de-linha – os mesmos carros que usualmente servem aos diretores intermediários de qualquer empresa de porte.
    Pode-se discutir se reitores de universidades públicas devem ou não ter um carro oficial (hoje, todos eles têm), mas não dá para imaginar que esse carro possa ser um Uno Mille.

  6. Comentou em 19/02/2008 José Orair Silva

    Tenho uma teoria. O nome Matilde Ribeiro é um nome simples, facilmente pronunciável. Agora Timothy Martin Mulholland é nome complicado, não ajuda (tanto que, para não errar, eu preferí copiar o nome do comentário do André Borges). Parece nome de escritor norte-americano. Não tem certamente nada a ver com a cor da pele pois vivemos numa democracia racial que é exemplo para o planeta Terra. Basta ver a quantidade de negros nos tribunais superiores do judiciário, no poder legislativo, nos poderes executivo federal e estaduais, nas grandes empresas estatais e privadas, nos meios de comunicação e até como magníficos reitores… Enfim, de qualquer modo, apesar da borduna descer com mais força no lombo das Matildes do que nos sensíveis lombos dos Mulhollands, não podemos confundir as coisas. O portal de transparência do poder executivo federal que tem permitido tanta celeuma representa um marco na administração pública brasileira. Precisamos exigir que os governos estaduais, os poderes judiciário e legislativo, as ONGs, enfim, todas as organizações que lidem com o dinheiro público tenham os seus portais de transparência. Outras Matildes serão sacrificadas no altar da moralidade seletiva, Mulhollands serão preservados, mas enfim, o processo democrático estará caminhando. Um dia, quem sabe, o nome e a cor da pele não farão mais diferenças. Oxalá…

  7. Comentou em 19/02/2008 antonio santos

    Vamos esclarecer:
    1) as compras do carro e para decoração do apartamento do reitor não tem NADA haver com cartão corporativo. NADA HAVER;
    2) O cara ficou numa posição indefensável. Mas pensa aí: Reitor da UnB merece o mesmo potencial de representação de presidente da camara, presidente do senado, presidente do supremo e outrso presidentes que vivem aí em brasilia. Afinal eles convivem permanetemente, recebendo presidentes, reis e rainhas. Se o Brasil resolveu acabar com isso, acaba então com o apto funcional de todo mundo. Ou quanto vcs acham que custa a lixeira da casa dopresidente do senado???

  8. Comentou em 18/02/2008 Augusto Cézar Contreiras de Almeida

    Interessante o esclarecimento sobre o porquê do preço da lixeira. Interessante seria saber o porquê do tratamento diferenciado da mídia sobre a biografia de ambas as autoridades envolvidas em suposta corrupção. Talvez porquê ela não teve, digamos um padrinho político para protegê-la, ao contrário do magnífico reitor.

  9. Comentou em 18/02/2008 André Borges Lopes

    Conclusão – PARTE 3

    Pessoalmente, me intriga profundamente saber o que leva um acadêmico experiente e intelectual respeitado a enveredar (por ação ou conivência) pelos caminhos da corrupção comezinha e do benefício pessoal. O triste é que, provavelmente, recairá sobre Mulholland mesma maldição que ameaça o rabino Sobel: será para sempre conhecido como o reitor das lixeiras de mil reais.

    ====================

    Onde obter mais dados sobre a carreira do magnífico:

    No site da Secretaria de Comunicação da UnB
    http://www.secom.unb.br/entrevistas/tv0605-01.htm

    No site do Universia Brasil:
    http://www.universia.com.br/materia/imprimir.jsp?id=9438

    No site da revista Raça Brasil:
    http://racabrasil.uol.com.br/Edicoes/114/artigo61352-1.asp

    No portal @prender
    http://www.aprendervirtual.com.br/artigoInterna.php?ID=66&IDx=216

  10. Comentou em 18/02/2008 André Borges Lopes

    Continuação – Parte 2

    Após a sindicância interna, Kramer acabou condenado pela direção da Universidade a trinta dias de suspensão, pena convertida em multa de 1 750 reais. Uma decisão controversa, onde se contrapõem acusações de racismo às de intolerância politicamente correta. Apimentada, ainda, pelo fato do professor acusado ser de origem judaica e um pensador de perfil ‘liberal’ (que se traduz em ‘conservador’ no ambiente político brasileiro).

    Em parte da mídia, no entanto, esse debate complexo adquiriu o usual contorno Corinthians X Palmeiras (Fla-Flu para os cariocas) que hoje perpassa tudo que envolva direta ou indiretamente o Governo Federal. Um termômetro dessa radicalização pode ser visto no seguinte link:

    ‘A primeira vítima’, da lavra de Reinaldo Azevedo, na Veja
    http://veja.abril.com.br/110707/p_064.shtml

    Obviamente, as cotas raciais e a polêmica condenação de Paulo Kramer estõa longe de servir como justificativa para a redecoração suntuosa do apartamento ou para quaisquer dos outros mimos absurdos concedidos ao reitor. Mas provavelmente esclareçam a presteza com que vieram à tona as contas mal-explicadas do seu cartão corporativo. Ao menos para quem já está habituado às peculiaridades da indignação seletiva da imprensa brasileira.

    – continua –

  11. Comentou em 18/02/2008 André Borges Lopes

    Seguindo a dica do Luis Weiss, fiz uma breve pesquisa na internet.

    Segue abaixo, em três partes:

    PARTE 1

    Até duas semanas atrás, Timothy Martin Mulholland, 57 anos, tinha uma carreira acadêmica acima de qualquer suspeita (ao menos do ponto de vista biográfico). Professor com currículo extenso e notórias titulações, administrador experiente, Mulholland foi candidato a reitor da UnB em junho de 2005 pela Chapa 1 e venceu a eleição com 57,11% dos votos do total de 27.641 eleitores. Foram às urnas 978 professores, 1.931 alunos e 1.325 funcionários. Ele concorreu com Luiz Gonzaga Motta e com Michelangelo Trigueiro.

    Um dado instigante para entender as repercussões do escândalo: o professor Timothy envolveu-se nos últimos anos em pelo menos duas polêmicas com parte da grande imprensa nacional:

    1) por ser um entusiasta – vejam que curiosa coincidência – das cotas raciais defendidas pela ministra Matilde.

    2) por ordenar a investigação de uma denúncia de racismo contra o professor Paulo Roberto da Costa Kramer, do Instituto de Ciência Política da UnB que, segundo alguns alunos, teria utilizado a expressão ‘crioulada’ como tradução do inglês ‘black under-class’ ao discorrer sobre as políticas assistencialistas criadas nos Estados Unidos, na década de 1960.

    – continua –

  12. Comentou em 18/02/2008 frederico cunha

    O básico do básico pode ser encontrado na plataforma lattes. Qualquer bípede pode encontrá-lo usando o google, mas para facilitar, aí vai o link:
    http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4796210D8

  13. Comentou em 18/02/2008 Odracir Silva

    Finalmente dei uma pesquisada, e vi q o tal reitor jaa fazia parte da UnB. Erro meu em escrever q deve se dar regalias para ‘atrair’ bons pesquisadores, jaa q o prof. jaa estava na UnB. Porem, eu ainda acho, se quisermos ter bons institutos de pesquisas c/ uma boa reputacao na comunidade cientifica, deve-se dar boas condicoes para os cientistas/pesquisadores renomados. Eu fico a pensar o q foi pago e os beneficios aos profs. europeus q ajudaram a fundar a USP.

  14. Comentou em 18/02/2008 Cesare Lattes

    senhor weiss, se aplicar no google o nome do Magnífico Reitor seguido de meu sobrenome, lerá um dos currículos mais medíocres da academia brasileira.

  15. Comentou em 18/02/2008 Manoel Mello Souza

    Gostei muito deste comentário sobre a Ministra Matilde Ribeiro. Gostaria mais ainda se colocasse que o Portal de Transparência está sendo colocado pela primeira vez, desde que se criou esta excrecência chamada de cartão corporativo. As notícias e o o Portal tiveram um significado muito grande: em outros Estados e nos Tribunais também há a mesma mamata… No Brasil o Estado se encontra a quilômetros de distância da Nação… Enquanto nós assalariados temos como limite de gastos nossos próprios rendimentos, os maganos ou tartufos do Legislativo (onde cada congressista tem o privilégio de R$ 15 mil para gastar até com amantes se quiser) e do Judiciário, têm o extra de um cartão alimentado pelos nossos impostos.
    É uma indignidade de clamar aos céus.
    Obrigado pela atenção.
    Prof. Manoel.

  16. Comentou em 18/02/2008 Ivan Moraes

    Caucasiano americano de meio milhao contra mulher negra de 170 mil na media brasileira? Advinhe quem perde. Advinhe…

  17. Comentou em 18/02/2008 ubirajara sousa

    Será que o nobre jornalista Luiz Weis poderia prestar-nos esse serviço? É tão difícil assim conseguir dados sobre esse distinto reitor? Eu, agora, fiquei curioso. Vou aguardar.

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