Quarta-feira, 14 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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Uma coisa online, outra coisa no papel

Por Luiz Weis em 16/08/2007 | comentários

Às 16h56 de ontem, apareceu na edição online do Estado a matéria “Aécio sinaliza possível aliança a médio prazo com PT”, assinada pela repórter Elizabeth Lopes.

Mas não é bem isso que o jornal oferece hoje aos leitores da sua edição impressa. É todo outro o enfoque da matéria assinada pelo repórter Carlos Marchi, a começar do título “Aécio: ‘Somos ruins de comunicação”.

É possível, ou até provável, que discrepâncias como essa sejam frequentes entre as versões eletrônicas e em papel dos mesmos jornais e revistas. Ainda mais quando são diferentes os repórteres que cobrem determinados eventos para uma ou outra modalidade.

Aqui há um problema potencial. Devem ser raros os leitores que, tendo se informado primeiro na edição online de um periódico sobre determinado assunto, voltem a se deter nele ao folhear a sua edição impressa. E muito mais raros os que façam o caminho inverso, indo ao computador para conhecer o primeiro relato, depois de ler o segundo [em ordem cronológica].

No caso específico, fica a pergunta: qual desses leitores foi mais bem servido?

Seguem os dois textos para que cada qual forme opinião.

No Estado online:

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), colocou em xeque nesta quarta-feira, 15, a aliança dos tucanos com os Democratas e sinalizou que seu partido tem a possibilidade de fechar um acordo, a médio prazo, com o PT.

‘Tenho que ser otimista e acredito que se for construído um projeto (para o país) é possível a formação de novas alianças. Em Minas Gerais, tenho uma relação próxima com setores do PT, com sintonia de idéias e pensamentos. Encontramos mais convergências do que divergências’.

O discurso aconteceu durante palestra para cerca de 50 empresários da diretoria e dos conselhos da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib).

Numa referência à tradicional aliança que os tucanos mantêm com os Democratas no Estado de São Paulo, Aécio disse que a política paulista influencia muito a brasileira e também as legendas. Porém, advertiu que ‘esta não é uma lógica para o resto do Brasil’. ‘Não podemos permitir que a radicalização política de um Estado, seja ele qual for, nos imponha uma camisa de força que impeça o Brasil de avançar.’

Na avaliação de Aécio Neves, uma aliança com o PT a curto prazo seria difícil. ‘Mas a médio prazo não.’ Ele acredita que esta aproximação seria mais fácil em torno de projetos e não de nomes. Aécio disse que, se o embate eleitoral for eliminado, PSDB e PT possuem muitas convergências. ‘Talvez este seja o meu papel, o de atuar na construção de pontes. Sou muito mais construtor do que dinamitador. Até porque para dinamitar, no Brasil a fila está muito grande.’

Na entrevista que concedeu, o governador de Minas fez questão de dizer que mantém ‘uma excepcional relação pessoal com o presidente Lula’, mas não deixou de criticar o baixo índice de crescimento brasileiro. ‘Lamento que o Brasil esteja perdendo a oportunidade de sair deste crescimento medíocre, e a turbulência na economia mundial acende a luz amarela.”

Agora, no Estado em papel:

O governador de Minas, Aécio Neves, reconheceu ontem que o PSDB tem dificuldades para se comunicar com o eleitorado: “Nós somos muito ruins de comunicação, mesmo”, afirmou ele em São Paulo. E fez uma blague com a incapacidade do partido de falar a língua do povo: “Acho que se fizermos uma pesquisa – digo isso com muita sinceridade, pode parecer até uma brincadeira, mas não é – perguntando quem é responsável pela estabilidade da economia, acho que a população vai dizer que é o presidente Lula”, ironizou.

“O PT é competente nisso (a comunicação com o povo)”, admitiu, aconselhando humildade ao PSDB. “Devemos aprender com eles, não no sentido de viver apenas de propaganda, mas transformando as ações do partido em ativos.” O governador disse que o PSDB ganhará se souber se comunicar melhor com a população, “porque os tucanos fazem melhor a gestão pública do que o governo do PT”.

Aécio disse que os seminários internos do partido estão promovendo “uma catarse” que, segundo ele, será positiva para o PSDB e para o País. A tal catarse levará o partido a compreender que tem de construir um projeto de País voltado, principalmente, para a diminuição das desigualdades. “E nós não vamos construir isso sozinhos, temos de juntar outros agentes”, recomendou, preconizando alianças para as futuras eleições.

Mas alertou que a construção dessa aliança deve procurar parceiros que pensem parecido com os tucanos. “Fazer alianças com disparidade de pensamento entre os parceiros acaba dando num projeto parecido com a base parlamentar do presidente Lula”, disse. O PSDB não pode acreditar que sua ascensão se dará “pelo fracasso do outro” (o PT), insistiu. Mas enigmaticamente preveniu: “Podem surgir por aí novas construções.”

Aécio defendeu que o PSDB continue a apresentar-se ao eleitorado brasileiro como um bom gestor público. “A gestão eficiente pode se transformar em benefícios palpáveis para as pessoas, porque você utiliza melhor os recursos públicos e atrai o setor privado para os investimentos”, propôs, acentuando: “Acho que está ficando cada vez mais claro esse diferencial entre a nossa forma de governar e a concepção de administração pública do PT, que se limita a inchar cada vez mais a máquina, fazendo com que ela cresça mais do que cresce a economia.”

Aécio voltou a afirmar que o Brasil está perdendo a chance de crescer. “O céu de brigadeiro não é eterno”, disse ele, alertando que os indicadores de uma crise econômica que pode se transformar em sistêmica é uma luz amarela que se acende para o País. Ele disse que o governo Lula continua com popularidade alta, “mas não tem avançado nas medidas e reformas estruturadoras que seriam absolutamente necessárias”.

Ele cobrou que o governo Lula precisa dividir tributos com Estados e municípios, desconcentrando o crescente acúmulo de receitas que ficam sob seu controle. “O Brasil vive uma linha perversa de concentração de receitas nas mãos da União e que precisa ser interrompida, em benefício da federação, dos Estados e dos municípios”, disse.

O tucano salientou que os Estados e municípios “podem fazer melhor aquilo que a União vem buscando fazer de forma ineficiente”. Segundo ele, a descentralização deve ser adotada pelo governo federal como a saída mais lógica para a gestão pública.

P.S.

O Globo deu ‘Aproximação entre tucanos e petistas é defendida por Aécio’

***

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