Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

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Um tesarac no jornalismo contemporâneo

Por Carlos Castilho em 22/11/2009 | comentários

Tesarac é uma destas expressões surgidas no bojo da confusão conceitual provocada pela quebra de modelos gerada pela internet. Ela foi criada pelo poeta e compositor norte-americano Shel Silverstein, logo depois da morte de sua filha de cinco anos para simbolizar um estado de desorientação completa.


 


Mas logo depois o substantivo tesarac foi adotado pelos especialistas em marketing para descrever uma situação caracterizada pela ausência de paradigmas, ou seja, um modelo de negócios agoniza mas o novo ainda não se consolidou, provocando uma situação marcada pela incerteza, insegurança, onde é impossível prever o desenrolar dos acontecimentos.


 


Tudo isto descreve mais ou menos o que está acontecendo na área do jornalismo, que é sem sombra de dúvida o setor da comunicação social mais afetado pelas mudanças provocadas pela internet.  Quase todas as rotinas, regras e valores do jornalismo foram viradas do avesso por uma inovação tecnológica que parece simples quando analisada sob o ponto de vista do direito, da sociologia, engenharia e até da psicologia.


 


Mas quando você mergulha na complexa relação entre produtores e consumidores de noticias, a sensação é de um caos generalizado porque tudo aquilo que parecia certo, seguro e definitivo em matéria de informação e comunicação, deixou de sê-lo em menos de uma década.


 


O tesarac no jornalismo pode ser materializado pela ausência de paradigmas sobre como sobreviver financeiramente na internet produzindo notícias. O modelo convencional patina na sua incapacidade de garantir a sobrevivência de jornais e revistas impressos, dentro dos padrões tradicionais.


 


Por outro lado, há uma migração do público consumidor de informações e dos anunciantes rumo à Web. Mas nem os editores e muito menos os marqueteiros e executivos sabem como faturar na internet o suficiente para garantir a sustentabilidade das iniciativas online.


 


Estão todos perdidos e vivendo a mesma angústia de Shel Silverstein, segundo admitiu o professor universitário e consultor Jeff Jarvis, ao revelar os resultados de uma pesquisa sobre novos modelos de negócios para o jornalismo na Web. O trabalho foi realizado por Jarvis para a Escola de Jornalismo da Universidade de Nova Iorque (CUNY) e consistiu no desenvolvimento de duas propostas de modelos de sites informativos.


 


Uma, iniciando com 20 mil usuários mensais para chegar a cinco milhões em três anos e uma segunda, que já começava com um horizonte seis milhões de visitantes/ mês. O primeiro modelo se baseava na criação de um blog noticioso hiperlocal (blog de um bairro ou cidade pequena) cujo público evoluiria para 60 mil num ano, depois para 200 mil no segundo ano e finalmente cinco milhões de pessoas em 26 meses.


 


O anúncio feito pela CUNY levou vários de especialistas norte-americanos em mídia a testar as premissas, métodos e metas da proposta. A maioria ainda não concluiu a complicada avaliação, mas um grupo de experts do Instituto Poynter, na Florida, já antecipou que o modelo dificilmente atingirá os resultados financeiros previstos.  Resultado, a indefinição continua.


 


Parece que teremos de incorporar este cabalístico substantivo tesarac ao nosso cotidiano informativo porque tudo indica que o desenvolvimento de novos modelos de negócios de jornalismo na Web será um processo longo e imprevisível. A mudança foi profunda demais para ser resolvida rapidamente, apesar dos sofisticados recurso técnicos que a informática e a internet colocaram a disposição dos jornalistas.


 

E mais do que paciência, a busca de novos modelos vai exigir também tolerância porque ninguém é dono da verdade nesta busca. Sem a colaboração dos usuários, os executivos não conseguirão chegar a lugar algum. Os pesquisadores acadêmicos precisam tanto do apoio corporativo como do público para chegar a propostas minimamente viáveis. Já os usuários passaram a ter novas responsabilidades, a partir do momento em que ganharam a possibilidade de publicar e disseminar suas opiniões na Web.

Todos os comentários

  1. Comentou em 26/11/2009 Roberto Ramos

    É, como diria o velho Marx, tudo que é sólido vira farinha um dia.

  2. Comentou em 25/11/2009 alice franca leite

    Desculpe,mas não vejo necessidade de sofisticar o artigo sobre ‘TESARAC’ porque só faz confundir e encher desnecessariamente o nosso vocabulário de midia;se temos expressões mais conhecidas,como ,por exemplo,’um vale-tudo’ para falar da falência de valores— por que mais esta palavra para confundir? Se não expresa nenhuma novidade,não é melhor usar o que qualquer um entende? Pelo menos por uma questão de economia e simplificaçao!Como nãao se trata de conceito novo,por que qqsofisticar??? Alice a.francaleite@uol.com.br

  3. Comentou em 24/11/2009 Ibsen Marques

    Parece que essa falta de paradigma pode prejudicar mais o jornalismo
    como profissão remunerada do que a decisão (acertada) do STF
    contra a exigência de diploma específico ou o fim da lei sobre
    liberdade de imprensa. Pode acontecer que diante da necessidade de
    sustentar as crianças, muitos jornalistas exerçam profissões
    alternativas para se manterem jornalistas (não ou mau remunerados).
    Tudo isso pode acontecer diante das transformações por que passam
    as comunicações e também por conta da falta de credibilidade dos
    meios atuais e de um grande número de profissionais da área. Talvez
    isso possa funcionar como uma espécie de expurgo até que uma nova
    ordem se estabeleça de forma mais organizada.

  4. Comentou em 24/11/2009 IVAN MONTE

    A MANCHETE

    ÚLTIMAS NOTÍCIAS | INTERNACIONAL | FOTOS | FOLHA ONLINE
    Eleições 2010(o que isso tem a ver com eleições?)
    Petista Jacques Wagner, governador da Bahia, manda prender gente do PMDB( o jornalismo sério daria uma manchete mais ou menos assim: policia prende suspeitos de corrupção na Bahia).

    A NOTÍCIA

    Blog do Fernando Rodrigues
    Cobertura política, eleitoral, pesquisas e notícias do poder
    13h02 – 24/11/2009
    Azedou o acarajé entre PT e PMDB na Bahia: polícia de Jaques Wagner prende aliados de Geddel(no jornalismo sério não precisaria dizer quem é o dono da policia)
    Se já estava difícil uma aliança entre PT e PMDB na Bahia, agora as coisas ficaram complicadíssimas. A Polícia Civil da Bahia, sob o comando do governador Jaques Wagner (PT)(no jornalismo sério essa parte seria suprimida) , prendeu hoje de manhã 7 pessoas por causa de um suposto esquema de corrupção na área de transportes. Entre os detidos está Antônio Lomanto Neto, que por indicação do PMDB ficou à frente por 32 meses da Agerba (Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia).
    Esse tipo de mídia é que vive a pregar a “liberdade de expressão” e não aceita que nenhum órgão controle a forma irresponsável como eles se compartam.

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