Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Um soco no estômago. Um convite à reflexão

Por Alceu Nader em 07/11/2005 | comentários

O texto abaixo está circulando entre redes de amigos, por e-mail, como sendo de autoria do escritor João Ubaldo Ribeiro.
Trata-se de um soco no estômago muito bem dado, mas não é da lavra de João Ubaldo Ribeiro.
Em resposta à consulta do jornalista responsável por esse blog, o escritor baiano negou e rebateu: ‘É a enésima vez que me perguntam isso’.

Seja quem for o autor, o texto é um soco no estômago que merece ser distribuído para o maior número possível de leitores. É daqueles que nos deixam sem reação, a não ser a reflexão que recomendada na última linha.




‘Precisa-se de matéria-prima para construir um País’

A crença geral anterior era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que Lula não serve. E o que vier depois de Lula também não servirá para nada. Por isso estou começando a suspeitar que o problema não está no ladrão corrupto que foi Collor, ou na farsa que é o Lula. O problema está em nós. Nós como POVO. Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA’ é a moeda que sempre é valorizada, tanto ou mais do que o dólar. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais.

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nas calçadas onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as ‘EMPRESAS PRIVADAS’ são papelarias particulares de seus empregados desonestos, que levam para casa, como se fosse correto, folhas de papel, lápis, canetas, clipes e tudo o que possa ser útil para o trabalho dos filhos …e para eles mesmos.

Pertenço a um país onde a gente se sente o máximo porque conseguiu ‘puxar’ a tevê a cabo do vizinho, onde a gente frauda a declaração de imposto de renda para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país onde a impontualidade é um hábito. Onde os diretores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas fazem ‘gatos’ para roubar luz e água e nos queixamos de como esses serviços estão caros. Onde não existe a cultura pela leitura (exemplo maior nosso atual Presidente, que recentemente falou que é ‘muito chato ter que ler’) e não há consciência nem memória política, histórica nem econômica. Onde nossos congressistas trabalham dois dias por semana para aprovar projetos e leis que só servem para afundar ao que não tem, encher o saco ao que tem pouco e beneficiar só a alguns.

Pertenço a um país onde as carteiras de motorista e os certificados médicos podem ser ‘comprados’, sem fazer nenhum exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no ônibus, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar o lugar.
Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o pedestre.
Um país onde fazemos um monte de coisa errada, mas nos esbaldamos em criticar nossos governantes. Quanto mais analiso os defeitos do Fernando Henrique e do Lula, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem ‘molhei’ a mão de um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Dirceu é culpado, melhor sou eu como brasileiro, apesar de ainda hoje de manhã passei para trás um cliente através de uma fraude, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.

Não. Não. Não. Já basta.
Como ‘Matéria-Prima’ de um país, temos muitas coisas boas, mas nos falta muito para sermos os homens e mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa ‘ESPERTEZA BRASILEIRA’ congênita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos de escândalo, essa falta de qualidade humana, mais do que Collor, Itamar, Fernando Henrique ou Lula, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são brasileiros como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte.

Me entristeço.
Porque, ainda que Lula renunciasse hoje mesmo, o próximo presidente que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada…
Não tenho nenhuma garantia de que alguém o possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Collor, nem serviu Itamar, não serviu Fernando Henrique, e nem serve Lula, nem servirá o que vier.

Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror?

Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa ‘outra coisa’ não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados…. igualmente sacaneados!!!

É muito gostoso ser brasileiro. Mas quando essa brasilidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, aí a coisa muda…
Não esperemos acender uma vela a todos os Santos, a ver se nos mandam um Messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos brasileiros não poderá fazer nada. Está muito claro…… Somos nós os que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda nos acontecendo: desculpamos a mediocridade mediante programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.

Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de surdo, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.
E você, o que pensa?….
MEDITE!!!

Todos os comentários

  1. Comentou em 28/01/2006 Andre Luis Teodosio

    Olá, amigos!
    Eu fui um destes que espalharam este texto pelas minhas listas de amigos, lamento que eu tenha sido usado para promover falsidade ideológica, mas há de se reconhecer que o texto é extremamente válido para refletir sobre a cultura que grassa a população como um todo…

  2. Comentou em 16/11/2005 Fernando G Bischoff

    Vou ignorar as demonstrações de cultura de muitas pessoas que comentaram o texto. Tais comentários são meras ferramentas para satisfazer suas vaidades. Poucos deram a relevância devida à questão central. O BRASILEIRO SÓ TEM UMA SAÍDA: SER POVO E NÃO JOGUETE POLÍTICO.

    Do contrário, continua tudo a lesma lerda…

  3. Comentou em 12/11/2005 Deliane Psaroudis

    Conheci um Brasil diferente desse que temos agora. Na decada de 60, tinhamos uma sociedade pautada em valores construtivos e positivos, tais como, honestidade, dignidade, honra, liberdade com responsabilidade, etc…Concordo plenamente com o conteudo do texto acima, e, sofro terrivelmente, ao ver esse paiz tao abencoado, se deteriorar e se perder dos rumos construtivos. Acredito que o primeiro passo para se realizar uma mudanca, passa pela recuperacao da nossa escala de valores. Uma nacao forte so´ e´ possivel se o povo e´ forte e capaz de compreender as consequencias de suas escolhas. Precisamos investir no social, devolvendo ao povo a sua independencia e dignidade, a capacidade de exercer sua cidadania. Desde a revolucao de 1964 paramos de formar cidadaos e transformamos o brasileiro num ser inconsciente, inconsequente e dependente. O Brasil tem tudo pra´ ser um paiz maravilhoso, menos o principal, que e´ uma sociedade justa, formada por cidadaos conscientes de seus direitos e deveres. Sonho todos os dias com o Brasil que conheci e estou pronta a participar de qualquer iniciativa que nos conduza ao resgate dos nossos valores, e `a construcao de uma sociedade consciente e justa.

  4. Comentou em 09/11/2005 Helena Pepper

    que mania esta, destes
    circuladores de e-mail atribuirem um texto a autor famoso… eu vi logo no
    estilo que não era dele. o j. ubaldo pode ser até tratar de assuntos dramáticos, mas tem senso de humor em tudo o que diz…
    aliás, porque não circulam textos como o do ramos, do post anterior ao meu? estava zapeando, para saber quem era o verdadeiro autor do texto que circula, e me deparei com esta belíssima análise. vou copiar e mandar para cada pessoa que me passar o ‘pretenso’ j. ubaldo (tenho certeza de que chegarão mais).

  5. Comentou em 07/11/2005 Pedro Ramos de Toledo

    O texto mencionado, longe de ser irretocável, está carregado de preconceitos profundamente elitistas, típicos de uma classe dominante que, após 500 anos de pilhagem, pouco conhece o seu país.
    Discute-se problemas históricos já seculares e imputa maliciosamente sua culpa ao povo brasileiro, como se este pudesse ser categorizado como uma massa homogênea e definida. Não o é.

    O ‘povo’ brasileiro é formado por uma miríade de intersecções, criadas nos diálogos entre grupos de classe, gênero, Região, cultura, linguagem, etnia, etc… Grupos de aspirações muitas vezes díspares, que se reconhecem única e exclusivamente no conceito políticamente construído de
    ‘nação’.

    É esta é a palavra-chave que deveria substituir o termo superficial que dá ao texto seu título: Matéria-prima. Em vez de caluniar a atendente de creche, o auxiliar de enfermagem ou a professora de primário como ‘malandras’, ‘preguisosas’ ou ‘acomodadas’, Pessoas que trabalham de 10 a 12 horas por dia, recebem um salário de fome e, ainda assim, pagam as suas contas (leia-se: impostos) em dia, deveria-se pensar nas causas radicais de nossos problemas dentro de um longo processo de sedimentação que é a nossa história.

    Deveria-se refletir sobre as falhas na formação da nossa nacionalidade, já que é esta que constitui a identidade do nosso povo. Tal identidade é deliberadamente construída, através de projetos duradouros que buscam estabelecer pontos de diálogos entre exploradores e explorados, possibilitando assim concessões históricas que formam, cívica e culturalmente, um elemento comum de de reconhecimento aos diversos grupos que lutam dentro dos campos sociais.

    A pergunta que cabe é: Houve sequer uma sombra de projeto nacional em nossos 182 anos como uma nação independente? Ou, ao contrário, a agenda governamental Brasileira sempre foi pautada por interesses particulares de uma elite selvagem e mesquinha que buscou, através de uma história sangrenta, a imposição de seus interesses econômicos a qualquer custo? Freando qualquer possibilidade de expressão política às classes exploradas?

    Desta forma é compreensível entender os rótulos colados no nosso povo que há tanto tempo perduram. Onde a elite torce o nariz e vê ‘malandragem’, vejo uma forma de resistência de um povo que, em um nível simbólico, percebe o caráter excludente dos meios legais e parte para o improviso, como única possibilidade de subsistência cultural e social.

    Onde o autor vê falta de educação de um povo ignorante e desrespeitoso, vejo o resultado óbvio de um país que contruiu sua primeira Universidade (não confundam com faculdade. Estas já existiam.) em 1932. A Universidade de Lima data de 1540. Porquê tão tarde? porque a elite podia educar os seus filhos na Zoropa. Dane-se o resto.

    E onde o autor vê conformismo, eu vejo a Inconfidência mineira, a revolução pernambucana, a conjuração Baiana, a Cabanagem, a Balaiada, a revolução praieira, a Farroupilha.

    Vejo Canudos. Vejo Contestado. Vejo a Revolta da Chibata.
    considerados uma nação

  6. Comentou em 07/11/2005 Regina Ramão

    Este seu post fecha perfeitamente com a reportagem de capa da Revista ‘Isto É’ desta semana. Para quem quiser conferir o site é http://www.terra.com.br/istoe/ Penso ser muito oportuna esta análise, na verdade uma auto-análise que cada um de nós deve se propor.

  7. Comentou em 07/11/2005 Igor

    É de arripiar, um advogado propondo o voto nulo, disssolução dos TSEs. Será que ele comprou o diploma com o Sadan? Isso é democracia colega advogado, e por mais que você não a preze, ruim com ela pior sem ela.

  8. Comentou em 07/11/2005 Fabio de Oliveira Ribeiro

    http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=4075096

    Não tenho certeza mas parece que o autor do texto, que foi indevidamente atribuído ao Ubaldo Ribeiro, é membro do PARTIDO DO VOTO NULO. Se não for fica desde já convidado a filiar-se.

    MANIFESTO DO PARTIDO DO VOTO NULO

    Você é eleitor e está decepcionado com os partidos políticos existentes? Já foi militante de algum partido e sentiu-se usado, explorado e enganado? Acreditou em propostas inovadoras e benéficas para a população e viu seus criadores chafurdarem na lama dos dinheiros ilícitos? Não acredita mais em política partidária e tem consciência de que mesmo assim continua sendo um ser político? Então seja bem ao PARTIDO DO VOTO NULO, o único partido que não vai frustrar suas expectativas. Agremiação com fins políticos e não eleitoreiros ou lucrativos, o PVN não almeja o PODER, mas apenas o PRAZER de sacanear os malandros de todas as legendas. Os membros do PVN não desejam cargos e salários, mas tem como proposta a EXTINÇÃO dos cargos eletivos e de livre nomeação existentes. Durante a REFORMA POLÍTICA o PVN defenderá de maneira intransigente a REDUÇÃO dos salários, benefícios e privilégios dos vigaristas que se dizem representantes do povo. Como não pretende enganar ninguém, o PVN proporá a extinção do TSE e TREs, Tribunais notoriamente incompetentes e indolentes quando se trata de avaliar e julgar as despesas legais e ilegais realizadas pelos candidatos. Os militantes do PVN não precisam colar cartazes, colocar placas de candidatos ou distribuir panfletos, mas se contentam bastante em DESTRUIR toda e qualquer propaganda eleitoral que encontrarem pelo caminho.

    NA PRÓXIMA ELEIÇÃO DIGITE 000 E CONFIRMA.

    MAIS VALE UM VOTO NULO DO QUE UM BANDIDO ELEITO.

  9. Comentou em 07/11/2005 ibrium esperança

    Quem me conhece sabe o tipo de visão que tenho para com os nossos ‘profissionais acadêmicos corporativistas da sociedade ocidental judaico-cristã’ (vocês já viram isto antes) da mídia, cujos objetivos principais são dinheiro e poder (ego), como o texto trata nós, brasileiros (ou meio como eu – papai era chileno), como o povo que só pensa em seu umbigo. Meia verdade (como só os grandes meios de comunicação propalam), que se baseia no fato (veja bem fato, e não tese) de que não sabemos nos comportar como a fonte do dinheiro que a maioria destes utilizam na maioria das sacanagens tupiniquins. Precisamos isto sim parar com o nosso repouso em berço esplêndido e fazer valer o nosso direito como contribuinte e sermos respeitado como tal. Se continuarmos pagando 10 reais para não ser multado, jogando papel no chão, cuspindo na calçada…
    Tenho sim uma tese mais radical. Já me disseram que sou minimalista (nem sei o que é isto), pois acho que pertencemos todos ao grupo dos primatas (me foge a classificação) e simplesmente nos comportamos como tal. Primeiramente tentamos ser notados em nossos ‘grupos mais internos’ (família, turma, igrejas,etc.), as fêmeas escolhem seus machos em função de seu poder (dinheiro, força, indução, bom genôma para reprodução – isto explica várias patricinhas ligadas com traficantes), os machos quando não podem reafirmar sua supremacia através da força, o faz através de dinheiro ou sugestão (mídia não?), normalmente grupos de primatas só se ajudam frente ao perigo, à ameaça à própria espécie, e aumentam sua reprodução frente a isto (7 de Setembro – após, aumentou a n° de fêmeas grávidas nos EUA). Por isso a megalomania imperialista dos ‘Políticos Americanos’ (país assolado com tornados, furacões, terremotos e outras ziguiziras), pois precisam de outras áreas para os macacões baterem em seus peitos atômicos, quando a casa cair.
    E aqui estamos nós, país com grandes áreas cultiváveis, minérios de todos os tipos, água em abundância (que será que tropas americanas fazem sobre o aquífero – tirando férias, e a nasa no Amazonas?), e primatas que não tem interesse de grupos maiores que os dele, pois nunca correu risco algum (vejam nossos índios), não se unem em maior n°, para não ter que por em risco sua posição (políticos – maioria) dentro do grupo que ele concebeu, e manteêm o resto nas trevas.
    O que falta é voltarmos a ser seres humanos, para podermos ter um lugar de destaque no universo, pois na terra, se continuarmos assim, teremos existência curtíssima (pressa do primeiro mundo em viagens interplanetárias – montar o reino dos céus. o que importa é quem será o ‘rei’??).

  10. Comentou em 06/11/2005 Igor

    Sugiro aos visitantes deste blog que leiam todos os comentários antes de qualquer conclusão.

  11. Comentou em 06/11/2005 Bruno Corrêa Leite

    E que soco!!!!
    Brilhante. Apesar de não sabermos sobre a identidade do autor do texto, o cara deveria levar o prêmio Nobel.
    Fantástico.
    O cara resumiu toda a situação brasileira em poucas palavras.
    – Você que escreveu esse texto, não precisa se esconder, você é uma pessoa que vê o que muitos não conseguer ver. Parabéns.

  12. Comentou em 06/11/2005 Gianna Comencini

    Soco no estômago
    Sinceramente, não vejo mal nenhum em divulgar um texto de autoria desconhecida. Ainda mais quando ele não difama ou acusa alguém sem chance de defesa.Talvez ele incomode porque diz verdades que alguns brasileiros não gostem de ver nem ouvir. Esse cidadão de Londrina descarregou seu mal-humor no blogue.

  13. Comentou em 06/11/2005 marcos cesar gouvea gouvea

    Deprimente é ver bloggers irresponsáveis, que ‘passam para a frente’ texto apócrifos. Como diz Carl Bernstein, no Homem Secreto, (…) Os bloggers de hoje na Internet e os locutores de televisão não tem isso. Não têm a rede de segurança. Não têm freios. Não existe ninguém lá para questionar, duvidar ou inspirar. Eles não têm editor’. Carl, como todos sabem, estava falando do caso Watergate, do Garganta Profunda (Mark Felt), da parceria com Bob Woodward, de ambos com Ben Bradlee, enfim, ele está falando de jornalismo. Por que não temos jornalismo?

  14. Comentou em 05/11/2005 zilia lima rocha

    Recebi na minha correspondência o dito cujo e achei bizarro até porque se o problema do Brasil é a questão da matéria prima omite historicamente ações impostas ao longo do tempo de
    uma classe
    privilegiada que pouco espaço e nenhuma oportunidade deu aos menos favorecidos e que desde o início da nossa colonização foram feitos submissos e deu no que deu: matéria prima para massa de manobra de uma classe que espera se perpetuar no poder, vide as presepadas atuais

  15. Comentou em 05/11/2005 Iolando Fagundes

    Embora seja bem escrito e tenha nele alguma verdade, este texto merece ser visto por outros ângulos. 1º- Generalizações são sempre perigosas. Nosso país possue cerca de 180 milhões de brasileiros e uma extensão territorial considerável. Responsabilizar todo um povo por todos os males e misérias de uma nação é desconhecer a própria história desta nação. Não quero entrar aqui nem na questão da primeira colonização e início da pilhagem deste país. Falemos então da segunda colonização ( a americana), o financiamento de uma ditadura de 20 anos que imobilizou o povo deste país. Será que quem escreveu este texto se lembra que as escolas, embora oferecessem um bom ensino tecnico-ciêntífico, adotaram o Sistema Americano de Educação vigente à época? O ensino de Filosofia foi decretado subversivo, como tudo que instigasse o povo a refletir e a questionar? Alguém se lembra de que, durante a ditadura, o país era quase de 80% de analfabetos? E que os coronéis apoiadores dos ditadores faziam questão de mantê-los assim? O grande legado deste sistema foi a industrialização do Sudeste do país e as obras faraônicas! Pergunto a vocês, de que povo estamos falando? Daquele que sempre teve acesso à informação, estudou em boas escolas, nunca passou dificuldades na vida e sempre comandou o país ou do povo excluido de tudo isso? É imperioso dizer que quanto mais conhecimento nós temos, cresce a resposabilidade com o destino dos outros e de nós mesmos. Pergunto ao Nader e ao escritor(anônimo), será que não é exigir demais de uma democracia tão recente? Pelo voto direto elegemos apenas três presidentes! Não é o exercício da cidadania que faz a democracia? Não podemos ignorar que democracias iguais ou muito mais maduras que a nossa estão passando por problemas semelhantes ou maiores que o nosso! Ex: A eleição duvidosa de W.Busch e seus sucessivos escândalos, A complicada eleição na Alemanha, o difícil governo de Berlusconi, Ville Lepin, Nestor Kischner, Hugo Chavez, etc… Pergunto, existe algum povo totalmente satisfeito com seus governantes? Portanto, esta tese está fadada ao descrédito. 2º Outra perigosa afirmação é de que o país não dá certo por causa da matéria-prima (Povo) de que é constituido. Esse tipo de pensamento legitima a falácia eugenista de que existe raças superiores. Este tipo de idéia levou Hitlher e seus seguidores a assassinar judeus, negros, retardados mentais, caôlhos, mancos etc…E aqui no brasil a considerarem nordestinos como subraça. Vide as cabeças de cangaceiros, cortadas e mensuradas de acordo com o método cientificista adotado pelos nazistas. Finalizando, creio que os momentos de crise servem também para salientarmos qualidades, e o povo brasileiro no qual acredito é um povo fantástico!E, apesar das piadas entre gaúchos, cariocas,baianos, cearensces, mineiros, etc…Nos visitamos,sentamos numa mesa falando a mesma língua, saboreamos churrasco, acarajé, polenta, frango com quiabo, moqueca, feijoada, etc…Essa é a nação brasileira, multiétnica e multicultural. E, que para mim, está fadada ao sucesso, justamente por ser constituida dessa ‘matéria-prima’ heterozigota, justamente por não ser ‘pura’. Eu acredito nesse povo brasileiro, apesar de muitos terem a vontade cínica de incutirem no seu coletivo que ele e anação da qual faz parte está fada ao fracasso.

  16. Comentou em 05/11/2005 carmen leibovici

    É interessante,li o texto e concordei imediatamente,mas após ,li os comentários e tb concordei com os pontos de vista contrários.
    Eu acho que ,na verdade,talvez concorde mais com um dos comentários que defende o povo brasileiro.Acho que,desde sempre,o nosso problema é o mau exemplo.Nunca o brasileiro foi tratado com decência,com ética,com valores morais,por quem poderia tê-lo feito mas não fez(e não faz)por falta de altruísmo mesmo,por falta de solidariedade humana mesmo,por avidez doentia.Seja como fôr,o que tem restado é um grande desânimo com o Brasil,uma grande descrença…E isso parece geral.
    Mas…,sempre é bom refletir,é claro.Porém melhor seria se fôssemos capazes de mudar,fosse a nós mesmos brasileiros,fôsse esta situação infeliz em que estamos imersos,soterrados.O que será daqui, que só vai de mal a pior?

  17. Comentou em 05/11/2005 Iolando Fagundes

    Embora seja bem escrito e tenha nele alguma verdade, este texto merece ser visto por outros ângulos. 1º- Generalizações são sempre perigosas. Nosso país possue cerca de 180 milhões de brasileiros e uma extensão territorial considerável. Responsabilizar todo um povo por todos os males e misérias de uma nação é desconhecer a própria história desta nação. Não quero entrar aqui nem na questão da primeira colonização e início da pilhagem deste país. Falemos então da segunda colonização ( a americana), o financiamento de uma ditadura de 20 anos que imobilizou o povo deste país. Será que quem escreveu este texto se lembra que as escolas, embora oferecessem um bom ensino tecnico-ciêntífico, adotaram o Sistema Americano de Educação vigente à época? O ensino de Filosofia foi decretado subversivo, como tudo que instigasse o povo a refletir e a questionar? Alguém se lembra de que, durante a ditadura, o país era quase de 80% de analfabetos? E que os coronéis apoiadores dos ditadores faziam questão de mantê-los assim? O grande legado deste sistema foi a industrialização do Sudeste do país e as obras faraônicas! Pergunto a vocês, de que povo estamos falando? Daquele que sempre teve acesso à informação, estudou em boas escolas, nunca passou dificuldades na vida e sempre comandou o país ou do povo excluido de tudo isso? É imperioso dizer que quanto mais conhecimento nós temos, cresce a resposabilidade com o destino dos outros e de nós mesmos.2º Pergunto ao Nader e ao escritor (anônimo)será que não é exigir demais de uma democracia tão recente? Pelo voto direto, elegemos apenas três presidentes! É o exercício da cidadania que faz a democracia. Não podemos ignorar que democracias muito mais maduras que a nossa estão passando por problemas semelhantes ou maiores que o nosso! Ex: A eleição duvidosa de W.Busch e seus sucessivos escândalos, A complicada eleição na Alemanha, o difícil governo de Berlusconi, Ville Lepin, Nestor Kischner, Hugo Chavez, etc… Pergunto, existe algum povo totalmente satisfeito com seus governantes? Portanto, esta tese está fadada ao descrédito. 2º Outra perigosa afirmação é de que o país não dá certo por causa da matéria-prima (Povo) de que é constituido. Esse tipo de pensamento legitima a falácia eugenista de que existe raças superiores. Este tipo de idéia levou Hitlher e seus seguidores a assassinar judeus, negros, retardados mentais, caôlhos, mancos etc…E aqui no brasil a considerarem nordestinos como subraça. Vide as cabeças de cangaceiros, cortadas e mensuradas de acordo com o método cientificista adotado pelos nazistas. Finalizando, creio que os momentos de crise servem também para salientarmos qualidades, e o povo brasileiro no qual acredito é um povo fantástico!E, apesar das piadas entre gaúchos, cariocas,baianos, cearensces, mineiros, etc…Nos visitamos,sentamos numa mesa falando a mesma língua, saboreamos churrasco, acarajé, polenta, frango com quiabo, moqueca, feijoada, etc…Essa é a nação brasileira, multiétnica e multicultural. E, que para mim, está fadada ao sucesso, justamente por ser constituida dessa ‘matéria-prima’ heterozigota, justamente por não ser ‘pura’. Eu acredito nesse povo brasileiro, apesar de muitos terem a vontade cínica de incutirem no seu coletivo que ele e anação da qual faz parte está fada ao fracasso.

  18. Comentou em 05/11/2005 Célio Mendes

    Li muitas verdades no texto, mas considerando que o mesmo foi atribuido a quem não o escreveu então ele contem em sua origem os males que ele próprio critica.

  19. Comentou em 05/11/2005 marcos lessa

    O Collor foi eleito levantando a bandeira da caça a corrupção. E assim foi eleito o representante do PT, partido q defendeu em toda a sua história a moralidade na administração pública. Deu no q deu! o povo brasileiro não tem culpa de ser manipulado pela mídia das campanhas feitas com o caixa 2, q pertence ao próprio povo.`Num país onde a educação pública não é lavada a sério por tantas gestões, não pode o povo ser culpado por esses crimes de corrupção. Qdo. todos forem pra cadeia, o povo se sentirá justiçado. O povão sempre esta pronto pra ajudar e, sinceramente, não tem porra nenhuma a ver com essa vergonha.

  20. Comentou em 05/11/2005 Ricardo Guimarães

    Está claro que mazela não é privilégio de político. Mas, vamos partir de premissas verdadeiras ao construir nossas pontes silogísticas. Ninguém é obrigado a submeter seu nome à apreciação do eleitorado para depois pretender seduzi-lo com o manjado canto de sereia. Os escândalos protagonizados por nossos representantes sufragados nas urnas, há tempos estão fazendo com que as pessoas ditas de bem sintam vergonha de serem honestas. Fomos colonizados e pilhados. Nossa herança genética traz o embrião da corrupção e do conformismo. Esta história me lembra os queixumes de um comerciante italiano radicado aqui: ‘se a gente ruba eles fala que a gente ruba, se a gente não ruba eles fala que a gente ruba, então eu rubo mesmo’.

  21. Comentou em 05/11/2005 rodrigo siqueira

    O irônico fica por conta de o texto ser atribuído a um autor que não o escreveu. Um texto apócrifo cuja essência está auto-representada na falsidade ideológica, essa velha conhecida dos brasileiros.

  22. Comentou em 05/11/2005 Marcos Antunes

    Tudo o que penso está no texto, só não conseguia dizer tudo de uma vez. Quem escreveu, com certeza está amargurado com a situação deste país como eu estou.

  23. Comentou em 05/11/2005 Ricardo Camargo

    Que pena que não se conheça o verdadeiro autor deste texto! Isto porque ele põe, efetivamente, o dedo na ferida do farisaísmo que vivemos no Brasil, de chamarmos os políticos de cobras e lagartos – não que muitos não mereçam -, enquanto adotamos condutas rigorosamente reprováveis, de acordo com os preceitos que ensinamos a nossos filhos. O povo que ‘prega moral de cuecas’, para se utilizar a expressão gauchesca, que elege os mesmos – pouco importa se mudam os atores, os personagens são rigorosamente os mesmos, como na famosa peça de Augusto Boal intitulada ‘Revolução na América do Sul’ -.

  24. Comentou em 05/11/2005 Rogério Barreto Brasiliense

    Não há o quecomentar, o texto é irretocável quanto ao caráter deboaparte dos brasileiros. A verdade é que somos um país mais ainda longe de ser uma nação.

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